A Logística e suas Soluções: A venda da TAG pela Petrobrás

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A Logística e suas Soluções: A venda da TAG pela Petrobrás

E lá vamos nós, falando novamente de Logística Patrícia?

Eu quero saber de investimentos, de múltiplo, de gráficos de preço sobre lucro, e não sobre essas práticas logísticas!!!!!

Muitos devem pensar assim, que é um conhecimento inútil ao investidor. A essas pessoas, eu sinto muito informar, mas vocês não entendem muito de investimento.

Entender como a empresa gera valor é essencial para compreender se:

  • Aquele negócio será rentável no médio e longo prazo
  • Os dividendos existirão
  • O retorno é de fato algo plausível.

E como eu escrevi semana passada, SURPRESA – Lucro não acontece por acaso!, muitas empresas tem estruturas engessadas, pesadas e muito pouco rentáveis, saber calcular isso é importante, saber porque ocorre é fundamental.

Sabemos que é muito mais barato financiar projetos com capital de terceiros, se comparado ao capital próprio, por isso as empresas preferem buscar dinheiro fora e com uma TIR (taxa Interna de Retorno) adequada, com fluxos em sintonia, tornar o processo financeiro mais saudável, o que é bom para o negócio e para o acionista.

Obviamente é preciso levar em consideração fatores como, montante de recursos disponíveis versus retorno, necessidade estratégica para o negócio (isso depende do estágio de maturação do negócio) etc.

Essa avaliação pode ser um fator que aumenta as projeções de resultado do negócio, e isso reflete na cotação, aumentando ou diminuindo as perspectivas,pelo fato de que as vezes a alavancagem e a geração de caixa não seguem o mesmo ritmo, tornando o negócio mais arriscado para o investidor.

Você já deve ter ouvido falar sobre Sale & Leaseback, se ainda não ouviu, vamos ao conceito:

  • Sale& Leaseback: A empresa vende o imóvel e o aluga de imediatamente, tornando-se locatária.

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Prática comum em empresas com dívida, expandindo, com restrição de crédito, ou que simplesmente querem diminuir custos e focar na operação principal. Seria como uma indústria vender seu Centro de distribuição e então locar esse mesmo imóvel. Ou a SLC vender sua terra e depois arrendar, e assim por diante.

Usei a solução logística de Sale& Leaseback, para deixar mais claro o conceito chave da operação.

No caso da TAG e a possível compra pela Engie, estamos falando de uma operação e não de um imóvel.

O modelo é Ship or Pay.

 

Vamos aos fatos

A justiça no ano passado bloqueou a venda da Transportadora Associada de Gás -TAG, deixando a Petrobrás “a ver navios”. Pois bem, qual era e ainda é a intenção da venda dela por parte da Petrobrás?

Desinvestir, assim amortiza a dívida da Petrobrás, diminui o custo da dívida, (despesa financeira) e isso é muito importante para a saúde financeira dela, permitindo assim que o foco da geração de caixa seja direcionado para o negócio que de fato gera valor, sua atividade fim, que é –  exploração e produção de petróleo e gás, e ela precisa de dinheiro para esses investimentos nos próximos anos.

Então, vende a operação, deixa de ser proprietário, tornando-se inquilino, pagando para usar. É fato que, nesse caso, em alguns poucos anos a Petr4 terá pago em aluguel todo o valor recebido pela venda. Mas, e o custo dessa dívida que diminuiu, e a do esforço direcionado para outros projetos, e a manutenção, ou seja, não é um cálculo de soma apenas.

 

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Então não basta apenas supor , é preciso entender o que compõem a operação para identificar a viabilidade, mas via de regra a operação de Sale Leaseback busca obter recursos, principalmente para diminuir/evitar os juros, e também para aqueles empresas que querem focar em uma operação e se desfaz dos serviços acessórios, e assim  financiam a expansão da empresa.

É uma estratégia financeira, eu preciso de dinheiro, busco o que está a meu dispor e sem custo.

