GRND3 – Grendene: Resultados 3T19

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Quando se vende menos, é natural que as margens fiquem pressionadas e, consequentemente, a redução de volume influencia o resultado. No resultado anterior (segundo trimestre de 2019) a Grendene-GRND3 citava no release que o “sell-out” foi maior que o “sell-in”, com isso ocorreu redução nos estoques do varejo, que estavam com níveis elevados.

Ou seja, ela produziu menos e, assim, obviamente utilizou menos a capacidade instalada, afetando diretamente os custos e, por consequência, as margens, ocorrendo então o aumento dos custos unitários (causados pela redução nos volumes e ociosidade da planta).

No segundo trimestre de 2019 o lucro líquido foi de R$ 41,5 milhões, versus R$ 65,7 milhões no segundo trimestre de 2018.

E no trimestre atual a Grendene-GRND3 apurou um Lucro Líquido de R$ 166,8 milhões, número 48,4% maior que no terceiro trimestre de 2018, e um lucro líquido acumulado de R$284,8 milhões nos nove meses de 2019, queda de 14,8%.

 

Vamos falar dos números do trimestre

Alguns pontos são determinantes nessa evolução do lucro:

  • Câmbio (R$25 milhões positivos nos nove meses do ano), crescimento nos volumes de exportação (crescendo 6,6% na comparação anual), receita não recorrente (nesse último item, considerando despesas e receitas sobre o processo referente à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, o efeito desses não recorrentes no lucro líquido foi de R$14 milhões, isso considerando os nove meses do ano; então, 5% do lucro líquido/ano).

A receita bruta recuou 3,7% em relação ao mesmo trimestre de 2018, volume de vendas de 43,2 milhões de pares, número 1,8% menor e a receita bruta por par recuou 1,9% a R$ 16,32. E quando consideramos o comparativo nos nove primeiros meses de 2018 e 2019, a queda é mais significativa, sendo 11,5% na receita bruta, 13,2% no volume de pares, porém com um aumento de 2% na receita bruta por par.

A receita líquida apurada foi de R$582 milhões no trimestre.

A Grendene-GRND3 cita que ainda não houve recuperação de volume e que isso continua provocando a menor diluição de custos fixos, como citamos no início do texto. Porém, a gestão dos custos na cadeia permitiu um aumento de margem bruta em 1,9% (na comparação anual), chegando a 47,9%.

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Grendene e os pares do setor

A empresa cita no material de resultados que:

“de acordo com dados da MDIC/SECEX/ABICALÇADOS, as exportações brasileiras de calçados no 3T19 vs. 3T18, apresentaram crescimento de 11,2% na receita em dólar, 11,0% no volume de pares vendidos e 0,1% no preço médio por par exportado em dólar. Comparativamente, a Grendene-GRND3 apresentou queda de 8,0% na receita em dólar, crescimento de 6,6% no volume de pares vendidos e queda de 13,6% no preço médio por par exportado em dólar. A participação da Grendene-GRND3 no volume de pares das Exportações Brasileiras de calçados ficou em 29,3% no 3T19 (30,6% no 3T18)”.

A título de comparação, no segundo trimestre de 2019 a participação dela no volume de pares nas exportações brasileiras de calçados era de 23,2%, versus 33,2% no segundo trimestre de 2018.

No que diz respeito aos mercados e sua participação na composição da receita e no volume de vendas, os números são os seguintes:

 

 

volume-de-vendas-grendene-2019
Imagem retirada do release da companhia

Observe que houve redução da participação da receita do mercado internacional, porém com aumento do volume; já no mercado doméstico, temos maior participação na receita, porém com queda no volume, o que mostra a necessidade de ajuste dos custos.

Quando observamos os números dos nove primeiros meses de 2019 em comparação com os de 2018, temos redução na participação do mercado externo na receita, de 21,6% para 19,9%; na participação no volume total, uma redução de 22,5% para 19,6%; no mercado doméstico, aumento na participação da receita bruta, de 78,4% para 80,1%; e nos volumes, de 77,5% para 80,4%.

Foi apurada uma redução na receita bruta do mercado interno, de 2,8% na comparação trimestral e de 9,6% no comparativo dos nove meses, com queda nos volumes, de 3,5% e 10% respectivamente, e uma leve recuperação da receita bruta por par, de 0,7% e 0,5% nas mesmas bases comparativas anteriores.

No mercado internacional a receita bruta recuou 7,6% no comparativo com o mesmo trimestre de 2018 e 18,2% nos nove primeiros meses, isso em Reais. Em dólares, o recuo foi de 8% e de 24,2%, respectivamente.

