WEG – WEGE3: A Gigante Brasileira

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Quem acompanha o mercado a algum tempo sabe que é comum a precificação de setores/empresas que estão bem posicionadas para atender as demandas que tem projeção de crescimento, no caso a indústria 4.0, os veículos elétricos, energia eólica, solar que já representa parte dos resultados. Observe a linha de produtos e soluções:

  • Motores elétricos
  • Eólico
  • Transformadores
  • Solar
  • Alternadores
  • PCH

Além do fato de estar posicionada em diversos países, o que dá a ela vantagem competitiva pois fez ao longo do tempo alocações de capital bem planejadas e eficientes, e o fato do modelo da modularidade que ela aplica,  permite uma maior flexibilidade e redução de perdas no processo que  é um dos pilares da indústria 4.0

A decisão de investir em um negócio deve levar em considerar variáveis qualitativas e quantitativas, afinal se você decidir apenas pelo múltiplo estaráconsiderando apenas o exercício passado (balanço patrimonial), se observar apenas a “animação com os resultados e as perspectivas(que levam consigo muitas vezes uma perfeição e eficiência que não existe no mundo real, isso vale para qualquer negócio), vais estar tapando o sol com a peneira ao imaginar que tudo sairá sempre de acordo com o cenário mais otimista imaginado/projetado/calculado.

Já falamos tanto no material escrito quanto nos podcast que o  mercado precifica o que acredita ser possível o negócio entregar no futuro, e para isso ele leva em consideração os números do mercado consumidor (demanda), além de aplicar no preço (cotação) o ágio de confiabilidade que está ligado a gestão (expertise, capacidade de inovação, tecnologia, capital para isso tudo, tamanho, dívida, etc.), a propósito, o índice de inovação da companhia é de 43,7% sobre o faturamento (produtos lançados nos últimos 5 anos).Em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação no ano de 2019 a companhia aplicou R$ 339,3 milhões cerca de 2,5% da receita operacional líquida.

Ou seja, existe a parte racional que é a capacidade da empresa crescer volume/preço/mix/mercado/estrutura (seja por aquisições ou eficiência na gestão dos recursos/custos) e a parte emocional que é aquela onde não se observa a parte prática, apenas que existe um mercado em potencial de crescimento e que ela é uma das empresas que fará parte desse futuro.

Meu trabalho aqui não é dizer o que é correto ou não de se aplicar, apenas mostrar que existem perfis diferentes de investimentos e que o principal é compreender que estamos falando de um negócio que apresenta resultados crescentes, em um mercado que está em evidência, em um momento de otimismo em relação as ações de forma geral, ou seja, seria muita inocência acreditar que ativos assim não seriam precificados nesse cenário.

A oscilação da cotação do ativo é um reflexo dos movimentos dos investidores, e a multidão nunca é totalmente racional, mas gera força.

O que não muda quando se trata de negócios com fundamentos, é que caso você decida montar posição precisa aprender a usar a volatilidade a seu favor e não contra.

Volatilidade não é ruim, a não ser que você se desespere e abra o HB todos os dias, e a cada volatilidade/oscilação (pra baixo) sua atitude é vender tudo para comprar quando a volatilidade/oscilação (pra cima) voltar a aparecer

Observando a WEG é possível perceber que a empresa cresceu receita, e parte desse movimento ocorreu devido as muitas aquisições, que foi possível devido a capacidade de capital, assim ela abriu novos mercados que ao longo do tempo  apresentaram crescimento de consumo; logo, é natural que exista evolução da receita. Ela não parou no tempo, e voltamos aqui ao assunto já discutido no podcast e também no site, sobre as dívidas e o fato de que nem todas as alavancagens são ruins, é preciso identificar de onde vem, para onde vai o dinheiro, qual o custo disso e os retornos previstos, além é claro de identificar se a empresa consegue “dar conta” dos fluxos de saída com geração de caixa do processo já existente.

E o lucro só cresce se as margens forem saudáveis, lembre-se que é natural existir variação em alguns trimestres, principalmente em negócios que tem impacto de preço de matéria-prima em dólar, variação cambial pelo elevado percentual de receita na moeda, além da dívida. Inclusive a empresa cita nos releases que as bases de suporte dos resultados são o crescimento da receita, melhora das margens operacionais, ganhos de escala, mix de produtos mais favorável e eficiência na alocação de capital.

