Se você assiste lives com gestores, com seu analista, com os RIs das empresas, ou mesmo tem o hábito de enviar questionamentos através de e-mails ou pelo telefone, com certeza já fez perguntas sobre a gestão do negócio, e se não possui esse hábito, talvez esteja na hora de começar a cultivá-lo.

Ok Patrícia, mas isso não tem relação com investimentos e esse site trata sobre assuntos de investimentos, ações, FIIs. Qual a lógica de tocarmos no assunto “gestão”?

Pelo fato de que se não prestamos atenção aos negócios nas épocas de “Suíça”, as chances de afundarmos (nosso dinheiro) com eles na crise são grandes.

Para que a empresa tenha resultados positivos, seja ela grande ou pequena, é  necessário que a gestão seja competente, capaz de compreender e praticar a administração voltada para os resultados, encarando os desafios, aceitando as responsabilidades pelas decisões tomadas e pela equipe, promovendo a cultura da solução e não da culpabilidade, saber que “estar certo” não é mais importante do que “fazer certo” e que genialidade e delírio são duas coisas diferentes.

Falta visão de negócio e de futuro em algumas empresas que pararam no tempo ou ficam com frequência viajando ao passando e insistindo em remodelar práticas ultrapassadas. Fazem as perguntas erradas, gastam um tempo excessivo com questões internas, resolvendo problemas, quando na verdade as causas nunca são tratadas, apenas tratam os sintomas. Perdem tempo desperdiçando competência, quando na verdade deveriam investir esses esforços em evoluir, inovar e buscar as boas oportunidades do negócio no mercado. Ou você acha que essas empresas que estão em recuperação judicial, todas, sem exceção, são apenas “vítimas” do mercado?

O trabalho de gestão é um trabalho que exige liderança. A maneira como a gestão se desenvolve na organização revela o tipo de líder que o gestor é, e o resultado do negócio é em parte reflexo disso. Já vi e vivi no meio empresarial tempo suficiente para saber que existem algumas perguntas que precisam ser feitas e respondidas para conhecer melhor o tipo de gestão que o negócio possui. Algumas delas:

  • Existem estratégias traçadas em relação aos objetivos da empresa?
  • Qual o grau de adequação dos profissionais em relação ao cargo que ocupam?
  • A gestão conhece os pontos vulneráveis? O que está fazendo a respeito?
  • Quanto tempo o gestor passa na sala e quanto tempo no processo que efetivamente gera o valor?
  • Existe planejamento de longo prazo para o negócio? Focados em oportunidades ou apenas focados no que já existe hoje?
  • A expansão do negócio acontece por exploração de oportunidades e inovação ou pela falta de concorrência?
  • As mudanças que ocorrem na organização têm um foco? Qual?
  • Existem prioridades definidas? Quantas? Qual o andamento delas? Estão documentadas? São expostas nos releases?
  • Qual a capacidade de entender e enfrentar a realidade do negócio com clareza, estratégia, foco e competência na ação?
  • Os indicadores de desempenho dos processos são usados? São úteis? Ou apenas consomem tempo?
  • Como você trabalha os pontos fracos? Reserva muito tempo a eles? E quanto tempo desenvolvendo os fortes? O que leva à pergunta básica:

Qual o plano da empresa para passar pela crise?

Eu poderia citar muitas outras perguntas necessárias para compreender a forma como a gestão trabalha, mas o importante é a conscientização da necessidade de questionar para descobrir, explorar, identificar e melhorar. A análise precisa quantificar e classificar os resultados das atividades que compõem o processo, avaliar onde, como e por que acontecem os problemas, as falhas, determinar as prioridades, conhecer as causas e propor ações que corrijam e melhorem o desempenho dos processos.

E antes que você pense:

É impossível saber de tudo isso!!!

Lembre-se que você pode e deve questionar o RI e seu analista que recomenda a ação sobre a gestão, e como eles definem e aplicam as estratégias. Obviamente que a empresa não é obrigada a abrir o centro de custos, mas podem te dizer, por exemplo, quais os Kpis usados para acompanhamento dos processos principais que geram valor e onde estão sendo feitas as melhorias.

Pense da seguinte forma: vais ficar com o ativo para longo prazo? Então nada mais justo do que saber como e onde seu dinheiro está sendo usado, não é?

Dá trabalho?

Aí depende do quanto o teu dinheiro importa pra ti.

E nunca esqueça que o foco de uma boa gestão é melhorar e evoluir o negócio e, consequentemente, aumentar a eficácia dos processos e a qualidade nos produtos, mantendo sempre o foco no que importa: o cliente.

E em épocas de crise isso significa a diferença entre conseguir passar por ela (crise) ou afundar com ela.

OBS: aqui o foco são as grandes corporações. Já quando o assunto são as empresas de médio e pequeno porte, é preciso considerar que elas não têm o mesmo capital, tampouco as mesmas condições de crédito das grandes corporações, logo sofrem sempre mais, o que é um absurdo, visto que são os maiores geradores de empregos do país, e mesmo em épocas sem crise, a taxa de mortalidade delas é grande. Mas parte disso ocorre devido ao fator da gestão não ter expertise suficiente. Nem sempre é uma questão de capital ou de demanda. Já falei aqui várias vezes sobre o fato de que não adianta ser o que vende mais se não existir lucro… nem todos os negócios são Amazon. E também porque no médio e longo prazo é natural que um negócio bem gerido e ajustado comece a alcançar resultados positivos. E sim, existem exceções, como por exemplo, algumas fintechs. Porém, não esqueça que existe um limite para qualquer negócio quando se trata de crescer sem novos investimentos, portanto eles terão que sair de algum lugar.

Tomar decisões não é uma tarefa simples ou fácil, pelo menos não em relação às definições importantes das quais dependem o futuro do negócio.

Patrícia Rossari

Negócios/Logística

Negócios/empresas não são um parque de diversões como muitos pintam no YouTube. Capital e insumo são escassos. Projetos não são uma dinâmica de grupo motivacional (nada contra que faz isso). Empresas são baseadas em resultados e esses só existem quando as pessoas sabem o que estão fazendo, para quem e onde devem fazer.

E se você acha que vai poder subir na mesa de reuniões e dançar, pois é cool e tu viste isso em algum lugar e é disruptivo…

Sinto informar, mas não vai funcionar em 99% das vezes.

A maioria das empresas não é de tecnologia, onde tem uma rede para descanso enquanto você pensa na próxima ideia, ou uma mesa de ping pong… Talvez um dia no futuro seja, mas hoje a maioria das empresas luta para contratar talentos, porém os dispensa por não se enquadrarem em sua política. O famoso comportamento de 5 série justificado pela genialidade. Porém são poucos os negócios que podem sustentar a genialidade em detrimento à equipe que fato materializa o resultado. Bons negócios só existem porque alguém teve uma ideia, mas executar, torná-la viável, é o que de fato mantém as empresas vivas.

Daniel Nigri com apoio de Patricia Rossari

O analista Daniel Nigri CNPI1810 é o responsável pelas informações perante a ICVM 598

As informações não constituem recomendação de compra ou venda de qualquer ativo

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DANIEL NIGRI

Como vocês já devem saber, meu nome é Daniel Nigri, tenho 36 anos e sou pai de 3 crianças lindas. Sempre fui apaixonado pelo mercado financeiro, mas especificamente pelo mercado de ações e opções. Já invisto desde os 19 anos. Em uma época que a taxa de juros chegou a 41% ao ano. Os fundos DI rendiam 3% ao mês….