ALASKA- QUEDA DE MAIS DE 70%- E AGORA- CARTEIRA Z

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Estudo sobre o fundo Alaska BDR   19/03/2020

Rafael Zattar

  Especialista em Fundos de Investimentos, Fundador da Carteira Z

Jonas Knopman

D.Sc. Engenharia de Sistemas e Computação, NCE/UFRJ

O fundo Alaska BDR foi estudado desde 2012 (início da atual gestão) até o pregão do dia 18/03/2020, usando para isso janelas rolantes de 1 ano (1784 janelas), 2 anos (1538 janelas), 3 anos (1292 janelas), 4 anos (1046 janelas) e 5 anos (800 janelas).

1 Consistência

No gráfico, consistência é definida como o percentual de vezes que o fundo superou o índice (linha vermelha), o percentual de vezes que o fundo superou o índice mais um prêmio de 2% a.a (linha verde) e o percentual de vezes que o fundo superou o índice mais um prêmio de 4% a.a (linha azul) em janelas de 1 a 5 anos. O gráfico comprova a ideia intuitiva de que aplicações de renda variável são mais apropriadas para um horizonte longo. A partir de 4 anos de aplicação todas as janelas superaram o índice mais um prêmio de 4% ao ano, já descontadas as taxas de administração e performance.

2 Geração de Alfa

A figura mostra o alfa médio gerado pelo gestor. Alfa é usado em finanças como uma medida de desempenho, indicando o quanto uma estratégia, trader ou gestor conseguiu superar o retorno do mercado em um dado período de tempo. Alfa, geralmente considerado como o retorno ativo de um investimento, mede o desempenho de um investimento em relação a um índice de mercado usado para representar o movimento do mercado como um todo. O excesso de retorno de um investimento em relação ao retorno do índice é chamado de alfa do investimento. Alfa pode ser positivo ou negativo e é o resultado de estratégias ativas.

O gráfico de consistência mostra o percentual de vezes que o fundo Alaska superou o índice ou os benchmarks, mas o gráfico não mostra o tamanho desse prêmio (o alfa). Essa é a informação que podemos ver no gráfico da geração de alfa. Para janelas de 5 anos podemos ver um alfa médio de 20.7% a.a. Lembre-se que o alfa de um ETF tipo BOVA11 é próximo de zero. A região em cinza mostra o intervalo de confiança da estimativa, um desvio padrão para cima e para baixo. Nessa região situam-se cerca de 67% dos resultados. Veja que a confiança da estimativa melhora à medida que o tamanho das janelas de aplicação aumenta. Mais uma vez vemos o conceito reforçado: renda variável é para o longo prazo!

3 Desempenho comparativo – Alaska x Ibovespa

Comentários: O gráfico mostra o desempenho do fundo comparado ao desempenho do índice Bovespa. Chama a atenção o drawdown no período de 23/Jan a 18/Mar (73,62%), mas devemos lembrar que essa não foi uma queda descorrelacionada do que aconteceu na bolsa brasileira e nas bolsas ao redor do mundo. Em verdade, com o advento do novo coronavírus a queda no valor dos ativos era previsível, mas, na velocidade e intensidade com que se deu, improvável. Acreditamos que, por esse motivo, a gestão não teve tempo ou meios para acionar proteções que teriam amortecido a perda no valor nas cotas.

4 Desempenho relativo: Alaska/Ibovespa

5 Retorno anualizado versus risco

 

 

 

 

 

O gráfico mostra a relação risco/retorno do fundo comparada ao índice. A linha tracejada mostra, para fins de comparação, o índice de Sharpe igual a 1.

6 Valor em Risco (VaR)

 

 

A tabela mostra o Valor em Risco (VaR) do fundo Alaska BDR comparado ao VaR do índice Ibovespa com um nível de confiança de 95%. Em outras palavras, existe uma probabilidade de 95% de que as perdas do fundo em um dia de pregão sejam menores do que 3,37%.

Problemas com o cálculo do VaR

O cálculo do VaR assume uma distribuição normal dos retornos e a distribuição normal raramente modela adequadamente eventos de cauda ou “cisnes negros” como o coronavírus. Além disso, dito de outra forma, a tabela acima diz que em 5% das vezes, ou uma vez a cada vinte dias, teremos uma perda maior do que 3,37%. Uma perda de 30% ainda valida a estimativa de risco.

7 Histórico dos maiores drawdown do fundo

Significado das colunas:

Pico

data do maior valor da cota antes do início do drawdown.

queda

valor percentual da queda até o pior dia do drawdown.

recuperação

dia em que a cota retornou ao valor do pico antes do drawdown

 

dias

duração do drawdown, ou número de dias necessários para a recuperação da perda

 

%cotistas

variação no número absoluto de cotistas (BDR I e BDR II somados) durante o período de drawdown. Observe que o fundo nunca perdeu cotistas durante os grandes drawdown.

8 Comparativo das posições da carteira do fundo em Out/2019 e Nov/2019

9 Conclusões

O fundo nunca passou por um drawdown na intensidade do atual (73,62% até o dia da elaboração desse relatório) e pode ser necessário esperar um longo tempo até que o fundo e sua gestão consigam recuperar as perdas. No entanto, devido ao longo histórico e ao fato das perdas serem correlacionadas ao complicado momento atual, mantemos ainda a confiança no fundo e nos gestores.

Um cálculo rápido que pode ajudar nossos leitores é o seguinte: suponha que no dia 23/Jan o investidor tivesse um saldo de R$ 1.000,00 aplicado no fundo. No dia 18/Mar este saldo estaria reduzido a R$ 263,80 após o drawdown de 73,62%. A partir deste momento será necessária uma valorização nas cotas de 279,1% apenas para recuperar as perdas do período. Se, no entanto, em 19/Mar este mesmo investidor tivesse outros R$ 1.000,00 para investir, seria necessária uma valorização de “apenas” 58.3% no valor das cotas para a total recuperação dos prejuízos. Se você mantém a confiança na gestão e acredita que o pior já passou, esta pode ser uma boa hora para aportar parte da sua reserva de oportunidade aproveitando o fato de que o fundo ainda está aberto.

10 Palavras do gestor

Depois de ler esse relatório, Henrique Bredda nos mandou a seguinte mensagem (reprodução autorizada por ele):

Excelente. Assino embaixo. Daqui a não muito tempo isso melhora bem. Foi uma dura e bem exagerada lição. Para todos: gestores, investidores e alocadores. Teremos impactos profundos e muito maduros nas alocações de carteira daqui para frente. A conscientização dos riscos aumentou. Foi um enorme ganho de maturidade para todos. Para mim especificamente, passarei a considerar a possibilidade de 6 circuit breakers em 10 dias. Isso era impensável. Vi 2002, 2008 e 2015, perguntei para o Luiz Alves sobre a crise da Ásia, e nenhum deles caiu tão rápido. Lição aprendida. Obrigado Zattar!”

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Rafael Zattar, Administrador de Empresas, Pós graduando em Gestão Pública e especialista em fundos de investimento. Ele se encantou pelo mundo dos fundos de investimento pela possibilidade de poder estudar as melhores gestões e selecionar a nata desse universo e, ao mesmo tempo, ajudar as pessoas a focarem em suas atividades profissionais para turbinar os aportes acompanhando as análises da Carteira Z. Apaixonado pela família, a sua avó Zenilda é o amor de sua vida e a inspiração de todos os dias. Tem como companheira de vida e parceira Stella e filho da batalhadora Silvia e sua irmã Carla, analista do Ministério Público, além de sua melhor amiga, é a revisora dos textos da Carteira Z.