Qual o Futuro do Petróleo??

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Qual o Futuro do Petróleo??

Vocês já pararam para pensar no que vai acontecer com a indústria do petróleo no futuro? Será que a humanidade vai chegar ao ponto de não precisar mais extrair petróleo?

Eu, particularmente, acredito que não! Apesar de notadamente observarmos um movimento forte para utilização de energias limpas e renováveis (movimento liderado por países europeus!) e um crescimento na produção de carros elétricos, estudos mostram que o petróleo utilizado como combustível ainda irá permanecer com parcela de 35% no cenário de energia primária mundial nos próximos 50 anos, hoje o petróleo tem uma parcela de 43%. É claro que a demanda de petróleo para combustível em países desenvolvidos vai diminuir nos próximos anos, visto que diversas leis nestes países estão sendo aprovadas no sentido de proibir o consumo exagerado de combustíveis poluentes, incentivando a substituição da frota de carros movidos a gasolina por carros alternativos.

futuro do petróleo

Mas o petróleo só é usado para combustível?

NÃO!! O petróleo é utilizado em nossa sociedade para diversos fins, estima-se que metade das nossas atividades cotidianas e corriqueiras não seria possível ou viável sem o uso do petróleo. Para vocês terem uma ideia, 50% da composição de um carro é feito a partir de petróleo!

 

Vamos listar abaixo alguns produtos feitos a partir do petróleo:

  1. Alimentos: os derivados de petróleo são usados direta (em corantes, conservantes) ou indiretamente (em fertilizantes artificiais e pesticidas) na produção de alimentos. Chicletes também são produzidos a partir de derivados de petróleo.
  2. Plástico: um dos usos mais conhecidos de derivados de petróleo é a produção de plástico, como, por exemplo, garrafas de água, copos descartáveis, caixas etc.
  3. Remédios: o petróleo está bastante presente na indústria farmacêutica. Muitos remédios, especialmente os analgésicos e até mesmo os homeopáticos, contêm benzeno, um derivado do petróleo.
  4. Cosméticos: perfumes, ceras de depilação, xampus e condicionadores, entre outros produtos como o batom e vaselina, são feitos a partir de derivados de petróleo.

 

OK! Mas como se produz estes produtos derivados do petróleo?

É neste momento que entra o papel da Indústria Petroquímica.

 

Indústria Petroquímica:

 

A indústria petroquímica é uma subdivisão da indústria química. Ela utiliza a nafta (derivado do petróleo, obtido através do refino) ou líquidos de gás natural (como Etano, Propano e Butano que são extraídos do gás natural) como matéria-prima básica para o desenvolvimento de diversos produtos químicos. Estas matérias-primas passam por um processo chamado craqueamento (ou cracker).

A atividade petroquímica é dividida em 3 estágios:

1º geração: produzem os petroquímicos primários (etileno, propileno, butadieno, tolueno e benzeno);

2° geração: através de processo como purificação e adição, transforma os produtos básicos em petroquímicos intermédios como as resinas à base de metanol (utilizadas para a fabricação de borrachas, plásticos, detergentes e lubrificantes), os poliuretanos (usados em colchões e plásticos) e os acetaldeídos (que derivam em perfumes, aromatizadores e outros);

3° geração: altera os produtos resultantes da 2° geração, originando os produtos para o consumo.

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Características do setor

Este setor é caracterizado por grandes empresas e grandes unidades produtivas, com escalas elevadas de produção e necessidade intensa de capital. Os altos investimentos em tecnologia e logística de distribuição de produtos são fatores que fazem com que o segmento em si se torne ainda mais competitivo.É um setor que tende a ocupar cada vez mais espaço na economia do mundo moderno.

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Panorama da Indústria Petroquímica no Mundo:

Em termos mundiais, estima-se que haverá um crescimento na capacidade de produção de químicos e petroquímicos da ordem de 231 milhões de toneladas métricas de 2010 até 2020, sendo que cinco países (China, EUA, Arábia Saudita, Coréia do Sul e Índia) serão responsáveis por 75% do total do aumento da capacidade e, em particular, a China será responsável por 45% desse acréscimo.

