COMO A PROTEÇÃO DEVE SER FEITA?

Como a proteção deve ser feita?

Nesses últimos dias tenho lido muitos artigos de pessoas que têm falado que a compra de puts (opções de venda) não funciona para proteger a carteira de ações fundamentalista. Alguns até citam grandes investidores, como o próprio Peter Lynch e Warren Buffet, mas eu espero neste artigo mostrar o motivo e a forma como elas tem funcionado pra mim. Inclusive escrevi um artigo em abril/2017 sobre isso. Clique aqui.

Antes de começar quero fazer duas observações. Se você é um investidor que mantém no mínimo 25% do dinheiro líquido em renda fixa de liquidez diária e alta rentabilidade em todas as situações para aproveitar as oportunidades que surjam, talvez esse artigo não se aplique a você. Porque a sua proteção está na possibilidade de comprar ações a preços cada vez menores caso isso ocorra. Eu acredito que esses grandes investidores prefiram fazer isso.
O segundo ponto que quero antecipar é que para as puts protegerem a sua carteira em 100% da queda, você terá que gastar tanto dinheiro com este “seguro” que não vale a pena. E no longo prazo, você perderá dinheiro. Importante deixar claro que essa estratégia não visa acabar com as variações negativas da sua carteira que poderão acontecer, mas amortecer grandes perdas que possam ser promovidas por um colapso como o ocorrido em 17/05/2017.

Então agora comecemos o artigo

Quando você acha que o seguro da sua casa sairia mais barato. No ano em que os índices de criminalidade estão baixos. Ou em um momento que existe um pânico e muitas notícias sobre roubos e furtos a residência em sua cidade?

Imagino que você tenha respondido a segunda opção. Com a proteção da sua carteira ocorre a mesma coisa. Se você fizer a proteção com a compra de puts no momento em que o mercado está ótimo e tranquilo, você pagará barato pelas opções de venda e com isso terá um seguro mais barato. Caso você deseje comprar depois de uma oscilação mais brusca você terá problemas e pagará muito caro por eles. Portanto, o segredo é se antecipar aos possíveis cisnes negros que possam aparecer no mercado.
Vou dar um exemplo para que isso fique mais claro. No dia 17/05/2017 as ações PN de Petrobrás Petr4 fecharam cotadas a 15,61, como mostra o gráfico abaixo retirado da plataforma do Profitchart Pro.

Neste mesmo dia, antes do problema do vazamento dos áudios das JBS as opções de venda com strike de 15,00 (em torno de 4% a 5% abaixo do preço do ativo que é o que eu costumo usar para essa quantidade de dias que faltavam para o vencimento), fecharam o dia, cotadas a apenas R$ 0,33 como mostra o gráfico abaixo, também do Profitchart Pro.

 

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Obs: Nas minhas proteções eu procuro opções mais longas com vencimentos dois, ter, quatro ou até seis meses pra frente se possível. Aqui estou usando a opção do próximo vencimento para facilitar a compreensão e porque essa tem mais liquidez. As opções de agosto, por exemplo, podem passar dias sem serem negociadas.

 

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O gráfico já nos mostra a incrível valorização que essa opção teve já no dia seguinte quando fechou cotada a R$ 2,00. Uma valorização de 500% em apenas um dia. Claro que isso é a exceção. Isso não acontece quase nunca. Mas vamos pensar que você colocou 1000,00 para proteger sua carteira de R$ 100 mil reais nessa opção. No dia seguinte a sua opção estava valendo R$ 6000,00, e como a bolsa caiu um pouco menos de 10%, sua carteira fundamentalista passou para 90000,00. Veja que sem a proteção você teria 90.000,00 reais com R$ 100 mil anteriores. Com a opção de venda, você R$ 96.000,00 reais com R$ 101.000,00 anteriores. A put não te protegeu de perder dinheiro, mas reduziu muito as suas perdas.
O mais importante vem depois. Aí depois que a bolsa cai 10%, e a volatilidade da bolsa aumenta, as sardinhas começam a aparecer e querem comprar as opções de venda. Tiveram algumas que subiram 2000% naquele dia. No entanto, essas opções muito distantes eu não recomendo para a proteção, porque elas possuem normalmente altas volatilidades.
Então no dia seguinte, faltando 21 dias úteis até o vencimento das opções no dia 19/05/2017. 1 dia a menos que no dia anterior, e depois da bolsa despencar 10%, as pessoas passam a querer proteger a carteira com opções de venda. No dia 18/05/2017, as ações de petr4 fecharam a R$ 13,15. Por isso, usando a mesma estratégia de se proteger com opções que estivessem com strike (preço de exercício) entre 4% e 5% menores chegamos as opções de venda com strike R$ 12,50. Olha quanto essas opções estavam valendo…..

