Investidor: Uma grande oportunidade de aprendizado

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Minha preocupação ao escrever esse artigo é para dar suporte ao novo milhão de CPFs que acabaram de entrar na bolsa.

Infelizmente, o que tivemos podemos comparar com um tombo. Um tombo de uma criança que estava começando a dar seus primeiros passos.

Agora essa criança está com medo, mas essa crise tem início, meio e fim.

Nesse contexto, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) acaba de cortar os juros básicos (Selic) em 0,5 ponto, de 4,25% ao para 3,75% ao ano.

Lembrando que como estamos com a inflação na casa de 4,01% em 12 meses, medida pelo IPCA, sobretudo considerando taxas de administração, diversas aplicações passam a oferecer rendimento negativo.

Resumindo: com juros baixos, não adianta – vamos ter que ir para renda variável se quisermos formar patrimônio.

Mas você provavelmente deve estar se perguntando: e o Coronavírus? Como ficam as minhas economias? Para onde vão?

Muita gente que começou investir há 1 ou 2 anos, saiu da poupança para outras aplicações da renda variável, como ações e fundos imobiliários.

E a pergunta: O que eu faço?

Vale a pena dividir essa pergunta em duas partes:

Quem já passou de 70 anos, deve se fazer essa pergunta:

Você tem gastrite ou apetite com a bolsa a 60 mil pontos?

Se tem apetite, de repente você pode começar estudar boas empresas que estão com bons preços, principalmente empresas de setores perenes e pagadoras de dividendos.

Se você tem gastrite, você pode rever a sua carteira de investimentos. Se achar que exagerou na dose e com a orientação de um profissional, pode ser a hora de dar uma recuada.

Qual seria a justificativa?

Estamos em um momento grave da instabilidade na bolsa. O mercado está irracional e já houve uma queda significativa, mesmo com esse pacote de estímulos. E muito ainda está por vir, já que o vírus não atingiu seu auge nos EUA.

E quem é jovem?

Se você é jovem, significa que está começando formar patrimônio e ainda  tem um longo tempo pela frente para ver o mercado se recuperar, respeitando o seu perfil, é claro.

Podemos afirmar isso porque no final o mercado SEMPRE SE RECUPERA.

Se olharmos um gráfico de longo prazo, essa crise poderá ser vista como a crise de 2008 que representou ser apenas um pequeno degrau da escala da renda variável.

Gráfico do Ibovespa

Fonte: Tradingview

Vamos falar de algumas situações concretas:

Financiamento na nova modalidade de IPCA. Quais riscos que uma pessoa que pegou financiamento estaria correndo com essa instabilidade do Coronavírus?

Quem se preocupa com esse assunto tem razão em parte, porque se o dólar dispara, pode haver um repasse nos preços.

No entanto, importante observar que a atividade econômica ainda está fria, logo, um eventual repasse do dólar não pode oferecer uma explosão nos preços.

O que significa que quem pegou o financiamento deve acompanhar mais de perto o IPCA, mas sabendo que nada de grave pode ocorrer no curto prazo, e ainda se houver algo, bancos como a Caixa poderão dar uma colher de chá, já que o ministro Paulo Guedes vem afirmando isso.

Para quem investe em renda variável e está assustado com a queda da bolsa?

Se você é conservador ou moderado, mas sentiu que exagerou na dose, dar um passo atrás pode ser uma opção.

Ao rever a estratégia, uma opção interessante nesses momentos de irracionalidade no mercado é olhar para fundos cambiais. Mesmo o dólar já tendo subido bastante, ele pode continuar subindo sim.

Qual seria a justificativa?

Ao presenciarmos 6 circuit breakers, podemos ver que entramos em uma fase que o mercado exagera.

A verdade é que no início o mercado negou a gravidade do Corona, subestimando seus efeitos, e agora ele deve exagerar o problema para compensar.

Sendo assim, o dólar deve subir mais e a bolsa pode continuar caindo mais.

Dessa maneira, investimentos como fundos cambiais atrelados ao dólar, ou o dólar no mercado de derivativos, pode ser seguro para compensar as perdas em renda variável.

E também para quem está sentindo mais gastrite do que apetite ao risco, com essa queda da bolsa, diminuir a parte em Renda Variável porque não aguenta ver “perder” e migrar para o tesouro Selic ou fundos de tesouro Selic podem ser uma boa opção, respeitando sempre o seu perfil. Importante respeitar sua propensão ao Risco. Muitos investidores novatos entenderam isso somente agora na prática. Pessoas que deveriam ter começado com apenas 10% em Renda Variável para se testar primeiro, colocaram altas somas de recursos.

E para quem estava investindo em fundos imobiliários?

Não podemos falar que há uma bolha, mas os fundos imobiliários se valorizaram bastante nos últimos 3 anos.

Atualmente, os fundos imobiliários estão caindo, porém menos que ações: -11% o IFIX (média dos fundos imobiliários).

O que se deve ter em mente é o fato de que em momentos de crise, quem tem liquidez é rei. Se você tem a necessidade de liquidez, os fundos imobiliários não são a melhor opção.

