TESOURO PRÉ OU IPCA?

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Nestas duas últimas semanas, as taxas dos títulos do Tesouro foram reduzidas e com isso se valorizaram bastante. Para vocês terem uma ideia, aquele título do Tesouro IPCA 2045, que ninguém queria há algumas semanas, o mesmo que caiu 22% no dia do circuit breaker, valorizou-se 9,81% em 15 dias. Em 06/07/2017 valia R$ 656,73 e agora no dia 21/07/2017 está em 721,18.

Veja nas tabelas abaixo a valorização de alguns títulos e a mudança de taxas entre esses dias.

tesouro-pre-ou-ipca-01Elaborado pelo autor

 

Como podemos ver o título mais longo foi o que mais rendeu. O motivo para essa questão eu já abordei nesse outro artigo que inclusive expliquei a minha estratégia no IPCA 2045. Clique aqui.

No entanto, na minha carteira de Junho no vídeo do youtube, eu incluí recomendação de compra do pré-fixado com objetivo de venda entre 9,50% e 9,90%. Eu imaginava que chegaria na meta em até 6 meses, e como vocês podem ver o objetivo chegou em apenas um mês. Não irei dobrar a meta, hahahaha. Clique aqui e assista ao vídeo se você ainda não viu.

Mas o que não ficou claro para alguns investidores, foi a razão que eu mandei comprar pré-fixado em junho e não o Tesouro IPCA como fazia parte da minha estratégia anterior. E é isso que eu vou explicar agora nas próximas linhas.

Percebam, primeiramente, que se pegarmos os dados das tabelas anteriores de 28/06 a 06/07, o tesouro pré-fixado foi o que mais rendeu. E quem está no grupo de apoiadores do canal, sabe que quando o pré caiu de 10,30% eu recomendei parar de aportar nele e começar a aportar no Tesouro IPCA 2045 de volta. Se você quiser fazer parte do grupo contribuindo mensalmente, clique aqui. As vagas são limitadas. Como já são mais de 140 apoiadores espalhados em dois grupos, talvez você conheça algum.

Vamos lembrar agora como era o cenário macro econômico no final de Junho. Previsões de inflação em queda, previsões de juros em baixa, crescimento do PIB pra baixo também e alguma pressão cambial. COPOM avisou que reduziria os cortes na próxima reunião, e com isso todos acreditavam em queda de juros de apenas 0,75% naquela ocasião.

O título prefixado possui uma rentabilidade já acordada até o vencimento no momento da compra. O Tesouro IPCA, possui uma parte da rentabilidade pré acordada no momento da compra que é o prêmio do título. (exatamente a taxa que vimos na tabela ao lado) e outra rentabilidade que é pós fixada de acordo com o IPCA. Entender isso será fundamental para falarmos de inflação implícita mais tarde nesse artigo.

Chega-se então a duas conclusões:

A primeira que o Tesouro IPCA tem um risco menor de longo prazo, visto que uma parte da rentabilidade será dada pela própria inflação. Vamos imaginar um cenário hipotético que a inflação fique em 15% ao ano por 6 anos seguidos, o investidor que comprou o tesouro prefixado 2023 a taxa atual de 9,87% terá uma perda do poder de compra. Enquanto o investidor que comprou o Tesouro IPCA ganhará 15% + 5,27% de rentabilidade. Em compensação se a inflação for 0% ao ano por 6 anos seguidos, o investidor do pré ganhará um poder real de compra de 9,87% contra um ganho real de apenas 5,27% do investidor que comprou o Tesouro IPCA 2045. É aquela relação que tanto falamos aqui. Maior risco x maior retorno.

A outra conclusão é que dentro da rentabilidade do pré, existe uma parcela que é a expectativa de inflação pelo mercado para os próximos anos até o vencimento. Essa expectativa do IPCA para o período chama-se inflação implícita.

Então vamos calcular, como exemplo, a inflação implícita em 28/06 quando eu dei o call no prefixado. Titulo pré tinha taxa de 10,76%, IPCA 2035 tinha taxa de 5,66% (o ideal seria fazer o cálculo com a taxa do IPCA 2024 que teria duration parecida), mas apenas como aprendizado, veja os cálculos usando os dados que temos comparando com a taxa do IPCA 2035 mesmo.

 

Inflação implícita = (1,1076 / 1,0566) – 1 = 4,8268%

 

A inflação implícita que o mercado esperava estava em 4,82%, mas o Banco Central tinha acabado de dizer que a meta de IPCA a ser perseguida a partir de 2019 seria de 4%. Mesmo entendendo que o título do IPCA tem um risco menor como explicado na primeira conclusão, essa diferença era excessiva e eu me aproveitei dessa assimetria no tesouro. Clique aqui e saiba mais sobre assimetrias.

Vamos ver agora como estava a inflação implícita no dia 06/07.

Fazendo os mesmos cálculos de cima tínhamos (1,1052 / 1,0562) – 1 = 4,64%

A diferença já tinha diminuído, mas ainda era excessiva. Quando o tesouro pré caiu de 10,30% foi no dia 13/07/2017, que chegou a fechar em 10,21%. O tesouro IPCA 2035 fechou nesse dia a 5,50%. Vamos fazer os cálculos e vocês verão que aquele desconto acabou. (1,1021 / 1,0550) – 1 = 4,46%.

