Agronegócio Brasileiro: a guerra comercial e as oportunidades na bolsa

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Agronegócio Brasileiro: a guerra comercial e as oportunidades na bolsa

É inegável o poder do agronegócio brasileiro, inclusive historicamente falando. O agronegócio brasileiro representa quase ¼ do do Produto Interno Bruto (PIB). Além de ter sido o grande responsável por impulsionar os resultados positivos da economia em 2017 E 2018.

Inclusive com safra recorde em 2017. Além disso, trata-se de um segmento com muitas oportunidades de investimentos, desenvolvimento e geração de empregos, representando 1/3 dos empregos no Brasil.

 

Capacidade econômica

Atualmente, o agronegócio brasileiro pode produzir vários tipos de matérias-primas e sustenta boa parte da capacidade econômica brasileira, proporcionando subsídios para confecção de roupas (algodão por exemplo), produção de papel (celulose), móveis (extração de madeiras), biocombustíveis (açúcar), medicamentos e materiais de higiene pessoal (cloro).

Ou seja, sem o agronegócio, outros pilares que sustentam a economia do país poderiam entrar em colapso e desmoronariam, causando grande impacto negativo para o crescimento nacional. Importante destacar, que o agronegócio  brasileiro é o maior exportador de soja do mundo, e também maior produtor internacional de cana e café.

 

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Na imagem acima vemos que o Brasil tem uma projeção de crescimento da safra da soja, enquanto os Estados Unidos, antigo líder, estão em declínio de produção. Isso é explicado pela Guerra Comercial Estados Unidos x China.

Estamos vivendo um momento crítico na economia e a geopolítica internacional. Esta Guerra comercial nada mais é do que a disputa econômica entre os Estados Unidos e pela China desde 2017.

O presidente americano, Donald Trump, tarifou uma série de produtos chineses como forma de estimular a compra de produtos nacionais e a criação de empregos. Em retaliação, o presidente chinês, Xi Jinping, taxou 128 produtos americanos.

 

E o que o Agronegócio tem a ver com isso?

De acordo com o ministério da agricultura, a Guerra comercial entre EUA e China trouxe alguns benefícios para o agronegócio no Brasil. Por quê?

Como disse no meu artigo aqui para o dica de Hoje sobre a Guerra comercial, clique aqui, só a China necessita, diariamente, cerca de 4,5 bilhões de refeições nas mesas de sua população, considerando apenas as refeições essenciais (café da manha, almoço e jantar).

 

Donald Trump – EUA X CHINA

 

Guerra comercial

A guerra comercial entre Estados Unidos e China também beneficiou bastante os exportadores brasileiros. O Brasil teve US$ 8,1 bilhões a mais nas vendas para o mercado chinês, já que os produtos americanos sofreram também taxação.  Tais restrições começaram a vigorar em julho do ano passado quando o governo chinês elevou a tarifa de importação para produtos americanos. Em mais de cem deles, a taxa subiu para 25% – antes eram de 3% a 13%.

O ganho no mercado chinês decorreu da lista imposta por Pequim que continha muitos produtos agrícolas, nos quais o Brasil é muito competitivo. No ano passado,a safra brasileira foi forte e os exportadores estavam preparados.

No entanto, produtores indicam que o cenário, neste ano, tem sido mais desafiador para eles. As negociações entre EUA e China estão cada vez mais tensas, com muita volatilidade ocasionando dificuldade para travar o preço dos produtos.

 

Ações de empresas do agronegócio

Como investidora, recentemente comecei olhar com mais atenção a SLC .

A Schneider Logemann&Cia  (SLC agrícola) é uma grande empresa nacional agrícola focada na produção de commodities, principalmente algodão, soja e milho.

De acordo com a página de Relacionamento com investidores da empresa, há unidades de produção localizadas em mais de seis estados brasileiros com aproximadamente 404 mil hectares, sendo a maior parte de soja, depois algodão e o milho.

