Papo de assessor: Como aprendi a parar de me preocupar e amar a volatilidade do mercado

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Papo de assessor: Como aprendi a parar de me preocupar e amar a volatilidade do mercado

É assustador quando o mercado de ações é volátil.

É ainda mais assustador quando você considera quanto do seu futuro investiu nele!

Nesse ano de 2019, pareceu que o mundo financeiro e econômico esteve sempre à beira de algo muito ruim.

Guerra comercial e o medo de uma recessão no horizonte.

 

A volatilidade permanece.

Por tudo isso, não mudei o que fiz. Eu segui meu plano.

Eu não sou um poste. Eu não sou uma máquina.

Mas aprendi a controlar minhas emoções e ignorar o que meu cérebro grita para eu fazer.

Hoje, vou compartilhar algumas de minhas estratégias com você. Aqui estão os truques psicológicos que eu uso para evitar decisões de pânico e manter o curso:

 

Acompanhe seu patrimônio líquido

Quando você monitora seu patrimônio líquido, coloca a volatilidade em perspectiva.

Comecei acompanhar meu patrimônio líquido desde 2014. Todo final de mês, coloco todos os meus números financeiros em uma planilha.

Os investimentos em ações constituem um dos maiores componentes do meu patrimônio.

Eu tive investimentos no mercado de ações durante a crise financeira do Brasil, Joesley Day, greve dos caminhoneiros e eleições.

Foi uma época assustadora. Aquele momento em que, de certo modo, as notícias eram mais do que apenas histórias. Elas se refletiam nos extratos da minha conta pessoal.

Mas com meus registros, posso relembrar o histórico e manter uma visão de longo prazo.

Olho minha planilha sempre que sinto pânico. Isso me lembra que tenho um plano e devo cumpri-lo.

Quando penso na volatilidade no final de 2018, me lembro que não entrei em pânico porque fiz a maioria dos meus investimentos antes disso, exatamente nesses momentos de queda.

Essa é uma função do investimento por muitos anos – meus investimentos mais recentes representam apenas uma pequena porcentagem do total.

Eu investi e construí ganhos não realizados. E isso me conforta, além de me ajudar a dormir à noite.

 

Coloque seu dinheiro em “cápsulas do tempo”

Penso nos meus investimentos como cápsulas do tempo.

Quando contribuímos para a previdência oficial (INSS), não esperamos tocar nesse dinheiro até chegar perto da aposentadoria.

Como se fosse em uma caixa de vidro que não conseguimos  abrir. Pode haver alguns ajustes nesses investimentos, mas não retiramos o dinheiro por décadas.

Saber que não gastarei esse dinheiro significa que posso investi-lo com confiança no mercado de ações e aproveitar sua volatilidade.

Uma queda no valor no curto prazo pode ser assustadora se você precisar do dinheiro.

É menos assustador se você diz a si mesmo que há décadas para se recuperar.

E lembre-se, no mercado de ações, muita coisa pode acontecer em 5 a 10 anos.

Durante a crise financeira global de 2008, o mercado de ações caiu 50% e depois recuperou todas as suas perdas em 5 anos!

O índice S&P 500 estava próximo de 1.500 em seu pico no outono de 2007. Durante a crise, atingiu o mínimo de 675, em março de 2009. Voltou a 1.500 no início de 2013.

 

Em caso de emergência

Se seus investimentos estão em cápsulas do tempo com bloqueios figurativos, você precisa configurar um sistema que não o tente a acessá-los.

Para isso, dependo de uma reserva para emergências e oportunidades saudáveis, separada dos meus investimentos.

Dinheiro que reservei para me ajudar a enfrentar uma crise financeira.

A quantidade de dinheiro é baseada nas necessidades individuais, não no que o mercado está fazendo.

Se a volatilidade do mercado aumenta e fico preocupada, considero esse dinheiro minha apólice de seguro.

Com essa “gordura”, não me sentirei compelida a vender outras ações. Eu posso esperar a crise. Eu tenho uma rede de segurança.

 

Mantenha uma memória longa

Aqui vão mais alguns itens que você precisa levar em consideração para se controlar e não tomar decisões irracionais baseadas na emoção.

Consuma com moderação as notícias financeiras

Se você está constantemente consumindo notícias financeiras, é difícil se desconectar e evitar pânico quando as coisas estão indo mal.

Quando você vê números vermelhos em todos os lugares e especialistas alertando que podemos entrar na próxima recessão, você pode ficar tentado a agir.

Você quer fazer alguma coisa por causa do instinto bem treinado de luta ou fuga do sistema nervoso simpático, que manteve nossos ancestrais vivos.

Quando você está na selva e ouve arbustos se moverem inesperadamente, seu cérebro diz para você fazer alguma coisa ou você pode ser devorado.

Algumas notícias financeiras são o farfalhar dos arbustos, o fantasma da feroz fera prestes a atacar. Exceto neste novo mundo, não é. Os arbustos farfalham, não importa o quê.

 

Conversar sobre isso

Às vezes você só precisa conversar com alguém para acalmar seus nervos, como um assessor de investimentos.

Acho que o simples ato de expressar palavras é suficiente para me ajudar a perceber que posso estar em pânico.

Falar com outra pessoa me força a trabalhar uma lógica diferente da minha e que me torna mais capaz para tomar as minhas decisões.

É importante falar com alguém, mesmo que seja apenas uma verificação da minha própria “sanidade”.

 

Como transformar os momentos de quedas em oportunidades?

Transforme o limão em uma limonada.

Os momentos de queda são um excelente momento para aplicarmos o princípio básico dos investimentos: Comprar na baixa e vender na alta.

Nessa hora separamos os tubarões das sardinhas e diferenciamos quem irá ganhar dinheiro daqueles que sofrerão.

Lembrando que os momentos de baixa são sempre um momento de cautela e, portanto, nunca entre com 100% do seu capital de uma só vez no mercado de ações.

 

Espero que você encontre valor em minhas estratégias para manter a calma durante períodos voláteis e que possa integrar alguns na minha abordagem de investimento, se tranquilizando e preparando melhor para as oportunidades que o mercado cria.

Debora Toledo