Inflação: Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

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Inflação: Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come

 

“A inflação é uma forma de tributação que pode ser imposta sem legislação”

-Milton Friedman

A inflação é o fenômeno de aumento dos preços, ela é uma métrica que ajuda a entender o cenário social e econômico de um país, mas isso todos sabem. Entender as causas e efeitos dela é parte do processo de análise de qualquer tipo de investimento, seja na renda fixa ou variável, ela vai determinar a rentabilidade real do seu investimento.

Uma população evolui, consome mais, na medida que a renda aumenta, assim os custos elevam, a relação entre as variáveis é essencial para compreender a melhoria na vida da família. Obviamente que se as duas variáveis não apresentarem correlação linear, ou seja, se a inflação estiver subindo mais rapidamente que a renda, a capacidade de consumo e consequentemente a qualidade de vida da família reduz, quem viveu os anos 80/90 sentiu na pele essa falta de correlação.

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Quando os preços sobem exponencialmente e a renda “congela”, ocorre a chamada desvalorização da moeda, e consequentemente a piora na qualidade de consumo e de vida da família, caso exista mais renda em cenários inflacionários, o varejo e a indústria precisam aumentar os preços, o que desencadeia ainda mais inflação ( aqui fica fácil de entender a relação da taxa básica de juros, que influencia o acesso ao crédito, que por sua vez controla o consumo e a inflação), mas isso não acontece nas chamadas espirais inflacionárias, que desestabilizam a economia e geram sequelas gigantescas.

 

 E na ponta contrária…

Se a renda aumenta acima da inflação, temos um aumento do juro real nos investimentos e a capacidade de consumo aumenta, o que eleva os índices e aquece a economia, quando os preços aumentam de modo que sejam consistentes com a renda, que por sua vez é reflexo da produção, temos então um cenário saudável.

Obviamente o fator aumento de renda é um efeito cascata, logo, sempre que a capacidade de consumo aumenta, devido a renda maior, os preços dos produtos e serviços consumidos também aumentam, quando isso ocorre temos um crescimento orgânico, um aquecimento da economia que irá trazer resultados as empresas e consequentemente valorização das ações.

Mas Patrícia, a renda não aumentou, as empresas estão com capacidade ociosa, a economia ainda não aqueceu, então porque os preços dos produtos estão aumentando?  Recebi essa pergunta de uma leitora.

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Isso ocorre devido ao fato de que os preços de produtos e serviços são suscetíveis a oferta de crédito e não somente ao efeito oferta e demanda, nesse caso existe na economia crédito, então essa maior disponibilidade de dinheiro gera volume de consumo, veja por exemplo o crescimento da carteira de crédito pessoa física dos bancos de varejo listados na bolsa, ou as vendas dos grandes varejos no quarto trimestre, e isso contribui com o aumento dos preços.

 

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E então, a mesma leitora questionou como isso é possível, já que os grandes varejos reduziram margem?

Nesse caso precisamos falar dos princípios básicos de gestão de custos, ou seja, quando existe muita concorrência as empresas não podem repassar a inflação, aumentar os preços sem perder clientes/mercado. Então eles focam na quantidade para diluir o efeito, e assim mesmo reduzindo margem, conseguem manter um preço de venda que permita um resultado saudável, porém não por longos períodos, principalmente quando a empresa precisa fazer investimentos para melhorar a operação e expandir, caso da LAME4, B2W, VVAR4, e a própria MGLU4 ou LREN3, que apesar de estar muito a frente de seus concorrentes quando falamos sobre a cadeia logística, ainda assim estão expostos aos mesmos efeitos no longo prazo.

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A Inflação na Renda Fixa

A mesma lógica se aplica nos investimentos de renda fixa, onde os juros dos investimentos fazem seu dinheiro crescer ao longo do tempo, enquanto a inflação tira o seu poder de compra – ela não reduz o seu valor nominal, mas reduz o valor REAL.

 

Basta pensar na seguinte hipótese:

O que você conseguia comprar com R$ 1,00 a 20 anos, e o que você consegue comprar hoje com o mesmo valor?

 

E qual era sua renda a 20 anos atrás?

 

Sempre que você calcular o rendimento de seus investimentos, tenha em mente que os juros precisam ser maiores do que a inflação, isso são os juros reais, a diferença entre os juros recebidos e a perda do poder de compra pela inflação, é dessa forma que protegemos o poder de compra de nosso dinheiro e ainda aumentamos o patrimônio real.

 

Inflação e Consumo

Muitas pessoas se enganam ao imaginar que a inflação retrai o gasto, não é verdade. A inflação faz com que as pessoas acabem gastando mais e consumindo menos, o que anula o efeito de poupar parte da renda. E isso diminui também em efeito cascata a produção e consequentemente a arrecadação do governo, que já é deficitário por pura e simples incompetência e corrupção desmedida e descarada.

Enquanto grandes corporações são agraciadas com enormes subvenções fiscais estaduais e nacionais, a média e pequena empresa tem dificuldade até no básico, que é acesso ao crédito mais barato para investir e desenvolver.

 

Basta analisar os principais devedores do BNDES, ou a diminuição expressiva das microempresas na carteira de crédito dos grandes bancos, afinal porque você acha que algumas pequenas instituições oferecem um percentual tão acima do CDI? Não precisa ser nenhum Sherlock Holmes para deduzir o óbvio.

“A primeira panaceia para uma nação mal administrada é a inflação da moeda e a segunda é a guerra. Ambas trazem uma prosperidade temporária, ambas causam ruína permanente. Mas ambas são o refúgio dos oportunistas políticos e econômicos.”

-Ernest Hemingway

 

 

Concluindo

O índice IBOV está testando máxima histórica, o Sr. Mercado está ansioso pela votação, precificando um futuro promissor para os ativos, afinal a perspectiva é de que com isso o governo economize e assim reduza o rombo nas contas públicas, reduzindo o déficit e o risco do país em honrar suas obrigações.

É fato que o PIB não cresceu como deveria em 2018, mesmo com a Selic em menor patamar, e mais crédito disponível e contratado, não vemos aumento da produção, ou novos investimentos substanciais, e sabemos que uma economia forte é aquela que consome e não apenas exporta.

E com isso vemos uma inflação que só aparece em aspectos pontuais: combustível, energia, agro etc., revelando que é preciso cuidado, afinal somente acesso ao credito da PF, sem aquecimento da produção e crescimento da indústria, apenas fará um ciclo de alta sem efeito orgânico

Além do fato de que, a reforma (se aprovada), vai levar anos para surtir efeito nas contas, continuamos com uma enorme carga tributária, consumo sem aumento de produção e infraestrutura precária.

Então cuidado quando disserem que, está tudo bem pagar um ágio grande no ativo, apenas pela esperança de dias melhores, verifique se aquele negócio vale um Preço sobre Lucro de 26x, se o Preço sobre valor patrimonial é justificado pelo retorno apresentado ROIC, e se o fator do custo de capital estar atrativo é algo que se mantem no longo prazo.

Eu desejo profundamente que meu país avance, mas quando se trata do meu dinheiro, somente esperanças não são suficientes para definir uma operação.

 

Patrícia Rossari

 

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