Índice de Desempenho e Carteira Pessoa Física

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Muitas pessoas expressam o desejo de investir quando o índice Bovespa está em alta, quando o mercado está otimista. Nesses momentos, o assunto investimentos torna-se “moda” e atrai os mais variados perfis de investidor, desde os que possuem conhecimento do funcionamento de mercado até aqueles que não entendem muito bem e por isso acabam por vezes “metendo os pés pelas mãos”.

Então, hoje não vamos falar sobre um negócio específico e sobre seus resultados, vamos conversar sobre índice de desempenho. Que são frequentemente questionados pelos investidores que não possuem muita familiaridade com as fórmulas e com a dinâmica do mercado.

Esses modelos são usados pelos fundos de ações na avaliação do desempenho e despertam muita curiosidade sobre como funcionam, além de muitas vezes confundirem a cabeça do investidor sobre a funcionalidade na carteira individual.

 

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Mas antes de citarmos os modelos, é preciso deixar claro que quando falamos sobre carteira de investimentos de um investidor pessoa física, estamos falando sobre muitos aspectos conjuntos. Entre eles podemos citar:

  • Remuneração desse capital, qual meu objetivo de renda em valores e percentuais
  • Quanto de capital pretendo/preciso alocar para chegar ao objetivo
  • Objetivos sempre vinculados a prazo (curto, médio, longo)
  • Perfil do investidor, o quanto você está disposto a tomar risco, e aqui entram também os tipos de ativo que se encaixam nessa carteira
  • Modelo de gestão dessa carteira (ativa ou passiva)
  • Como posso melhorar a geração de valor da minha carteira

 

E, obviamente, a consciência que existem riscos ao investir em renda variável, mas que com conhecimento é possível reduzi-los (não os eliminar). Basicamente, o mesmo passo a passo de sempre:

  • Primeiro passo é fazer uma análise de ativos, qualitativa e quantitativamente. Use os relatórios sobre a empresa (temos muitos disponíveis na área de membros e também aqui no site aberto), estude o negócio, converse com pessoas que conhecem o modelo de geração de valor dos processos, não se restrinja apenas a variáveis como: mas sempre deu lucro, mas sempre foi um bom ativo, mas todo mundo gosta, mas todo mundo compra, mas no grupo faz sucesso…, etc. Por mais que tudo isso reflita um bom ativo, ainda assim nada substitui você entender no que está investindo pra saber se é um bom negócio pelo que tem projetado de resultados futuros, além de saber o que fazer em momentos onde o mercado entra em pânico (quedas). Assim, você estará preparado para reagir (compra ou venda) quando a maioria simplesmente começa a gritar “fujam para as montanhas”.
  • Então monte a sua carteira de investimentos.
  • Faça a gestão da carteira, seja nos resultados trimestrais ou quando é uma carteira mais conservadora, como a de Graham (que usamos como base do método no curso primeiros passos). Vá monitorando através do checklist, e então, se necessário, faça uma revisão e mudanças, inclusões, etc.
  • Monitore o crescimento do seu patrimônio, a geração de valor passiva (dividendos), etc.

 

Modelos

Então, como dito acima, vamos falar sobre os modelos usados pelos fundos, e aqui eu peço licença ao querido colega Rafael Zattar, da Carteira Z, para que você compreenda como o retorno (rentabilidade) do fundo é quantificado em relação ao risco e se esse número é adequado em relação ao parâmetro de comparação.

Muitas pessoas questionam se é viável a diversificação da carteira com fundos, e a minha resposta é sempre a mesma: se você souber como eles (fundos) funcionam e se o risco x retorno for adequado ao seu portfólio (carteira), a decisão será natural. A indecisão em investir em algo é, em 99% das vezes, resultado da insegurança, que é filha do desconhecimento do que estamos fazendo.

Assim como não devemos basear nossos investimentos diretos na ideia de “sorte, azar, aposta”, o mesmo se aplica a investimentos em fundos.

índice de desempenho

 

Então vamos começar

 

Índice de Desempenho de Sharpe

O mais famoso deles é o Sharpe – com certeza, se você investe há algum tempo, já ouviu falar dele. Trata-se de uma medida de recompensa por unidade de risco, ou seja, na fórmula, diminuímos o retorno do portfólio RP da rentabilidade do investimento livre de risco (Risk Free Ratio, RF) e dividimos pelo desvio padrão ou volatilidade do fundo, OP. Ou seja, relação do retorno e risco total.

IS= (RP – RF) /OP

Com o resultado dessa fórmula é possível comparar com pares de mercado, então o maior valor é o resultado desejado.

