A Era Trump e o Mercado Financeiro

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Ser analítico e cuidadoso com a Bolsa de Valores nunca fez tanto sentido como após a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos. Isso porque o mercado ficou mais volátil e instável,e agora você vai entender o porquê e tudo sobre a relação e o mercado de ações.

Estamos todos os dias acompanhando os efeitos no mercado de um dos mais controversos mandatos presidenciais da história dos Estados Unidos para o mercado financeiro.

 

Vamos fazer uma retrospectiva

Donald Trump,empresário de sucesso, 70 anos, era tido como um “azarão” até mesmo pelo próprio Partido Republicano na corrida para as eleições presidenciais de 2016.

 

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Após eliminar a poderosa família Bush das primárias, três meses depois causou surpresa e pegou desprevenidos os analistas políticos em sua maioria, ao derrotar a democrata Hillary Clinton, a primeira mulher candidata à presidência dos Estados Unidos e ex-primeira-dama.

Um dos fatores importantes para a vitória é que o excêntrico Trump já possuía uma importante experiência diante das câmeras; com alguns anos de experiência, quando foi apresentador de um reality show na tv norte-americana chamado “O aprendiz”, onde seu bordão, “You’refired” (Você está na rua!!!!), ficou famoso em todo o mundo.

O Segundo fator decisivo da vitória e que nos ajudará compreender a Era Trump, refere-se à estratégia para vencer, de acordo com o complicado sistema eleitoral dos Estados Unidos.

Entender a estratégia que o levou à vitória é muito relevante para compreender os seus efeitos no mercado e, principalmente, saber quem foram as pessoas que o colocaram no poder.

Uma pesquisa feita pela Associated Press demonstrou que 63% dos votos que Trump recebeu eram de homens brancos acima de 45 anos, além de 42% de mulheres, mesmo com discursos considerados pela mídia como machistas e das mais de 10 acusações de assédio sexual.

E o estudo confirma o acerto da estratégia de comunicação da campanha de Trump, ao focar o discurso para o eleitor do republicano como homens, de etnia branca e de idade avançada. Um público, descrito por analistas, de classe média decadente, que integra a parcela mais afetada pelo desemprego no país e vítimas da globalização, daí porque a defesa do protecionismo econômico.

 

Protecionismo econômico

Cumprindo os compromissos de campanha e preocupado em atender as demandas de seu eleitor, Trump, através do protecionismo, trouxe uma prosperidade econômica típica dos felizes anos sessenta.

Muitos comentam que a grande inspiração de Donald Trump foi o ex-presidente Ronald Reagan, que conseguiu que os Estados Unidos recuperassem o otimismo e a condição de superpotência econômica, ganhou a Guerra Fria (embora a vitória tenha sido assinada por seu sucessor, George Bush) e acabou com a União Soviética. Assim como Trump, na época de Reagan muitos apostaram que os euromísseis e o farol da “guerra nas estrelas” poderiam levar a um holocausto nuclear. Não foi bem assim.

Dessa maneira, Donald Trump vem colocando em prática o protecionismo e desconstruindo um mundo de um livre comércio que se tornou quase um dogma de fé para os progressistas.

Desde que enfrentou a China, cujo capitalismo de Estado é também uma afronta ao livre comércio, a União Europeia corrobora com as teses de Pequim e o mercado financeiro emite alarmes periódicos sobre o risco de a guerra comercial levar a uma recessão planetária.

Isso pode acontecer, é claro. Mas por enquanto não aconteceu e a economia apresenta números contundentes.

 

Crescimento da economia

Quase não há desemprego (3,7%), a economia cresceu mais de 3% no primeiro trimestre, a inflação segue baixa (menor que 2%), os salários aumentaram e o declínio industrial foi contido.

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Um governo com uma economia em expansão

A liderança da maior potência e mais polêmica do planeta, Donald Trump deixará em memória o seu legado, principalmente econômico, nesses três primeiros anos de administração. Os números favorecem principalmente o perfil do seu eleitor norte-americano.

Inicialmente, cabe mencionar que a taxa de desemprego do país é de 3,7%, a menor desde 1967.

Em 2017, a taxa de crescimento do PIB foi de 2,3%. Já em 2018, no segundo trimestre, ela chegou a 4,1% e o FMI estima que em 2019 seja algo em torno de 2,7%.

 

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Reforma tributária

Um dos principais segredos do sucesso econômico foi a reforma tributária promovida pela administração Trump. A Heritage Foundation realizou um estudo e fez a progressão de que nos próximos dez anos o contribuinte deixará de pagar em impostos algo em torno de 26 mil dólares.

Com a reforma tributária e fiscal, as empresas também foram as principais beneficiadas. A alíquota para as companhias caiu de 35% para 21%. Engana-se quem pensa que as reformas pararam. Trump pretende voltar a diminuir os impostos através de mais uma Reforma Fiscal, que tornará permanentes os cortes de tarifas individuais e empresariais.

