ENEVA (ENEV3): Resultados do 2T19

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ENEVA (Código Bovespa: ENEV3)

 

RESUMÃO – Resultados 2T19:

(Data de divulgação: 14/agosto/2019)

(Dados retirados do site de RI:http://ri.eneva.com.br)

 

– Estratégia da empresa:

A Eneva é uma companhia brasileira integrada de energia com negócios complementares em geração, exploração e produção de gás natural. O modelo de negócios da Eneva é centrado na gestão do reservoir-to-wire (R2W), que consiste na geração térmica nas proximidades dos campos produtores (em terra) de gás natural.

A Eneva tem um parque de geração térmica com 2,7 GW de capacidade contratada (85% operacional), sendo 1,4 GW à gás natural (67% – Complexo de Parnaíba/MA) e 725 MW à carvão mineral (33% – Pecém/CE e Itaqui/MA), além de uma Usina Solar em Tauá/CE com 1MW.

É a terceira maior empresa em capacidade térmica do país, responsável por 11% da capacidade térmica a gás instalada nacional. Na parte de óleo e gás, é a maior operadora privada de gás natural do Brasil, com capacidade de produção de 8,4 milhões de m³ por dia. A Eneva opera mais de 40 mil km² de área na Bacia do Parnaíba, no Maranhão, área equivalente ao tamanho da Suíça. O gás é produzido de acordo com a demanda das usinas termoelétricas do Complexo Parnaíba.

A Eneva foi uma das vencedoras do Leilão para Suprimento a Boa Vista (Roraima) e Localidades Conectadas, realizado no dia 31/maio/2019. A companhia vai desenvolver no estado de Roraima o projeto da usina termelétrica Jaguatirica II, movida a gás natural, e abastecida com o gás produzido pela própria companhia no campo de Azulão, no Amazonas.

A usina terá uma capacidade instalada de 132,3 MW, com compromisso de entrega de potência de 117 MW, totalmente flexível, pelo prazo de 15 anos, a partir de 28/junho/2021, garantindo uma receita fixa anual de R$ 429 milhões, reajustada anualmente pelo IPCA. As obras deste projeto já se iniciaram em junho/2019 e a primeira geração de energia está prevista para acontecer em março/2021.

 

– Mapa de atuação:

 

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– Composição Acionária:

 

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– Destaques Operacionais e Financeiros:

– Geração Térmica a Gás Natural – Complexo Parnaíba:

No 2T19, a geração de energia foi impactada pelo menor despacho das UTEs (“Usinas Termoelétricas”) em decorrência de impactos hidrológicos (choveu muito no período e não teve a necessidade de acionar as usinas!). Com isso, a Eneva registrou geração líquida de 338 GWh no Complexo Parnaíba, com um despacho médio ponderado de 12%, comparado à geração líquida de 788 GWh e despacho médio de 29% no 1T18.

As UTE Parnaíba I, Parnaíba III e Parnaíba IV não foram despachadas e a UTE Parnaíba II registrou geração líquida de 332 GWh e despacho médio de 32% no 2T19, comparados à geração líquida de 411 GWh e despacho médio de 41% no 2T18.

Os diretores informaram, na teleconferência, que aproveitaram este período mais longo de não despacho para fazerem manutenções nas usinas que não estavam previstas no cronograma do ano, o que refletiu de forma não recorrente um aumento nos custos de manutenção no trimestre.

 

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– Produção e Reservas de Gás Natural:

A Eneva possui 8 campos declarados comerciais: 5 deles em produção e 3 em desenvolvimento. A companhia possui, ainda, 7 Planos de Avaliação de Descoberta (PADs), 7 blocos exploratórios adquiridos na 13ª Rodada de Licitações da ANP, em 2015, e 5 blocos adquiridos na 14ª Rodada de Licitações da ANP, em 2017.

No 2T19, a Eneva produziu 0,07 bilhão de m³ de gás natural, uma redução de65% em relação à produção do 2T18. O despacho da Unidade de Tratamento de Gás (UTG) no trimestre foi de 9%, comparado a 26% no 2T18. As reservas remanescentes na Bacia do Parnaíba, ao final do 2T19, totalizavam 21,3 bilhões de m³ de gás natural. Incluindo a Bacia do Amazonas, as reservas remanescentes totalizaram 24,9 bilhões de m³ ao final do 2T19.

 

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– Geração Térmica a Carvão:

No 2T19, a UTE Itaqui (movida a carvão) não foi despachada e a UTE Pecém II registrou geração líquida de 289 GWh no 2T19, com despacho médio de 43%, comparados à geração líquida de 338 GWh e despacho médio de 48% no 2T18. É importante observarmos que 279 GWh da geração líquida total desta usina destinaram-se à “Recomposição de Reserva Operativa” (RRO) do Sistema Interligado Nacional, definido pela Agência Nacional de Energia Elétrica.