Vamos aos números

Uma informação essencial para compreender a evolução do negócio em relação a estratégia que ela propõe é o desempenho das áreas de negócio, o quanto ela faturou nos mercados que atende, e por produto também, acompanhe os números referentes ao 1T2020

Mercado externo: 54,4% da ROL (contra 57% no 1T2019)– ROL de R$ 2,022 milhões (+20,3%) / US$ 451,7 milhões (+1,4%) em relação ao 1T2019

  • Equipamentos eletroeletrônicos industriais: 35,22% (-0,95 p.p. 1T2020x1T2019)
  • GTD: 14,27%(a empresa cita que houve entrada de pedidos para transformadores de parques de energias renováveis nos EUA e novos projetos no México no trimestre passado e com isso a carteira de pedidos ficou mais robusta). (-0,88 p.p. 1T2020x1T2019)
  • Motores para uso doméstico: 4,29% (China impactou os resultados devido as paradas, resultado da pandemia que ocorre por lá desde o início do trimestre) (-1,10p.p. 1T2020x1T2019)
  • Tintas e vernizes: 0,65% (foco continua na América Latina) (+0,07 p.p. 1T2020x1T2019)

OBS: impacto dodólar médio, a empresa cita que passou de R$ 3,77 no 1T19 para R$ 4,47 no 1T20,com valorização de 18,5% sobre o Real.

Receita Líquida por Mercado Geográfico no 4T2019 e 1T2020 respectivamente:

  • América do Norte: 43,5% – 47,6%
  • América do Sul e Central: 11,5% – 8,5%
  • Europa: 27,6% – 29,1%
  • África: 7,8% – 6%
  • Ásia/Pacífico: 9,6% – 8,8%

Mercado doméstico: 46% da ROL R$ 1.692,4 milhões(+35,2%)

  • Equipamentos eletroeletrônicos industriais: 16,17% (+0,04 p.p. 1T2020x1T2019)
  • GTD: 21,11%(Todos os negócios, com exceção da geração eólica, apresentaram crescimento de receita). (+2,96 p.p. 1T2020x1T2019)
  • Motores para uso doméstico: 4,59% (máquinas de lavar e ar-condicionado continuam ajudando os números, mas a empresa informa que em março já percebeu redução da demanda por conta da COVID-19 e que esse movimento de queda deve persistir no 2T2020). (+0,21 p.p. 1T2020x1T2019)
  • Tintas e vernizes: 3,69%(-0,34 p.p. 1T2020x1T2019)

Equipamentos eletroeletrônicos industriais: 16,17% (+0,04 p.p. 1T2020x1T2019)

  • GTD: 21,11%(Todos os negócios, com exceção da geração eólica, apresentaram crescimento de receita). (+2,96 p.p. 1T2020x1T2019)
  • Motores para uso doméstico: 4,59% (máquinas de lavar e ar-condicionado continuam ajudando os números, mas a empresa informa que em março já percebeu redução da demanda por conta da COVID-19 e que esse movimento de queda deve persistir no 2T2020). (+0,21 p.p. 1T2020x1T2019)
  • Tintas e vernizes: 3,69%(-0,34 p.p. 1T2020x1T2019)

A Receita Operacional Líquida (ROL) total de R$ 3.714,4 milhões no 1T20, isso significa + 26,7% em relação ao 1T19 e -1,7% em relação ao 4T19.

OBS1: lembre-se que estamos falando de uma empresa com projetos e ciclo longo no mix, portanto, analise essa variável juntamente com a evolução da carteira de pedidos

OBS2: O ROIC aumentou, afinal houve crescimento da receita e nas margens, mesmo com a companhia tendo aplicado mais capital pela maior necessidade de capital de giro (maior produção), além dos investimentos em ativos fixos e intangíveis ao longo do ano.