Outra pergunta comum:

 É hora de sair da caderneta de poupança?

Primeiramente, não se trata de uma recomendação.

Crise também significa um momento de oportunidade para a renda variável, onde encontramos empresas sendo negociadas muito abaixo do patrimônio, principalmente olhando para o fato de que o mercado deve continuar caindo, pois estamos no início do ciclo do Coronavírus nos Estados Unidos e no Brasil.

Mas se você não tiver perfil para renda variável, vale a pena olhar para um investimento que é tão seguro quanto à poupança e que rende um pouco mais, o tesouro Selic e os fundos de tesouro Selic, o papel mais seguro da renda fixa.

Outra opção conservadora também são os fundos DI, desde que com uma taxa de administração menor que 0,5%.

Pergunta: Ações de empresas sólidas podem ser uma oportunidade para aproveitar a queda?

Adivinhar o fundo do poço e quando ele vai chegar é muito difícil.

Comprar boas empresas pagadoras de dividendos de setores perenes, como bancos e elétricas, pode ser interessante colocar no seu radar.

Afinal, o Coronavírus pode chegar com força total no Brasil, mas as pessoas ainda precisam ligar a luz.

Com relação ao momento de comprar, o ideal é tentar dividir o valor a ser investido em 4 ou 5 partes iguais e começar comprar devagar, pois no final você terá comprado um preço médio.

E empresas de setores cíclicos, como commodities? A Petrobras pode se recuperar?

O primeiro fato a se notar é que a Petrobras tem seu valor de mercado atrelado ao petróleo.

Sendo assim, trata-se de volátil e cíclica, ou seja,  ação de longo prazo.

Se a Rússia e a Arábia Saudita entrarem em um acordo, há uma grande chance de o petróleo subir. No entanto, com o Coronavírus estamos entrando em um período de recessão.

Sendo assim, a Petrobras pode não se recuperar no curto prazo e um possível retorno seria a partir do médio prazo.

No entanto, se observarmos Petrobras como investimento de longo prazo, tal ação costuma ser uma vencedora.

Lembrando mais uma vez que não se trata de uma recomendação.

Outra pergunta frequente é a previdência privada. O que fazer?

Primeiramente, é importante lembrar que o melhor produto de investimento é aquele que está de acordo com o seu perfil e objetivos.

O segundo passo para quem já tem esse produto ou que pensa investir: procure saber em quais ativos financeiro o seu fundo de previdência investe.

Se for um produto que investe majoritariamente em  renda variável, com essa crise do Coronavírus, é importante lembrar que só vai recuperar a médio prazo.

Dessa maneira, você deve se perguntar se tal investimento está de acordo com o seu perfil e se você consegue aguentar mais volatilidade.

No entanto, é importante deixar claro que previdência é um investimento de longo prazo e que possui inúmeras vantagens, como a possibilidade de ter eficiência tributária, pagando menos imposto de renda, por exemplo.

Outro fato importante é que geralmente temos fundos de previdência com a mesma estratégia que os melhores fundos multimercados e de ações do mesmo gestor e que, ao escolher o fundo de previdência, é possível ter um ganho de 10% a mais, dependendo do regime a ser escolhido.

E quem investe em Tesouro IPCA com  juros semestrais? Deve mudar algo?

Normalmente, trata-se de uma boa opção para quem quer preservar patrimônio e também fazê-lo crescer, mas diante da crise atual, vale a pena olhar para papéis menos expostos à inflação, como o tesouro Selic.

E o ouro?

Atualmente, muito se fala sobre o ouro como porto seguro para momentos de crise.

Mas primeiramente, vale a pena saber que o ouro trata-se de uma moeda de reserva em momentos de instabilidade do mercado.

Até março, o ouro tem sido o grande vencedor, já que aqui no Brasil ele se valorizou 24% e na bolsa de NY ele se valorizou 8%.

Significa que o ouro é mais valioso no Brasil? Não!

Nas bolsas americanas, o ouro é cotado em dólar e, ao investirmos nesse ativo no Brasil, também temos a valorização cambial da valorização do dólar.

No entanto, o ouro também vem caindo com a crise desencadeada pelo Coronavírus.

E esse é o comportamento padrão do ouro em momentos mais agudos da crise, como estamos vivendo agora.

Por que isso acontece?

Em momentos de crise aguda, os bancos e os fundos de investimentos começam ter necessidade de caixa, e é comum que ativos com pouca liquidez, como o ouro, não tenham um desempenho tão bom.

Apenas em um segundo momento ou previamente antes de uma crise aguda, que podemos observar que o ouro pode valer a pena, já que os mercados ainda possuem uma boa quantidade de liquidez e podem colocar mais dinheiro na economia, como por exemplo, imprimindo mais papel-moeda.

Lembrando que tal fenômeno ocorreu no passado, quando no clímax da crise 2008 o ouro teve um desempenho ruim e, posteriormente, em 2009, foi ótimo.

Para momentos de crise aguda, o dólar costuma ter um desempenho melhor. Mesmo com toda volatilidade, procure pesquisar bons gestores de fundos cambiais.