Pequenas e médias empresas, a economia e o Coronavírus

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1 – Como você tem avaliado as medidas e pacotes de auxílio do governo para as micro e pequenas empresas e trabalhadores informais?

O desconhecido e o medo de suas consequências afetaram a economia global e, por causa deste inesperado fato, o mundo está sem chão, sem um ponto de referência. Os trabalhadores informais e as pequenas e médias empresas tendem a ser os mais prejudicados com as medidas de segurança contra o coronavírus, como o isolamento e a quarentena.

Para assistir a população mais vulnerável e salvar as pequenas e médias empresas do risco de falência, o governo tomou uma série de medidas para prevenir uma crise econômica desencadeada pelo Covid-19. São medidas emergenciais para garantir renda diante do isolamento social. De acordo com o Ministério da Economia, serão R$ 212,4 bilhões para a população mais vulnerável e trabalhadores, com um impacto fiscal de R$ 102,9 bilhões.

Merece destaque o auxílio emergencial, que será uma ajuda para trabalhadores informais e autônomos. No total, serão 54 milhões de informais, desempregados, MEIs, famílias de baixa renda e trabalhadores intermitentes, que estejam no momento sem receber, que receberão por 3 meses o valor de R$ 600.

O governo e o Congresso acertaram ao propor tal medida. Mas o verdadeiro desafio é como implementar e fazer esses recursos chegarem aos destinatários.

2 – Quais outras medidas o governo poderia ou deverá adotar para ajudar as empresas a se recuperarem?

As medidas de crédito para a manutenção dos empregos nas empresas serão fundamentais. Três merecem destaque:

– Programa Emergencial de Suporte a Empregos

Tal medida é para a necessidade de proteção de emprego e trabalho no momento de paralisação da atividade por causa do isolamento social.

Consistirá no financiamento da folha de pequenas e médias empresas por dois meses. O dinheiro vai diretamente para os funcionários de 1,4 milhão de pequenas e médias empresas, que terão até 30 meses para pagar, e terá o impacto econômico de R$ 40 bilhões (R$ 20 bi/mês).

– Linha de capital de giro da Caixa MPME, imobiliário e construção

Visa atender  necessidade de ampliação de crédito para capital de giro para pequenas, médias e microempresas, além de setor imobiliário e construção.

A Caixa destinou R$ 40 bilhões e depois anunciou mais R$ 20 bilhões de recursos novos para esses setores e terá o impacto econômico de R$ 60 bilhões.

–  Linha da CAIXA para compra de carteira

Visa atuar na ampliação de crédito para capital de giro para enfrentamento da crise.

A Caixa destinou R$ 30 bilhões e depois anunciou mais R$ 120 bilhões de recursos

novos para compra de carteira de crédito e tais recursos já estão disponibilizados.

3 – Mesmo com a ajuda do governo, você acredita que o pós COVID-19 será um mundo apocalíptico para as micro e pequenas empresas?

Mesmo com tais medidas, o que se sabe é que para pequenas e médias empresas, principalmente, o desafio de sobreviver durante e depois da pandemia é imenso.

Por mais que empresas de maior porte também estejam passando por dificuldades com o coronavírus, elas têm uma base estrutural mais consolidada para lidar com uma crise e arcar com um eventual prejuízo.

Para uma PME, ficar sem vender pode representar um estrago muito maior.

4 – Qual sua sugestão neste momento para as micro e pequenas empresas “respirarem” até o final da crise?

A primeira dica é que pequenas e médias empresas tentem não parar, mesmo em período de quarentena, e aproveitem esse momento para traçar novos planos de ação, como, por exemplo, investir mais em seus canais digitais para se comunicar com seu consumidor e mudanças de horários de jornada dos funcionários para diminuir o gasto mensal.

5 – Na sua opinião, em quanto tempo o Brasil conseguirá retomar um ritmo de crescimento econômico?

Mesmo antes da pandemia, o país se encontrava em um período de retomada econômica, já que o Brasil vinha da pior década em 120 anos.

De 2011 a 2019, o PIB teve avanço médio de apenas 0,7%. Ou seja, o coronavírus serviu para agravar um cenário que já era grave.

Além da tensão política e do rombo nas contas do governo da última década, a economia foi abalada por episódios como a greve dos caminhoneiros e a tragédia em Brumadinho. Agora, com o isolamento social, o coronavírus ajuda a derrubar a produção e o consumo no país, funcionando como uma espécie de choque adicional. O risco agora é de o problema econômico se agravar.

6 – Qual será o cenário para a Bolsa de Valores brasileira? Como você imagina que o dólar estará cotado ao final da crise?

A Bolsa de Valores brasileira foi afetada fortemente devido ao fato do coronavírus ser um problema de saúde que possui como consequência uma crise econômica, já que tira pessoas de circulação, diminuindo a lei básica da economia: a oferta e a demanda.

Sendo assim, as commodities que representam maior peso na Bolsa de Valores são diretamente afetadas, e empresas como Vale e Petrobras sofrem bastante, puxando o índice para baixo.

No curto prazo, a Bolsa ainda irá sofrer porque o coronavírus ainda traz uma expectativa de redução da atividade, que acaba acertando a economia em efeito cascata: o empregado não recebe, aí não consome e depois a fábrica não vende e também não precisa tanto de recursos.

Como uma das primeiras medidas para combater a disseminação do coronavírus foi a restrição à circulação de pessoas, os setores como varejo, turismo e as companhias aéreas serão os que irão sofrer mais e podem ainda continuar tendo uma queda em suas receitas.

Além do impacto na Bolsa, os temores com as consequências do coronavírus também refletem no dólar. O preço da moeda americana em relação ao real, que já vinha em trajetória de alta, subiu ainda mais.

Além da taxa básica de juros (Selic) estar baixa no Brasil, o que faz com que o país fique menos atraente para o estrangeiro, há também um fenômeno de corrida por ativos mais sólidos e fortes, como o dólar, em momentos tensos como o atual. Sendo assim, a cotação do dólar em relação ao real subiu graças à alta demanda pela moeda americana, considerada a mais segura pelos investidores do mundo todo. Como temos mais gente comprando dólar, o preço sobe e a disparidade com o real cresce e essa tendência pode continuar, já que os Estados Unidos têm muito mais chances de se recuperarem mais rápido do que a economia brasileira.

7 – Este é um momento de buscar por investimentos ou aguardar a avalanche passar?

É difícil prever neste momento quanto tempo os mercados irão permanecer voláteis. Como ainda não se sabe qual será o tempo até que as pessoas possam voltar suas vidas ao normal, tudo depende do perfil de apetite para risco.

No entanto, de uma forma geral, é importante que o investidor não tome decisões bruscas. Isto é, se você já investe na Bolsa de Valores ou pensa em começar, planeje-se para concretizar esta alocação ao longo de 6 meses.

O ideal é o investidor fazer compras ou vendas graduais para criar um preço médio e não correr risco de comprar e vender ativos com distorções bruscas nos preços.

8 – Apesar de tudo, 2020 ainda está apenas no 1º semestre. Como você imagina que este ano chegará ao fim no cenário econômico do Brasil?

É preciso observar como o Estado irá gastar o dinheiro para enfrentar essa crise e diminuí-la no plano econômico. Por enquanto, o FMI fez uma previsão de queda do PIB de 5% no Brasil neste ano. No entanto, a queda pode ser ainda maior, se o Estado não fizer gastos corretamente.

Se o Estado tomar as medidas certas e conseguir implementá-las, pode ser que seja menos que 5%, mas vai ser negativa de qualquer jeito.

Debora Toledo

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