Gestão da Produção – Análise da Indústria

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Prioridades Competitivas

O objetivo de qualquer negócio é gerar lucro, e do acionista ao investir no ativo é ganhar dinheiro. Porém quando analisamos negócios precisamos compreender que estratégias podem não ter eficiência semelhantes quando aplicadas em diferentes setores, ou seja, não é porque funciona para João que irá funcionar para Paulo.

Ao final desse texto espero que você consiga identificar se as estratégias que serão abordadas no texto são utilizadas pelos negócios (indústria) que estão na sua carteira.

 

Estratégia é o meio, a ação usada para atingir o objetivo.

Na semana passada falei sobre ha relação de preço e demanda –  Relação entre preço e volume – Lucro, que é importante ao analisar qualquer ativo, principalmente por indústrias que tem tipos específicos de demanda, o que altera a produção e consequentemente o custo do produto vendido, que por sua vez  irá refletir positivamente ou negativamente o lucro.

Isso dependendo do tipo de relação elástica ou inelástica em relação ao preço que a empresa adota na venda do produto, e o quanto ela perde ou ganha em volume e receita ao fazer essa alteração.

 

Gestão da Produção

Todos os setores da empresa possuem estratégias referentes a suas atividades individuais, e o alinhamento entre os setores e suas estratégias formam o planejamento estratégico global, eu sei que isso não é novidade para a maioria de vocês, porém muitas vezes o óbvio é subestimado e isso afeta a avaliação final.

“Aquilo que pensamos saber, com frequência nos impede de aprender”

Claude Bernard.

Exemplo: Ambev ABEV3, no último ano foi beneficiada devido a um erro de sistema da maior concorrente (Heineken), que sofreu perdas por falhas na cadeia de distribuição logística, além de não ter conseguido consolidar de maneira eficaz os processos no sistema SAP da Brasil Kirin, que acabaram gerando problemas de produção.

A Ambev vem trabalhando para melhorar a eficiência através de inúmeras estratégias de redução de custos, projetos de logística reversa para diminuir o custo do alumínio, PET 100% reciclada, caminhões elétricos, etc.

Mas isso tudo só faz sentido se a empresa continuar vendendo bem, não perder Market share e continuar atendendo a demanda do cliente em relação ao produto, ou seja, as estratégias precisam estar integradas.

Não basta apenas diminuir o custo de distribuição e continuar com perdas elevadas no processo, ou com o custo de produção tão elevado.

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Estratégias individuais quando não cumpridas acabam alterando a eficiência do negócio, outro exemplo comum que podemos citar: indústria lança novo produto, mas a estratégia de vendas é falha e o investimento na produção foi alto, logo o operacional do negócio será prejudicado, o lucro vai sentir.

Observem cases como GBIO33, GRND3, HYPE3 entre outros, busquem essas informações nos materiais que as empresas disponibilizam e caso não encontrem, questionem o RI (relação com o investidor).

 

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Estratégias Competitivas

Os modelos de negócio buscam diminuir custos através de uma gestão eficiente dos recursos, permitindo assim preços mais atrativos que a concorrência e diferenciação de produtos e serviços, além de manter o foco no seu público.

Escrevi sobre a importância de definição de publico alvo no material da Hering – Análise de Varejo.

Em relação a essas estratégias em indústrias é importante lembrar que elas devem estar em sintonia com a capacidade produtiva, a tecnologia disponível, a capacidade de armazenagem e também a de distribuição.

Por mais de uma vez as montadoras sofreram com falhas nesse sentido, onde a produção não estava alinhada a distribuição, o que fez com que os pátios ficassem lotados de veículos, esse é o exemplo mais clássico de desconexão entre produção e demanda.

 

Para esclarecer vamos citar as estratégias que favorecem o processo e tornam a empresa mais competitiva:

1 – Decisão de localização das plantas e dos centros de distribuição:

observar esse detalhe nos relatórios das empresas que pretende investir, verificar a proximidade com a cadeia de fornecedores, se existe em funcionamento ou projeto a inserção de energia limpa no processo, diminuindo assim os custos com energia elétrica que na indústria são elevados, se existe reaproveitamento da água, tratamento adequado, etc. Tudo isso interfere nos custos e obviamente nos resultados do negócio, e são informações disponíveis ao acionista.

