Os varejos estão fechados desde o final de março deste ano. Mesmo que continuem vendendo através do e-commerce, o receio pela perda de empregos e renda é um inibidor natural, principalmente de produtos que não são essenciais para a sobrevivência. Explicando: você vive sem uma roupa nova, mas não sem comida; logo, o varejo de vestuários, calçados, cosméticos, entre outros, tem uma perda de faturamento muito maior do que o varejo que vende arroz e feijão, ou as farmácias.

Até aqui, nenhuma novidade, certo? Já sabemos que a probabilidade de queda maior nesses setores é muito provável, e menor nos negócios essenciais. Aqui vale lembrar a importância dos negócios perenes e de serviços/produtos essenciais na diversificação dos investimentos.

Pois bem, mas e depois?

Quando as atividades voltarem à normalidade (aos poucos, obviamente), e não somente pela questão lógica e necessária em relação à saúde dos indivíduos, mas também considerando que não se faz a roda girar só com um assopro, não é como nos livros – na prática as coisas são bem mais complicadas. Não basta chamar as pessoas de volta do home office; não basta apenas produzir sem parar, pois todos irão comprar; não é apenas uma questão de abrir as portas da loja e acreditar que o restante permanece da mesma forma que estava quando ela foi fechada.

E muito se tem falado sobre quais são esses novos desafios que o varejo e a própria indústria que fornece o estoque do varejo, ou aquela que fornece a matéria-prima ou os insumos para a cadeia produtiva, irão enfrentar.A gestão da cadeia de suprimentos será um grande diferencial nessa retomada, mais do que nunca, seja contornando os gargalos, seja em estratégias de custo de oportunidade em estoques que já não se adequarão mais à nova realidade de consumo (pelo menos ao longo do ano), seja em colocação de estoque a preços menores para suprir caixa, seja substituição de insumos ao longo da cadeia.

Tanto para o varejo como para a indústria, todas as previsões de demanda, que até então estavam dando o tom de programação de produção (logo, da política de compras da indústria) quanto o gerenciamento dos estoques do varejo e do seu giro, já não são mais realistas. Logo, o processo de voltar a abastecer os estoques, seja de matéria-prima e insumos ou de produtos acabados, não terá mais o histórico de curto prazo como parâmetro, o ponto de estoque vai ficar mais longo no primeiro momento e, com isso, a retomada da cadeia fica mais demorada.

O e-commerce fica distorcido nesses momentos, pois a tendência é que produtos de uso para sobrevivência sejam os maiores em volume (e certamente pouquíssimas empresas estavam preparadas para isso, mas as que não estavam conseguiram redirecionar a produção em um tempo relativamente curto, principalmente as grandes corporações), uma prova de que é possível termos uma indústria muito mais eficiente do que vemos regularmente, e com esse pico na demanda de alguns produtos, existe a tendência de algumas empresas acabarem com muito estoque e tendo que alterar a produção, reduzindo o faturamento. Traduzindo: não será fácil pra ninguém, nem mesmo pra quem fabrica papel higiênico e álcool gel.

A grande questão é que as empresas irão precisar desconsiderar esses pontos de desvio, ou melhor, desconsiderar o que foi consumo de pânico e o que pode ser usado como parâmetro para projeção de demanda (que vai dar o start na compra da MP, na programação da produção, na quantidade de mão de obra, no varejo o quanto de reposição será necessária para antecipar a demanda e, com isso, não perder vendas devido à falta de estoques em um item, enquanto sobra do outro). E acredite: isso vai acontecer, pois a cadeia não é suprida no mesmo tempo em todas as bases e estamos falando de suprimentos a nível mundial, e estamos falando de produção e de distribuição. Afinal, um veículo em uma superfície íngreme necessita da força do motor para transpor a barreira e subir, ele não consegue fazer isso apenas com a força do seu pensamento.

E então vem a grande questão que está sendo abordada pelos gestores e pelos profissionais de logística: o gerenciamento de estoques é capaz de desconsiderar fatores que não são regulares? Ou seu estoque ficará desorganizado em relação às novas projeções de demanda e os custos serão ainda maiores após a pandemia? Temos produtos substitutos para a produção, ou, no caso do varejo, fornecedores diferentes suficientes para repor caso a demanda aumente em uma velocidade maior que a produção de alguns bens, evitando assim escassez de oferta, que gera inúmeros problemas, sobre os quais já falamos aqui no site.

Resumindo: a importância de bons profissionais na área da logística será um diferencial significativo nos negócios a partir de agora.

É provável que a demanda mude em alguns aspectos, é inevitável após um susto tão grande como esse. E isso pode provocar a necessidade de inúmeras mudanças nos planos estratégicos de alguns negócios. A margem de alguns produtos do mix pode perder atratividade, alguns produtos serão mais consumidos em detrimento de outros, simplesmente por fatores como: de onde essa maçã vem? Aqui temos que reconhecer o programa do Carrefour de compras em um raio próximo às lojas, e não que isso seja apenas boa vontade, porque não é, apenas possui um custo benefício atrativo. Quem sabe os sapatos que adotem na produção a economia circular? Ou que tenham as metas que reutilização em segundas linhas ambientalmente sustentáveis (pesquise sobre as segundas linhas das fábricas de eletrodomésticos), ou talvez a marca do produto ou a embalagem mais pomposa (se as pessoas entendessem o custo de uma embalagem, iriam preferir as menores e mais discretas) não será mais uma origem de grandes margens para os negócios, visto que a tendência nesses momentos de retomada é o consumo pela necessidade.

Se algum varejo ou indústria estiver nesse momento fazendo previsões de demanda, provavelmente é porque o produto é de uso regular e de primeira necessidade. Além desse aspecto, os demais estarão apenas tentando prever algo que não tem nenhum dado para usar como base, e isso é muito perigoso quando diz respeito a cadeias imensas de produção.

As previsões de demanda hoje, ainda mais considerando que a maioria das empresas já se posicionou com o plano de preservar caixa (veja como uma coisa tem relação com a outra), será basicamente de repor o que não tem em estoque, e caso ela não consiga, vai precisar  contar com a variedade do mix de produtos para não perder clientes (lembre-se que muitas empresas podem fechar nesse período e muitas pessoas perderem seus empregos, ou seja, compromete na ponta de fornecimento e na ponta de consumo).

E isso tudo passa pela distribuição/roteirização completamente modificada, para conseguir atender com menos estoques ou menos diversificados e conseguir fazer chegar na ponta em uma velocidade que se adeque àquele perfil de consumo da região. Isso significa que podemos ver mais custos com transportes das empresas nos próximos períodos, mesmo considerando toda a estrutura de last mile, etc.

Não é apenas a parada, ainda temos pela frente a retomada!

Empresário, valorize seu bom profissional! Ele será decisivo quando a expertise for necessária para a adequação.

Daniel Nigri com apoio de Patricia Rossari

O analista Daniel Nigri CNPI1810 é o responsável pelas informações perante a ICVM 598

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DANIEL NIGRI

Como vocês já devem saber, meu nome é Daniel Nigri, tenho 36 anos e sou pai de 3 crianças lindas. Sempre fui apaixonado pelo mercado financeiro, mas especificamente pelo mercado de ações e opções. Já invisto desde os 19 anos. Em uma época que a taxa de juros chegou a 41% ao ano. Os fundos DI rendiam 3% ao mês….