 

Segundo dado de pesquisas estima-se que o consumo mundial de petroquímicos crescerá em média 3,5% ao ano no médio e longo prazo (até 2040) e, em termos geográficos, a América do Norte e o Oriente Médio terão maior participação no crescimento do consumo de matérias-primas petroquímicas no longo prazo, devido às vantagens de custo, chegando a representar 20% do consumo mundial em 2040. Entretanto, a China (45% do consumo) e o restante da Ásia serão os principais responsáveis pelo consumo mundial de petroquímicos.

futuro do petróleo

Lista das 5 maiores companhias petroquímicas no Mundo:

  • DowDuPoint
  • BASF
  • Reliance
  • SABIC
  • FORMOSA

Como informamos anteriormente, este setor é muito competitivo, então as principais companhias do mundo estão buscando mecanismos para se fortalecerem neste cenário: como internacionalização comercial e industrial, lançamentos de produtos diferenciados e compartilhamento da capacidade produtiva com outras empresas de Óleo e Gás.

Peraí!! Atenção neste último item: “Grandes empresas de Óleo e Gás estão “unindo forças” com indústrias petroquímicas”! Isto mesmo!! Com isto, ambas conseguem diversificar seus riscos, garantem uma sinergia tecnológica (pois podem utilizar o mesmo parque de refino!), desta união podem surgir novas tecnologias e produtos que aumentam a competitividade de ambas e o melhor de tudo para indústrias petroquímicas, é que as grandes empresas de Óleo e Gás tem MUITO dinheiro para ajudar no financiamento destes projetos!

Já podemos ver alguns exemplos deste movimento pelo mundo:

Na Arábia Saudita, a gigante saudita Saudi Aramco (Óleo e Gás) e o grupo petroquímico Saudi Basic Industries (SABIC) se uniram para construir o Complexo de Yandu com custo de U$20 bilhões, criado assim a maior petroquímica do mundo. Também na Arábia Saudita, a Saudi Aramco se uniu com a Dow para construir o SadaraChemicalCompany com U$20 bilhões. Na Índia, a Saudi Aramco se uniu com consórcio de todas as empresas de óleo da Índia para construir a RatnagiriMegaRefinary por U$ 44 bilhões. Na China está sendo construída a ZhejangRefinary por U$ 26 bilhões, também com união de petrolíferas e petroquímicas.

E como estamos no Brasil ?

Segundo dados da apresentação do vice-presidente da Brasken realizada no congresso Rio Oil&Gas (no dia 27/setembro/2018), a produção de Etileno na América do Sul é de apenas 4.3 MMt/y(“milhões de toneladas métricas por ano”), uma produção bem abaixo dos grandes produtores do mundo como EUA(34,8 MMt/y), Oriente Médio (28,5 MMt/y) e China (22,3 MMt/y).

futuro do petróleo

 

Um dos problemas da indústria Petroquímica do Brasil é a alta dependência de matéria-prima importada, sendo que 69% da matéria-prima é importada e 31% vem da produção doméstica. O nafta é a principal matéria-prima da cadeia petroquímica, com 92% de utilização, seguida pelo gás natural (com 8%), sendo que a Petrobras é praticamente a única produtora de nafta e gás natural no País, atendendo parte da demanda nacional com produção própria e importações. Já nos EUA, apenas em 27% da produção petroquímica utiliza-se o nafta como principal insumo, enquanto 73% da produção é baseada no gás natural, por conta do baixo custo do shalegas.

Para muitos estudiosos, a oferta de matéria-prima competitiva é um dos principais gargalos para o desenvolvimento do setor químico brasileiro, uma vez que ela responde, em alguns casos, por até 90% dos custos. No caso do gás natural, o preço pago pelas empresas brasileiras chega a ser 3 vezes maior que o praticado nos EUA.

