AS MAIORES ALTAS DE 2017

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As Maiores Altas de 2017

Tem tido uma confusão muito grande entre as pessoas que me perguntam por que empresas ruins e com prejuízo sobem mais que outras empresas que têm bons fundamentos. E então, se não valeria a pena investir apenas nessas empresas. Já posso te adiantar que fazendo apenas isso, você estará apenas aumentando o risco da sua carteira, com grande chance de perder, por investir em ações que já subiram muito. Vamos tentar analisar as maiores altas de 2017 para tentar entender com melhorar esse filtro e separar as boas dos “micos”.

Antes de mostrar a planilha com as empresas que mais subiram, é importante ressaltar que empresas em turn-around (saindo do prejuízo para o lucro) em teoria têm uma chance maior de retornos maiores, principalmente nesse momento da economia de queda dos juros e do IPCA. Normalmente, elas ficaram muito baratas e caíram muito nos anos anteriores e ao mínimo sinal de recuperação da empresa, as ações disparam como veremos entre as que mais subiram. Isso acontece, porque essas ações têm muito mais a melhorar que as empresas que já possuem fundamentos sólidos e constantes. Para pegar duas empresas do mesmo setor: Qual empresa é mais fácil melhorar os resultados: Lojas Renner (Lren3) que sempre gera bons resultados e crescentes ou Lojas Marisa (Amar3) que gerou 7 prejuizos trimestrais nos últimos 9 trimestres? Certamente que a empresa que tem mais a melhorar os resultados é Marisa, porque ela piorou muito. Mas qual empresa tem mais chance de gerar bons resultados? Lojas Renner. Portanto Lren3 é a escolha pra quem quer menos risco e mais previsibilidade enquanto Amar3 é ideal pra quem é mais agressivo e aceita perder 50% ou até mais caso os resultados não venham.

Abaixo estou incluindo as ações com negociações médias diárias acima de R$100 mil que mais subiram em 2017, até o dia de hoje. (fim do dia de 12/05/2017). Eu já fiz um vídeo no youtube com as ações que mais tinham subido no meio de fevereiro e que você pode encontrar aqui. Vocês verão que algumas das principais em alta em fevereiro, como rsid3 e pdgr3, continuam na lista, mas reduziram sua rentabilidade de fevereiro para cá. Isto significa que as “sardinhas” que entraram depois do vídeo, sem prestar atenção nele inteiro, estão perdendo dinheiro nessas ações.

A tabela toda foi feita com uma ferramenta poderosa que tem informação sobre todas as ações da bolsa brasileira, que é o Stock Guide do Guiainvest Pro. Produto que eu assinei no final de Abril e tenho utilizado para muitos estudos como vocês podem observar em vários artigos e vídeos. Recomendo demais. Pra conhecer, clique aqui.

 

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Tabela criada com o GuiaInvest Pro

 

Vemos na tabela acima que 8 empresas já subiram mais de 100%. No vídeo de fevereiro apenas 4 ações tinham subido acima desse patamar. Rsid3 (235,19%); CTKA3(220,45%); pdgr3(178,15%); hbor3(101,30%). Todas elas perderam valor, nos últimos 3 meses. Outra coisa importante de se mostrar é que antes tinham duas ações com altas acima de 200% e agora não tem mais nenhuma. Surpreendente é o desempenho de Mglu3 (magazine Luiza) que ano passado cresceu quase 500%, foi inclusive a ação que mais subiu na bolsa em 2016, e agora já está em terceiro lugar.

Vamos rodar essa tabela um pouco mais para ver se essas empresas têm bons fundamentos. Olhem o lucro líquido desse grupo de 24 ações, na tabela abaixo.

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Tabela criada com o GuiaInvest Pro

Excluindo as duas primeiras empresas que continuam no prejuízo e que eu considero exceção nessa planilha e os reais motivos dessa alta teriam de ser estudados mais a fundo. Percebam que da terceira até a sétima empresas Mglu3, CRPG5, Vulc3, Goll4 e Idnt3, são empresas turn around. Empresas que tinham prejuízo em 2015 e agora estão com lucro. Importante ressaltar que em 2017, várias empresas estão conseguindo realizar os turn around de forma bem sucedida, devido ao início da melhora da economia, a queda dos juros que estão influenciando positivamente nas dívidas.

Vejam também que as únicas empresas que cresceram muito e que ainda estão no prejuízo da lista são 6. Rsid3, sgps3, pdgr3, jhsf3, sedu3 e hbor3. Quatro delas são do setor de construção civil, visto que esse setor caiu muito nos últimos anos e o mercado já está começando a precificar a melhora futura da economia neste setor. Como essa melhora não veio ainda no primeiro trimestre a maioria dessas ações devolveram parte dos ganhos que tinha apresentado no vídeo de fevereiro. Embora ainda tenham ganhos expressivos no ano.

Espero que tenha ficado claro como é importante para empresa ter lucro para crescer na bolsa de valores. E melhor ainda se ela estiver saindo do prejuízo e passando para o lucro, podemos aproveitar uma alta forte e momentânea. Mas não adianta olhar pro passado. Qual será a próxima? Deixo essa pergunta em aberto para vocês me responderem nos comentários.