 

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Viram só… O mesmo seguro que no dia anterior valia R$ 0,33 por opção, no dia seguinte depois do problema todo passou para R$ 0,58. Em outras palavras, pra você ter o mesmo seguro, que irá te proteger a partir de uma queda de 4% a 5% você terá de pagar quase o dobro por isso. Lembram da analogia que eu fiz com o seguro do imóvel?
E na bolsa ainda é pior, porque agora você estará fazendo uma proteção de R$ 12,50, contra a proteção de R$ 15,00 anteriores, né? Vai proteger 16,7% a menos do seu patrimônio. Seria o equivalente a você fazer o seguro da sua casa depois da cidade ficar mais arriscada e ter entrado um ladrão na sua casa e ter roubado 1/6 do valor dos seus bens.
Mesmo hoje, essa opção ainda está cotada a R$ 0,19. Faltando apenas 9 dias para o vencimento. Como petr4, fechou sexta feira cotada a R$ 13,05, um preço parecido com o do dia 18/05 pude fazer essa mesma comparação.

Em opções o indicador que mede esse aumento ou redução de risco chama-se volatilidade. E eu já escrevi um artigo sobre isso. Clique aqui.  O principal é saber que a volatilidade é “inimiga” do comprador de proteção. Então volatilidade menor é bom e volatilidade maior é ruim.
Sabendo disso criei o quadro abaixo, para que você saiba o melhor momento para adquirir puts (opções de venda) para proteger a sua carteira.

 

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Produzido pelo autor.

Algumas observações finais que eu quero fazer:

1) O momento anterior ao dia 18/05/2017 estava perfeito para comprar puts, como vimos nesse artigo e no quadro. Isso porque os ativos estavam com a volatilidade baixa e os preços estavam praticamente na máxima em alguns anos. É o que chamamos de um grande risco de cauda. Quem conhece volatilidade, sabe que no longo prazo ela volta para a média.

2) Essa estratégia só irá te proteger efetivamente em quedas grandes superiores a 10%. Para quedas pequenas você precisa entender que fazem parte do jogo e são inerentes ao ambiente de renda variável. Se você não consegue dormir com quedas de 3, 4 , 5 ou 6%, vale a pena repensar seus investimentos. Não tenha vergonha, invista em Renda Fixa. Existem cursos ótimos em Renda Fixa e Tesouro, como esse aqui e esse aqui, que vão provavelmente te fazer ganhar ótimas rentabilidades. Ou ainda fundos que superam o CDI com certa previsibilidade.

3) Existem ativos que não precisam ser protegidos. Sua maior proteção são seus lucros constantes e resultados consistentes mesmo em períodos de crise. Exemplo: Minha posição em itsa4 não é hedgeada (protegida) nunca.

4) É importante analisar quais os ativos que possuem correlação com a sua carteira para que você possa se proteger de uma forma mais segura e eficaz. Existiram ações como Vale5, que mesmo com a queda de 10% não caíram nada praticamente. E nem sempre Bova11, é o ativo mais correlacionado.

5) Essa é uma estratégia de proteção. Não é uma estratégia para rentabilizar. Normalmente a rentabilidade dela está atrelada a perdas na sua carteira fundamentalista. Por isso, se quiser saber o rendimento da estratégia o ideal é somar total de puts com esse objetivo de proteção mais as ações.

No curso de opções Dica de Hoje, existe um módulo em que falo de proteção da carteira fundamentalista, mas infelizmente as 40 vagas se esgotaram rapidamente em pouco mais de 12 dias. Agora o meu objetivo é fazer com que essas pessoas aprendam bem o mercado de opções e possam caminhar com as próprias pernas. Inclusive já fiz um hangout para eles aprenderem melhor. Enfim, meu compromisso agora é com o aprendizado deles. Quando este aprendizado já estiver consolidado irei abrir outra turma.
Enquanto isso inscrevam-se no mini-curso de opções para começar a ter mais conteúdo e para já abrir a cabeça para esse mercado tão importante. Clique aqui.

Abraços,

Daniel Nigri, Consultor CNPI

  • Usuario1

    Tá ruim demais de compreender este artigo, cheio de erros de português, falta vírgula, ponto onde seriam dois pontos, etc.

    • Daniel

      Isso é cansaço. Vou dar uma olhada. Obrigado.

  • earl11

    Daniel, sou iniciante no mercado de renda variável e me parece que, para um pequeno investidor que não pode dedicar muito tempo num gerenciamento ativo de uma carteira fundamentalista, uma alternativa que venho fazendo para equilibrar as perdas é simplesmente dividir a alocação de RV entre ações e um bom FIM. No que invisto, por ex., ele quase sempre entrega 50% do IBOV, pra cima ou pra baixo. Certamente a rentabilidade de sua estratégia deve ser um pouco maior, mas será que a diferença é suficiente para valer a pena o investimento de tempo para um pequeno investidor? Não é uma provocação ou coisa assim, é uma dúvida genuína. Você mencionou no texto o exemplo de R$ 100 mil: seria esse, mais ou menos, um montante de carteira de RV adequado para começar a valer a pena o tempo dedicado a temas mais complexos como o mercado de opções, venda a descoberto. long & short etc.? Acredito, assim como você, que o “buy and forget” não é a melhor abordagem para um investidor fundamentalista e cada pouco que aprendo me desperta um maior interesse.
    Parabéns pelo site e pelo canal no YouTube (que me trouxe até aqui). Grato pelo conteúdo de qualidade.