Resumindo:

eu estou resolvendo um problema de liquidez, através da recuperação do dinheiro investido em uma operação que não está em uso, ou nesse caso está em uso mas não é o negócio principal, e como ele é necessário para que o negócio funcione, eu reorganizo a estrutura, continuo usando, mas agora não como proprietário e sim como locador.

Pra você que gosta de indicadores, isso melhora o ROA/ROIC, exemplo disso é a SLC, com uma TIR atrativa, com projeção de reduzir mais de 20% as terras próprias, aumentando assim as arrendadas, quando se fala em área de plantio. Mais uma vez, o custo de capital entra em cena, deixando a estrutura de capital mais leve, e isso é bom para ambos os lados, negócio e investidor.

Ou a AGRO3 que reduziu 5% a área própria plantada e tem projeção de dobrar a parte em terras arrendadas.

Um projeto lucrativo não é resultado de perspectivas irreais, quando isso ocorre deixa o investidor acreditar em algo que tem poucas chances de se tornar realidade, fazem a cotação do ativo ficar sujeita a variações que não tem fundamento com a realidade do negócio, e isso acontece principalmente quando a empresa comunica projetos com TIR muito elevadas, mas repito:

  • O investidor só terá como decidir se o número faz sentido, se conhecer o negócio, e como ele funciona na prática.

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Então quando a empresa comunica um investimento é preciso analisar as variáveis de retorno para decidir se é ou não um bom investimento. Afinal, o retorno de um projeto é uma projeção calculada como custo de oportunidade, que é o mínimo que o investidor deseja, ou como taxa de atratividade, que é a representação percentual deste mesmo retorno mínimo desejado para a aplicação do recurso.

 

É uma boa venda para a PETR4 e uma boa compra para a EGIE3?

A TAG tem a maior malha, e nos valores especulados, entre US$ 8 e 9 bilhões, a venda representaria um terço do previsto para desinvestimento total, no plano apresentado pela estatal que tem objetivo de levantar US$ 26,9 bilhões, entre 2019 e 2023.

A PETR4 quer vender a rede e depois alugar por contrato de longo prazo, com uma cláusula de pagar se não usar, exatamente como ocorre com a NTS, afinal os recebimentos da TAG são quase que na totalidade vindos da Petrobrás, inclusive através da ponta final, que consome a produção, não somente o transporte, ou seja, ganha dos dois lados.

A Petrobrás vendeu em 2017, 90% do negócio da NTS, foi um bom negócio? Na época ela recebeu US$ 2,59 bilhões pela venda das ações.

Os US$ 850 milhões restantes está sendo pago (prazo de cinco anos).

Mais US$ 1,64 bilhão em debêntures conversíveis em ações emitidas pela NTS, com vencimento em 10 anos, em substituição a dívida com a Petrobrás Global Trading.

Lembrem que ela continua utilizando as instalações de transporte de gás natural da NTS, através dos contratos que já existem, exatamente como a TAG propõem. A Transpetro, continua responsável pela operação e manutenção dos ativos, através de contrato de serviços.

Esses contratos de longo prazo têm cláusulas rígidas:

  • Take-or-Pay (ToP): cláusula contratual na qual o comprador assume a obrigação de pagar por uma certa quantidade de gás contratada, independente de ter-se utilizado dele ou não. Se previsto em contrato, o comprador pode recuperar o gás pago e não efetivamente retirado (make-up).
  • Ship-or-Pay (SoP): cláusula incluída nos contratos de transporte de gás natural, segundo a qual o consumidor final ou a concessionária, para quem está sendo feito o transporte, é obrigado a pagar pelo transporte do gás mesmo no caso de o gás não ser transportado

Que são cláusulas que preveem o pagamento, pelo comprador, de volumes mínimos pré-estabelecidos de gás natural, independentemente de utilizá-los ou não, para garantir o financiamento dos investimentos através da geração de receitas compatíveis com os custos associados à implantação da infraestrutura.

Concluindo

Logística define lucro sim!

Informação é dinheiro.

Patrícia Rossari.

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