Exemplo: Fundo X e Fundo Y, com retorno de 9% e 15% e com a taxa Selic em 5,5% (RF) para facilitar a compreensão, e usando um desvio padrão em relação ao índice de 2% e 9% (aqui pode ser usada a volatilidade também)

Fundo X:

IS = (9 – 5,5)/2

IS = 1,75

Fundo Y:

IS = (15 – 5,5)/9

IS = 1,05

Então temos uma rentabilidade maior no Y, mas devido à volatilidade maior, um prêmio de apenas 1,05 para cada 1 ponto de risco no qual estava exposto o investimento. No X temos uma menor rentabilidade, mas um prêmio maior sobre risco.

Ou seja, uma forma de medir o retorno acima da taxa livre de risco por unidade de desvio padrão do retorno. Por isso, quanto maior for o índice, melhor.

Podemos usar também:

Sharpe histórico de carteiras = (retorno histórico da carteira – retorno histórico do ativo livre de risco) / risco da carteira.

 

Índice de Desempenho de Modigliani

Basicamente, o índice mede o retorno do fundo, caso o risco dele fosse equivalente ao risco do mercado, ou seja, uma forma de ajustar o risco do fundo ao risco do mercado. Vamos à fórmula:

IM: Desvio padrão mercado  (Retorno do fundo – Retorno ativo livre de risco)

Desvio padrão fundo

Tanto o Sharpe quanto o Modigliani possuem a mesma base teórica e são diretamente proporcionais, como pode ser observado pelos dados necessários na fórmula.

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Índice de Desempenho de Sortino

Aqui temos um índice que é medido da mesma maneira que o Sharpe, mas nesse caso substitui-se a taxa livre de risco (onde usamos a Selic) pela taxa que você acreditar ser suficientemente aceitável em termos de retorno para o investimento.

Ou seja, a fórmula usa o downside risk/downside volatility como a medida de risco, típicos de fundos mais arriscados, com investimentos mais agressivos. Nesse caso, o downside risk tem a preocupação de medir a volatilidade indesejada, usando somente os retornos abaixo do valor de referência, ou seja, aquele que pode levar a perdas de patrimônio, considerada a volatilidade dos retornos negativos.

No cálculo do downside risk temos o retorno mínimo aceitável subtraído do retorno diário (quando for positivo, considera-se zero), então dividimos pelos dias em que o retorno do fundo foi menor que o target diário.

 

Índice de Desempenho de Alpha de Jensen

Aqui o objetivo é mostrar a rentabilidade extra que o fundo obtém além do retorno relacionado ao nível de risco, ou retorno do fundo além do que foi quantificado no ativo livre de risco.

Se esse número é positivo, o fundo retornou além do previsto quando considerado o risco ao risco da carteira. Digamos que a projeção era um retorno de 8% e a performance do portfólio foi de 11%, logo, houve Alpha, que nada mais é que retorno acima do projetado.

Então, calcula-se assim:

Retorno médio do fundo – taxa livre de risco – Beta do fundo (̅Retorno médio do índice mercado – FR)

PS: o beta corresponde a 1 quando a oscilação é a mesma. Então, nesse caso, se o beta é 1,10, oscila 10% além do índice usado com o parâmetro; se for menor que 1, a oscilação seria menor que o índice Exemplo: 0,90 oscila 10% a menos que o índice.

Aqui você avalia o desempenho adequado e eficiente do fundo, ou não, se ele conseguiu agregar valor ao portfólio, se o risco aumentou ou diminuiu, percepção do comportamento de risco não sistemático da carteira, importante para quantificar a rentabilização marginal do capital.

 

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Concluindo

Existem inúmeros modelos de investimento disponíveis no mercado de índice de desempenho, a oferta é grande e as técnicas comerciais apuradas e evoluindo muito dia após dia. E como o investidor pode filtrar essas informações todas, como não se perder diante de tantas “projeções de ganhos”?

Com conhecimento, aprendendo a reconhecer nos números as “promessas”, seja de qual investimento for.

O mais importante é prosperar usando bases reais, mesmo sabendo que muitas pessoas tentarão lhe vender a ilusão. É preciso ampliar a capacidade de empatia e compreender que só pode lhe influenciar o que você permitir. Estabelecer uma convivência saudável com tudo o que nos é oferecido e selecionar o que faz sentido, ou não, para os seus objetivos.

Acumule conhecimento e coloque em prática para ganhar dinheiro.

Até a próxima semana.

Patrícia Rossari.