Perdendo da inflação?

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Perdendo da inflação?

Estamos em um novo cenário. A Taxa Selic foi cortada mais uma vez, atingindo a marca de 4,25% ao ano, menor patamar da história. Mas, isso você já sabe. Os jornais já falaram e nós já tivemos artigo aqui no site sobre isso.

O que ainda não falamos é a real novidade: agora, até o Tesouro Selic está perdendo para a inflação. Esquisito, não é? Realmente é algo sem precedentes no Brasil. Este fato lança luz sobre uma possibilidade muito inconveniente: talvez os seus investimentos, assim como a Poupança e, agora, o Tesouro Selic, também estejam perdendo para a inflação oficial.

SUA PRÓPRIA INFLAÇÃO

E ainda nem falamos sobre a SUA PRÓPRIA INFLAÇÃO, que pode ser muito maior que a oficial utilizada como parâmetro.

De fato, este cenário atual nos força a rever alguns conceitos já bastante enraizados. Por exemplo, o Tesouro Selic sempre cumpriu bem o seu papel como reserva financeira. Mas, e agora? Será que ainda é válido? E quanto a considerar 100% do CDI como o rendimento mínimo que você deveria ter na sua carteira? Faz sentido?

A proximidade entre a taxa Selic, o CDI e a inflação oficial medida pelo IPCA gera certo desconforto nos investidores. Como tal, não gostamos de ver investimentos rendendo menos que a inflação do período. Se antes tínhamos a certeza de que 100% do CDI pelo menos protegeria e até aumentaria um pouco nosso poder de compra, hoje devemos focar em outro número: o rendimento real, ou seja, aquele que já desconta o efeito da inflação.

Boletim Focus

De acordo com o último boletim Focus , a expectativa da inflação para 2020 é de 3,25%. Tudo bem, estamos falando de 1 ponto percentual abaixo da Selic. Mas lembre-se de que 4,25% ao ano é o rendimento nominal bruto. Ao retirar taxas e impostos, o rendimento líquido do Tesouro Selic em 1 ano chega a 3,23%, 0,02 pontos percentuais abaixo da inflação. Ou seja, rendimento real negativo.

Nesse momento você pode falar: dá praticamente no mesmo, ambos estão empatados. Até concordo, considerando o IPCA como verdade absoluta. O problema está nessa última afirmação.

Não sei se você já notou, mas a sua inflação pessoal tende a ser diferente da oficial. Isso acontece porque o IPCA utiliza uma determinada “cesta” de produtos e serviços que, em tese, reflete o consumo médio da população brasileira.

Eu e você, como investidores, já somos, por natureza, diferentes da média. Também não dá para negar que quem tem filhos, paga escola, tem custo alto com alimentação fora de casa e com plano de saúde. Estes são três exemplos de itens que têm a tendência de ter uma inflação própria acima da oficial.

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Como é difícil medir com precisão a nossa inflação real, podemos nos valer de uma aproximação. Entenda quais são os itens que mais pesam no seu orçamento recorrente e calcule suas respectivas inflações.

Para você ter uma ideia, segundo o IBGE, “Saúde e Cuidados Pessoais” teve alta de 5,41% em 2019. “Educação” acumulou 4,75%. Ambos superiores à média feita pelo IPCA. E, pode ser que no seu caso específico, a inflação desses itens tenha sido ainda maior que a divulgada pelo IBGE.

Uma outra coisa que também pesa no orçamento de muita gente é comer fora. É algo gostoso que serve de lazer e tem o seu valor, é verdade. Porém, devemos ficar muito atentos, porque alimentação em restaurantes também costuma ser reajustada acima da inflação.

Assim, ao simplesmente manter todos os seus hábitos do ano passado intactos, você está aumentando seu custo de vida, por mais estranho que isso possa parecer.

Organize-se para aumentar a sua capacidade de poupança, seja aumentando sua renda, diminuindo seus custos ou, de preferência, os dois ao mesmo tempo. Essa poupança a mais ajudará nos seus resultados de longo prazo, ampliando o valor da sua aposentadoria.

Ocasionalmente, acabamos cedendo a certas pressões que nos fazem empregar dinheiro em coisas que não estão alinhadas à nossa identidade. Por isso, é importante sempre revisitar o orçamento a fim de encontrar esses vazamentos.

Por fim, mas não menos importante, encontre alternativas que rentabilizem melhor seus investimentos. Invariavelmente teremos que aumentar o nível de risco da carteira, mas com boa análise e gestão, é possível aumentar a rentabilidade sem comprometer demais a segurança.

Lembrete

Lembre-se sempre do que falei no início do artigo. Você precisa conhecer o rendimento real da sua carteira. Só assim você saberá se está ganhando ou perdendo poder de compra.

O que você tem feito para garantir bons rendimentos acima da inflação? Conte-nos aqui nos comentários.

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Abraços,

Lucas Mauricio

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Lucas Mauricio tem 27 anos e é o caçula de três filhos. Formou-se em Engenharia Eletrônica e de Computação pela UFRJ.Em 2015, o carioca se mudou para São Paulo a trabalho, onde mora até hoje. Poupador desde os sete e investidor desde os quinze,largou seu emprego CLT como Analista de Marketing em 2018 para seguir sua paixão e propósito de transformar a vida dos brasileiros através da Educação Financeira.