Elasticidade-Preço da demanda e Receita Total

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Impacto da política de preços na rentabilidade do negócio.

A elasticidade-preço da demanda é a relação percentual entre a variação de quantidade demanda e variação nos preços (%), ou seja, uma análise de sensibilidade sobre a razão entre as duas variáveis, que serve para medir a reação do mercado consumidor às mudanças no preço.Para exemplificar use a Mdias Branco MDIA3 e a Ambev ABEV3, ambos os ativos tem um comportamento que facilita a compreensão dessa medida nos resultados.

A lógica da medida (ao longo da curva de demanda), é encontrar o percentual na alteração das variáveis, então observaremos se a demanda altera na mesma proporção que o preço, ou se o movimento é contrário.

 

Comportamento das empresas

A Ambev no ano passado elevou os preços de alguns produtos, o volume recuou e a receita aumentou, acompanhe:

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A Mdias Branco no primeiro trimestre de 2019 reajustou preços, a receita aumentou e o volume diminuiu, parte porque os clientes estavam com muito estoque, logo não existia demanda para compra. Ela está investindo em mais CDs, linearização de volumes, ou seja, ela entende a importância da sensibilidade entre preço e demanda. Acompanhe:

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Na prática

A relação entre preço e quantidade (demanda) é sempre inversa, dito isso a interpretação dos resultados do cálculo é definida em termos de correlação.

Vamos usar um exemplo:

Fórmula:         Variação % da quantidade demanda

         Variação % no preço

  Quantidade final – quantidade inicialx 100

    Quantidade inicial

              Preço Final – preço inicial x 100

Preço final

 

 

Hipoteticamente uma empresa vende 100 produtos em um determinado período, pelo preço de R$ 30.000,00. A receita seria R$ 3.000.000,00.

No período seguinte ela aumenta o preço para 35.000,00 e a quantidade de produtos vendidos recua para 70. A receita então recua para R$ 2.450.000,00

Entende-se então que a elasticidade preço demanda seria:

 

Variação % na quantidade: 70 - 100 x 100 = 30

                                       100

Variação % preço: 35000 – 30000    x100 = 16,66

                                 30000

Elasticidade preço e demanda: 30 = 1,8

                                            16,66

Variação percentual: Quantidade X Preço

Sempre que a variação percentual na quantidade for maior que a variação percentual no preço, temos uma demanda elástica em relação ao preço e quando a variação na quantidade for menor que a variação do preço, temos uma demanda inelástica em relação ao preço.

elasticidade-preço-demanda

Ou seja:

  • É demanda elástica se se o resultado do cálculo elasticidade-preço da demanda for maior que 1,
  • Considerada inelástica se o cálculo da elasticidade-preço da demanda for menor que 1
  • E elasticidade unitária quando as variações percentuais no preço e quantidade forem iguais.

Resultados

Se você fizer o cálculo usando os números da MDIA3 e da AMBEV perceberá que é preço-inelástica, ou seja, menor que 1. Onde o preço mais alto aumenta a receita, mesmo com redução do volume, porém é preciso considerar que existem no portfolio de mbas as empresas produtos com margem agregada maior, o que contribui para o aumento da receita e não somente o acréscimo no preço de venda em relação a quantidade total.

Os cálculos devem ser feitos ao longo da curva e levando em consideração a posição dos produtos na receita total.

Nesses casos a queda nos preços reduz a receita, a não ser que o volume (em escala) seja suficiente para compensar, mas isso geralmente não ocorre com empresas maduras e produtos já consolidados.

Nos casos onde a demanda é preço elástica (maior que 1) o aumento do preço do produto reduz a receita total e vice-versa, isso ocorre em processos onde o ganho de escala é realidade, onde existe compensação de produção/quantidade em detrimento a preço/custo.

 

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Lei da demanda

Quando existe recuo da receita pelo aumento dos preços dos produtos, podemos considerar que existem produtos substitutos, e entra em cena a lei da demanda.

Pense, quantas marcas de biscoito e massas existem no supermercado? A utilização não muda pela marca, exatamente como a cerveja.

