Marisa: A preço de banana? (Análise de Varejo)

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Marisa: Análise de Varejo V

Marisa – Para encerrar nossa série sobre análise de varejo vamos falar de uma empresa que é a maior rede de moda feminina e lingerie do Brasil, com 70 anos de existência e 387 lojas, A Marisa S.A. AMAR3.

A Preço de Banana? O ativo ou a promoção?

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A Marisa vivenciou, assim como a maior parte do varejo o momento de euforia que perdurou ate meados 2012, assim como a HGTX3 – Hering, que foi assunto da semana passada Companhia Hering – HGTX3, Marisa acreditou que o entusiasmo econômico (consumo das famílias de classe média) seria perpétuo, ignorando que o crescimento de consumo estava baseado em premissas que não possuíam sustentabilidade em longo prazo. A partir de 2013 a realidade mudou e o resultado da empresa sentiu essa retração no consumo, abaixo os números anuais de 2012 a 2018 (parcial):

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Fonte

Em junho de 2016 a empresa nomeou um novo presidente, Marcelo Araújo, um executivo com larga experiência em comando de grandes negócios – NATU3 e CSNA3. Durante 26 anos a presidência estava sob o comando de um membro da família fundadora – Márcio Goldfarb – que agora é membro do conselho. Esse passo foi essencial para a conclusão do programa de profissionalização da gestão da empresa que iniciou em 2016 e tinha previsão para conclusão de reestruturar processos, layouts e cadeia logística.

Porém em agosto de 2018, Marcelo Araújo renunciou ao cargo e assumiu como diretor da companhia e superintendente da rede de postos de combustível Ipiranga – UGPA3, e quem  assumiu de forma interina foi novamente Márcio Goldfarb, mas existe um processo em andamento para contratação de um novo executivo para a companhia.

 

 

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Como o mercado interpretou esse movimento?

Como um sinal de que a reversão do negócio pode demorar mais do que o previsto.

Uma reversão significa vender mais, com processos mais ajustados e uma logística mais eficaz sem elevar custos para diminuir assim os últimos prejuízos.

Isso é possível?

Sim é possível, as medidas que foram iniciadas com Araujo através do projeto Transformar consistiam em centenas de ações operacionais e no âmbito estratégico para reverter o desgaste da marca e dos resultados. Apesar dos esforços que foram feitos, o que vemos nos últimos resultados não é animador:

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Mesmo com as receitas mantendo regularidade nos últimos três anos, a despesa vem crescendo e com isso aumentando os prejuízos.

Reversão do Negócio?

Lembrando que esse plano foi iniciado por Araujo, que agora não esta mais na empresa, então a grande questão agora é: ele será mantido? Aprimorado? Ou não surtiu efeito e será remodelado?

Essas incertezas fizeram à cotação do ativo sofrer uma pressão grande, no dia do anúncio da saída do então presidente, a queda acumulou mais de 6%. Observem abaixo o movimento da cotação do ativo nos últimos anos, de R$ 30,00 em anos onde o lucro era consistente para R$ 3,80 no cenário de prejuízo atual.

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Observem que o maior lucro da companhia nos últimos anos foi em 2012, gráfico de barras acima, ou seja, a cotação do ativo continuou em ascensão até inicio de 2013, a partir de junho de 2013 o preço cai e vem sendo assim até hoje. Mas percebam que a cotação vem acompanhando a queda no lucro e depois os prejuízos (apresentados na imagem do início do artigo).

 

Ou seja, o mercado não é um cassino, ele reflete o resultado das empresas através das cotações, então não culpe a renda variável e sim a falta de análise do ativo que está em carteira.

 

Principais Medidas de Reestruturação

Custos – renegociação dos contratos de aluguéis das lojas e de funcionários, dois fatores essenciais na composição dos totais de custos fixos do varejo.

