E se? Eu devia ter feito, perdi dinheiro! Por que eu fiz? Perdi dinheiro!

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E se

O entusiasmo demasiado nunca deve ser companheiro da análise de um ativo, isso porque um mercado em alta gera investidor “top Premium” que só ganha, nunca perde, pelo menos até a maré virar.

As empresas existem para gerar lucro, esse é o objetivo principal de qualquer negócio, logo se o investidor souber escolher o ativo, ele terá ao longo do tempo um aumento de patrimônio, por isso investir em ações deve ser algo a longo prazo, gerenciando os ativos que estão em carteira, para que permaneçam apenas os que de fato estão apresentando resultados positivos.

Abaixo estão listadas algumas perguntas que você deve ter ouvido ou até mesmo feito, em algum momento da sua trajetória como investidor. Aqueles questionamentos que causam algumas dúvidas no momento de decidir o investimento e são seguidos de duas possibilidades, dependendo do movimento que o ativo segue posteriormente. Explicando melhor:

Investidor decide fazer o investimento, com dúvida sobre ser uma boa ideia ou não, logo se:

  • Preço / cotação do ativo recua e o investidor perde dinheiro, isso faz com que na próxima oportunidade de investimento ele seja mais cauteloso, estudando e traçando margem de segurança, não concentrando em um ativo etc., ou então ele conclui que a renda variável tem algo contra ele, só acontece quando ele compra (o ativo recuar *ironia), e todas as decisões dele após o evento serão baseadas em medos e incertezas.
  • Preço / cotação do ativo sobe (foguete), e o investidor “ganha” dinheiro, logo na próxima oportunidade de compra a tendência é que ele acredite que a “sorte” estará com ele, afinal leu alguns comentários na rede social, fóruns etc., e tem “tudo pra subir 100%”, só comprar, ou então ele conclui que nenhum ativo é a prova de tudo e que negócios são dinâmicos e que entregar um ROE de 40% e fazer previsões de crescimento de 500% nos próximos 10 anos, não é exatamente um cenário plausível para a maioria dos negócios, portanto sabe que a gestão do ativo em carteira através de um balanceamento inteligente para reduzir riscos, se faz necessária.

Para ficar ainda mais claro vamos usar alguns exemplos de perguntas:

  • Quero investir em ações, mas não sei se é uma boa ideia, pois conheço muita gente que perdeu dinheiro, por outro lado eu li na internet que muita gente ficou rica fazendo “isso”. Existe algum segredo para “dar certo”?

Não existe segredo, existem métodos diferentes. Mas para “dar errado” tem uma lista bem longa, que começa por:

  • Acreditar cegamente em dicas e ativos da “moda”
  • Acreditar ser possível ficar milionário da noite para o dia, investindo em apenas um ativo de alto risco
  • Investir com base em boatos e promessas, que aquele ativo seria o pote de ouro no fim do arco-íris
  • Não analisar o negócio e acabar investindo em empresas ruins.
  • Comprar e vender sempre no prejuízo, após a primeira queda na cotação, sem saber o que de fato a causou.

Eu devia

  • Eu gostaria de investir em ações, mas não estou preparado para ver meu patrimônio desvalorizar com a cotação, nos momentos de queda.

Insegurança e mercado de capitais são elementos que não combinam, eles são a mistura responsável pela alta taxa de mortalidade no mercado. Existe a insegurança por não ter experiência no mercado e existe aquela resultante do “investimento de expectativa”, eu monto a operação porque acho que vai subir, monto uma operação vendida porque acho que vai cair, monto uma operação porque meu joelho dói, e assim por diante.

Não se trata de comprar ou vender o ativo, mas de estar ciente dos fundamentos e dos riscos para não acabar sendo apenas quem paga corretagem e acumula prejuízos.

Para relembrar:

“O preço/cotação de um ativo é instável, oscila pelas operações entre vendedores e compradores, um querendo vender o mais “caro” possível e o outro tentando comprar o mais “barato” possível, ou seja, oscila com base no comportamento da massa, a operação só ocorre quando um dos dois está disposto, por motivos diferentes, a ceder.”