 

2 – Capacidade de Produção das plantas:

A capacidade projetada é utilizada? Qual é a ociosidade, qual o custo dessa ociosidade? Existem aquisições de maquinários e investimento nas instalações para aumentar a produção, aqui entram os programas de qualidade, como Kankan, JIT, 6 sigmas entre outros. Exemplo: uma indústria que adquire uma máquina nova, em quanto a minha produção irá aumentar? E qual o aumento de receita projetado?

 

3- Verticalização:

Essa estratégia funciona em determinados tipos de indústria, é preciso um planejamento do custo/retorno para a decisão de viabilidade. Nas montadoras temos consórcios e condomínios industrias, no caso do consórcio o que existe é a integração vertical, que é incorporar ao sistema os fornecedores, no caso da Mdias ela optou por verticalizar assumindo a produção de gorduras que são utilizadas na produção das massas e biscoitos, e ainda vende o excedente. Essa estratégia busca dois objetivos essenciais: diminuir os custos e aumentar a qualidade do produto, o que poderá fidelizar clientes e aumentar Market share.

 

4 – Inovação e Tecnologia:

A inovação só existe com a inclusão da tecnologia, o desenvolvimento econômico ocorre a partir da descontinuidade podendo ser tecnológico ou produtivo. A tecnologia representa a capacidade do que ainda podemos produzir, é dessa forma que espaços são criados e novas oportunidades de mercado surgem. E as empresas que não investem inovação aumentam as possibilidades de perder espaço para a concorrência, mas inovação não é correr atrás do prejuízo é antecipar as novas demandas, é criar estratégias que permitam um crescimento no mesmo caminho que a demanda, veja os exemplos de WEGE3 e LREN3. Isso deve ser observado nas empresas através dos laboratórios, veja o case da MGLU com o LuizaLabs e suas inovações para aumentar a rentabilidade através de Kpis e modelos inteligentes de retenção.

 

5 – Programação e controle da produção:

Analisar o planejamento com a politica de estoque e o custo dele. Compreender qual a estratégia que a empresa propõem, se é de produção puxada ou empurrada, o ponto de estoque na produção puxada é adequado em relação as distâncias dos fornecedores, evitando assim gargalos na produção por falta de matéria prima, se existe flexibilidade no processo para aumentar a produção caso necessário, ou seja, conhecer o layout de produção e a estratégia aplicada, se é produção em escala, se é personalizada e assim por diante.

 

6 – Sistemas Integrados:

CPRF (Planejamento Colaborativo, Previsão e Reabastecimento), um método utilizado com a intenção de promover a integração com o fornecedor, assim as previsões de demanda são adequadas à realidade, ou seja, evitamos os custos desnecessários com estoques excedentes. Exemplo da implantação é o ajuste da entrega de itens pelo fornecedor em relação à saída do que está em estoque, evitando assim falta de produto que ocasiona demora na entrega e perda de clientes, além de ineficiência no processo geral. A expectativa de demanda é sempre identificada com tempo suficiente (previamente negociado com fornecedor), assim é possível obter uma demanda real o que evita perdas).

 

7 – Automação:

Infelizmente nossa indústria ainda precisa melhorar muito nesse aspecto, para aperfeiçoar o processo tornando mais rentável e mais seguro. Desde abastecimento de insumos/componentes na linha de produção, esteiras, robôs até a automação do fluxo de informação da necessidade de produção para as máquinas.

 

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Conclusão

No papel a meta das organizações são muito parecidas, reduzir custos, aumentar as vendas, eliminar as causas das perdas que pressionam as margens, diminuir custo de estoque, produzir com foco no objetivo maior: a satisfação do cliente, só assim o lucro aumenta de forma recorrente.

Mas o papel aceita tudo, na prática as coisas são diferentes.

É preciso gerenciar os processos de maneira eficaz e isso requer planejamento e ação na mesma medida, todas as partes envolvidas precisam estar integradas e conscientes das necessidades, metas e objetivos do negócio, afinal o crescimento exige um desenvolvimento da política interna, gerenciamento das prioridades além de uma estrutura adequada e viável, conhecer os riscos e reconhecer as oportunidades.

Procure essas informações nos releases e ITRs das empresas nas quais pretende investir, gerencie o risco conhecendo o negócio.

Informação é dinheiro

 

Patrícia Rossari

 

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