SETORES QUE AFUNDARAM

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Setores que afundaram

Neste espaço eu já avisei em vários outros posts que a partir do dia 17/05/2017, quando houve o vazamento / divulgação dos áudios da JBS, o cenário político brasileiro para o futuro mudou completamente. Algumas reformas estruturais que eram dadas como altamente prováveis por muitos analistas, inclusive por mim, e que tornariam os juros futuros brasileiros menores, tornaram-se improváveis e incertas.

A alta desses juros futuros afetam os setores de formas diferentes. O setor de construção, por exemplo, que depende muito de financiamento, tanto para a construção, quanto para a aquisição de imóveis por parte dos investidores tem uma necessidade de capital do que alguns outros setores, por exemplo.

Sempre preocupado em encontrar oportunidades e assimetrias que ainda existam no mercado fiz o estudo que irei apresentar a seguir.

Antes disso gostaria de lembrar, que se você quiser fazer parte de um grupo de whatsapp comigo, onde eu tiro dúvidas, faço recomendações, mostro o que eu acho da economia e dos momentos de investimento, clique aqui e faça a sua contribuição mensal. 

Utilizando-me da ferramenta do GuiainvestPro, eu criei uma tabela, onde coloquei todas as ações do Ibovespa além das ações do Índice de Dividendos (IDIV). Tabulei todas essas empresas colocando o valor que as ações estavam em 17/05/2017 dia anterior ao circuit breaker, e quanto estavam agora quando estou escrevendo com os preços do fim do dia de quinta feira (22/06/2017).

As ações que já se recuperaram nesse período são apresentadas na tabela a seguir.

 

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Elaborado pelo autor utilizando os dados do Guiainvest Pro 

 

Percebe-se que das seis primeiras empresas que mais subiram nesse período de pouco mais de 1 mês, quatro delas são empresas que se beneficiam da alta do dólar. Fibria, Suzano, Embraer e Klabin. No vídeo, da Carteira de Maio, clique aqui.vocês viram que eu incluí a Klabin por exemplo já pensando nesta situação. E se você não sabe como o dólar e a bolsa se correlacionam inversamente veja o vídeo que já fiz no youtube clicando aqui.

Dentre as outras empresas que também se mantiveram são empresas de diversos setores, mas a relação entre elas está principalmente nos resultados sólidos que elas apresentaram nos últimos resultados e no crescimento de lucros que elas muitas vezes apresentam, como podemos ver na próxima tabela:

 

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Elaborado pelo autor utilizando os dados do Guiainvest Pro 

 

Como vocês podem ver todas elas deram lucro líquido e operacional no último exercício. Todas pagam dividendos, e a maioria delas apresenta crescimentos de lucros. Quando olhamos o crescimento de 3 anos por exemplo, das 16 empresas, 4 reverteram de prejuízo para lucro no período. (Vale, Bradespar, Suzano e Fibria). 10 tem crescimentos de lucros nos últimos 3 anos e apenas duas tiveram redução dos lucros nesse período (Embraer e AES Tiete).

Percebemos então que empresas lucrativas são muito boas para momentos difíceis. Elas são mais resilientes como chamamos.

No entanto, para procurarmos verdadeiras oportunidades, precisamos procurar as ações que caíram e ainda não se recuperaram e que possuam bons fundamentos.

Então montei essa planilha, mas agora com as 20 ações que mais caíram esse período. Lembrando que são entre ações que componham ou o Ibovespa ou o IDIV (índice de dividendos).

 

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Elaborado pelo autor utilizando os dados do Guiainvest Pro 

 

Das 20 ações listadas acima, temos 6 construtoras (Tecnisa, Cyrela, Helbor, Direcional, Even e Eztec). A única construtora da lista que não está nas 20 que mais caíram foi MRV. 7 das empresas da lista são estatais (Banrisul, Petrobras ON e PN, Banco do Brasil, Eletrobras ON e PNB e Copel).

