Resultados de Via Varejo do 4T18

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Resultados de Via Varejo do 4T18

Como os resultados de Via Varejo serão divulgados no próximo dia 23/04/2019 e ela está dentre uma das ações mais solicitadas para análise resolvi “dar uma luz” sobre como poderá vir os resultados do 1T2019. Nós projetamos o futuro baseado no passado, então até chegar a conclusão, vamos relembrar os resultados do 4T2018 e do próprio ano de 2018.

 

Via Varejo (código Bovespa: VVRA3)

RESUMÃO – Resultados 4T18:

(Data de divulgação: 20/Fevereiro/2019)

(Dados retirados do site de RI)

 

– Estratégia da Empresa:

Em 2018 a Via Varejo apresentou o maior patamar de receita da história da empresa. Neste ano junto com eventos macroeconômicos que influenciaram negativamente o consumo da população (como greve dos caminhoneiros, copa do mundo e eleição), a Via Varejo passou por um profundo processo de transformação, com diversas ações como: a implementação do MOVVE 2.0 (ferramenta que introduziu um novo modelo de remuneração dos vendedores), avanços no Via Única (o “analytics” da empresa), iniciaram o modelo de lojas HUB (entrega à partir da loja), lançaram o novo aplicativo e o novo sistema de lojas. No ano, abriram 89 lojas e seguem em 2019 com a estratégia de abertura de lojas em regiões com altas taxas de crescimento e que ainda não estão presentes. A empresa tem como objetivo trabalhar em três pilares: 1) recuperação no crescimento das vendas e margens em ambos os canais; 2) redução nas despesas que não afetem vendas e o nível de serviço aos seus clientes; e 3) melhoria operacional, tanto no ambiente de loja quanto no canal online.  

 

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– Composição Acionária:

 

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– Destaques Operacionais e Financeiros

 

– Desempenho Lojas Físicas:

A Via Varejo, empresa responsável pela administração de duas importantes varejistas brasileiras: Casas Bahia e Pontofrio, no 4T18 não apresentou crescimento nas vendas “mesmas lojas” em comparação ao 4T17. No ano de 2018, o crescimento das vendas “mesmas lojas” foi de3,6% em comparação com2017. No 4T18, a receita bruta lojas físicas cresceu 1,7% em comparação ao 4T17 resultante da abertura de 89 novas lojas no ano. No ano de 2018, quando consideradas todas as lojas, a receita bruta cresceu 4,6% comparado com 2017. Encerram mais um exercício com ganhos de market share no canal.  

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– Desempenho Online:

O GMV(“Gross MerchandiseValue”) Faturado atingiu um crescimento de 5,1% (GMV de R$ 2,0 bilhões) no 4T18. O GMV faturado do marketplace apresentou crescimento de 39% no período, fruto da estratégia de contínua expansão no número de sellers e, consequentemente, maior oferta de produtos. Em 2018, o GMV da Companhia apresentou crescimento de 10,2% em relação a 2017.  

 

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– Desempenho Serviços:

Durante o 4T18, a receita bruta com crediário, cartões, serviços, montagem e frete reduziram 5,1% em relação ao 4T17. A redução de serviços é resultante de uma política mais restritiva de crédito no CDC e dos bancos na concessão do cartão co-branded. No ano, a receita com serviços aumentou 2,4% em relação a 2017.  

 

– Margem Bruta:

No 4T18, a margem bruta encerrou em 27,1%, 4,5 p.p. menor que o 4T17 em função de um período sazonal mais competitivo e a menor penetração de produtos rentáveis como o CDC e serviços. Em 2018, a margem bruta foi de 29,3%, 2,3 p.p. menor que em 2017.  

