A Electro Aço Altona S.A. é uma indústria de fundição e usinagem que fornece peças em aço carbono e ligadas (baixa, média e alta liga) e em ferros ligados para aplicações especiais. A empresa atua sob dois tipos de demandas:

  • Repetitivos: para fornecimento de partes e peças para montadoras de máquinas, transportes pesados e automotivos;
  • Sob encomenda: para fornecimento de peças para os setores de bens de capital, geração de energia (hidráulica, térmica e nuclear), naval, mineração, dragagem, petróleo e gás/off-shore.

A marca Altona é referência global, uma das maiores empresas brasileiras em seu segmento, com exportação para mais de 30 países. A companhia atende ao mercado interno e internacional com qualificação para fabricar peças em bruto ou usinadas. Localizada em Blumenau, Santa Catariana, avança no mercado externo como uma estratégia de crescimento.

Fonte: site RI da Altona

Breve história:

Fundada em 1924 como uma pequena fundição e oficina de reparos mecânicos, inicialmente seu nome era Auerbach & Werner, fruto da junção dos nomes de seus fundadores, Paul Werner e Ernest Auerbach. Neste início, fabricava panelas de ferro, máquinas de moer carne, balanças de precisão e implementos agrícolas.

Durante todos esses anos a empresa vem avançando em investimentos no processo produtivo, adquirindo modernos centros de usinagem, fornos de tratamento térmico, moldagem e macharia, software de engenharia e mecânica. É reconhecida por sua qualidade e capacidade na solução de fundidos em aço e ligas especiais.

A empresa ainda tem uma característica bastante familiar, com alguns dos herdeiros fazendo parte do conselho fiscal. Abaixo, a composição acionária:

Fonte: site RI da Altona

O free float das ações ON (EALT3) é de apenas 4,4%, e das ações PN (EALT4) 36,6%. A empresa mantém no seu estatuto social o mínimo de 25% para distribuição de dividendos obrigatórios.

Resultados do 2T21:

A receita operacional líquida foi de R$ 87,2 milhões no 2T21, comparada aos R$ 69,4 milhões do 2T20, representa um acréscimo de 25,6%, ou R$ 17,8 milhões, entre os trimestres. Neste período, 53,4% da receita líquida vieram do mercado externo, contra 68,5% do 2T20, uma redução de 15,1 p.p. no comparativo.

Fonte: ITR 2T21 da Altona

Vejam abaixo o gráfico com o desempenho das operações por distribuição geográfica. Fica mais claro o entendimento destas movimentações, onde a Europa, Ásia e África ampliam a participação em todas os segmentos, com redução da América do Norte no sob encomendas e grande participação nacional nos repetitivos.

Fonte: ITR 2T21 da Altona

O custo dos produtos vendidos foi de R$ 68,4 milhões para o 2T21, apresentando aumento de 39,1% em relação ao 2T20.

No comparativo semestral, a participação dos custos em relação à receita líquida (ROL) cresceu 2,9 p.p. Vejam abaixo:

Fonte: ITR 2T21 da Altona

Já as despesas com vendas chegaram a R$ 4,7 milhões no 2T21, aumento de 31,4% quando comparado ao 2T20. Na comparação percentual de participação na receita líquida, tivemos o 2T21 representando 5,4% e o 2T20 5,16%. Do lado das despesas G&A, houve aumento de 36,3% (R$ 7,4 milhões) nos gastos, em relação ao 2T20, de R$ 5,4 milhões.

O resultado financeiro foi de despesas no valor de R$ 1,14 milhão (-73,5%) no 2T21, redução significativa em relação ao resultado financeiro do 2T20, que foi de R$ 4,3 milhões de despesas.

Diante dos resultados, já era de se imaginar que a margem Ebitda caísse. Pois bem, no 2T21 o Ebitda foi de R$ 9,9 milhões, com margem Ebitda de 11,4%, redução de 6,4 p.p. no comparativo com o 2T20. Acompanhem abaixo:

 

 

 

 

Fonte: ITR 2T21 da Altona

Por outro lado, o lucro líquido chegou a R$ 5,5 milhões no 2T21, com margem líquida de 6,3%, um aumento de 0,08 p.p. ao compararmos com o 2T20. Vejam acima que a variação do lucro líquido não acompanhou o movimento do Ebitda.

O ROE (Lucro líquido dos últimos 12 meses/Patrimônio líquido) no 2T21 foi de 15,1%, representando um acréscimo de 6,3 p.p. no comparativo com o 2T20 e aumento de 0,5 p.p. x 1T21.

