ESG – Ambiental, Social e Governança

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Detalhe: o assunto não é recente, apenas ganhou as manchetes nas últimas semanas.

O investimento em sustentabilidade não é algo que surgiu em 2020. Muito pelo contrário, o assunto já é abordado há décadas, obviamente com as devidas ressalvas ao cenário/tempo em questão, principalmente no fim do último milênio, final da década de 90. Naquela época já estava em voga a importância de quantificar critérios de sustentabilidade nos investimentos. A título de contextualização, um dos eventos que marcaram a importância do assunto foi o petroleiro encalhado Exxon Valdez, no Alasca, em 1989, onde ocorreu o derramamento de petróleo bruto, gerando um desastre ambiental. E se você refletir um pouco, vais perceber que são inúmeros os desastres ambientais, com consequências sociais inclusive, que presenciamos ao longo dos anos que se seguiram.

Mas a história começa antes desse evento, em 1971, quando foi criado o PAXWX, que foi o primeiro fundo mútuo sustentável, e os responsáveis por isso foram dois ministros metodistas. E qual era o objetivo na época? Eles não queriam fazer investimentos (do dinheiro da igreja) em companhias que financiavam a guerra do Vietnã. Eis que então tínhamos um plano de investimento com base em responsabilidade social e ambiental. Já em 1977 temos os “Princípios de Sullivan”, que foram a base para os critérios do Global Compact Initiative da ONU nos anos 2000, e aí entra em jogo a sigla ESG – Environmental, Social & Governance.

Em 1997 ocorreu o pacto sobre o clima, no famoso Tratado de Kyoto – COP-3. Em 2006 é a vez da ONU entrar em cena e falar sobre o assunto, lançando os princípios para o investimento responsável. Já em 2009 a S&P lança o S&P Carbon Efficient SelectIndex, sendo este o primeiro índice que leva em consideração a mudança climática. E ocorreu também em 2015 a Conferência do Clima em Paris – COP21, onde 195 países acordaram com a redução de emissões de gases de efeito estufa. Antes dessa, tivemos a da Alemanha em 1995, a COP-1, na Suíça em 1996, denominada COP-2, e assim por diante.

Não é falta de negociação, afinal, lá se vão mais de 20 anos.

E para que você perceba que o assunto não é novidade, em 1990 criou-se o Índice Social Domini 400, que é o MSCI KLD 400 Social Index, sendo este o primeiro índice com foco em investimentos sustentáveis (ele exclui dos investimentos negócios de álcool, armas e cigarros). Em 1994 eram 26 fundos sustentáveis negociados, com fluxo de US$ 1,9 bilhão. Em 2019, segundo dados da Morningstar, os fundos sustentáveis dos Estados Unidos chegaram a US$ 21,4 bilhões, e na Europa a captação foi de US$ 135 bilhões. Veja essa apresentação da Black Rock (maior gestora de investimentos do mundo) para compreender de que forma é feita a análise e o acompanhamento dos critérios do SEG – Progresso dos compromissos de sustentabilidade.

Segundo dados disponíveis no site da Black Rock, no 1T2020 os fundos abertos globais sustentáveis captaram US$ 40,5 bi, com isso aumentando 41% na comparação com 1T2019, e os sustentáveis dos Estados Unidos US$ 7,3 bi no trimestre em questão. Ou seja, o que temos hoje é a união do investimento sustentável com o investimento que possui base em índices, é o mercado criando produtos que estejam alinhados com práticas de acordo com um pensamento mais responsável sem ser economicamente inviável, afinal, não é preciso poluir para lucrar.

