Business PLan 2: De Olho na Gestão

De Olho na Gestão

Blockchain na Cadeia Logística?

Mas não era aplicada apenas no setor financeiro?

Lembrei, é aquele “negócio” que surgiu com o Bitcoin, né?

Essas são as reações que algumas empresas/pessoas apresentam, quando o assunto é a utilização e os impactos da tecnologia Blockchain na Logística, e a minha resposta é sempre a mesma: sim, existem muitas aplicações bem sucessidas pelo mundo e aqui no Brasil também. E quais os pilares desse modelo? Segurança, eficiência, transparência e privacidade!

E que empresa e/ou cliente não almeja alcançar esse resultados em suas operações, não é?  Afinal, estamos falando de custos, ou seja, de margem e de rentabilidade nas operações que geram o valor.

OBS: importante destacar que estamos falando de Blockchain permissionado, e não público (usado para a maior parte das criptomoedas).

Mas antes de falarmos sobre a aplicação na logística, vamos lembrar o que é Blockchain, o encadeamento de blocos que tem como objetivo armazenamento e compartilhamento de informações, de empresa para empresa, sem a necessidade de um intermediário que controle a operação inteira (uma autoridade de controle que detenha todas as informações), os registros dos dados são descentralizados e compartilhados com segurança, ou seja, na logística é possível usar a tecnologia Blockchain pelo grupo que compõe a cadeia e, então, compartilhar os dados entre todos eles.

Como os dados são armazenados em blocos, cada um deles é conectado ao bloco anterior. Logo, existe um desenho de cadeia, e só é permitido fazer a inclusão de mais um bloco a um blockchain, não sendo permitidas modificações ou exclusões após o bloco estar na estrutura do blockchain. As informações então são divididas em blocos compartilhados e encadeados com identificação única (hashes criptográficos), assim promovendo a integridade de dados, o que gera segurança e tansparência na cadeia que a utiliza, afinal, não é possível “mexer” nos dados, seja qual for a intenção (lícita ou não), sem a permissão das partes, isso porque, como dito acima, depois de registrado não pode ser alterado, apenas compartilhado, além de promover um serviço mais ágil e com maior garantia de controle (rastreabilidade), e controle de custos no processo inteiro.

Um exemplo clássico de utilização nas terras brasileiras é o modelo na operação logística para o rastreamento (indústria de alimentos), permitindo ao cliente o acesso a informações do produto na cadeia, o que aumenta a confiança na marca, e com esse movimento existe a consequente valorização pela capacidade de organização e controle, que são indispensáveis para a fabricação de um produto de qualidade. E sabemos que qualidade está intimamente ligada a preço, e que preço está ligado à margem, e que quanto maior a margem agregada, maior a capacidade de a empresa gerar lucro, se for eficiente.

Outro exemplo é o de entregas. Imagine que você fez uma compra para o natal. O primeiro passo é a emissão da nota na empresa vendedora, correto? Depois de faturada, a mercadoria é despachada para a transportadora; de lá ela viaja até um CD próximo a sua cidade. Nesse CD é feito o processo de last mille e então um novo serviço de entregas é contratado, e então você receberá a sua mercadoria. Inclusive existe uma grande indústria de cosméticos com projeto piloto.

Com a utilização do blockchain no processo, levando em consideração que cada bloco é um nó e contém dados armazenados e as hashes, a cada novo nó completo ocorre a cópia de todos os blocos da cadeia. Assim, toda vez que um dos elos adiciona informação, ela será integrada à rede, ou seja, todos os blocos recebem a mesma informação. Portanto, não existe mais aquele velho dilema de: quem foi que perdeu a mercadoria? Chegou ou não chegou?

Contextualizando: não existe mais a possibilidade de confusão nas informações entre os elos até que o presente de natal chegue a sua casa, isso devido ao fato de que o rastreamento da entrega funciona com base em segurança e transparência da informação, ou seja, cada um dos elos da cadeia de distribuição irão ter acesso à rede e esta disponibilizará a informação sem possibilidade de fraude, modificações e também reconhecimento de onde estão os maiores gargalos e as perdas, além de maior eficiência na precificação e roteirização entre os participantes da cadeia, através dos algorítimos de consenso.

E como não citar o clássico pagamento dos fretes embarcador/transportadora e suas reconciliações.

Então, a aplicação desse modelo nos negócios:

  1. Busca um processo de confiança entre os elos da cadeia, visto que os dados são compartilhados.
  2. Aumenta a segurança dos dados do processo (da cadeia).
  3. Com maior segurança dos dados inseridos no processo, as mudanças e fraudes no caminho da cadeia são minimizadas.
  4. Para a logística, aumenta a possibilidade de qualidade no serviço e nos produtos que são movimentados/armazenados, transportados, assim como a rastreabilidade em todas as etapas da cadeia de produção, o que será cada vez mais essencial na indústria.

O registro na cadeia de produção diz respeito a dados referentes ao produto, como por exemplo: preço, localização, informações referentes à qualidade, informações de datas, quantidades, etc. Em grandes cadeias, com muitos fornecedores, a utilização é importantíssima para assegurar a autenticidade de todos os produtos utilizados na produção do produto final. Sem esse controle, a gestão da qualidade do processo/produto pode ficar comprometida, afinal, com peças vindo de locais diferentes do globo, com muitas etapas, como garantir que a peça é de fato a que saiu do local de origem? Ou ainda, que não saiu do local de origem já adulterada?

Além do fator mais óbvio, na cadeia acaba a história de: “fala com fulano”, “fala com ciclano, não está comigo”, “acho melhor perguntar para beltrano”, ou seja, você precisa apenas se comunicar com a rede e então direciona para os elos, o que poupa tempo e evita as distorções de comunicação que geralmente causam falhas no processo. Veja que não estamos falando de um fornecedor da mesma cidade, estamos falando de produtos transportados por navios, meses de viagens, portos, enfim, não é tão simples como alguns imaginam, e informação é sim um artigo de muito valor para os negócios.

Algumas empresas que usam: Maersk, Nestlé, Unilever, Walmart, Brasil Foods, Natura (projeto), Nasa, Amazon, Mastercard, Pfizer, BMW, Cargill, Samsung, Carrefour, entre muitas outras.

“É melhor construir um relógio que pode dizer as horas mesmo quando você não está lá”

Jim Collins

Obrigada pela companhia!

Até a próxima.

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