Quanto ao Patrimônio Líquido, ficou em R$ 185,7 milhões acumulados, ao final do 2T21, com reservas de lucro no valor de R$ 69,9 milhões, já consideradas as movimentações para o passivo a pagar referente aos dividendos/JSCP e participações no montante de R$ 9,1 milhões e destinação de R$ 6 milhões para aumento de capital social da companhia, além do aumento das reservas, no valor de R$ 700 mil aproximadamente, devido ao ajuste de avaliação patrimonial.

No 2T21 os investimentos chegaram a R$ 8,3 milhões (+40% x 1T21), e no acumulado semestral foram de R$ 16,6 milhões (+12,16% x 1S20). No ano de 2021, os principais investimentos foram em máquinas, ampliação e modernização do parque fabril. Lembrando que ao final de 2020 a companhia adquiriu a Indústria Magayver pelo valor de R$ 1,65 bilhão.

A dívida bruta no 2T21 chegou a R$ 85,7 milhões, representando uma redução de  8,15% em relação ao final de 2020, sendo 52,5% no passivo circulante e 47,5% no passivo não circulante. O endividamento líquido, considerando o saldo em caixa e aplicações financeiras no montante de R$ 12,4 milhões, chegou a R$ 73,3 milhões no período.

Fonte: ITR 2T21 da Altona

Ainda referente à dívida, ao final do 2T21 o endividamento em dólar representava 38,6% da dívida líquida da companhia, com custo aproximado de 7,5% a.a. e com vencimento de 82% no curto prazo.

Fonte: ITR 2T21 da Altona

Considerações:

A produção brasileira de aço fundido até o 2T21, conforme dados da Associação Brasileira de Fundição (ABIFA), apresentou um total de 132,5 mil toneladas, acréscimo de 2,1 mil toneladas, correspondente a 1,6% em relação ao 2T20. Já em relação ao desempenho das exportações, o Brasil, até o 2T21, apresentou um crescimento em dólares na ordem de 43,2%, ou US$ 16,7 milhões, comparado ao 2T20. Houve um aumento de 9,8 %, ou 1,4 mil toneladas de aço, quando analisada a exportação em peso.

A Altona apresentou uma participação em toneladas nas exportações brasileiras de 16,4% até o 2T21, uma queda em relação aos 17,8% no 1T21. Em dólares, representou participação de 31,2%, contra 36,9% no 1T21. Ou seja, houve perda de market share.

No mercado interno tivemos aumento na demanda por itens “repetitivos” na ordem de 132,5% x 2T20 e de 45,4% x 1T21. O faturamento de repetitivos no MI e ME no 2T21, comparado ao 1T21, teve um aumento de 24,64% em valores monetários. No mercado externo houve redução na demanda por itens “sob encomenda” na ordem de 14,6% x 2T20 e de 3,9% x 1T21.  Quando comparamos a soma dos MI e ME, houve queda de 7,2% x 2T20 e aumento de 9,15% x 1T21.

Quando comparamos a soma dos mercados, em relação ao 2T21 e 1T21, houve aumento nos valores monetários equivalente a 19,5%, com aumento nas quantidades, de 9,5%, o que nos indica recomposição de margens.

Além do desempenho da empresa, precisamos estar atentos aos fatores macroeconômicos, que no momento atual se apresentam bastante instáveis. Apesar do mercado interno estar mais aquecido no início de 2021, ainda temos muitas variáveis que podem desestabilizar o andamento dos investimentos, como a desaceleração mundial, inflação, e agravamento nos gargalos da cadeira produtiva. Abaixo temos o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI).

Fonte: site portaldaindustria.com.br – ICEI

O índice ICEI demonstra que ainda existe uma boa percepção em relação às condições atuais da economia brasileira, mas com uma queda de expectativa no mês de setembro/21.

Apesar do cenário mais instável no momento, acredito que podemos contar com números em linha com o que foi apresentado no 1S21, o que poderia trazer uma receita líquida anualizada para os próximos 12 meses de R$ 328 milhões. Considerando margem Ebitda de 14%, posso ter EV/Ebitda de 5,9x.

 

Abraços e bons investimentos!

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Daphne Kuschnir

Analista CNPI 2538, formada em Administração de empresas, trabalhei durante muitos anos no varejo, especialmente na área comercial: compras, vendas e marketing. Apaixonada pelo mundo dos investimentos, hoje estou aqui com o Daniel Nigri, aprendendo todo dia e trazendo informações relevantes para vocês.