TENDÊNCIA PARA O IBOVESPA

Tendência Para o Ibovespa

Teresópolis, 20 de Abril de 2017,

Muitas pessoas, consideram que a bolsa já ficou cara após a alta do ano passado. Hoje eu vou mostrar o motivo porque eu acredito que a bolsa ainda tem muito a crescer nos próximos anos, e o motivo porque ela deve ser nosso principal investimento. Pelo menos por enquanto. No final falarei dos riscos também dessa estratégia.

Antes de falar sobre o momento atual, acho muito importante mostrar a figura abaixo que mostra os ciclos da bolsa de valores no Brasil.

tendencias-ibovespa-01

Gráfico retirado do site

A Bolsa de São Paulo foi criada em 1968, os dados de 1963 a 1967 são da extinta Bolsa de Valores do Rio de Janeiro a IBVRJ. Percebam que a bolsa se movimenta em ciclos, como vimos no post da semana passada. E cada um destes ciclos de alta tem um motivo forte para acontecerem.

Na década de 60, de 1967 a 1971, tivemos o tal do milagre econômico. Maiores taxas de crescimento do PIB do Brasil na história. Claro que as consequências vieram depois, mas neste período tudo eram flores. O aumento da dívida externa foi tão devastador, que a bolsa demorou 12 anos pra retomar a tendência de alta. De 1983 a 1986, foi criado um plano econômico, logo após uma das nossas moratórias, que colocou “dinheiro” no bolso dos brasileiros. Os imóveis se valorizaram e a bolsa também. Quando a bolha estourou, veio uma nova moratória em 1987 e uma queda brusca da bolsa.

Em 1991, já com vistas de um impeachment do ex-presidente Collor e em um segundo momento com a adoção do Plano Real, que conseguiu acabar com as altas inflações no Brasil, a Bolsa engatou uma alta até o ano de 1997. Ano da quebra dos tigres asiáticos e posteriormente da Rússia. Percebam que nessa pernada de alta a bolsa subiu cerca de 2000% em dólar. O Brasil, voltou a captar empréstimos externos e finalmente renegociou toda a sua dívida (Plano Brady).

Crise na Rússia, Tigres asiáticos, 11 de Setembro, fim da paridade dólar x Real, e as incertezas das eleições de Lula a presidência do Brasil, fizeram com que a bolsa sofresse e ficasse em queda de 1997 a 2002. Como o ex-presidente Lula, manteve as políticas econômicas de superávit primário e de controle da inflação, a bolsa voltou a subir. Inclusive ajudada por um grande crescimento econômico Mundial que fez com que o preço das commodities subissem muito neste período de 2003 a 2007. E a nossa bolsa é prioritariamente de empresas de commodities, como Vale e Petrobras por exemplo. Pra quem não sabe, commodities, são produtos que não tem diferenciação, ou tem pouquíssima diferenciação. Ex: o Petróleo extraído em qualquer lugar do mundo, vale o mesmo valor. O minério extraído de qualquer mina do mundo tem o mesmo valor.

O movimento de alta terminou em 2008, por causa de uma crise no coração do mundo capitalista. Nos Estados Unidos. Quebra de parte do setor financeiro e um efeito cascata que foi levando a falência vários bancos, por causa de títulos e créditos podres, quase derrubaram a maior economia do mundo, e por consequência o mundo. Os Estados Unidos, se movimentaram rápido e evitaram um novo crash como o de 1929. Para combater uma possível retração longa da economia, e uma deflação que levaria a dívida de lá a níveis estratosféricos comparada com o PIB. Os EUA lotaram o mundo com dinheiro e com liquidez. A boa notícia é que deu resultado no curto prazo. A má notícia, é que agora precisa ser retirado esse excesso de dinheiro do mundo, ou a bolha pode ser bem maior.

Veja abaixo como este movimento funcionou em diversos lugares do mundo e as bolsas de vários países subiram muito. Nós já vimos que no longo prazo o preço das ações se movimentam de acordo com a alta dos lucros das empresas. Portanto se a bolsa como um todo subiu é porque provavelmente, houve aumento dos lucros das empresas, o que leva a crer que houve melhoria das condições econômicas.

tendencias-ibovespa-02

Retirado desse link.