Nós vimos que no início do ano, várias construtoras subiram muito na expectativa de queda de juros futuros no Brasil. E inclusive os juros vinham caindo de forma forte e acelerada. Mas a partir do dia do circuit breaker, eles vem caindo de forma mais lenta. Principalmente os juros com vencimento mais distante, como eu expliquei no artigo de quinta passada. Clique aqui e leia.

Já as estatais também é normal essa questão. Em um momento de expansão da economia até empresas mal administradas costumam gerar retorno ao acionista e como as estatais costumam operar com um desconto grande pelos problemas de gestão que normalmente existem, elas diminuem esse desconto em momentos de melhora da economia. Com a piora do cenário, essas empresas se ressentem mais e caem mais rápido. É aquele famoso ditado:

É quando a maré baixa que vemos quem está nadando pelado.

       Portanto, se os climas de incerteza permanecerem, evite investir em empresas estatais ou construtoras. Ao menos, se o fizer entenda os riscos que você está correndo.

Mas, quais dessas empresas que mais caíram e que pagaram dividendos e geraram lucro líquido e operacional no último exercício e ainda teve crescimento de lucros?

Aí eu montei essa tabela abaixo. E coloquei na cor azul, essas empresas. São poucas obviamente, mas existem algumas.

Notem que a maioria das empresas que mais caíram são empresas que estão com prejuízo líquido no exercício, ou empresas com crescimento em queda.

Na próxima tabela tem 27 empresas, 9 delas tiveram prejuízo líquido no último exercício. 11 delas tem lucro mas tiveram redução do lucro nos últimos 3 anos. E apenas 6 empresas tiveram lucros, crescimento de lucros nos últimos 3 anos, ou reversão de prejuízo para lucro. A outra empresa é CSN, que teve lucro no último período, teve crescimento nos últimos 3 anos, mas teve uma queda forte do lucro anualizado em 5 anos, e que eu preferi não colocar de azul por isso.

Essas seis empresas são as que estão na cor azul.

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 Elaborado pelo autor utilizando os dados do Guiainvest Pro

 

Essas 6 empresas são: JBS, Eletrobras ON e PNB, Estacio, Bradesco e Banco ABC Brasil. Obviamente que não são recomendações. É apenas um estudo mostrando quais foram as empresas lucrativas que caíram nesse período. Mas obviamente se elas caíram forte existe algum motivo para isso. JBS, por exemplo tem uma possibilidade de levar uma multa de 12 bilhões de reais, que corresponderia a 70% de seu valor de mercado. Estacio pode ter problemas para aprovar a fusão com Kroton, e assim por diante.

 

Conclusão

Percebemos nesse artigo, que em momentos de aversão a risco e de incerteza como o atual devemos priorizar investimentos em empresas sólidas, que tenham resultados consistentes, ou ainda empresas que tenham grandes receitas em dólar. Por outro lado, devemos evitar empresas com prejuízos, empresas estatais e empresas que estejam em processo de turn around ou que tenham dívidas altas sejam em reais ou em moeda estrangeira.

Se você gostou da planilha utilizada neste artigo e deseja adquiri-la, clique aqui http://mon.net.br/vl8s . A tabela não tem link para atualização automática, mas se você tiver algum é só alterar o preço de cada empresa. A tabela possui 80 empresas no total.

Hoje a minha recomendação de produtos será no intuito de ensinar as pessoas a investirem. O curso Aprenda a Investir  ou o e-book Ações para iniciantes ou ainda o kit com dois e-books para quem quer aprender a investir em imóveis físicos, sejam eles novos, usados, precisando de reformas, terrenos e etc…

Outra recomendação minha é assistir ao vídeo que eu entrevistei o autor do Livro Tempo é Dinheiro e fizemos um bate papo de mais de uma hora falando sobre as diversas modalidades de investimento que podemos fazer para montar a nossa previdência. Clique aqui.

Obrigado pela atenção de todos.

Bom final de semana e Bons Negócios

     Daniel Nigri. Analista CNPI

 

 

  • Thiago Reis

    Excelente artigo

  • iamdix

    Como simplificar um estudo complexo. parabém Daniel!

  • Maravilhoso. Obrigado por compartilhar este estudo.