AMAR3: Marisa – A maior loja de departamento de vestuário no Brasil

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Marisa – AMAR3

Uma das maiores redes de lojas de departamento de vestuário do mercado brasileiro

A primeira loja foi inaugurada em 1948 na cidade de São Paulo. Em 1952 a expansão se inicia e então são inauguradas filiais em Porto Alegre, Belo Horizonte, Manaus, Salvador e Recife. A primeira loja em shopping foi inaugurada em 1990, quando a rede já estava presente em praticamente todas as regiões do Brasil, e em 1999 iniciam-se as atividades da loja virtual, além da ampliação de oferta, oferecendo produtos masculinos e infantis.

Foi em 1999 também que o cartão Marisa foi criado.

cartão-marisa

 

Marisa – AMAR3 na Bolsa de Valores

No ano de 2007, a Marisa-AMAR3 abre capital na Bolsa de Valores – o IPO foi de R$506 milhões. Vale lembrar que no ano de 2007 houve muitos IPOs com grande volume financeiro (R$ 55 bilhões, isso significa 258% no comparativo com 2006), em quantidade foi 140% maior do que no ano anterior.

E sabemos que, na época, o ambiente era propício para essa estratégia, afinal no cenário macro tínhamos variáveis que em conjunto estabeleciam uma projeção otimista: juros em queda (de 18% em 2005 para 13,25% em 2006), inflação sob controle (3,14%), crescimento da economia (PIB de 4%) e, obviamente, crédito disponível.

Para fins de informação:

  • no ano 2000 foram 6 IPOs (oferta primária) com um volume de R$ 1.410.167.960
  • no ano 2001 foram 6 IPOs (oferta primária) com um volume de R$ 353.299.000,00
  • no ano 2002 foram 4 IPOs (oferta primária) com um volume de R$ 050.442.564,05
  • no ano 2003 foram 2 IPOs (oferta primária) com um volume de R$ 999.999,96
  • no ano 2004 foram 9 IPOs (oferta primária) com um volume de R$ 469.902.764,89
  • no ano 2005 foram 13 IPOs (oferta primária) com um volume de R$ 4.364.528.761,71

E de oferta secundária foram:

  • no ano 2000, 14 registros: R$ 127.324.469
  • no ano 2001, 7 registros: R$ 308.725.107,82
  • no ano 2002, 2 registros: R$ 096.797.750,64
  • no ano 2003, 6 registros: R$ 1.856.342.830,00
  • no ano 2004, 12 registros: R$ 4.682.650.177,38
  • no ano 2005, 15 registros: R$ 6.634.591.024,44

 

Vejam como o cenário determina esse movimento: os juros, inflação e projeções. Afinal, vocês que estão no mercado há mais tempo, devem se lembrar da reação do mercado à eleição no ano de 2002.

Naquele ano, o índice acumulou uma queda de 17%; em 2001, a queda acumulada havia sido de 10,7% e não apenas devido ao fator política, mas também a uma Selic de 25%, o que fazia da renda fixa um grande negócio, além do indesejável aumento da tributação do Imposto de Renda em ações de 10% para 20%.

 

Ok, mas e a Marisa nessa história?

Quando um varejo como a Marisa-AMAR3, que tem muita concorrência, percebe um movimento de aumento de consumo do seu público, é natural que a estratégia seja de ampliar a rede e investir nos segmentos de negócio que tem maior potencial de resultado. E foi isso que ela propôs ao captar recursos através do IPO: expandir a rede, modernizar os processos e as lojas físicas, além de investir no desenvolvimento da sua área de crédito.

Quando a economia está em processo de crescimento, com a inflação sob controle ou com crescimento orgânico, devido à evolução da geração de riqueza e, consequentemente, de consumo, as empresas investem. Algumas abrem capital (vimos esse mesmo movimento em 2019), outras buscam recursos através de debêntures, e assim por diante. Já falei, em outros materiais, sobre a importância de entender a estrutura de capital quando analisamos um negócio para decidir se vamos ou não investir nele.

 

Deu certo?

Acompanhe a receita/despesa/lucro da companhia desde 2008:

 

lucro-da-amar3

 

Agora acompanhe no gráfico abaixo o movimento da cotação:

 

cotação-acao

 

Aqui podemos observar que o mercado respondeu aos resultados da companhia, e obviamente nos dois anos que estivemos em recessão o resultado diminuiu, afinal, a demanda por produtos assim tende a recuar com o desaquecimento da economia, aumento do desemprego e recuo da renda.

 

A influência econômica dos brasileiros

Para quem acompanha a série 1+1, vai se lembrar que o salário mínimo em 2017 e 2018 teve um reajuste menor do que o INPC, sendo 0,1%, em 2017 e -0,25 em 2018, uma perda real de 0,34%, e isso se deve em parte à fórmula de cálculo, que leva em consideração o PIB de 2 anos anteriores, ou seja, 2015 e 2016.