O preço é fator importante, mas não é a única variável que determina o consumo, logo além de analisar o Market share do negócio é preciso relacionar outras variáveis:

  • Existem produtos substitutos? Se a resposta for positiva esses produtos tem a tendência de ter demanda elástica.
  • É um bem supérfluo? Nesses casos a demanda tende a ser mais elástica
  • Um bem necessário? Esses geralmente apresentam tendência menos elástica em relação ao preço, exatamente pela necessidade de consumo e não escolha (remédios)
  • Impacto da matéria prima no custo (MDIA3 ~próximo aos 40%, e da ABEV3 detalhei nesse material AMBEV – Multinacional verde e amarela
  • Se não existe repasse de preço a receita cai e o custo aumenta, a empresa tem margem para permanecer no lucro?
  • Se a empresa repassa o aumento do custo, ela perde Market share?
  • Trata-se de um produto durável? Se for a demanda é mais elástica em relação ao preço, ou seja, quanto maior o preço menor a demanda. Além de ser necessário nesse caso contar com a varável de substituição do bem por outro mais moderno, com outra tecnologia, ou apenas pela valorização.

 

Fique por dentro

No material de AmBev citado no link acima, fica claro que ela ainda é líder mas fica ainda mais claro que existe concorrência, e que as medidas de gestão de custos mais eficazes são a estratégia mais lógica para o aumento dos resultados.

Outro exemplo que podemos citar é UGPA3, Ultrapar que no ano passado viu seu valor de mercado encolher, ela  perdeu mercado e ao que tudo indicava na época isso ocorreu pois a companhia aumentou muito o preço aos operadores(postos com a bandeira), isso fez com que muitos optassem por outras bandeiras ou então a bandeira branca, que vem cresce com força principalmente no Nordeste do país.

E outro fator essencial para entender o funcionamento da estrutura da receita nesse caso, é que o preço mais alto do produto provoca a troca de bandeira o que resulta em diminuiçãodo volume, e isso em empresas que ganham produtividade com base em volume constante e crescente, é perda de margem imediata.

O Daniel fez um vídeo recentemente mostrando essa elasticidade de preço x demanda em Grendene no Canal do Youtube, vale a pena conferir, clique aqui.

 

Elasticidade Renda da Demanda

Aqui entra em cena outra variável importantíssima, a renda que permite o consumo, que gera a demanda. A relação é positiva quando a renda aumenta para produtos mais “caros”, e negativa quando se trata de produtos mais simples.

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Exemplo:

  • Quando a renda aumenta as pessoas comem menor quantidade de carne de segunda e mais filé, logo a relação para esse produto é positiva.
  • Produtos de higiene e alimentação por exemplo, não se consome mais arroz e feijão apenas porque a renda aumentou, mas pode-se trocar de marca.
  • Então em casos da elasticidade renda ser menor que 1 consideramos inelástica, onde a demanda aumenta menos do que a renda.

 

Concluindo

Via de regra ao analisar um negócio buscamos entender o aumento de preço, que irá aumentar a receita e também o efeito quantidade, que com o aumento do preço do produto a empresa vende menor quantidade, apresentando recuo na receita.

Ao considerarmos um tempo menor, a reação também será aumentada ou diminuída, além de ser necessário considerar se estamos analisando preços de uma empresa especifica ou do mercado geral, caso das commodities.

Atenção

Outro fator essencial é compreender se o produto/serviço compõem grande parte da receita do cliente, combustível/energia/alimentos por exemplo, isso porque quanto menor a representação menor será a variação dos preços e vice-versa.

Ao compreender a relação que essas variáveis possuem, podemos analisar com maior precisão o impacto que o custo do produto terá no ebitda, pois entenderemos se é possível repassar esse custo, ou se a empresa onde estamos investindo não pode perder Market share, logo não vai reajustar preços e com isso diminuir margem, pois não tem nenhuma projeção de aumento de volume considerável para compensar.

Conhecer o negócio e suas estratégias facilita o investimento, evita que decisões equivocadas sejam tomadas pois ao entender o que impacta o resultado, o investidor usará a razão e não a emoção para montar e gerenciar sua carteira de ações e FIIs.

 

Informação é dinheiro

Patrícia Rossari

 

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