Muitas vezes seu patrimônio poderá estar valendo bem menos, nesses momentos é preciso paciência e confiança na sua escolha, se os ativos que estão na sua carteira foram escolhidos seguindo critérios básicos de análise de fundamentos, essa queda é uma oportunidade, nesse caso não dê ouvidos a emoção, que com certeza irá cochichar no seu ouvido: venda tudo, diminua seu prejuízo enquanto ainda não perdeu tudo. Caso o ativo perca fundamentos, é sua responsabilidade estar atento ao negócio para perceber esse movimento.

Operar renda variável é estar atento para montar posições que estejam alinhadas com as variáveis internas e externas que influenciam o ativo, seja a liberação de uma demonstração financeira da empresa, exemplo:

A empresa fez uma grande aquisição, que exige um investimento considerável que afeta o balanço (MDIA/NATU/COGN/KLBN), logo a alavancagem financeira precisa ser considera na análise, mas veja que não de forma isolada e sim em conjunto com a capacidade de alavancagem operacional que esse projeto trará. Lembrando também que as sinergias levam tempo para acontecer, e não é nem um pouco realista (pelo menos pra quem entendem o mínimo de gestão), assumir que as sinergias ocorrem antes de 2/3 anos de trabalho para organização dos processos, portanto considerar que os fluxos de entrada (processo atual que gera valor/caixa, devem estar alinhados com os fluxos para manter a obrigação da dívida em dia, considerando obviamente que as premissas anteriores a essa etapa tenham sido planejadas adequadamente, a TIR adequada os fluxos intermediários considerando o mesmo  ou maior retorno inicial e obviamente que esse custo/passivo oneroso tenha as proteções adequadas em relação a moeda/taxa de juros – índices etc.

Resumindo: aqui tu tens um exemplo bem claro sobre a interferência direta e indireta, ou seja, a empresa fez investimento – capex, ela precisa gerar valor / caixa para manter a divida em dia, os processos internos precisam estar ajustados para que ela seja rentável e o planejamento para a nova aquisição render precisa evoluir, e isso tudo aliado ao cenário externo que vai afetar a demanda (que é o que gera o faturamento), que está ligada a politica monetária (que influencia na capacidade de consumo) além claro, dos índices que fazem os reajustes e definem os custos e preços de venda dos produtos e serviços.

Ou então, uma segunda opção: quando existe uma notícia em relação a dados econômicos e então as previsões entra em cena, no melhor estilo: carros movidos a Diesel tem os dias contados na Europa, logo todas as empresas da cadeia automaticamente não valem mais nada, zero ou na melhor das hipóteses centavos (contém ironia). Ou um boato sensacionalista dizendo que: com certeza absoluta não tem mais jeito, a única saída é o aeroporto.

Independentemente do tipo de operação é importante definir limites e respeitar os riscos por que fizinerentes ao negócio, nunca comprometa mais do que pode, não confunda bolsa com loteria tampouco com cassino. Quando o assunto envolve dinheiro, algumas pessoas são irracionais, atentam apenas aos fatos recentes e ignoram todo o restante (inclusive cenário projetado), além de apresentar dificuldade em probabilidades, então assumem a possibilidade de 50/50 e fim, se der certo “beleza” se não der? Vamos culpar a irracionalidade do mercado, fim!

O investimento em renda variável deve ser amparado por análise dos fundamentos da empresa, afinal você se torna sócio do negócio, isso significa dizer que quanto maior a rentabilidade da empresa, maior será seu rendimento também. Invista em aprender a diferenciar um ativo esgotado na alta, com pouca margem, de um ativo que ainda tem espaço para crescer e entregar mais resultados, se a alta está embasada em cenários econômicos realistas, em resultados entregues pela empresa, projetos de expansão ou se é apenas otimismo, e não esqueça de tomar muito cuidado com o pessimismo apocalíptico, que é extremante criativo nas manchetes: “venda tudo e fuja para as montanhas”, venda no pânico sem analisar nada além da cotação.

Empresa não é só passado e não é só projeção, um negócio é a união de fatores que refletem o que ocorreu no passado, ocorre no presente e possivelmente irá acontecer no futuro.

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