 

– Receita Operacional Líquida:

A Eneva apresentou no 2T19 uma Receita Operacional Líquida de R$ 556 milhões, o que representou uma redução de 27% em relação à Receita Operacional Líquida de R$ 757 milhões registrada no 2T18, decorrente das reduções de Geração Líquida e da produção de gás natural informadas anteriormente.

A receita operacional líquida do segmento de geração térmica a gás natural totalizou R$ 288,7 milhões no 2T19, uma redução de 26,0% em relação ao 2T18. A receita operacional líquida do segmento de Produção de Gás Natural totalizou R$ 77,9 milhões no 2T19, uma redução de 34,6% em relação ao 2T18.

A receita operacional líquida do segmento de geração térmica a carvão, no 2T19,totalizou R$ 244,1 milhões, queda de 26,6% em relação ao apresentado no 2T18.

 

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– EBITDA ajustado:

O EBITDA consolidado ajustado de forma a excluir eventos não-recorrentes totalizou R$ 299,3 milhões no 2T19, uma redução de 2,6%, ou de R$ 8,1 milhões em comparação ao 2T18. A margem EBITDA ajustada foi de 53,9% no 2T19, um aumento de 13,2 p.p. em relação ao 2T18.

A Eneva continuou no 2T19 com seu programa de gestão de custos operacionais, o que refletiu na ampliação das margens fixas nos segmentos de geração. O EBITDA do segmento de geração a gás ficou praticamente em linha com o 2T18, mesmo com o menor despacho. Na geração a carvão, o EBITDA ajustado foi ainda impulsionado pela geração para recomposição de reserva operativa (RRO) em Pecém II.

 

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 – Fluxo de Caixa Consolidado:

No 2T19, a Eneva reportou um fluxo de caixa operacional de R$ 306,8 milhões, o que representou um crescimento de 29,7% quando comparado ao registrado no 2T18.O fluxo de caixa operacional foi impactado positivamente pela menor necessidade de capital de giro e pelo recebimento de R$ 44,1 milhões, relativos ao ressarcimento de custo de combustíveis (via decisão judicial).

O fluxo de caixa de atividades de investimento foi negativo em R$ 190,0 milhões, devido, principalmente, aos projetos em construção, Parnaíba V e Azulão-Jaguatirica (Projeto de Roraima). O fluxo de caixa das atividades de financiamento inclui a captação de R$ 2,0 bilhões (realizada por meio da emissão debêntures) e o pré-pagamento integral do saldo remanescente dos créditos quirografários do plano de recuperação judicial da companhia.

A Eneva encerrou o 2T19 com uma posição de caixa consolidada de R$ 1.622,0 milhões, sem considerar o saldo em depósitos vinculados aos contratos de financiamento, no montante de R$ 178,7 milhões.

 

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– Investimentos:

O investimento consolidado no 2T19 totalizou R$ 189,6 milhões, comparados aos R$ 58,8 milhões reportados no 2T18. O crescimento significativo dos investimentos está relacionado à construção em curso da “UTE Parnaíba V” e do “projeto integrado Azulão-Jaguatirica”, que juntos representaram 68% do CAPEX total do trimestre.

 

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– Endividamento:

Em 30 de junho de 2019, a dívida bruta consolidada (líquida do saldo de depósitos vinculados aos contratos de financiamento e custos de transação) totalizava R$ 5.485 milhões, um aumento de 6,2% em relação ao final do 4T18.

A Eneva concluiu, no 2T19, a 2ª emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, da espécie quirografária, em três séries, no valor total de R$ 2 bilhões. Os recursos captados através das debêntures da primeira e da segunda séries (R$ 1,5 bilhão) foram utilizados no pagamento antecipado de todo o saldo remanescente dos créditos quirografários do plano de recuperação judicial da Eneva S.A. e da Eneva Participações S.A.. Com isso, a companhia liquidou todas as dívidas denominadas em moeda estrangeira.

Com uma posição de caixa de R$ 1.622,0 milhões, a dívida líquida consolidada ao final do trimestre totalizava R$ 3.863 milhões, equivalente a uma relação dívida líquida/EBITDA dos últimos 12 meses de 2,7x, uma redução em comparação aos 2,9x de 2T18.

 

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Conclusão sobre os resultados:

Voltando um pouco no tempo, a Eneva abriu seu capital na bolsa em 2007, com uma captação grande para a época, de R$ 2 bilhões. Era uma das empresas do “Império X” de Eike Batista e era uma subsidiária da OGX. Na época, era a OGX Maranhão, que depois passou a se chamar Parnaíba Gás Natural (PGN).

