TOP 4 dúvidas sobre Investimentos

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TOP 4 dúvidas sobre Investimentos

Na semana passada iniciei o TOP 10, selecionando as dez perguntas que recebi com maior frequência nesses doze meses de interação com os mais variados perfis de investidores. Abordamos 6 questões de análise de negócio, se você não leu, aqui está o link – TOP 10 – Perguntas sobre investimento.

Hoje vamos responder as 4 perguntas restantes. Espero que agregue conhecimento a sua análise, e torne seus investimentos mais rentáveis.

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TOP 4

4- Ativos geradores de renda, ou de crescimento?

Resposta: Não confunda geração de renda com manter o ativo eternamente. Empresas consistentes e lucrativas possuem fundamentos melhores, mas não estão acima dos riscos do mercado, porém necessitam de uma análise mais simples o que favorece que não gosta de acompanhar muito os negócios.

Mas vejam bem que são cenários diferentes. Algumas empresas não terão o mesmo crescimento que tiveram no início do milênio, afinal até o mercado tem limites de expansão.

E o mercado consumidor muda, e mais rápido do que antigamente.

Importante entender que empresas de crescimento tem risco maior, e podem e devem ser usadas na carteira, mas depende do montante que estamos falando, se eu consigo gerar mais renda frequente em um ativo mais “seguro”, e com isso aumentar gradativamente, qual é o percentual de risco que eu aceito, para investir em empresa de crescimento que podem ou NÃO gerar renda futura?

É muito fácil dizer agora que,as empresas que em 2015/2016 viram seus lucros desabarem, em um cenário de recessão, eram compras certas, mas muitas poderiam ter fechado as portas.

PETR4 poderia ter sido condenada a pagar um valor maior nas ações judiciais, não ter conseguido fazer os desinvestimentos, o governo continuar usando ela como acessório , e o cenário econômico ainda estar em recessão.

Recessão

Nós conseguimos sair da recessão em apenas 2 anos, o que é um tempo curto, então meu ponto é que nem todas as empresas se recuperam e prosperam pós crise, e esse cuidado deve ser levado em consideração nas análises.

É lindo ver PETR / VALE render muito na carteira (com aportes constantes na época de baixa), mais até que ativos que tiveram lucros constantes, mas o fato é que, se eu investir nos ativos que têm crescimento de lucro, e pagam dividendos eu consigo potencializar a minha renda sem depender de grandes oscilações, que podem ou não render futuramente.

E aí,  voltamos a questão do perfil de cada investidor, da consciência de capacidade que cada um deve ter, para entender se consegue ou não dar conta do recado na hora de decidir.

Investir determinado percentual em empresas de risco maior, ou então em empresas com múltiplos esticados, mas com potencial de ainda crescer, exige análise.

Eu conheço muitas pessoas que compraram ações do Itaú quando ele ainda não era nem a sombra do que é hoje, assim como Ambev, e que nunca venderam o ativo e hoje estão com uma rentabilidade tremenda, porque estavam na hora certa no lugar certo e continuaram aportando.

Para empresas de crescimento o correto é perguntar: o que o mercado irá consumir com mais avidez nos próximos dez anos?

Enquanto que empresas consistente e lucrativas que já dominam mercado a pergunta seria:

Elas podem se manter onde estão por quanto tempo?

Elas conseguem gerar caixa e não perder mercado sem investir?

A rentabilidade não está ligada ao que a empresa fez no passado e sim o que ela vai fazer no futuro.

 

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TOP 3

3- O que é resultado consolidado, devemos começar a análise por ele?

Resposta: Para esclarecer Consolidado, é agregar os saldos das mesmas contas ou eliminar saldo de transações e participação entre entidades que formam a unidade de natureza contábil

Lembrando que:

As demonstrações contábeis de todas as entidades controladas, no País ou no exterior, incluindo a filial, agência, sucursal, dependências ou escritório de representação, devem ser consolidadas sempre que os respectivos ativos e passivos não estejam incluídos na contabilidade da controladora por força de normatização específica.

O que muda é que, no caso de analisar a controlada é preciso verificar a situação da controladora para mediar os riscos de investimentos, muitas controladoras tem o hábito de usar as controladas para obter vantagens e isso a LP não é saudável.

Ao analisar o consolidado, é preciso antes analisar o operacional próprio para saber separar o que veio dela e o que é fruto das controladas, assim tem-se um maior entendimento de fatores como retorno de aplicação, afinal a lógica de uma controlada é agregar valor ao controlador. Porém na prática as nuances são variadas, então a análise do consolidado para mim só é feita após reconhecer os números individuais das operações.

TOP 2

2- O que analisar na DRE?

