O resultado e as perspectivas do varejo de moda

Nessas duas últimas semanas foram divulgados os resultados de algumas das maiores empresas do varejo de moda do Brasil, como Lojas Renner, Riachuelo e C&A. Ainda nessa semana, sairão aqui no nosso site as análises completas tanto da Riachuelo quanto das Lojas Renner.

Mas antes mesmo das análises, o que podemos ver em comum nos resultados dessas empresas?

Todas tiveram grandes quedas nos seus resultados nesse primeiro trimestre de 2020.

As lojas dessas companhias ficaram fechadas por aproximadamente 15 dias a partir da segunda quinzena de março, 1/6 do trimestre, e isso foi o suficiente para gerar grandes impactos negativos nas demonstrações financeiras.

Logo de cara, podemos explicar esse efeito com dois grandes motivos:

A grande dependência das lojas físicas e o fato do segmento ser exposto aos ciclos econômicos.

A Riachuelo, por exemplo, possui 323 lojas, as Lojas Renner 387 e a C&A 286. Então, por melhor que sejam as vendas online, é difícil chegar perto do fluxo das lojas físicas.

Além disso, o segmento é cíclico, isto é, quando a economia vai bem, as vendas acompanham esse bom momento, e quando vai mal, ele também sofre bastante com quedas no faturamento.

Mas, como diz o ditado “nada está tão ruim que não possa piorar”.

Selecionei algumas perguntas que são importantes nesse momento:

Nesse segundo trimestre, as lojas ficaram mais tempo fechadas e a maioria ainda está parada. Então, os resultados do 2T20 serão ainda piores?

Será que elas conseguirão se sustentar com essas quedas de receita?

Há o risco de uma segunda onda do vírus e então um novo fechamento das lojas?

Esses são alguns dos questionamentos que pairam sobre o setor.

Hoje em dia, por motivos óbvios, a análise dos riscos fica sempre atrelada aos desdobramentos da pandemia.

Mas além desses riscos, cada companhia possui suas particularidades e riscos singulares, que não são compartilhados com as outras.

Para título de exemplo, a marca C&A é propriedade de um dos acionistas controladores da empresa e, caso venha a ter algum descumprimento relevante no contrato, este poderá ser rescindido e não será mais permitido o uso da marca.

Já em relação à Guararapes, a companhia, além de se beneficiar de diversos incentivos fiscais que impactam positivamente seus resultados, a empresa também é a mais alavancada das três organizações citadas, o que pode causar problemas, tanto relacionados ao cumprimento das obrigações, quanto ao aumento do risco percebido para ela, com uma elevação nos juros cobrados na captação de novas dívidas.

Ainda falando da Riachuelo, seu segmento financeiro, comandado pela controlada Midway Financeira, contribuiu bastante para que os resultados não fossem ainda piores no trimestre.

Nesse momento, um fator de análise é ainda mais importante do que normalmente seria: o preço da ação.

Se normalmente o preço da ação importa, em um momento de crise ele importa ainda mais.

A economia vai passar por momentos de apertos, o desemprego vai aumentar e a renda da população cairá, consequentemente, os lucros das companhias também cairão.

Portanto, ao analisar as empresas, é extremamente importante verificar se não está pagando caro demais por determinada ação.

Com isso, podemos voltar às perguntas do início do texto, fazendo outros questionamentos incluindo a variável preço.

Mesmo que as lojas fiquem fechadas por mais tempo e as receitas então demorem mais tempo para voltar, o preço de determinada companhia ainda está bom?

Existem outras empresas do setor que possuem uma melhor relação preço e risco?

Além dessas perguntas, que buscam a defesa frente aos impactos negativos na operação, há também chances de algumas empresas se beneficiarem desse momento difícil.

As maiores varejistas desse segmento no Brasil possuem, juntas, aproximadamente 10% do mercado, enquanto em países desenvolvidos esse numero é de 30 a 40%.

Com isso, podemos concluir que existem muitas empresas pequenas que possuem pouca participação e, consequentemente, podem ter também pouca capacidade de sobreviver a um período extenso de baixa receita e, com isso, devem acabar saindo do mercado.

Nesse momento é que entram as maiores varejistas. Elas possuem maior capacidade, tanto para pegar empréstimo mais barato no mercado, quanto elevado volume de caixa para cumprir com suas obrigações enquanto as receitas não voltam aos padrões aceitáveis.

Portanto, é importante entender que no curto prazo o cenário ainda é incerto e difícil, mas no longo prazo, as empresas mais resilientes poderão ganhar ainda mais espaço. E quando isso acontecer, suas ações vão valorizar mais.

Mas lembre-se, a bolsa sempre antecipa os movimentos. Então, quando a economia melhorar e essas empresas se solidificarem, seus preços já estarão igualmente altos quanto suas receitas.

Por isso, é necessária uma análise cuidadosa de todos os fatores que afetam essas empresas, para podermos nos antecipar a esses movimentos e nos beneficiarmos desse crescimento nos resultados.

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Raphael Rocha

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