Transportadora Associada de Gás S.A. (TAG )

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 Transportadora Associada de Gás S.A. (TAG)

Na última segunda feira, nossa colaboradora Patrícia Rossari, escreveu sobre a venda da Transportadora Associada de Gás (TAG) pela Petrobrás de forma qualitativa explicando o que é bom para cada uma delas e como funcionam os contratos, e se você não viu ainda clique aqui e releia o artigo de segunda feira. Nosso aluno Marcos Rocha do Curso de Análise Fundamentalista pesquisou a empresa também e trouxe dados mais quantitativos.

Vamos então aos dados do Marcos, e já aproveito para parabenizá-lo por esse trabalho, visto que esse é o resultado alcançado em menos de um ano de curso. Também fico feliz com essa evolução.

A Transportadora Associada de Gás é uma empresa de Sociedade anônima, constituída em 2002, que atua no setor de transporte de gás natural, detendo atualmente autorizações de longo prazo para operar e administrar um sistema de gasodutos de cerca de 4,5 mil km de extensão, localizados principalmente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil.

A capacidade de transporte da companhia é de 74,7 milhões de metros cúbicos ao dia, volume que está integralmente contratado por meio de contratos de longo prazo com cláusulas de “ship-or-pay”, em que o consumidor final ou a concessionária, para quem está sendo feito o transporte, é obrigado a pagar pelo transporte do gás mesmo no caso de o gás não ser transportado.

 

Composição de TNS

Em 2008, a empresa incorporou a TNS (Transportados Nordeste e Sudeste), a TCG (Transportadora capixaba de Gás) e a TUM (Transportadora Urucu Manaus), sendo assim, em 2012 incorporou a Transportadora Gasene SA.

Em 2014, adquiriu a totalidade das ações da NTN (Nova Transportadora do NE) e da NTS (Nova Transportadora do SE), e posteriormente em outubro de 2016, devolveu a participação total da NTS para a Petrobrás.

Em 2017, 90% da NTS foram vendidas pela Petrobrás para um consórcio de investidores liderado pela Brookfield, por aproximadamente U$ 5,2 Bi. A NTS abrange 55% da demanda brasileira, e está próxima das fontes de gás do país, e a aquisição indicou uma abertura para a inciativa privada ao mercado nacional de gás, logo em seguida o grupo vendeu 7,25% das ações para a ITAUSA.

A Transportadora Associada de Gás é responsável atualmente por 4.505 km de malha em 10 estados do Norte e Nordeste brasileiros, e a capacidade instalada total de transporte da empresa corresponde a 74 milhões de m3 de gás por dia. A operação e manutenção dos gasodutos são realizadas pela Transpetro.

 

Mapa de distribuição das linhas de transporte operacionalizadas pela TAG.

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A Petrobrás iniciou um processo de desinvestimentos de mais de U$ 20 bilhões, para que a empresa conseguisse focar os esforços na sua principal atividade-fim (exploração e produção de petróleo e gás, com ênfase em águas profundas) e, primordialmente, promover a desalavancagem.

O Leonardo Bittencourt, já escreveu em Dezembro/2018, do novo plano de desalavancagem, e de expansão de Petrobrás para os próximos 5 anos, clique aqui e veja. Para conhecer a série OURO NEGRO, clique aqui.

O processo de venda de 90% da Transportadora Associada de Gás pela Petrobrás foi retomado este ano, após ser derrubada uma liminar do STF, em janeiro.

A empresa francesa Engie, juntamente com um fundo Canadense (CDPQ -Caisse de Dépôt et Placementdu Québec) apresentaram proposta entre U$ 8 bilhões e U$ 9 bilhões (entre R$ 29 e R$ 34 bilhões, considerando o câmbio de R$ 3,70).

Aparentemente esse é um bom negócio para ambas as partes, porém, uma análise sobre os últimos resultados da Transportadora Associada de Gás pode trazer uma impressão diferente.

 

Resumo dos Contratos de Serviços de Transporte

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Informações retiradas dos sites da Transportadora Associada de Gás, Petrobras e Itausa

 

Resultados

Considerando os Relatórios de Resultados de 2016 e 2017, temos alguns dados relevantes do desempenho e resultados da Transportadora Associada de Gás nos dois últimos exercícios.