A expectativa do setor é que com o aumento da produção do pré-sal, que causaria um aumento de disponibilidade de líquidos de gás natural (como Etano, Propano e Butano), isto possa ser revertido para ser utilizado na produção de produtos petroquímicos, trazendo um potencial aumento da produção do setor. Mas isto depende da introdução de uma nova política industrial.

Lista das 6 maiores companhias petroquímicas no Brasil:

  • BRASKEM(cód. Bovespa: BRKM3, BRKM5 e BRKM6)
  • Raízen Energia
  • Repsol Sinopec Brasil
  • Petrobras
  • Innova
  • Arlanxeo Brasil

 

A BRASKEM lidera a lista, sendo a maior petroquímica da América Latina. A companhia possui 41 unidades industriais,incluindo unidades industriais no Brasil (Petroquímicos Básicos, Poliolefinas e Vinílicos) e no exterior (México, Estados Unidos e Europa). Teve um faturamento de R$ 58 bilhões em 2017. A empresa tem uma estrutura societária composta pela empreiteira Odebrecht (com 50,1% das ações ordinárias e 38,3% do capital total), Petrobras(47% dos papéis ordinários e 36,1% do total) e outros (2,9% e 25,5% do total).

futuro do petróleo

 

A BRASKEM é considerada uma petroquímica de 1° geração e 2° geração (anteriormente eu expliquei o que significa cada geração!). Segundo o gráfico abaixo apresentado também no congresso, no Brasil existe apenas 6 petroquímicas de 1° geração que alimentam cerca de 2.500 petroquímicas de 2° geração (Ex: BASF, Elekeiroz (cód. Bovespa: ELEK3/ELEK4), Oxiteno (pertence ao Grupo Ultra), Dow, etc), que alimentam outras 12.000 empresas conversoras de plásticos (de 3° geração) (Ex: FortLev, Copobras, Electrolux, TetraPak, Tigre, Whirlpool (cód. Bovespa: WHRL3/WHRL4), etc).

futuro do petróleo

 

O que demostra que o mercado de petroquímica básica (de 1° geração) ainda é pouco explorado no Brasil e tem um potencial grande de expansão. E como consequência, as empresas da 2° e 3° geração acabam tendo que importar muitos produtos químicos para sua produção.

Antes de fazermos a conclusão, é importante olharmos mais um dado! Apesar de todos estes desafios da indústria petroquímica e química em geral brasileira, esta indústria representa 10,8% do PIB industrial, ocupando a posição de 3° maior participação.

 

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CONCLUSÃO:

Para concluir, eu volto a pergunta do título deste artigo: “Qual o futuro do petróleo?”. Eu acho que o petróleo tem futuro sim e ainda vai fazer parte de nossas vidas por uns bons longos anos. A diferença é que vamos utilizar o petróleo para fins cada vez mais “nobres”, muito mais que a simples queima utilizada hoje para produção de energia.

A refinaria do futuro não será mais apenas produtora de combustível, mas sim provedora de matérias-primas para a indústria petroquímica e química. Com isto, é fácil entender o que motiva o crescimento ainda considerável da indústria petroquímica nos dias de hoje com excelentes previsões de crescimento também no futuro.

No Brasil, conseguimos enxergar alguns pontos desafiadores para indústria petroquímica nacional. Está claro que precisamos de mais investimentos no setor, com construções de novas plantas na cadeia petroquímica e melhoras na logística também. Mas como atrair investimentos? Uma das formas seria definir uma política industrial para o setor, com uma política bem definida para o uso do gás natural para produção de produtos químicos, trazendo uma possibilidade de o país dispor de matéria-prima em preços mais competitivos semelhantes a outros concorrentes internacionais, tornando assim o mercado brasileiro mais atraente. Mas tudo isto é uma questão de prioridade do governo, ou vamos fortalecer nossa indústria química ou vamos continuar sendo exportador de matérias-primas?

Até a próxima pessoal,

Leo Bittencourt

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