Segundo a Taxfoundation, caso a nova reforma seja aprovada, a medida gerará 1,5 milhão de novos empregos e aumentará o PIB em dois pontos percentuais. Outra atitude que foi responsável pelos bons números, foi a diminuição da burocracia.

Assim que assumiu, Trump assinou uma ordem executiva que exigia o corte de duas ações regulatórias a cada nova criada. A administração Trump foi responsável por 57 ações desregulatórias significativas, enquanto criou somente 14 desta mesma categoria.

No entanto, nem tudo são flores. Com relação à dívida norte-americana, Trump não tem tido sucesso em reverter o quadro. A dívida norte-americana, hoje, é de 21 trilhões de dólares e, como a economia tem déficit fiscal, ela continua em crescimento, apesar de ser nada parecido com as administrações George W. Bush (2001-2008) e Barack Obama (2009-2016). E mesmo assim, apesar do crescimento, Donald Trump não demonstrou muito interesse sobre a retenção do crescimento da dívida.

De acordo com as projeções, o déficit só alcançará um nível preocupante após uma possível reeleição do republicano, o qual teria afirmado que “ele não estará lá” neste momento.

 

Comércio exterior, assembleia da ONU e mercado financeiro

 

Com a governança de Trump, o clima esquentou entre os Estados Unidos e outros países do mundo. O presidente americano, nestes dois anos de governo, já anunciou sanções ao Irã, Rússia, Turquia, Venezuela, Coreia do Norte e Síria. Como consequência da ideologia do protecionismo, Trump retirou os Estados Unidos de acordos comerciais.

 

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Logo após a sua posse, ele anunciou a saída da Parceria Transpacífica. Além disso, junto com o Canadá, os norte-americanos fizeram uma substituição do Nafta. Quanto ao comércio exterior, a gestão Trump foi marcada pelas constantes ameaças aos chineses, ao colocar em prática o “AmericaFirst”.

Trump prometeu aumentar as tarifas de importação do aço de 10% para 25%. Ele já propôs também taxar mais de 150 bilhões de dólares em produtos originários da China.

As ameaças ocorridas ao longo de 2018 pareceram dar certo. A China reduziu o déficit de carros importados dos Estados Unidos. A redução caiu de 40% para 15%.

 

Assembleia da ONU

Nessa semana, o discurso de Trump na Assembleia da ONU reflete a fidelidade ao seu eleitorado, o cumprimento das promessas de campanha que permanecem intactas e coerência com todos os atos de sua política praticados anteriormente. Podemos usar um trecho de um discurso na ONU no início do mandato para comparar com o desta semana e podemos perceber que nada mudou.

“Nós não deixaremos mais este país ou o seu povo cair no falso canto do globalismo. Eu sou cético em relação a uniões internacionais que prejudicam os EUA”.

O discurso dessa semana:

“Se você quer liberdade, mantenha sua soberania e, se quiser paz, ame sua nação”, disse Trump. “O futuro não pertence aos globalistas. O futuro pertence aos patriotas. O futuro pertence a nações soberanas e independentes.”

Esse último discurso de Donald Trump na ONU, assim como todos os anteriores, reforçou o protecionismo e teve consequências bilionárias para as empresas de tecnologia.

 

Donald Trump e um novo índice do mercado financeiro

Desde que foi eleito, Donald Trump tem usado o Twitter como uma das maneiras de governar, principalmente para ficar próximo do seu eleitor.

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Uma das características da Era Trump é que quem trabalha no mercado financeiro não pode se dar ao luxo de ignorar os tuítes do presidente americano. É inquestionável que a atividade de Trump nas redes sociais vem tendo um papel estatisticamente significativo no aumento da volatilidade das bolsas de valores em todo o mundo. O Twitter virou o novo telefone vermelho da antiga guerra fria e os tuítes têm potência de movimentar e afetar o mercado de maneira significativa.

O Twitter vem sendo usado também como uma ferramenta de comunicação entre as instituições americanas. Recentemente, Trump vem atacando fortemente não só o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, como também o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi. As críticas de Trump são frequentes com relação a essas autoridades devido à redução de juros, que gera um medo de recessão para o presidente, inviabilizando assim uma eventual reeleição.

Com relação aos rendimentos, a condução de guerras comerciais pelo Twitter é algo que é preciso ter atenção.

De acordo com Valor Econômico, houve um grande aumento no registro mensal de tuítes presidenciais, seguido por pelo menos 0,5 ponto-base nos rendimentos dos Treasuries de 10 anos, no período de cinco minutos após a publicação dos tuítes.

