Por que continuo investindo na renda fixa?

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Muitas pessoas estão me perguntando: Por que continuo investindo na renda fixa? e se vale a pena continuar investindo na renda fixa, mesmo com a SELIC em 5,50% a.a. e tendências de cair ainda mais. A resposta continua unânime: sim, a renda fixa continua valendo a pena.

Mesmo eu respondendo à pergunta da pessoa, ela me olha com uma cara de “Você só pode estar brincando comigo!”. Porém, a resposta é realmente essa. Tal afirmação é embasada por 3 razões. São essas:

Se você possui prazo para o dinheiro, você deve investir na renda fixa

Segue um bom exemplo de por que continuo investindo na renda fixa

Imagine que Pedro quer viajar com sua família nas férias escolares das crianças em julho de 2020 para o litoral Paulista e essa viagem, incluindo transporte, hospedagem, alimentação, passeios, etc. possui o custo estimado de R$1.800,00. Pedro já possui R$450,00 investidos em um CDB de liquidez diária, pagando 100% do CDI, e consegue guardar para esse objetivo cerca de R$150,00. Se a SELIC continuar em 5,50%, Pedro chegará a ter os R$1.800,00 para a viagem exatamente no mês de julho.

Agora, se a SELIC cair para 5% na próxima reunião do COPOM (29 e 30 de outubro) e 4,75% na reunião última reunião (10 e 11 de dezembro), mantendo a SELIC até julho de 2020 nesse patamar, Pedro chegaria ao valor de R$1.681,08, faltando R$118,92, fora os impostos a serem descontados. “Não faz sentido Gabriel, isso mostra que não vale mais a pena Pedro investir na renda fixa, pois não vai conseguir atingir os sonhos dele se continuar investindo dessa forma”.

 

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Ok, então vamos imaginar que Pedro saísse da renda fixa e fosse para a renda variável, afinal, lá é o investimento do momento, todos estão ganhando dinheiro, por que só Pedro não iria ganhar? Pedro segue comprando ações das empresas ABCD4, EFGH3, IJKL4 e MNOP5, afinal ele sabe que precisa diversificar sua carteira de ações e minimizar os riscos. No início de julho, Pedro se prepara para sacar o valor da viagem, porém uma semana antes ocorre uma queda acentuada na Bolsa por conta da guerra comercial entre EUA x China e sua posição acionária, que estava em R$1.811,99, passa para R$1.453,12, 19% menor que a semana anterior.

O que Pedro faz? Sua viagem está a uma semana de acontecer e ele não possui o dinheiro que precisava. Agora Pedro precisa esperar as ações voltar aos patamares de preços anteriores, se recuperarem, para poder realizar sua viagem. O problema é que seus filhos só estarão de férias novamente em dezembro de 2020, mas sua esposa não vai conseguir tirar férias nessa época, porque já trocou o período com sua colega de trabalho justamente para poder viajar agora em julho.

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Perceba que se você possui um prazo, se o seu objetivo tem um período definido, você deve continuar investindo na renda fixa. “Mas nesse caso ele não iria atingir o valor necessário para viajar no prazo que precisava. Como resolver esse problema?” A resposta é bem simples, apesar de não ser a que você queira ler:

Pedro precisa aumentar o valor dos seus aportes!

A resposta é tão óbvia que chega a ser um disparate quando falo isso para as pessoas. As pessoas não querem investir mais, elas querem comprar mais, viajar mais, comer mais ou dormir mais. Porém, é justamente o aporte o melhor investimento que você pode fazer. Dentro dos investimentos, existem 3 fatores importantes que você precisa considerar:

Aportes: Valor que você investe do capital próprio.

Tempo: Período em que o capital ficará investido e será remunerado pela taxa de retorno contratada ou prevista.

Taxa de retorno: Valor na qual seu capital será remunerado.

O investidor só pode realmente controlar o valor do aporte – ele pode decidir investir mais ou menos todos os meses. O tempo muitas vezes não é uma opção de escolha: se o ativo X vence em julho de 2020, não importa se o seu objetivo é em agosto ou novembro de 2021, o ativo vai vencer na data pré-acordada. E a última variável é a taxa, ou como eu gosto de dizer, o preço do dinheiro, que é justamente o segundo motivo pelo qual o investidor deve continuar a investir na renda fixa e por que continuo investindo na renda fixa.

