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Ações CHATAS batem o CDI e o IBOV com folga

No universo dos investimentos em renda variável, o termo “ações de qualidade” é repetido à exaustão. Mas o que, de fato, significa investir em qualidade? É sobre escolher empresas que entregam retornos consistentes acima da inflação, com boa governança, previsibilidade de fluxo de caixa e disciplina na distribuição de dividendos.

Para ilustrar esse conceito de forma prática e racional, vamos analisar dois casos típicos da bolsa brasileira: Itaúsa (ITSA4) e Taesa (TAEE11).

A literatura financeira aponta algumas características clássicas de uma ação de qualidade:

– Modelo de negócio sólido: receita estável e defensiva.

– Rentabilidade sobre o patrimônio (ROE) elevada: bons retornos sobre o capital investido.

– Baixo endividamento relativo: estrutura de capital equilibrada.

– Política clara de dividendos: retorno de parte do lucro ao acionista.

Em mercados emergentes, essas características são ainda mais valorizadas, pois atuam como “amortecedores” contra choques macroeconômicos, volatilidade política e ciclos econômicos adversos.

Itaúsa e Taesa são exemplos didáticos. A primeira é uma holding financeira controladora do Itaú Unibanco, da Duratex e de outras participações estratégicas. A segunda é uma das maiores transmissoras de energia elétrica do país, atuando num segmento regulado, com receita previsível e margens elevadas.

Vamos aos fatos. A seguir, o retorno total (incluindo reinvestimento de dividendos):

Ação 10 anos 5 anos
ITSA4 410% 105%
TAEE11 355% 99%

 

 

 

Esses números, por si só, já sinalizam consistência. Mesmo enfrentando crises políticas, recessões e pandemias, ambas entregaram múltiplos do CDI em igual período. No entanto, é essencial ir além do número bruto: o investidor de longo prazo deve sempre perguntar — quanto disso foi ganho real, descontada a inflação?

O Brasil não é um país de inflação baixa. Nos últimos 10 anos, o IPCA médio anual ficou próximo de 5,5% ao ano. Assim, um retorno de 10% ao ano em termos nominais, em realidade, é um ganho modesto de 4,5% ao ano em termos reais.

Vamos traduzir isso para ITSA4 e TAEE11:

ITSA4

  • 10 anos (410% total)
    Retorno anual médio: 18.0% a.a.
    Retorno real anual médio: IPCA+11.8% a.a.
  • 5 anos (105% total)
    Retorno anual médio: 15.3%a.a.
    Retorno real anual médio: IPCA+9.3%a.a.

 

TAEE11

  • 10 anos (355% total)
    Retorno anual médio: 16.5%a.a.
    Retorno real anual médiol: IPCA+10.4%a.a.real
  • 5 anos (99% total)
    Retorno anual médio: 14.8% a.a.
    Retorno real anual médio: IPCA+8.8% a.a.

Conclusão

Os resultados mostram três pontos centrais para quem investe visando a qualidade:

– ITSA4 e TAEE11 entregaram 8% a 12% ao ano de retorno real, algo que pouquíssimos ativos oferecem de forma consistente no Brasil.

– Grande parte do retorno veio da distribuição de lucros, especialmente para Taesa, que é uma transmissora com fluxo de caixa regulado e payout alto.

– Mesmo com períodos de PIB negativo, crises institucionais e câmbio volátil, a qualidade operacional de ambas protegeu o acionista.

Pontos de atenção:

– Os retornos no curto prazo podem ser voláteis. Em 5 anos, o ganho real foi menor que em 10 anos. A mágica dos juros compostos age de forma exponencial ao longo de décadas.

– Ações de qualidade costumam pagar dividendos. Não gastar esse fluxo, mas reinvesti-lo eleva significativamente o retorno total. Quem consome dividendos perde o maior motor de crescimento patrimonial.

– Nem toda ação de dividendos é de qualidade. É preciso verificar se o pagamento é sustentável. Itaúsa se beneficia do maior banco privado da América Latina. Taesa opera concessões de transmissão com receita previsível por 30 anos.

 Qualidade não significa ausência de risco. Itaúsa e Taesa já tiveram anos ruins: crises bancárias, revisões tarifárias, decisões regulatórias, escândalos corporativos… tudo faz parte do jogo. Por isso, ter expectativa racional é essencial. A ação de qualidade é uma maratona, não uma corrida de 100 metros.

Disciplina e paciência são imprescindíveis. É fácil desanimar em um período de queda do preço da ação ou de dividendos comprimidos. No entanto, o investidor que avalia fundamentos, diversifica setores e mantém a alocação adequada raramente se arrepende no longo prazo.

 Itaúsa e Taesa são, cada uma a seu modo, símbolos de como uma ação de qualidade pode criar riqueza real, protegida da corrosão inflacionária. No fim, a mensagem é simples: escolher bem, entender o negócio, reinvestir dividendos e ter paciência são as quatro chaves para transformar qualidade em retorno.

Para quem deseja viver de renda, preservar poder de compra e multiplicar capital de forma racional, ações de qualidade seguem sendo uma das colunas mais sólidas de qualquer carteira de longo prazo.

Grande abraço,

João Pedro Mello

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