Custo dos Produtos Vendidos

No primeiro trimestre de 2020 a empresa teve um custo de produto vendido de R$ 2.616,9 milhões, aumento de 26,1% em relação ao mesmo período de 2019e um recuo de0,6% em relação ao 4T2019. A empresa cita que houve impacto de redução dos preços de algumas matérias primas no período, o cobre e o aço. O preço médio do cobre em dólares no mercado spot na London Metal Exchange recuou 4,4% em relação ao 4T19 9,5% em relação ao 1T19, o preço médio do aço em Reais recuou 0,9% em relação ao 4T19 e 8,6% em relação ao 1T19.

A composição do custo do produto vendido:

  • Materiais: 64%
  • Pessoal: 22,9%
  • Outros: 9,4%
  • Depreciação: 3,7%

Ebitda e Margem ebitda

A empresa apurou o valor de R$ 619,1 milhões, um número 34,1% maior que no mesmo período de 2019 e queda de 7,1% em relação ao 4T2019,  com margem de 16,7%, crescimento de 1 p.p.  x 1T2019 e 0,9 p.p.superior que o 4T2019. A companhia cita que essa evolução na geração de valor se deu por alguns motivos, e os principais são:

  • gestão de custos mais eficiente,
  • ganhos de escala
  • melhor rentabilidade de operações no mercado externo

Já falamos sobre o custo marginal nos materiais, e como a capacidade do ganho em escala interfere na margem principalmente quando aliado a isso existe a varável de menor preço das matérias primas, ou seja, união de menor custo no item mais representativo da cadeia com aumento do volume produzido que gera ganho de eficiência |(escala).

Resultado Financeiro

Apurou R$ 0,8 milhões negativos no trimestre contra um valor de R$ 36,1 milhões negativos em 2019e no 4T2019 positivo em R$ 12,9 milhões.

A empresa cita que melhorou os financiamentos no Brasil e no mercado externo fazendo com que a despesa com juros e o menor impacto das correções nas provisões tivesse menor impacto na relação do 1T2019x1T2020.

Disponibilidades e endividamento

A geração de caixa nas atividades operacionais foi de R$ 525,7 e a empresa cita que o movimento se deve ao aumento na necessidade de capital de giro, compensado pelo crescimento do resultado operacional.

A companhia possui R$ 3.406,1 milhões (disponibilidades, aplicações financeiras e derivativos),a dívida financeira bruta de R$ 2.493,6 milhões, e deste valor 36% de curto prazo e 64% de longo prazo. No final de 2019 a posição líquida de caixa era de R$ 908 milhões.

O CAPEX: R$ 123,7 milhões, destes 46% aplicados nos parques industriais e subsidiárias no exterior e 54% aos ativos no Brasil.

Lucro Líquido

O lucro líquido apurado no trimestre foi de R$ 440 milhões, aumento de 43,4% em relação ao mesmo período de 2019 e queda de 12,1% na comparação com 4T19, a margem líquida no trimestre foi de11,8%, aumento de 1,3 p.p. em relação ao 1T2019 e 1,4 p.p.menor que o trimestre anterior.

No trimestre houve aumento da alíquota efetiva de IR/CSLL em relação a 2019, de 6,91% para 12,39%.

Concluindo

A companhia cresce através de aquisições, com posicionamento geográfico amplo (global) tem vantagem competitiva, e isso aparece nos resultados. A empresa cita que no mercado interno viu um desempenho positivo da indústria nos últimos trimestre, setores  como papel e celulose, mineração e açúcar e álcool tiveram, segundo a empresa uma boa demanda por produtos tanto de ciclo curto quanto de ciclo longo, além do setor de geração, distribuição e transmissão de energia (GTD), principalmente transmissão,  distribuição e  geração solar distribuída. No mercado externo a alta continua nos segmentos de óleo e gás,mineração e água e saneamento, com baixa da produção na China devido a pandemia que parou a região no início do ano.

A companhia informa também que não parou as plantas com exceção da China, e que não houve impactos (fortes) relacionados a pandemia nos resultados do trimestre, mas reconhece que não é possível medir as possíveis perdas para os próximos trimestres, afinal depende da cadeia e não somente dela, principalmente nos produtos de ciclo curto (que serão mais afetados pela restrição de circulação e pela queda na renda), os longos serão menos afetados.

Daniel Nigri com apoio de Patricia Rossari

O analista Daniel Nigri CNPI1810 é o responsável pelas informações perante a ICVM 598

As informações não constituem recomendação de compra ou venda de qualquer ativo

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