Em número de pares, houve aumento de 6,6% na comparação com trimestre de 2018 e recuou de 24,4% no comparativo dos nove meses, além da receita bruta recuando na comparação trimestral, tanto em reais quanto em dólar – 13,3% e 13,6%, porém com aumento no comparativo dos noves meses – 8,3% e 0,2%, respectivamente.

 

Custo dos Produtos Vendidos

Nessa variável, a Grendene-GRND3 apresentou redução na base trimestral, de 6,1% e de 7,1% nos nove meses comparativos, enquanto que o CPV por par reduziu na comparação com trimestre de 2018 – nos nove meses houve aumento de 7,1%.

Abaixo, um gráfico (retirado do release da empresa) com o preço por par e o movimento do preço da matéria-prima (que se manteve estável), e essa é uma variável essencial a considerar quando analisamos o custo dessa produção:

 

trimestre-da-companhia

 

Observe que o custo do primeiro trimestre desse ano vem afetando a análise do comparativo dos noves meses de 2019 x 2018.

As despesas com vendas recuaram no trimestre, assim como o percentual que representam na receita líquida total; com publicidade e propaganda também houve recuo, e o mesmo movimento se observa nas despesas administrativas, com recuo de 5,9% no trimestre.

 

Lucro Bruto

Aumento de 1,1% na comparação trimestral – R$ 278,8 milhões, com margem de 47,9% (aumento de 1,9%) – e uma queda no comparativo dos noves meses (2018 x 2019), de 17% – R$ 606,8 milhões, com margem de 43,2% (queda de 2,8%).

 

Ebit

A Grendene-GRND3 não usa ebitda, devido à posição de caixa sobre a qual já conversamos algumas vezes nos materiais em que abordamos o negócio (subvenções/aplicações, etc.). Sendo assim,o lucro operacional antes dos efeitos financeiros (considerando apenas recorrentes) foi de R$ 127,8 milhões, uma alta de 13,3% em relação ao terceiro trimestre de 2018 e 29,8% menor no comparativo dos nove primeiros meses – 2018×2019. Observe a imagem retirada do release da empresa:

 

ebit

 

Lembre que os não recorrentes foram citados no início desse material e tem um efeito de R$ 38,4 milhões sem impostos e de R$ 47,8 milhões no total (com impostos), por isso o ebit contábil é maior, então preste atenção.

 

Uma das partes mais interessantes da empresa

Resultado Financeiro

 

resultado-financeiro

 

Veja que o resultado financeiro do trimestre aumentou 3,7% no trimestre e 31,2% nos nove meses do ano. O impacto das despesas com variação cambial é uma variável importante e impactou consideravelmente em ambos os comparativos. A receita cambial também teve impacto no trimestre, com redução de 81,6%, além da usual receita de aplicações financeiras, que aumentou 6,3% no trimestre e 12,6% nos nove meses comparativos.

 

Geração de Caixa

O caixa gerado nas atividades operacionais foi de R$391,2 milhões no trimestre, com um caixa líquido de R$2,1 bilhões, 14,1% superior ao valor de R$1,8 bilhão apurado no final de 2018. A empresa tem uma proporção de 100,5% da receita líquida acumulada (12 últimos meses) emcaixa, equivalentes de caixa e aplicações financeiras.

 

DRE Consolidada

 

dre-consolidado-grendene

 

Dividendos 2019

ODividendYield calculado pelo preço médio ponderado da ação nos nove meses de 2019 foi de 2,7% a.a.

 

dividendos-2019

 

Concluindo

Mais do mesmo, a empresa precisa recuperar força de vendas e assim aumentar a receita e seus resultados operacionais. No que diz respeito à situação financeira, continua sendo a mesma Grendene-GRND3 de sempre, com posição de caixa considerável, receita de aplicações financeiras, etc., e nunca se esqueça das subvenções fiscais, que ajudam todo esse movimento.

Na geração de valor pelo processo principal, fique atento à capacidade do negócio em aumentar o volume, pois assim os custos com maior produção ficam mais ajustados e a margem voltar a crescer. Não esqueçam que a tendência é o varejo não assumir mais grandes estoques, logo a estrutura de produção e distribuição precisa de ajustes, e nesse movimento os resultados são impactados.

O não recorrente foi responsável por parte do resultado e deve ser considerado quando se observa o crescimento do lucro líquido.

Informação é dinheiro

Até a próxima semana

Patrícia Rossari

Analista de Negócios – Especialista em Logística

 

 

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