 

O preço do dinheiro

Caro leitor, quanto custa uma caneta? R$2,00 talvez. Quanto custa um celular? R$1.000,00 para alguns, R$4.000,00 para um iPhone, vai depender do modelo. Agora, quanto custam R$100,00? “Como assim quanto custam R$100,00? Custam R$100,00, oras!!” Já parou para pensar qual o preço do dinheiro? Pode parecer estranho, mas R$100,00 não custam R$100,00, o real preço dele é de R$5,50.

 

Por que eu continuo investindo na renda fixa?

 

Muitos investidores não sabem que o preço do dinheiro são os juros. Ou seja, se a SELIC está em 5,50%a.a., R$100,00 me custarão R$5,50 caso eu deseje ter esse capital emprestado. Portanto, o custo do dinheiro é algo que o investidor não pode controlar, pois quem define isso é a lei da oferta e da demanda.

Ficar se preocupando com a taxa é o mesmo que ficar se preocupando com a previsão do tempo – não importa se vai chover ou se vai fazer sol, você precisa ir trabalhar, pagar suas contas e aproveitar a sua vida da mesma forma. Você não controla o tempo, assim como você não controla a variação da SELIC.

O preço do dinheiro vai sempre flutuar e não há nada que você possa fazer para controlar isso, a não ser aportar cada vez mais.

 

Juros nominais x Juros reais

Se olharmos 3 anos atrás, especificamente em janeiro de 2016, tínhamos uma inflação acumulada de 10,71% e uma Selic de 14,25%. Hoje temos uma SELIC de 5,50% e uma inflação de 3,43%. Os investidores sempre cometem o erro de olhar os juros nominais, ou seja, quanto está rendendo a SELIC somente. Se olharmos para 2016, parece que a renda fixa valia muito mais a pena do que hoje. Porém, você precisa observar os juros reais, que nada mais são do que juros nominais menos inflação. Em 2016, os juros reais eram de 3,19%, contra 2% de juro real agora em outubro de 2019. Repare no cálculo abaixo:

 

Investir R$100,00 em 2016 e em 2019 na renda fixa durante 1 ano:

2016: R$114,25 – R$11,06 Inflação = R$3,19 juro real – R$2,49 IR (alíquota de 17,5%) = R$0,70 líquido

2019: R$105,50 – R$3,50 inflação = R$2,00 juro real – R$0,96 IR (alíquota de 17,5%) = R$1,04 líquido

 

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Perceba que pelo fato da inflação estar em patamares menores, o IR tem um desconto menor, pois ele incide tanto nos juros reais quanto na inflação, e isso faz você ter uma rentabilidade maior se considerar os descontos do imposto de renda.

Portanto, muito cuidado quando você escutar o jargão “A morte da renda fixa”. Vá atrás das informações e faça os cálculos. A renda fixa hoje é mais atrativa do que a renda fixa de 2016, pois o juro real é maior do que antes.

Por que continuo investindo na renda fixa? Esse é um dos motivos.

Caso o investidor queira ter ganhos reais maiores do que 2%, ele deve sim procurar o mercado de renda variável, e é justamente o que os Membros Gold possuem: carteiras calculadas na renda variável, a carteira Dica de Hoje em ações, bem como dos fundos imobiliários, o radar de FIIs elaborado pelo Egbert, os fundos de investimento da Carteira Z do Rafael Zattar, os podcasts da Patrícia Rossari e também há uma área exclusiva para a renda fixa, onde temos 3 carteiras recomendadas, onde o investidor consegue investir com valores unitários a partir de R$1,00, algo totalmente acessível. Caso tenha interesse, você pode clicar aqui.

 

Concluindo

Por isso, caro leitor, você deve sim investir na renda fixa ou mesclar a renda fixa com a renda variável. O segredo é você investir em algo que te deixe tranquilo e não em algo que te force a investir em um produto de maior risco apenas porque todos estão dizendo que é o fim da renda fixa.

 

Gabriel Comenale

 

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