A pauta ambiental é destaque na campanha americana e no Brasil

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A carta verde na manga de Biden

Na última terça-feira, Joe Biden defendeu como bandeira eleitoral a definição de um padrão 100% de eletricidade limpa até 2035 e investirá US$ 2 trilhões em energia limpa em quatro anos.

Os novos compromissos do candidato democrata marcam uma clara mudança em direção às prioridades ambientais dos progressistas e cortam o uso de combustíveis fósseis.

Os US$ 2 trilhões em gastos ao longo de quatro anos substituem o plano mais modesto de US$ 1,7 trilhão em 10 anos que Biden propôs no ano passado, enquanto lutava pela indicação.

As propostas são outro elemento-chave do plano mais amplo de Biden de retirar os EUA da recessão desencadeada pela pandemia de coronavírus enquanto ele constrói seu argumento nas eleições de novembro contra o presidente Donald Trump. Com o plano de energia, Biden buscará revitalizar a economia e resolver problemas sistêmicos mais profundos que existiam antes do ataque do vírus.

Biden prenunciou suas propostas em um evento de angariação de fundos na segunda-feira, dizendo aos doadores que “2050 é daqui a um milhão de anos na mente da maioria das pessoas. Meu plano está focado em agir agora, nesta década, na década de 2020.”

Biden também pedirá a criação de um corpo de conservação do clima modelado após os programas de assistência ao trabalho que o presidente Franklin Delano Roosevelt criou durante a Grande Depressão.

O plano também abraça a proposta do líder da minoria do Senado, Chuck Schumer, de entregar rapidamente a frota de automóveis do país, com os contribuintes seduzidos por vales em dinheiro para negociarem seus carros movidos a gás para carros elétricos, híbridos ou a hidrogênio. A iniciativa também direcionaria dezenas de bilhões de dólares para a construção de infraestrutura, inclusive em comunidades rurais.

Plano climático de Biden coloca desigualdade e empregos em pé de igualdade com o CO2

Quando Joe Biden divulgou seu  plano climático  na semana passada, o candidato democrata à presidência enfatizou um objetivo abrangente – e não era a redução de gases de efeito estufa.

Em vez disso, ele ligou inequivocamente uma ampla ação climática ao emprego. “Quando Donald Trump pensa em mudança climática, a única palavra que ele pode dizer é ‘fraude’”, disse Biden em discurso divulgando o plano. “Quando penso em mudança climática, a palavra em que penso é ‘empregos’.”

Sua proposta visa criar 1 milhão de vagas no setor automobilístico, em parte investindo na cobrança de veículos elétricos, além de mais 1 milhão de posições na reforma de casas para energia eficiente e resiliência climática. A palavra “união” aparece 32 vezes nas 15 páginas do plano.

Uma promessa de campanha não é apenas política, mas a retórica e a proposta de Biden representaram dois pontos notáveis:

  • Como candidato, ele está sinalizando um compromisso ainda maior em lidar com as mudanças climáticas por meio de políticas voltadas para a desigualdade racial e econômica.
  •  Ao mesmo tempo, Biden está se afastando da discussão sobre as mudanças climáticas como um problema puramente científico.

O Sunrise Movement, um grupo climático progressivo liderado por jovens,  aprovou o plano de Biden no Twitter. “Antes do #GreenNewDeal, os @TheDemocrats andavam na ponta da crise climática, comparando ao Partido Republicano mentindo que tínhamos que escolher entre bons empregos e nosso ambiente”, publicou a organização. “Agora, todos sabem que agir sobre as mudanças climáticas é a maior oportunidade de emprego e economia da história. Nós fizemos isso.”

As principais metas do plano incluem uma rede elétrica 100% livre de carbono até 2035, gerada por US$ 2 trilhões em gastos relacionados ao clima nos próximos quatro anos.

Já as comunidades desproporcionalmente impactadas pela poluição e pelas mudanças climáticas se beneficiariam de 40% dos gastos. Isso inclui muitas comunidades, em grande parte não brancas, que experimentam taxas mais altas de problemas de saúde relacionados à poluição, como asma e envenenamento por chumbo, e também tendem a ser mais vulneráveis ​​a fenômenos climáticos, como o aumento do nível do mar.

Importante dizer que Biden não é o primeiro político americano a vincular clima e empregos – em 2008, o então candidato Barack Obama prometeu criar 5 milhões de empregos “de colarinho verde” na próxima década – mas a extensão da ênfase no emprego é refrescante para muitos no movimento pela justiça climática.

Ao enfatizar políticas que abordam a equidade racial e econômica, o plano de Biden adota uma abordagem climática que vai além das soluções orientadas pelo mercado. Não há menção a um imposto sobre o carbono, por exemplo.