No 4,46%, ainda tinha um pouco de desconto, mas aí já não tínhamos uma relação risco x retorno tão favorável pra nós. Porque a meta será de 4%, mas a meta sempre foi 4,50%, e o Brasil tem tido dificuldade nos últimos anos de alcançar os 4,50% em anos consecutivos. Então, é normal que esse valor fique um pouco acima dos 4%. Também porque o investidor do tesouro pré corre aquele risco da primeira conclusão que seria uma alta abrupta da inflação. Neste momento eu falei pro pessoal do grupo parar de comprar e voltar a investir em tesouro IPCA. Afinal uma rentabilidade acima da inflação de mais de 5,20% ao ano por 28 anos, é bem atrativo. Muitos investidores de vários países do Globo Terrestre adorariam esse retorno.

E só pra finalizar, vamos calcular a inflação implícita atual.

 

Inf. Implícita atual = (1,0987 / 1,0527) – 1 = 4,37%

Neste patamar ela deve se estabilizar.

Espero que vocês tenham gostado dessa noção da inflação implícita. Fiquem sabendo então que agora, pra comprar, é Tesouro Selic, ou o restinho da rentabilidade do Tesouro IPCA, ok?

Mudança na Estratégia do IPCA 2045!!

Queria aproveitar esse artigo para falar de algumas mudanças na minha estratégia do Tesouro IPCA. Antes eu falava pra esperar para vender entre 3,90% e 4,10%. Afinal, essas taxas já tinham sido alcançadas no passado, e pelo cálculo de inflação implícita elas seriam possíveis. Com a redução da meta de inflação a partir de 2019 para 4,00% ao ano, nós precisamos fazer um ajuste no ponto de saída dessa recomendação. Dificilmente eu vejo a taxa do prefixado mais longo abaixo de 8,50%, a não ser que existam melhoras estruturais na economia. Portanto se considerarmos uma taxa de 8,90% e uma inflação implícita de 4,30%. Teríamos uma conta inversa de 4,41% de taxa para o Tesouro IPCA mínima.

Portanto a venda dos meus títulos será realizada caso a taxa fique entre a faixa de 4,30% e 4,60% para ter alguma margem de segurança, ou se as taxas de juros começarem a subir antes. A operação terá um lucro menor, mas algumas mudanças fogem a nossa vontade. E as compras em patamares inferiores a 5,00% devem ser evitadas.

É possível que o valor fique inferior a 4,30%, mas na minha opinião, esta taxa, já estaria incluindo melhorias estruturais no Brasil como um todo. Essa aposta, atualmente, eu não topo fazer. Mas na década de 2000 tivemos uma situação similar. Quando o Brasil sempre tinha taxas de juros superiores a 15% ao ano, e caímos desse patamar chegando até 8,75% naquela ocasião e esse novo patamar se mantém até hoje e inclusive rendeu o grau de investimento para o Brasil por alguns anos.

Lembrando a vocês que eu lancei recentemente, uma área de membros que está quase totalmente aberta para degustação até o mês de outubro / 2017. Lá, você encontra 5 estratégias diferentes para operar com Renda Variável. Vale a pena observar e perceber qual que se encaixa melhor com o seu perfil de investidor. Clique aqui https://areademembros.dicadehoje7.com/

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Enfim, muito obrigado a todos

Abraços e Bons investimentos

Daniel Nigri   analista CNPI

  • Ivan Couto Jr

    Daniel
    fiquei em dúvida quanto ao ponto de saída do Tpre23. Vc diz para parar de comprar, e também que a inflação explícita já deve estar no seu mínimo. Mas vc recomenda a venda imediata?

    • Paulo Nascimento

      No texto ele recommenda vender entre entre 9.5 e 9.9

    • Daniel

      Venda entre 9,50% e 9,90% da taxa de venda. 9,50% pro investidor mais agressivo e que na pior das hipóteses poderá segurar o investimento até o vencimento.
      9,90% pro investidor que é mais conservador e tenta reduzir riscos.

      • Cícero

        Daniel, eu creio que fica abaixo de 8,50%. Hoje já está em 9,82 na compra e a tendência é de boa queda. Lembrando que o prefixado mais longo em 2012 chegou a 7,99% um dia!

        • Daniel

          2012 o Brasil ainda tinha grau de investimento. O risco por si só já é maior hoje em dia. Eu preciso ser conservador também um pouco.

    • Daniel

      E é impl[icita e não explícita. Ela está dentro da remuneração do TPré “escondida”.

  • Thiago

    Daniel, parabéns pelos artigos, sempre um novo aprendizado! O que tenho mais dúvida é referente a estratégia, para eu começar a traçar as minhas buscando essas assimetrias. Por exemplo essa do Tesouro IPCA 2045. Você recomenda agora a compra até ipca+5% supondo um cenário de inflação implícita de 4,30%. Essa inflação implícita eu suponho que você imagine ela pelos patamares atuais, de 4,50% +- comparando ipca 2024 com pré 2023, pouco abaixo disso e meta entre 4 e 4,50. Mas como você prevê o pré fixado a 8,90% por exemplo? Quais dados você usa para chegar a essa conclusão? E após essas conclusões quais critério você determina para ser uma vantagem, como no caso vender entre 4,30% e 4,60% e compras até 5%.

    Obrigado!

    • Daniel

      A taxa futura do pré, é a Selic mais um premio de risco pelo longo prazo. Hoje já melhorou um pouco o cenario. Depois da ata de ontem do Copom