Nós vemos no gráfico acima, o Indice Dow Jones, principal índice da Bolsa de Nova York, em 2008 caiu de 14100 pontos para cerca de 6500 pontos um ano depois. Mostrando que lá aconteceu uma baixa igual a ocorrida no Brasil. A diferença é que no Brasil depois não aconteceu o período de alta. Vemos que hoje a Bolsa de Nova York já se encontra acima de 20000 pontos. Por isso eu tenho evitado investir na bolsa de lá, ou em ETFs que aplicam na bolsa de lá, ou em COEs que darão retorno caso a bolsa de lá suba. Vejam que para um retorno em dólar já tivemos uma alta expressiva.

Mas, vamos falar de países emergentes, porque estes se aproximam mais do case brasileiro. Vejam agora abaixo o que aconteceu na bolsa do México, com o índice IPC, por exemplo. A bolsa caiu de 32000 pontos para 18000 pontos, assim como aconteceu nos Estados Unidos uma queda forte. E assim como aconteceu no Brasil também. Em compensação, depois a bolsa do México começou a subir, assim como a nossa ensaiou em 2011, chegando a ultrapassar os 70000 pontos. Hoje, a bolsa do México já se encontra 50% mais cara que na época de 2008. Vejam que o aumento de volume da bolsa de lá, mostra um certo esgotamento dessa tendência, que em breve deve parar de subir também. Se eu estivesse lá, já estaria reduzindo posição.

 

Retirado desse site.

 

            Mas, por que essa alta não aconteceu no Brasil?

Principalmente por motivos internos. Neste período, o Brasil, começou a gastar mais do que podia, na tentativa de “turbinar” a economia (crescer o PIB). Foram criados vários programas que acabaram se mostrando ineficientes. Houve uma redução também na arrecadação, por causa da desoneração de vários setores produtivos. Foram escolhidos alguns setores em detrimento de outros, sem nenhum motivo aparente. Estas desonerações, também foram ineficientes, tanto para fazer as empresas continuarem a investir no setor produtivo quanto para a manutenção do emprego dos funcionários.

O aumento de gastos com redução de receitas, fez com que parássemos de economizar para pagamento de juros da dívida como vínhamos fazendo desde 1997. E aí começamos a ter um déficit primário a partir de 2014. Gastando mais do que arrecada, o Brasil passou a ter um risco maior. Então, para emprestar dinheiro para o Brasil, os investidores passaram a querer uma taxa maior. A taxa Selic que em 2013 chegou a 7,25%, passou para 14,25% em 2015/2016. Ou seja, os juros da dívida começaram a ficar bem mais caros, e parte dos investimentos em áreas essenciais precisaram ser remanejados ou descontinuados.

Soma-se a isso, a inflação que acabou subindo muito, e que para não ultrapassar o teto da meta em 2014, os preços de energia elétrica e do petróleo, principalmente, foram represados. Isto fez com que empresas importantes, como Petrobrás, Eletrobrás, Eletropaulo, Cemig, Light, dentre outras, passassem a operar com lucros bem menores ou até no prejuízo. Esta tentativa artificial de manter a inflação abaixo do teto da meta se mostrou equivocada, e em 2015, tivemos um IPCA superior a 10%.

Com todas essas “pedaladas” e artificialismos, o Brasil perdeu o grau de investimento e a bolsa e suas empresas ficaram em queda, principalmente porque com as altas taxas de juros, poucos investimentos valiam a pena. Algumas boas empresas como Grendene, Eztec e Hering preferiram ganhar dinheiro a partir de receitas financeiras, ao invés de ganhar pelo operacional. E mostraram resultados mais consistentes que outras. Tamanha a distorção que chegou o nosso mercado. Chegamos a ter anos que o lucro dos Bancos representaram mais da metade do lucro de todas as empresas abertas.