E levando em consideração que o salário mínimo afeta os salários de cerca de 48 milhões de pessoas, que têm no salário mínimo a base para reajuste, fica mais fácil de identificar como as empresas de produtos não essenciais sofrem nesses períodos e, caso elas não mantenham uma gestão de custos fixos adequada e enxuta, o prejuízo pode ocorrer.

A demanda é influenciada de diversas maneiras, mas quando se trata de queda na renda, a essencialidade é a variável de maior peso. A própria Marisa-AMAR3 disse, em algumas ocasiões, que a estratégia de adotar uma coleção com um preço maior e melhor valor de produto, não foi percebida pelo cliente, logo não foi aceita e, portanto, houve perda de market share.

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Medidas internas para crescimento

A empresa Marisa-AMAR3 entendeu isso e buscou profissionalizar a gestão, contratando um novo CEO. Em 2018 contratou Marcelo Araújo, que hoje está na UGPA3. Ele iniciou algumas medidas para melhorar os processos e, após sua saída, as ações foram mantidas e implementadas pelo presidente interino, Marcio Goldfarb (que é da família controladora). As medidas eram as seguintes:

Custos

Renegociação dos contratos de aluguéis das lojas e de funcionários, dois fatores essenciais na composição dos totais de custos fixos do varejo. Isso afeta diretamente a diluição dos mesmos nos resultados de vendas e faz com que o lucro aumente ou diminua. No último trimestre, a Marisa-AMAR3 reduziu o número de lojas de 387 para 358.

Cadeia de fornecedores 

Proposta de modernização do canal, otimizando os processos para melhoria dos tempos e dos custos de estoque, voltando a priorizar, ao invés de coleções, peças, ou seja, voltando à proposta inicial do negócio, que é atender classes D e E, com menor poder aquisitivo, o que não significa que ela não atenda outros públicos, e sim que esse seria o maior público consumidor. Logo, o foco deve ser para esse mercado.

Aqui, é importante citar a melhoria do processo de reposição – falei sobre isso no material da Hering (HGTX3), que está disponível na área de membros. Basicamente, a mercadoria não é mais distribuída de forma automática e igual para toda a rede, o novo sistema controla e direciona a mercadoria para as lojas que mais vendem cada uma das peças. Ou seja, melhora o giro, o ciclo econômico e reduz o custo de estoque, obviamente.

Layout 

Assim como a Renner, a proposta da Marisa-AMAR3 é de renovar o layout, modernizar e melhorar o fluxo de movimentação (isso é essencial em lojas de departamentos). Da mesma maneira que monitoramos e aplicamos estratégias para gerar mais trafego nas plataformas, seja com maior quantidade de parceiros de marketplace, ou com maior quantidade de monitoramento para informações que permitam oferecer ao cliente promoções individuais através de e-mail ou de anúncios recorrentes em rede social, nas lojas físicas é importantíssimo criar um ambiente com uma disposição estratégica e convidativa, para que exista maior movimentação de clientes no interior da loja, e assim aumentar a possibilidade de transformar a visita em faturamento.

Multicanalidade – Omnichannel:

Integração de lojas com o site, o que permite um aumento das vendas na plataforma, com um custo menor. Quando considerado o acumulado de 2018, o aumento nas vendas nessa modalidade cresceu 35%; no segundo trimestre de 2019, o e-commerce cresceu 56,7% em relação ao mesmo período de 2018.

Lembram-se do áudio sobre a logística da MGLU, e da importância do Omnichannel? Aqui estamos falando de comprar no site e retirar na loja, além do formato “pick from store”, que pretendem implantar nesse ano de 2019. Aqui, o produto não sai do CD (Centro de Distribuição), e sim das unidades, o que iria reduzir o tempo de recebimento pelo cliente.

Marktplace

Foi abordada também pelos executivos a possibilidade dela entrar em uma grande plataforma com seus produtos, o que seria inteligente, dado o crescimento dos números de venda por esse modelo.

 

Tempo de resposta

Importante destacar que as coisas não acontecem do dia para a noite nos negócios, isso vale para quando está melhorando ou piorando os resultados.

Nenhum negócio amanhece saudável e encerra as atividades do dia em recuperação judicial, então, é preciso paciência quando os resultados de um negócio estão se recuperando e olho vivo quando começam a ter muitos prejuízos recorrentes.

Dito isso, no caso do varejo em questão, ela precisa alterar as coleções, para que o público se identifique, e fazer o giro do estoque, que pode ser mais rápido ou mais lento, dependendo da estratégia da companhia.

Segundo a Marisa-AMAR3, com o fechamento de lojas houve também a liquidação de estoques antigos, e já consta na documentação contábil da empresa uma provisão de estoques de R$ 70 milhões.

Em julho de 2019, assume o comando da empresa Marcelo Ribeiro Pimentel.