 

Balanço Patrimonial

Transportadora Associada de Gás possui um Ativo Circulante de R$ 3,56 Bi, enquanto o Passivo Circulante é de R$ 1,69, com um Índice e Liquidez Corrente de 2,11 (em 2016 estava em 1,0), e por outro lado, o Caixa Líquido da companhia esteve zerado em 2016 e 2017. A liquidez da empresa concentra-se em aplicações financeiras.

 

O Patrimônio Líquido de R$ 12,45 bi e crescente desde 2015, mesmo considerando a redução do imobilizado em 2016, com a negociação da NTS.

Em 2016, foi liquidada uma dívida de R$ 13 bilhões junto ao BNDEs o que baixou o índice de alavancagem de 5,21 (2015) para 0,36 (2017). A dívida bruta atual é de R$ 3,8 bilhões. Perfazendo uma proporção de 73% em moeda Nacional.

NCG – Uma vez que a TAG não registra Estoques, o Capital de Giro se resume a Contas a receber menos Fornecedores, o que pode apresentar distorções e resultando em uma média anual de R$ 913 milhões em 2017 (15% da Receita Líquida).

 

 

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DRE

A Receita Liquida da Transportadora Associada de Gás baixou de R$ 6,2 bi (2016) para R$ 4,59 bi (2017), considerando a devolução do controle da NTS para a Petrobrás, em 2016.

A Margem Bruta tem se mantido em 80% nos últimos 03 anos e, logicamente, o Custo do Serviço Prestado manteve-se na média  de 20% nos três exercícios.

EBITDA oscilou mais : 82,2% (2015), 111,8% (2016) e 68,6% (2017 –  R$ 4,25 bilhões).

O fato que mais influenciou essa volatilidade do EBITDA foram as variações monetárias e cambiais no exercício de 2016.

O Lucro Líquido também variou bastante nos últimos exercícios, se estabilizando em uma proporção mais lógica em 2017: -33,0% (2015), 113,6% (2016) e 51,0% (2017);

A TAG recebeu benefícios fiscais de R$ 425 milhões em 2016 e R$ 229 milhões em 2017.

LPA em 2017: R$ 3,17.

 

 

DFC

A empresa gerou em 2017 um Fluxo de Caixa de R$ 4,92 bilhões. Um valor extremamente próximo ao EBITDA, o que demonstra um equilíbrio saudável entre os regimes de Competência e de Caixa.

Amortização de Principal e juros de R$ 1,1 bilhão.

A empresa possui Reservas de Lucros de R$ 5,2 bilhões.

Contas a Receber de R$ 1,08 bilhões

Contas a Pagar de R$ 175 milhões.

ROE – 18,8%    /    ROIC – 17,11%

 

Conclusão

A Petrobrás pretende investir U$ 68 bilhões na expansão da exploração de Petróleo e Gás nos próximos 05 anos.

A produção de gás associado deverá acompanhar esse aumento de produção, que se torna uma alternativa para compensar o fornecimento de energia, em virtude do risco hidrológico.

A TAG é uma empresa consolidada, que operacionaliza aproximadamente 70 milhões de m3/dia, com uma capacidade instalada de 74 milhões de m3/dia, e que se encontra aparentemente estabilizada, conforme os indicadores e resultados supracitados.

A companhia possui 05 contratos longos de transporte de gás. Quatro deles expiram em 2030/2031, porém o contrato Malha Nordeste se encerra em 2025 e representa 21,6 m3/dia (28% do total).

Conforme contato com o RI da Petrobrás e da Engie, ambas informam entender que será realizada pela ANP (Agência Nacional do Petróleo) uma revisão tarifária após o término dos contratos vigentes, em que serão estabelecidos os devidos parâmetros para cada revisão contratual. Não muito conclusivo, logo, cabe um monitoramento a respeito das condições de renovação destes contratos.

Em 2017, a Receita Líquida se estabilizou em R$ 4,59 Bi, com um EBITDA de R$ 4,25 Bi e um Lucro Líquido de R$ 2,38 Bi.