Empresas como card3, flry3, wizs3, grnd3, smle3 que costumam gerar lucros constantes e muitas vezes crescentes também tem lugar na lista. Mas como seus resultados são mais previsíveis, elas sobem um pouco menos. E o melhor, com um risco bem menor. Já que os lucros são previsíveis. Se comparar no vídeo de fevereiro, existiam poucas ou nenhuma empresa com essas características e agora já estão aparecendo na lista. No longo prazo, se pegarmos um horizonte de 5 ou 10 anos, essas são as ações que mais crescem na bolsa.

Outra curiosidade que me chamou a atenção é que não existe nenhuma empresa de energia elétrica na lista, mesmo essas sendo as preferidas de quem investe visando dividendos.

 

Mas,Como posso comparar essas ações todas?

          Quando temos várias empresas com características diferentes como as da lista, onde temos empresas de crescimento rápido, empresas de crescimento lento, empresas cíclicas como as de construção, empresas em turn around, o melhor indicador a ser utilizado é o EV /Ebit ou EV/Ebitda.

EV – é o enterprise Value ou Firm Value que é o Valor da Firma. É a soma da dívida da empresa com o Valor de Mercado da mesma. A ideia aqui é a seguinte. Imagina que você está comprando um imóvel de R$ 500 mil de forma parcelada. Você já pagou R$ 300 mil reais e ainda vai pagar R$200 mil ao longo de vários anos. Além desse imóvel você tem outros bens de R$ 200 mil. Se você fosse uma ação da bolsa e o preço da sua ação fosse o mesmo valor patrimonial (P/VPA = 1), o seu valor de mercado seria R$ 500 mil, sua dívida seria R$ 200 mil e seu valor da firma seria R$ 700 mil. Outra ideia é que a medida que você vai pagando suas dívidas seu valor de mercado aumenta. Como o valor de mercado é o valor somente dos acionistas, significa que o valor dos acionistas tende a aumentar.

O Ebit é o resultado operacional apenas. Quanto a empresa lucraria se não tivesse que pagar os empréstimos e nem o governo. É o retorno do dinheiro da empresa como um todo. O lucro é o retorno do dinheiro apenas dos acionistas.

Carinhosamente eu digo que esse indicador é o Preço / Lucro da empresa. Tamanha a semelhança. De forma simplista, ele mede em quantos anos a empresa conseguirá gerar resultado operacional que será o suficiente para pagar todas as dívidas e retornar o dinheiro do acionista.

Vejam a tabela abaixo com o EV/Ebitda de cada uma das 24 ações:

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 Tabela criada com o GuiaInvest Pro

No indicador Preço/Lucro sabemos que os números negativos ocorrem porque a empresa está com prejuízo, porque é impossível o preço ser menor que zero. Já no EV/Ebit, o número negativo, significa que o resultado operacional da empresa foi negativo. Portanto de cara eu tiraria as ações abaixo da linha roxa. São empresas que não estão gerando lucro operacional, isto é, nem a operação está dando resultado positivo, mesmo excluindo despesas financeiras e imposto de Renda (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL)

As ações acima da Linha Roxa, precisam crescer seus Lucros operacionais com uma taxa alta para valerem a pena. Fleury (Laboratórios Fleury, FLRY3), por exemplo, tem conseguido fazer isso ao longo do tempo.

E as empresas da linha roxa são as que ainda possuem um EV/Ebit que ainda seriam aceitáveis entrar. Mas cada caso deve ser estudado separadamente. Assim como Fleury que está acima pode ser uma boa compra. Alguma ação da linha roxa pode não ser. Principalmente se a expectativa futura for de queda do Ebit. Logo, as ações da tabela acima não se tratam de recomendações. É apenas uma forma para nos aprofundarmos mais no estudo e filtrarmos as melhores ações para estudarmos com mais atenção.

Conclusão:

Esse estudo é essencial para percebermos quais empresas cresceram muito e ainda tem a possibilidade de subir mais, ou as empresas que subiram demais e se esticaram muito e ficaram acima da expectativa.

Para complementar esse estudo é importante ter uma análise subjetiva do analista de investimentos para estimar da melhor forma possível, os resultados operacionais futuros da empresa. Uma empresa que se estima crescimento do Ebit de 20% nos próximos anos e que tem EV/Ebit de 30, seria melhor que uma que tenha EV/Ebit de 20, mas que tenha projeção de crescimento de apenas 5%.

Lembrando que nenhuma das ações são recomendações. E que essa semana estarei lançando o curso de opções. Para se inscrever no mini-curso de opções, Clique aqui.

 

Abraços e Bons Negocios

    Daniel Nigri  CNPI

7 Comentários


  1. Muito bom artigo – Só nao entendi no exemplo do EV, pq a dívida seria de 300 mil e não de 200 que é o valor devedor da compra da casa…


    1. Corrigido. Corrigi um exceção que estava com dois ss também.


  2. Outro belo artigo!!
    Daniel, quanto menor o EV/Ebit, melhor?
    De forma simplista, o EV/Ebit significa que…? (ex: P/L = anos de retorno do investimento).
    Por fim, como escolher entre EV/Ebit ou EV/Ebitda?

    Abraços


    1. quanto menor melhor. Significa anos de retorno de investimento para a empresa.
      oP/L são anos de retorno do investimento só pro acionista.
      Tanto faz um ou outro. Mas precisa analisar todas as empresas com o mesmo indicador. Se usar o EV/Ebit vao ter menos empresas com muita depreciação.


  3. E os fundos imobiliários? nenhuma notícia…


    1. Fiz um artigo sobre eles semana passada

Comentários encerrados.