E por aqui? Algum índice? Sim, temos. ISE – Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3, que iniciou em 2005. Trata-se de uma carteira, que é um guia de referência para o investimento responsável no país. As bases são: sustentabilidade corporativa, baseada em eficiência econômica, equilíbrio ambiental, justiça social e governança corporativa. Na lista que está vigente até 01 de janeiro de 2021, constam 36 ações de 30 companhias, representando 15 setores. Acompanhe na imagem as empresas que fazem parte da lista:

Fonte: http://iseb3.com.br/o-que-e-o-ise

Então você deve estar se perguntando: qual a relação prática disso tudo? Desde a temperatura até a qualidade do ar que você respira; e claro, mudam os projetos de investimentos de grandes corporações e fundos. Por isso fique atento aos sites de RI dos negócios nos quais você investe, veja quais são os projetos em relação a esses temas e como está o andamento e controle dos mesmos.

Além dos conflitos. Afinal, considerando que 97% da água do planeta é salgada, e dos 3% restantes de água que pode ser consumida, está congelada ou no subsolo, resta apenas 1%. E mesmo assim, para grande parcela do ocidente a água não é escassa na maior parte do tempo, mas no mundo, cerca de 750 milhões de pessoas não tem acesso à água potável, principalmente no Oriente Médio e África, e essa escassez gera conflitos, como por exemplo, países em conflito por controle da vazão dos rios, ou então exploração de aquíferos no Saara, e isso reflete diretamente na produção de alimentos.

Importante destacar que os critérios do ESG são de bases ambientais, sociais e de governança corporativa, atendidos individualmente ou como processos, que integrem os critérios. E então vem a pergunta: como eu reconheço essas estratégias nos cases de negócio?

Pode começar observando se a empresa fala/tem projetos, estratégias e se existe controle dos resultados das ações desenvolvidas. Podemos usar como exemplo:

  • controle de emissões de carbono, fonte das matérias-primas;
  • projetos de redução de impacto ambiental, gestão de resíduos, gestão de água, ou seja, uso de recursos ambientais nos processos. Veja exemplo da Duratex – Indicadores Duratex, da Schultz – Gestão Ambiental,;
  • desenvolvimento humano, condições de trabalho, diversidade;
  • qualidade dos processos e produtos;
  • relação com a comunidade, projetos sociais (exemplo, Renner e a comunidade de costureiras – Instituto Lojas Renner; Ferbasa com projetos educacionais, Aqui tem Ferbasa;
  • questões de governança: diversidade, ética, independência dos conselhos na tomada de decisão, idoneidade, direitos dos acionistas e a relação com a gestão – transparência, etc.

Para contextualizar:

Efluentes industriais são os resíduos líquidos e gasosos provenientes das atividades industriais. Os gasosos poluem o ar: dióxido de enxofre, carbono, nitrogênio, monóxido de carbono, e com isso, aumentam as doenças respiratórias. No caso dos líquidos, eles contêm substâncias diferentes dependendo da atividade da indústria e devem ser tratados antes de serem despejados na natureza ou antes da sua reutilização. Se você é daqueles investidores que entendem a importância da sustentabilidade nos negócios a longo prazo, já deve ter ouvido falar de economia circular, logística reversa, já deve ter lido sobre os projetos de muitas indústrias listadas na bolsa que fazem reaproveitamento de água no processo, ou que investem pesado na logística reversa para minimizar o custo das embalagens, ou que estão investindo em energia renovável, ou buscando alternativas para redução de impacto dos produtos (use exemplo da cadeia automotiva e seus fornecedores, como a LEVE3, por exemplo) e também porque têm consciência que o cliente está mais atento ao que consome e  quanto isso impacta no ambiente.

Se você não acredita na importância do que citei acima, eu recomendo que reveja o impacto de custo nas empresas que aplicam a reutilização de produtos descartados, seja na reversa/economia circular, ou ainda dentro do processo, devido a falhas que resultam em produtos que anteriormente seriam descartados por completo. Enfim, o ESG são critérios, e esses são aplicados em negócios que buscam geração de valor sem abandonar as boas práticas sustentáveis, que estão comprometidos com o cuidado ambiental em relação aos recursos utilizados no processo, no tratamento do capital humano, no comprometimento com o desenvolvimento social do local onde estão inseridos.

“Uma organização que visa o lucro é, não apenas falsa, mas também irrelevante. O lucro não é a causa da empresa, mas sua validação”. (Peter Drucker)

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