O jornal também afirma que o índice Volfefe (índice criado pelo JP Morgan para calcular o impacto e a volatilidade dos tweets de Trump no mercado financeiro) saltou de uma média de 0,05 ponto no começo do ano para o atual 0.1. A volatilidade implícita – uma medida das expectativas dos operadores em relação às movimentações futuras dos preços – está mostrando a tensão. Entre cerca de 4.000 tuítes postados durante os períodos de negociação ao longo do último ano, 146 se mostraram capazes.

Os tuítes de Trump felizmente têm feito a festa para muitos traders, já que aumentam a liquidez intradiária nos mercados de juros dos EUA. Ou seja, é possível reagir em tempo útil à atuação de Trump sobre o comércio mundial. O banco J.P. Morgan calcula que os tuítes que afetaram o mercado atraíram um volume descendente de respostas favoráveis dos seguidores de Trump desde o começo do ano.

O banco também afirma que os “likes” e os “retuítes” têm uma correlação fraca com a volatilidade do mercado financeiro.

 

A pergunta que nós devemos nos fazer é:

Até que ponto podemos alegar o fator surpresa das suas declarações para o mercado financeiro?

Podemos perceber que há uma coerência em todos os seus discursos.

E quais são as empresas que são mais afetadas com os discursos do Trump?

Após o chefe da Casa Branca criticar a atuação de gigantes como Google, Amazon e Facebook, o valor de mercado dessas empresas despencou na bolsa de valores.

No seu último discurso nas Nações Unidas, o homem mais poderoso e polêmico do mundo enfatizou as tensões com a China e afirmou que os grandes conglomerados não devem “silenciar a voz do povo”.

De acordo com o site Investing.com, as grandes empresas de tecnologia – FAANG, que engloba Facebook, Amazon, Apple, Netflix e Alphabet (dona da Google), perderam um total de US$ 58 bilhões em valor de mercado após as declarações do presidente.

Das empresas que mais caíram, a Netflix foi a que sofreu mais e viu suas ações perderem quase 4,3%.

Já os papéis do Facebook caíram 3%, enquanto a Amazon teve declínio de 2,5%. Já Google e Apple tiveram perdas de 1,3% e 0,5%, respectivamente.

Ao que tudo indica, as empresas de tecnologia são as principais afetadas pelo governo Trump, pois as suas atividades e o funcionamento pressupõem um mundo onde o protecionismo não tem vez.

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Impeachment

Faltando apenas um ano para as eleições presidenciais de 2020, Trump, que será candidato à reeleição, está envolvido em mais um escândalo que traz uma crise ao seu mandato. No centro da discussão, a tentativa de Donald Trump de envolver um dos pré-candidatos democratas mais fortes à presidência, Joe Biden, em um escândalo de corrupção na Ucrânia.

Trump inclusive congelou a ajuda do governo americano de 391 milhões de dólares para a Ucrânia em um primeiro momento, e depois parece que autorizou o pagamento como moeda de troca, em uma futura ajuda nas investigações. Depois de tais acusações, a Casa Branca divulgou trechos dos telefonemas, do dia seguinte, de Trump e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.

Consequentemente, agora caberá aos representantes analisar e decidir se darão prosseguimento ao julgamento político do presidente, que, se aprovado, será realizado pelo Senado.

 

E o mercado financeiro?

Tal fato trouxe mais uma onda de volatilidade ao mercado (típica do polêmico mandato), por que temos uma crise política na maior economia do mundo, mas não podemos ainda classificá-la como um eventual cisne negro.

 

Conclusão

Como expectadores do presidente mais polêmico e teatral da história (lembrar da carreira televisiva e entenderemos muito sobre os tuítes), resta ver como terminará o primeiro mandato de Donald Trump.

Mesmo com as incontroversas atitudes e polêmicas, Trump, até o momento, não causou nenhum desastre (exceto o que alguns dizem sobre possivelmente incontrolável desastre climático) e mostra-se coerente e fiel desde a campanha, ao início do mandato, às suas promessas e compromissos assumidos com seu eleitorado.

Ao contrário de Barack Obama, que mesmo possuindo uma incontestável gestão de imagem, acabou sendo mais contraditório que Trump, ao incentivar as “primaveras” árabes e depois não soube o que fazer com elas.

Donald Trump, apesar da sua “louca coerência”, até o momento alcançou esplêndidos resultados econômicos. E mesmo com a possibilidade de impeachment, tudo aponta para que deva conseguir a reeleição sem grandes dificuldades e surpresas.

 

Gostaria de refazer a reflexão feita anteriormente:

Até que ponto podemos atribuir o fator surpresa da governança Trump aos mercados?

Principalmente pelo fato de que ele não muda seu discurso, não se contradiz desde a candidatura. E mesmo com toda a fama de louco, está sendo um presidente economicamente muito coerente para os Estados Unidos.

Às vezes é saudável que os fatos contradigam nossos pré-julgamentos.

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Débora Toledo