Embora a proposta enfatize prioridades voltadas para os negócios, como colocar o país em posição de fabricar tecnologias nascentes, como captura de carbono e hidrogênio verde, um plano centralizado relacionado à justiça social também descreve a criação de um Conselho Consultivo de Justiça Ambiental da Casa Branca e tem como objetivo “direcionar recursos de maneira consistente com a priorização da justiça ambiental e climática”.

(Michael R. Bloomberg, fundador e acionista majoritário da empresa controladora Bloomberg News, Bloomberg LP, escreveu um editorial em apoio. Link: https://www.bloomberg.com/opinion/articles/2020-07-16/joe-biden-shows-he-gets-it-on-clean-energy-environmental-policy?sref=kbpFnF3P

Biden é popular há muito tempo entre os eleitores negros, em grande parte porque serviu como vice-presidente do primeiro presidente afro-americano. E os democratas acreditam que as gerações mais jovens precisam saber que o próximo presidente tratará a crise climática com a urgência necessária – e que um futuro de energia limpa incluirá empregos sindicais bem remunerados e um compromisso real com a justiça racial.

O clima é uma área em que os eleitores negros registram consistentemente mais preocupação do que os brancos. O Programa de Comunicação sobre Mudanças Climáticas de Yale afirmou que 69% dos eleitores latinos e 57% dos negros se descrevem como “alarmados” ou “preocupados” com o aquecimento global, enquanto apenas 49% dos eleitores brancos o fazem. Também é mais provável que os brancos menosprezem as mudanças climáticas do que negros ou latinos.

O setor de combustíveis fósseis foi bastante enfraquecido pelo ativismo e pela concorrência de fontes renováveis ​​que, quando Biden assumir o cargo, será uma força política muito menor do que tem sido no passado. Portanto, ele terá uma mão muito mais livre para ser ousado.

E o Brasil?

Nessa semana vimos uma guerra das narrativas quanto à questão ambiental brasileira.

Vários fundos estrangeiros pressionando o Brasil para proteger a Amazônia e cessar desmatamento.

Acho que temos que avançar sim, mas é importante também compartilhar algumas informações.

Amazônia é a maior floresta tropical do mundo. Ocupa 61% do Brasil e tem 84% de floresta preservada.

Tem uma importância ímpar na biodiversidade.

O Brasil tem 12% da disponibilidade de água doce do planeta.

Temos um código florestal que é uma norma de proteção ambiental extremamente restritiva.

Entre os países de maior reserva florestal do planeta, Rússia, Brasil, Canadá, EUA e China, temos a segunda maior reserva.

Mais de 60% de vegetação nativa em vários biomas preservada, 3 x mais do que qualquer outra nação.

8.500 km de litoral com vários ecossistemas: recifes de corais, mangues, lagoas, estuários e pântanos.

45,3% da nossa energia é proveniente de fontes renováveis, contra 14% do resto do mundo.

Nós temos a matriz mais limpa dentre as 10 maiores economias do mundo.

83% da nossa energia elétrica vêm de fontes limpas.

No setor de transportes, 23% da matriz energética são renováveis.

Além disso, temos mais facilidade de atingir metas do acordo de Paris que outras nações. Por exemplo, a net de aumento de participação de biocombustíveis na matriz e percentual de renováveis na matriz.

O Brasil segue comprometido e seguirá a passos largos em busca de uma agenda de futuro comprometida com a inclusão social e desenvolvimento econômico com responsabilidade ambiental por meio da composição de três temas:

1) bioeconomia – desenvolvimento sustentável com base em ativos ambientais;

2) incentivos ambientais; e

3) investimentos em fontes renováveis na matriz, que aliás, nos últimos anos tem crescido demais: energia solar, eólica, biomassa e hidráulica.

Além disso, hoje temos um programa de concessões de infraestrutura que seguem diretrizes de ESG (Environmental, Social and Governance). Os projetos estão sendo estruturados para serem aptos aos selos verdes, o que abrirá portas para os green bonds e green loans. Veja a emissão de green bonds feita pela Rumo agora.

Os projetos têm contado com a participação do CBI (Climate Bond Initiative) e a ideia é fazer com que eles contribuam com a descarbonização da matriz. Os projetos estão atendendo uma série de requisitos ambientais.

Veja todas as possibilidades de planos e escolha de acordo com seu perfil

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Formada em Direito pela PUC-RJ, Débora Toledo é advogada tributarista e assessora de investimentos especializada em alta renda. Fez curso de Gestão de Empresas Familiares na Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ), mesma instituição onde ESTUDOU MBA em Mercados Capitais, atualmente cursando MBA em agronegócio pela Esalq/ USP 70% de sua cartela de clientes é formada por famílias do agronegócio. Atuante há 10 anos também em planejamento patrimonial, Débora aborda temas relacionados a dólar, commodities, investimentos para alta renda ou segmentos private, macroeconomia, planejamento familiar e agronegócio.