Cadeia de fornecedores – proposta de modernização do canal, otimizando os processos para melhoria dos tempos e dos custos de estoque, voltando a priorizar ao invés de coleções, peças, ou seja, voltando a proposta inicial do negócio que é atender classe C, com menor poder aquisitivo, o que não significa que ela não atenda outros públicos, e sim que esse seria o maior público consumidor, logo o foco deve ser para esse mercado.

Layout – assim como a Renner, a proposta da Marisa é de renovar o layout, modernizar e melhorar o fluxo de movimentação (isso é de uma importância gigantesca em lojas de departamentos). A questão aqui é o fato de que menos de 20% das 387 lojas já sofreram a mudança.

Se as propostas acima foram implementadas, ou se foram iniciadas ainda não produziram efeito real nos resultados dos últimos trimestres, acompanhe abaixo:

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Exatamente o inverso do case da Renner, se você ainda não leu – Lojas Renner – Superação. Nos últimos três anos – 2015 a 2018 – a ação da Marisa – AMAR3 acumula mais de 70% de perdas, não conseguindo mais ultrapassar os R$ 10,00 por ação. Hoje o ativo tem uma cotação inferior à apresentada durante os dois anos de recessão, 2015 e 2016.

Resultados dos Últimos Trimestres

No segundo trimestre de 2018 a empresa reportou prejuízo líquido de R$ 37 milhões aumento de 51,8% em comparação ao ano de 2017, onde o prejuízo reportado foi  de R$ 24,4 milhões. É fato que esse aumento substancial no percentual se deve ao fato de que houve suspensão de reconhecimento de créditos fiscais no ano, o que gera desproporção na base comparativa, quando excluímos essa distorção na comparação observamos que haveria redução de 47% no prejuízo (base trimestral), o que demonstra que os processos e operações podem estar reagindo às mudanças propostas pelo antigo executivo.

A receita bruta recuou 3%, ou seja, vendeu menos, a receita líquida retraiu 3%, com R$ 711,7 milhões no segundo trimestre de 2017 para R$ 689,8 milhões nesse trimestre de 2018. O CPV – custo de produto vendido diminuiu 2,2% em decorrência do fator receita bruta menor, o ponto positivo pode ser observado na redução das despesas administrativas em 19,4%.

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Dívida do Negócio

Hoje a dívida liquida / ebitda está em 2,8x versus 2,5x no mesmo trimestre de 2017, abaixo dos 3,5 x fixados nos covenants, a dívida da companhia (que opera no prejuízo) é de R$ 603 milhões líquidos versus R$ 526 milhões no mesmo trimestre de 2017, a alavancagem aumentou de 44% para 49%.

A alavancagem é medida da seguinte forma: dívida bruta / (dívida bruta + Patrimônio Líquido).

Concluindo

As empresas possuem inúmeros processos, entre eles existem os que chamamos de processos que geram valor, que são os principais e demandam uma atenção redobrada para que o negócio tenha sucesso. Na maioria desses processos a falha mais comum é a falta de eficiência de comunicação interna e externa para atender as demandas do mercado consumidor.

Quando falamos em atendimento a maioria dos clientes se mostra insatisfeita com a forma como vem sendo atendida, seja na compra de produtos ou no consumo de serviços.

O que geralmente as pessoas não percebem é que a gestão lá da ponta da pirâmide acaba refletindo no cliente final, por exemplo: as falhas de comunicação entre setores influenciam diretamente o produto/serviço entregue na ponta final, seja por uma data que não está correta, uma peça que não foi solicitada e era necessária, ou ate uma cor que não especificada e que provocou um custo desnecessário.

As falhas das gestões ineficientes levam a empresa a perder mercado e clientes, ou seja, perdem o próprio dinheiro e o do acionista, então analise quantitativamente e qualitativamente o negócio antes de investir.

Informação é dinheiro.

Caso queira dar o próximo passo nos investimentos, torne-se Membro Gold, (TODAS as carteiras batendo o Ibovespa!)

 

Até a próxima semana!

Patrícia Rossari