 

– Despesas com Vendas, Gerais e Administrativas:

No 4T18 as despesas com vendas, gerais e administrativas tiveram um aumento de 2,4% em relação ao 4T17 e, em relação a receita líquida atingiram 23,9% vs. 23,5% no 4T17, uma piora de 0,4 p.p. No ano de 2018, apresentou um aumento de 3,4% nas despesas em relação ao 2017, mas em compensação, apresentaram uma redução de 0,4 p.p. em relação a receita líquidacom 25,1%.  

 

– EBITDA Ajustado:

O EBITDA ajustado atingiu R$275 milhões representando uma redução de -55,3% em relação ao 4T17 (R$ 615 milhões). Já a margem EBITDA ajustada do período foi de 3,7%. Em 2018, o EBITDA ajustado atingiu R$1.236 milhões representando uma redução de -26,3% em relação a 2017 com margem EBITDA ajustada de 4,6%.   As outras despesas e receitas operacionais atingiram R$438 milhões no 4T18 (vs. R$128 milhões do 4T17) em função do processo de reestruturação que a empresa está envolvida. A partir do 4T18, as despesas jurídicas, referentes a processos que envolvem reestruturação passaram a ser reconhecidas dentro de Outras Despesas e Receitas Operacionais.  

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– Lucro (prejuízo) Líquido:

A Via Varejo apresentou prejuízo no 4T18 de R$279 milhões vs. lucro de R$111 milhões no 4T17. No ano de 2018 o prejuízo foi de R$267 milhões vs. lucro de R$168 milhões em 2017. Apesar do crescimento das vendas, este resultado foi impactado pela menor margem bruta no período e outras despesas operacionais, resultante da reestruturação realizada na empresa.  

 

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– Aumento do Capital de Giro:

A Via Varejo encerrou o 4T18 com uma variação de capital de giro positiva em relação ao 4T17. Estrategicamente, continuam seguindo com estoques elevados (financiado por seus fornecedores).

 

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– Endividamento:

A Via Varejo encerrou o 4T18 com uma sólida posição de Caixa Líquido Ajustado de R$ 4.368 milhões, incluindo a carteira de recebíveis não descontados no valor de R$ 1.656 milhões.  

 

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– Inadimplência no crediário (% sobre a Carteira):

 

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Conclusão sobre os resultados de Via Varejo:

A Via Varejo vai divulgar resultados agora no próximo dia 23/04/2019, então mais importante que comentar os resultados que já vieram a alguns meses é pensar o que pode ocorrer nesse próximo período do 1T2019, e quais as melhorias que ela pode sentir para o ano de 2019 como um todo.

Antes de mais nada é importante lembrar duas questões importantes: A primeira que a Via Varejo migrou para o Novo Mercado no último dia 26/11/2019, ou seja, agora a companhia que detém as marcas Casas Bahia e Ponto Frio, têm o maior nível de Governança Corporativa. No Longo Prazo, o mercado tem precificado melhor empresas que façam parte do IGC-NM (Índice de Governança Corporativa do Novo Mercado) que ações que não têm governança. O segundo ponto importante a se pensar é que o controlador tem vendido sua participação na Companhia, sendo sua última venda em 20/02/2019, de acordo com Fato relevante que colo a imagem abaixo, ou você pode olhar diretamente no site da companhia clicando aqui se por acaso o print ficar pequeno:

 

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Começa a ficar claro, que a Companhia Brasileira de Distribuição (Grupo Pão de Açúcar) controladora da Via Varejo está vendendo participação na companhia principalmente para quitar as dívidas contraídas pelo grupo Casino na França. Então, enquanto, o Grupo Casino, permanecer com problemas no mercado Francês, é provável que a companhia siga com problemas de gestão. Outra opção seria deixar a gestão nas mãos do excelente Grupo Colombiano Almacenes Exito que detém os outros 50% da CBD.

