Entrevista com ministro Tarcísio Freitas sobre o teto dos gastos e a polêmica entre desenvolvimentistas X liberais.

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Simulador CNT de Contribuição Previdenciária

Debora:

Em relação à guerra sobre o teto de gastos, qual a sua opinião?

Tarcísio:

Sobre desenvolvimentistas x liberais, na minha visão, o que é propagado pela imprensa e causa temor nos mercados está equivocado.

Entendo que a há uma guerra de narrativas em curso.

Não há a crença que os investimentos públicos serão a locomotiva do País.

Debora:

Quais os sinais que o governo passa para o investidor se tranquilizar?

Tarcísio:

Os sinais são positivos, se não fosse assim, não manteríamos o maior programa de concessões da nossa história.

Fizemos 28 leilões de infra até agora, com R$ 18 bilhões de investimentos contratados e mais oito bilhões de outorga.

Prorrogamos três contratos de concessão ferroviária que, somados, geram R$ 23 bilhões de investimentos e mais seis bilhões de reais de outorgas. Assinamos 59 contratos de adesão portuários com mais R$ 5,8 bi de investimento privado.

Débora:

Quais os próximos passos da agenda de Infraestrutura que pode interessar o mercado financeiro?

Tarcísio:

Hoje tenho 28 ativos em análise no TCU e devo enviar mais 11 até o fim do ano. Vamos superar os 70 bilhões de investimento sob análise do tribunal.

Até o fim do primeiro semestre do ano que vem vamos licitar 44 ativos de infra. Até o fim do governo, mais de 100 ativos serão leiloados e 250 bilhões de investimentos privados contratados no setor de transportes

Debora:

O seu ministério foi apontado como um dos defensores do “fura teto”. Como o Ministério de Infraestrutura tem lidado com o orçamento público?

Tarcísio:

Sobre o orçamento, como o Ministério Executou 80% do orçamento previsto para o ano até julho, com 52 obras entregues e estamos buscando mais R$ 1,6 bi de orçamento para fechar o ano.

Observe, R$ 1,6bilhões, que virá do remanejamento de recursos empoçados em outras áreas.

É compreensível que, devido à pandemia, reforçássemos o orçamento da saúde, garantíssemos parte dos salários para manter os empregos, ajudássemos estados e municípios com FPE e FPM, postergássemos o pagamento de dívidas e, principalmente, garantíssemos um auxílio aos mais vulneráveis, informais e invisíveis.

Lá se foram R$ 550 bilhões. É hora de voltar à normalidade. Ninguém está defendendo o desajuste fiscal, ninguém tem a ilusão que mais dinheiro para obras possa induzir a economia, nada disso.

Debora:

Mas, até quando irão os efeitos da pandemia? Como manter os informais nesse período? Se mantivermos algum benefício, como ele será sustentável?

Tarcísio:

São as perguntas que temos que responder.

Vincular isso à venda de estatais? Faz sentido, abro mão de ativo, diminuo tamanho do estado e mantenho mais um tempo a massa salarial mais alta.

Desindexação, desvinculação de receitas? Também faz sentido. Não furamos o teto! Nesse caso, quebra-se no piso.

Enfim, há algumas possibilidades para enfrentar os efeitos sociais e manter o equilíbrio fiscal.

Um ponto importante: não vamos romper com os pilares fiscais que nos garantiram uma trajetória descendente de juros e uma diminuição do prêmio de risco estrutural.

A alavanca para crescer vai ser o investimento privado.

Isso é fato! O resto é interpretação equivocada, guerra de narrativas.

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