 

Recuperação judicial

Em 2014, afundada em dívidas, como todo o grupo, a companhia pede recuperação judicial e vende alguns ativos. O processo de reestruturação é bastante rápido frente a outros casos, e em 2016 a Eneva finaliza com sucesso a recuperação judicial em apenas 1,5 ano. De lá pra cá, muitos investimentos foram feitos para aumentar a produção de gás natural no Complexo Parnaíba, e o Projeto Parnaíba V está em andamento.

No Treinamento de Crescimento Patrimonial (TCP) que eu lancei em junho, um treinamento com foco em capturar empresas pequenas (small-caps) com alto poder de crescimento, eu recomendei essa ação, que já cresceu 30%em pouco mais de 3 meses, contra uma alta de 4% do Ibovespa.

Mas, como eu sabia que ela tinha condição de subir forte? Quem fez o curso sabe que eu coloquei a Eneva como uma das duas principais.

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Planejamento Estratégico

A resposta é pelo planejamento estratégico. E normalmente, as maiores altas da Bolsa não têm a ver com números ou indicadores, e sim com ideias. Pense em Magazine Luiza, por exemplo: ela teve uma ideia em 2014 de reformular toda a sua área de armazenagem, logística e distribuição para vender pela plataforma digital com a melhor interação para o cliente.

Para explicar melhor a estratégia da Eneva, precisamos entender o mercado de geração de energia.

O mercado de geração de energia é formado prioritariamente por usinas hidrelétricas, mas hoje em dia também temos usinas eólicas, solares, termelétricas e outras. As usinas hidrelétricas têm preferência no sistema por serem mais baratas e não poluentes. Logo depois vêm as usinas eólicas e solares, por não serem poluentes e porque o custo de geração tem diminuído. Por fim, caso haja necessidade, é produzida a energia termelétrica para complementar o SIN (Sistema Interligado Nacional).

Estamos passando por um momento de disrupção (palavra da moda) neste setor. No futuro, a usina termelétrica não será mais poluente. O modelo atual de usinas térmicas é a produção a carvão, que inclusive a Eneva possui em Pecém e em Itaqui. Mas no futuro, as usinas termelétricas brasileiras serão prioritariamente movidas a gás natural e estarão “disputando” a utilização em igualdade de condições no Sistema.

Poderíamos falar bastante sobre o mercado de gás natural, inclusive é um dos setores que nossa equipe trata com mais atenção internamente, mas o que interessa é que é um setor que, caso a economia brasileira cresça e demande mais energia, este deve ter um crescimento marginalmente maior.

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E qual a grande vantagem competitiva de Eneva?

A principal vantagem da Enevaé o modelo Reservoir-to-Wire. Ela tem um modelo verticalizado de exploração e produção de gás natural que passa por dutos até a sua usina termelétrica que gera a energia e já coloca por linhas de transmissão no Sistema.

E a outra vantagem é que suas usinas são próximas aos campos de produção de gás, como é o caso principal do Complexo Parnaíba, que já tem capacidade de geração de 1,4GWh e deve crescer quando for concluído o projeto do Parnaíba V.

Outro ponto positivo para a Eneva é que a companhia ganhou a licitação para gerar energia elétrica para o estado de Roraima. O estado de Roraima era o único que não era interligado ao sistema Nacional, porque recebia energia da Venezuela, mas com a deterioração do país vizinho, o governo resolveu agir e, a partir de 2021, essa energia será disponibilizada, quase que como um monopólio por 15 anos, pela Eneva. Novamente o modelo reservoir-to-wire está presente. A Usina Jaguatirica II será abastecida pelo gás natural produzido pelo Campo de Azulão no Amazonas.

Por fim, o último ponto positivo é que, como a energia gerada pode não ser utilizada, como ocorreu neste último trimestre, em que os reservatórios de água (das usinas hidrelétricas) estavam cheios, a companhia possui uma Receita Fixa mínima que é suficiente para cobrir seus custos e despesas, mas vimos neste trimestre que a companhia ainda teve uma forte geração de Caixa Operacional, mesmo com um despacho quase zero.

O ponto negativo que eu vejo no longo prazo para este mercado é a expansão da produção de gás natural nos Estados Unidos, assim como o processo de transformar o gás em gás liquefeito, o que pode tornar possível o seu transporte. Dessa forma, a partir de 2023, poderemos, talvez, porque depende de algumas variáveis governamentais, comprar gás vindo dos Estados Unidos por um preço muito menor.

Esse fator segura o preço das ações que, como vocês podem ver abaixo, apesar da alta recente, já foram 2000% mais caras em 2012, quando chegaram a valer mais de R$ 750,00.

 

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Neste primeiro lote, sai mais barato que uma perda inesperada.

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Abraços e Bons Investimentos!

 

            Daniel Nigri(analista CNPI)

            Com a ajuda de Leo Bittencourt

 

 

 

 

 

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