A princípio, a oferta da Engie, conjuntamente com o consórcio Canadense, está em aproximadamente U$ 8 bilhões (R$ 29,6 bilhões, considerando o câmbio de R$ 3,70), o que levaria nominalmente 10 anos para recuperar o investimento.

Durante a apresentação de resultados do 3T18, a Engie informou ter realizado todos os cálculos de risco e retorno sobre o referido investimento que, considerando 100% da aquisição, aumentará bastante a dívida bruta, mas também dobrará o EBITDA e o Lucro Líquido. Esses valores mudarão conforme a proporção de participação da Engie no negócio.

Fizemos um estudo de cálculo das possíveis alterações de índices a partir da aquisição de 100% e de 50% do negócio, conforme tabela abaixo:

 

Considerando 50% de participação na aquisição, o Lucro Líquido chegaria a R$ 3,42 bi, com um índice de alavancagem (DL/EBITDA) de 3,55.O índice de endividamento (DB/PL) chegaria a 2,05 e o Patrimônio Líquido da Engie aumentaria de R$6,6 bilhões para R$12,5 bilhões.

A geração de caixa da empresa aumentaria de R$ 4,4 bilhões para R$ 6,4 bilhões (aumento de 45,4%).

Estimando que a empresa consiga um financiamento de 5% a.a, o pagamento anual de juros aumentaria em R$ 885 milhões, enquanto o Lucro Líquido, em R$ 1,17 milhão. Uma diferença de R$ 286,00 milhões.

 

A aquisição da TAG demonstra um potencial crescimento de Receita e Lucro Líquido e, contrabalançado pelo incremento controlado da alavancagem atual, aparenta ser uma grande estratégia de investimento.

 

Lembramos ainda que o negócio também será muito bom para a Petrobrás que, além de receber um valor importante para diminuir a sua alavancagem, continuará recebendo não somente pela produção de grande parte do gás natural transportado pela TAG, mas também pela operação e manutenção do sistema, através da Transpetro.

 

 

Marcos Rocha – Aluno Análise Fundamentalista

 

 

A partir de agora é o Daniel Nigri falando:

 

Primeiro agradeço novamente todos esses dados do Marcos Rocha trazendo a questão dos riscos inerentes ao negócio com relação ao final dos contratos principalmente o da malha Nordeste que vence em 2025. O operacional em si do negócio já está em pleno funcionamento é um negócio amplo gerador de Caixa, com margens bastante altas.

No artigo de Segunda Feira, clique aqui, a Patricia Rossari, mostrou que não é a primeira vez que a Petrobrás vendeu gasoduto. Esta vendeu a NTS para o Fundo Brookfield e para a Itausa em 2017. Por 90% da NTS, a Petrobrás recebeu US$ 2,59 bilhões a vista, além de US$ 850 milhões que serão pagos em prazo de 5 anos, ou seja, total de US$ 3,44 bilhões por 90% ou o equivalente a US$ 3,82 bilhões. No caso da NTS, ainda foram emitidas debêntures em troca da dívida com a Petrobras Global Trading.

No caso específico aqui da TAG, como o endividamento atual da empresa é muito baixo, número que o próprio Marcos trouxe para gente, eu não vou incluir essa parte.

Abaixo, aproveito para colar, o resultado da NTS dos primeiros 9 meses e que estão no retângulo vermelho.

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Vemos acima que a margem líquida próxima a 50% é parecida com a da TAG de 2017 (um pouco menor porque a NTS possui mais dívidas que geram despesas financeiras). A margem Operacional é de quase 80% e excluindo depreciação e amortização dos custos teríamos dois negócios similares.

Por esses números podemos dizer que a DRE da TAG hoje é em torno de 50% maior que o da NTS, mas o preço cobrado é maior que os 50% mesmo se incluirmos as dívidas da NTS que geraram as debêntures conversíveis.

O que eu posso afirmar é que para Petrobrás esse negócio é melhor do que foi a venda da NTS.

E para Engie o negócio, por mais que traga o endividamento para níveis muito altos, e provavelmente a companhia venha a reduzir dividendos para o payout antigo de 50% será muito interessante para o futuro da companhia, porque dobraria o EBITDA, e em 8 anos a companhia conseguiria de volta o valor investido, apesar de gerar uma redução nos indicadores de rentabilidade (ROE e ROIC).