 

Operação

Com relação a operação da Via Varejo, a companhia me parece aquele irmão mais novo que está sempre tentando imitar os mais velhos, mas está sempre atrasado. Então, agora que a Magazine Luiza já se mostrou um case de sucesso, a Via Varejo corre atrás de abrir novas lojas, de integrar o e-commerce com as lojas, de criar um novo sistema de lojas, um aplicativo e etc…

Mas, o mercado de capitais é excelente em termos de oportunidades por causa disso. As vezes a oportunidade está exatamente na empresa que é mal gerida e que tem muitos problemas, ao invés de estar na empresa que já fez a reestruturação operacional bem sucedida.

Antes de mais nada é preciso responder a dúvida de alguns assinantes que a Via Varejo não tem condição de subir 17000% como a MGLU3 fez nos últimos 3 anos. Eu sei que ela não tem condição para isso, porque o que sobrou para a Via Varejo nesse momento é copiar o que a Magazine Luiza fez, e que naquele momento em 2013-2015 foram práticas completamente inovadoras no mercado de distribuição, logística e vendas no comércio eletrônico.

Para o ano de 2019, supondo que as metas da empresa sejam batidas que as lojas físicas tenham crescimento em mesmas lojas de 2% além do IPCA, que a companhia abra 89 novas lojas e que o GMV do comercio eletrônico suba de 15% a 20%, poderemos ver um aumento de Receita Líquida na casa de 10% a 12%, passando dos atuais R$ 30,5 bilhões para R$ 34,2 bilhões alcançando a faixa maior de aumento de 12%.

 

Ebitda

Outra meta da Companhia é que o Ebitda da companhia ajustado seja de 6% em 2019, dessa forma, a própria companhia espera um Ebitda de R$ 2,05 bilhões para 2019, um aumento de 66% no Ebitda ajustado frente ao resultado de 2018 e de 22,5% frente a 2017.

O Enterprise Value da Companhia incluindo o Valor de Mercado e a dívida total da companhia que soma os empréstimos com os financiamentos ao Consumidor via carnê somam R$ 5,2 bilhões de Valor de Mercado + R$ 4,4 bilhões de dívida Bruta = R$ 9,6 bilhões de Enterprise Value (Valor da Firma).

Se dividirmos o Valor da Firma acima pelo Ebitda ajustado esperado pelas metas da Companhia de R$ 2,05 bilhões teríamos um EV/Ebitda de 4,68 x que é bastante baixa para o setor de Varejo.

Mesmo assim, observando o histórico de lucros da companhia vemos que ela sempre teve dificuldades de se transformar em uma empresa lucrativa. Apenas no auge do consumo e do crédito barato da Nova Matriz Econômica da ex-presidente Dilma que a companhia conseguiu gerar lucro de forma consistente por 3 anos 2012-2014 nos últimos 10 anos. Cabe ressaltar ainda que nesses 3 anos, o resultado de lucros do primeiro trimestre sempre foi o menor do ano, mostrando que a sazonalidade também mostra que este não seja o momento mais adequado para uma compra nesse momento. O mais provável é que venha um resultado fraco na semana que vem apesar de estar barata. Além disso, não há garantia de que a reestruturação dela irá funcionar, visto que os concorrentes estão com mais vantagens competitivas neste momento.

 

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Retirado do Guiainvest

 

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Daniel Nigri (analista CNPI)

Com a ajuda de Leo Bittencourt

 

Disclosure

Elaborado pelo analista independente Daniel Isaac Nigri CNPI 1810, este relatório é de uso exclusivo de seu destinatário.

Este estudo é baseado em informações disponíveis ao público nos próprios sites de RI das empresas analisadas ou comparadas, consideradas confiáveis na data de publicação.

As opiniões, aqui expressas, estão sujeitas a mudanças, por se tratarem de estimativas baseadas em fundamentos e projeções de futuro que podem ou não ocorrer.

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O analista Daniel Isaac Nigri CNPI é o responsável principal pelo conteúdo do relatório e pelo cumprimento do disposto no Art. 16, parágrafo único da Instrução ICVM 483/10.