A composição acionária da Marisa-AMAR3 é a seguinte:

  • 74,3% das ações na mão do controlador
  • 25,5% das ações em circulação

 

E o segundo trimestre de 2019?

Como estão os últimos resultados?

No varejo, a Marisa-AMAR3 apresentou os seguintes resultados:

  • Prejuízo de R$ 28,28 milhões no segundo trimestre de 2019 e R$ 40,9 milhões no primeiro trimestre. Já no acumulado dos últimos doze meses, um lucro líquido de R$ 37,30 milhões.
  • Lucro bruto recuou 7,5%.
  • A receita líquida apurada foi de R$ 690 milhões, contra R$ 689 milhões em 2018.
  • Ebitda ajustado de R$ 95,4 milhões.

 

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A receita permaneceu estável.

A receita líquida recuou na comparação trimestral, mas com aumento de same store sales, ou seja, o quanto em percentual as vendas aumentaram nas mesmas lojas, saindo de -2,6% em 2018 para 5,1% em 2019.

E também vemos uma queda no lucro bruto e na margem bruta. A empresa justifica a queda devido às promoções efetuadas, o que seria parte da estratégia para liquidar estoques e que, inevitavelmente, vai queimar caixa, além do aumento do dólar, que impacta diretamente no CPV (Custo do Produto Vendido).

Despesas com Vendas de R$ 213 milhões, queda de 6,4% e Despesas Gerais e Administrativas de R$ 41 milhões, queda de 5,9%. Outras Receitas/Despesas Operacionais com um saldo positivo de R$ 6,7 milhões.

Os resultados dos produtos e serviços financeiros:

EBITDA do PSF apresentou crescimento de 16,2% na comparação com o segundo trimestre de 2018, apurando R$ 39,7 milhões. A empresa atribui o resultado à melhoria nos níveis de perdas do Cartão Marisa e à maior eficácia e assertividade nas concessões, além de despesas 10,7% menores no período.

  • A participação dos cartões Marisa e Co Branded nas vendas do período atingiram 43,5% de participação, o que representa uma redução de 0,9% na comparação anual.
  • A Receita de Juros, líquida de funding, foi de R$ 52,7 milhões. Isso significa um recuo de 9,4% na comparação com o segundo trimestre de 2018 e, segundo a empresa, isto ocorreu devido à menor participação do cartão Marisa nas vendas, além da mudança na estrutura de funding da operação.
  • A Receita de Serviços Financeiros recuou 11,2% na comparação com mesmo período do ano anterior e também foi um reflexo da afetada menor participação do cartão nas vendas do varejo.
  • As Perdas, líquidas de recuperações, reduziram-se 32,4% na mesma comparação de período.

 

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No que diz respeito aos empréstimos pessoais, temos os seguintes resultados:

 

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Queda de 13% na Receita de Juros, líquida de custos de captação, com perdas, líquidas de recuperações, de R$ 12,7 milhões – um aumento de 7,1% em relação à carteira. Mas houve crescimento de 8,5% no número de concessões do produto, o que já estaria refletindo, na formação de carteira, um crescimento de 2.7%.

Dívida líquida/EBITDA (ajustado): recuo de 2,8x para 1,6x. No segundo trimestre de 2019, a empresa Marisa-AMAR3 apresentou um endividamento líquido (ex IFRS 16) de R$ 729,9 milhões, número R$ 125 milhões maior na comparação anual, devido ao maior endividamento bruto e menor posição de caixa e de aplicações financeiras.

A geração de caixa operacional foi impactada pela maior necessidade de capital de giro, devido a vendas maiores. Lembre-se do CMV e do dólar na conta também.

 

AMAR3 – Medidas e Resultados

A logística é variável definitiva na maioria dos negócios. No varejo, a gestão de compras adequada ao fornecimento contínuo com base na real necessidade, com reposição rápida, com qualidade e preço, é muito importante, assim como a eficiência na gestão dos custos fixos e volume para diluição. Ou seja, os processos são integrados e precisam funcionar em sintonia e deles dependem o resultado e também a precificação que o mercado fará no ativo.

Assim como na indústria, onde a falta de matéria-prima ocasiona ociosidade, que gera custos operacionais e perda de clientes ou gargalos que geram custos em cadeia, no varejo a falta de produtos ou produtos que não se adequam à necessidade do público alvo acabam gerando custos de estoques, ociosidade e perda de produtividade.

A Marisa-AMAR3 reduziu o prejuízo, está implantando medidas para adaptar a estrutura à nova demanda, aos novos consumidores, sem perder o público fiel. A grande questão aqui é acompanhar a evolução da estratégia, e também atenção à profissionalização da gestão, afinal, o cliente pode comprar mais e mais, mas só quem controla o custo e faz o processo ser eficiente e lucrativo é a gestão.

Informação é dinheiro.

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Até a próxima semana.

Patrícia Rossari.

Revisão de texto: Marciel Montalvane