            Mas então como fazer para Mudar?

Para entender melhor como fazer para mudar, eu gosto muito de olhar o exemplo da Argentina. Lá, a economia chegou a ficar em situação pior que a nossa. O Estado chegou a intervir e tomar para si investimentos da Petrobras, o governo modificava os dados do Indec (IBGE) de lá. E o câmbio oficial era cerca de 8,70 pesos, enquanto o cobrado pelos estabelecimento e casas de câmbio era 14. Só para ficar em 3 exemplos. Vejam que eram distorções ainda maiores que as que o Brasil vivia. Pra piorar, ainda tinham um calote da dívida externa para resolver com os credores que não aceitaram as propostas feitas pelo Governo Kirchner.

Vejam o gráfico do Indice Merval (principal índice do mercado acionário argentino).

 

Retirado desse site

Percebam que a partir do momento em que se cogitou a hipótese de troca de governo, a bolsa de Buenos Aires, engatou uma alta consistente, desde dezembro de 2013, em que ela saiu de 3500 pontos para os atuais 20655 pontos. Estou falando de uma alta de quase 500% em pesos argentinos.

Até as eleições em 2015, a Bolsa de Buenos Aires chegou em 13500 pontos. Isso mostra como o mercado se antecipa. Dos 500% de alta, mais de 300% foram antes da eleição se concretizar. Apenas com expectativas. Quem esperou o resultado para ter certeza de entrar, tem um ganho expressivo de 45% mas certamente perdeu a melhor parte.

Portanto o melhor momento para entrar na bolsa brasileira é o quanto antes.

Por que eu digo isso?

Desde que o impeachment foi confirmado, o presidente atual, tinha várias modificações a serem corrigidas para que o Brasil volte a ser um país “auto sustentável” digamos assim. Que arrecade mais do que gasta. Dentre as modificações estariam muitas medidas impopulares como por exemplo:

Reduzir Gastos Públicos (Foi aprovada a PEC dos Gastos Públicos)

Realizar a Reforma da Previdência (Tem como ser melhor que a que foi apresentada)

Reduzir gastos com programas que é uma pena no curto prazo, mas que serão importantes para a sustentabilidade no longo prazo. (Ciência Sem Fronteiras, Redução de bolsas no FIES, investigação do Bolsa Família são alguns exemplos)

Além de outras medidas econômicas

Criar condições para termos um superávit nominal de volta em 2019.

Reduzir a inflação e trazê-la para dentro da meta (Já foi feito)

Reduzir os juros (para incentivar o setor produtivo)

Reduzir a ingerência em estatais Petrobras e Banco do Brasil (preço dos combustíveis agora se movimentam de acordo com o mercado internacional e fechamento de 400 agências pelo Banco do Brasil, além do Plano de Demissão Voluntária em ambas as empresas)

Fim das desonerações ineficientes.

Esses são alguns exemplos de conquistas que fizeram ou irão fazer a bolsa subir. Quem deixar pra entrar depois do resultado vai perder boa parte da alta. Se você quiser saber uma forma consistente de analisar a bolsa eu recomendo essa forma do Guiainvest  e se você não sabe nada e quer comprar a sua primeira ação eu recomendo esse curso.

Além de continuar acompanhando os artigos do site e os vídeos do canal no youtube.

 

Abraços e Bons Negócios

Daniel Nigri  CNPI

 

  • Renê Roncada

    Bom dia Daniel. Pra investir na bolsa seguindo diretamente o índice, a melhor ação seria BVMF3?

    • Daniel

      Não. A que melhor segue o índice seria BOVA11. Mas é um ETF. Não tem o limite de isenção na venda de 20000 reais.
      O bova11, é um robô que compra sempre exatamente a quantidade de cada ação necessária para que o índice seja respeitada em suas quantidades de cada ação.

      • Renê Roncada

        Ah legal. bom saber. Vou pesquisar mais a respeito de ETFs. Valeu!

  • Thiago Reis

    Artigo sensacional!

    • Daniel

      Obrigado Thiago