Resposta: O princípio fundamental do documento é a receita e as despesas. Então quando se lê uma DRE, buscamos identificar se as receitas estão crescendo, os custos sob controle, as despesas em ordem, os impostos e tributos e o lucro.

Então um exemplo clássico de análise seria observar o aumento das receitas em relação ao aumento dos custos dos produtos (indústria tem margens diferentes de varejo) e aliado a apresentação (release) das empresas perceber se o que eles falam é/ pode ser identificado nos números.

Principalmente no que tange:

* A capacidade a ser utilizada para aumentar o lucro.

* No que é consolidado das controladas.

* As receitas financeiras e comerciais.

*Custo de produção/margem bruta.

 

Dito isso:

Se aumentar a margem bruta é porque o processo operacional está mais eficiente, vendeu mais e geriu os custos de forma mais eficaz, ou então houve algum evento que justifique.

No caso da diminuição da margem líquida, é porque houve aumento nas despesas, seja por impostos, despesas com vendas, adm. entre outras.

Às vezes vender mais resulta em uma margem líquida menor se as proporções de alocação de força não estiverem corretas.

 

Informações importantes:

1- Empresa sempre repassa os custos, eles estão no valor do produto, quando ocorre o aumento do preço dos insumos usados, o custo fica maior em toda a cadeia, se a empresa não repassar isso ao cliente, a receita continuará a mesma e obviamente a margem vai reduzir.

2- O custo do produto vendido precisa ser analisado em duas frentes (insumos e força direta e indireta) tudo que vai compor o preço dos produtos + impostos, que também são pagos pelos clientes, repassados no preço do produto.

3- Margem operacional é a eficiência da operação do processo que gera valor, então tudo o que for referente ao processo principal entra na conta (isso é fundamental para indústria)

4- A relação entre a diminuição ou aumento da margem pode ocorrer quando alguns fatores não estão devidamente ajustados / pleno funcionamento, isso causa uma ruptura no cálculo

5- Quando uma indústria aumenta um processo, produz mais e tem mais custos, nesse processo ela chega a uma margem bruta, esse resultado vai ser ajustado por fatores indiretos e diretos ,e  se for um produto novo vai precisar de mais demanda comercial , se for de implantação mais demanda administrativa e assim por diante

 

No varejo a lógica da margem é proporcional à capacidade de manter custo de estoque mais baixo.

Exemplo: quando uma empresa reduz o CPV só porque vendeu menos, mas ainda assim aumenta despesas e justifica que houve diluição do custo fixo para aumentar margem, ocorre a assimetria da relação receita / custo, e isso significa menor eficiência no processo, ou seja, menor geração de valor

 

Lembrem sempre que:

DRE é somente a descrição do resultado do processo operacional

Antes de falar a principal dúvida, lembro a você que a Área de Membros Dica de Hoje já tem mais de 100 análises de empresas sejam em vídeos ou relatórios para você poder tirar as suas dúvidas e investir melhor. Clique aqui e assine agora.

 

TOP 1

1 – Diferença entre analisar o Fluxo de caixa e Capital de giro (necessidade)

Resposta: Para esclarecer, o caixa é uma gestão de fluxos (entradas e saídas), o capital de giro é a diferença entre os fluxos

Ou seja, são variáveis dependentes.Logo, qualquer decisão em relação ao capital de giro passa necessariamente pela estratégia do negócio.

Capital de Giroé uma variável que depende do tipo de negócio / modelo / sazonalidade etc.Então a necessidade depende diretamente das medidas de gerenciamento.

E o fluxo é o controle das entradas e saídas, os saldos são operacionais, mas podem ser consequência da receita financeira também. GRND, PSSA.

Exemplo: ao aumentar produção, tenho que adquirir mais insumos / MP e aumentar MO, logo preciso investir, digamos que seja porque mercado está aquecendo (caso das sistemistas automobilísticas que que geralmente antecipam o ciclo para ter produto em estoque). Para que isso ocorra é preciso de dinheiro, um dinheiro que ainda não foi recebido, afinal não vendemos produto ainda, então vamos fazer isso com que capital?Aqui se não existe, ou não se usa caixa, existe necessidade de capital de giro, e não esqueçam que é muito mais barato para a empresa investir com recursos de terceiros do que próprios.

Ou seja, os fluxos de entrada e saída e a o capital de giro são variáveis correlacionadas que fazem parte da mesma estratégia corporativa.

“O investidor inteligente pode lucrar se ele puder pensar de forma independente da multidão e puder alcançar uma resposta valiosa quando a maioria dos analistas estiverem tendendo para o lado oposto.  A questão de se treinar a não ir com a multidão, mas estar apto a fazer zig quando a multidão faz zag, em minha opinião, é um dos fundamentos mais importantes para um investimento de sucesso.”Philip Fisher

Até a próxima semana.

Patrícia Rossari.