 

E como a guerra comercial afeta a SLC?

A guerra comercial entre as potências EUA e China comandou e irá ditar a dinâmica de mercado para o algodão e soja principais produções da empresa.

Desde o início da Guerra Comercial, o preço do algodão despencou cerca de 30% por conta da possível diminuição da demanda Chinesa, como pode ser observado na imagem abaixo.

 

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Por que essa queda vertiginosa ocorreu?

Os EUA são os maiores exportadores de algodão do mundo. Se algo não for feito em médio prazo, entendemos que o reequilíbrio das tensões comerciais pode continuar afetando a demanda.

A soja teve trajetória bem parecida com o algodão, já que o preço diminuiu 9% no mercado internacional prejudicando significativamente o produtor de soja neste ano de 2019. Mesmo assim, a Guerra comercial parecer que está criando um momento oportuno para o Brasil, já que nós somos o maior exportador mundial. A Guerra está beneficiando o exportador a curto prazo e atingindo mortalmente o produtor.

 

Demanda chinesa

Além disso, existe o fato de que a demanda chinesa de soja também foi afetada por conta da gripe suína que será tratada em breve nesse assunto, a volatilidade no mercado de commodities agrícolas afeta o produto que não consegue travar o preço. Na verdade, os porcos da China comem farelo de soja, e com isso, a demanda se reduziu.

As novas tensões comerciais podem afetar o preço da SLC nos próximos meses e a SLC pode ter o preço bem descontado já que a sazonalidade da produção e a volatilidade  prejudicaram temporariamente a liquidez da empresa.

No entanto, trata-se de uma empresa com bons números, principalmente para quem têm uma carteira previdenciária já que os acionistas ordinários da empresa receberam dividendos superiores a 4% no ano de 2018.

Segunda feira, a Patrícia voltará ao assunto de SLC aqui neste site em outro artigo.

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Gripe suína e o agronegócio brasileiro

A gripe suína é uma tragédia sem precedente para os porcos.

De acordo com o banco Itaú BBA, a gripe suína deve matar algo em torno de 25% da criação de porcos do mundo, algo como 200 milhões de animais. E o maior atingido é a China, que já produz mais de metade do rebanho suíno do mundo.

No entanto, trata-se de uma oportunidade para duas empresas brasileiras. Só no ano de 2019 a JBS acumula uma alta de 126% e a BRF 54%.

Na última segunda-feira (22/07), as ações dos frigoríficos BRF e JBS subiram 3,29% e 3,97%, respectivamente, devido ao agravamento de novos casos da gripe suína na Europa.

Dessa maneira, a epidemia acabou beneficiando as empresas brasileiras que podem exportar para a China e para as demais regiões do mundo.

 

Primeiro semestre 2019

Só em junho, as exportações brasileiras de carne suína somaram 63,6 mil toneladas, de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Esse número se mostrou 81% superior em comparação ao mesmo período do ano passado, quando foram exportadas 35 mil toneladas.

Apesar do resultado da JBS ter sido abaixo das expectativas de muitas casas de research, podemos afirmar que o momento é bastante propício para exportar carnes suínas, frango e carnes bovinas, com a abertura de novos mercados para o Brasil devido a guerra comercial e gripe suína elevando os preços globais das proteínas.

A BRF também já foi beneficiada com a retomada das margens operacionais aos níveis históricos e um potencial impacto da febre suína africana. Ainda há uma tendência de alta devido ao potencial de crescimento da demanda no mercado global de proteínas.

 

Concluindo

O mundo atual globalizado tem algumas nuances interessantes. Um problema do outro lado do planeta, torna-se uma oportunidade para empresas brasileiras. E estes impactos já representaram expressivas valorizações de algumas ações e no futuro, outras questões internacionais, deverão representar aumentos ou quedas nos preços de ações de outros tipos de empresas. No mundo atual, não podemos analisar apenas a economia brasileira, precisamos analisar o todo. O mundo inteiro.