ANÁLISE NEOENERGIA – NEOE3

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ANÁLISE NEOENERGIA – NEOE3

Introdução

Neoenergia é uma companhia integrada que atua nos três segmentos de energia: geração (Calango 6, Lagoa 1, Termope e outras), transmissão (NC Energia) e distribuição (Coelba, Celpe, Cosern e Elektro). Uma das poucas companhias que atuam no Brasil com essa diversificação de setores de atuação.

É controlada pelo grupo espanhol Iberdrola, que é a segunda maior geradora e distribuidora na Espanha, bem como a líder em renováveis, com operações no Reino Unido, por intermédio da Scottish Power, e na América Latina e nos Estados Unidos via a Iberdrola Renovables e Avangrid. Fez seu IPO em julho de 2019 e está presente em 18 estados brasileiros, com predominância na região Nordeste e é responsável por levar energia a aproximadamente 34 milhões de pessoas.

Possui quase 700 km de linhas de transmissão em operação e mais de 4.500 km em construção. A Neoenergia também possui cerca de 4,0 gigawatts (GW) de capacidade instalada por meio de usinas hidrelétricas, térmicas e eólicas.

 

Como pertence ao Novo Mercado, a companhia só possui ações ordinárias.

A Neoenergia possui definido em seu estatuto o pagamento de dividendo mínimo de 25% do lucro líquido, conforme Política de Distribuição de Dividendos.

No ano de 2019, a Companhia deliberou os seguintes proventos: Juros sobre Capital Próprio nos montantes de R$ 338 milhões, pagos em 07 de agosto e R$ 217,695 milhões com previsão de pagamento para até 30 de junho de 2020, deliberados na Reunião doConselho de Administração, realizada em 12 de dezembro.

Análise do negócio

Como dito anteriormente, a Neonergia possui um modelo de negócio bem diversificado, atuando nos três segmentos de energia: geração, transmissão e distribuição.

É uma das maiores distribuidoras do país, tendo a Elektro e a Cosern como as duas melhores do Brasil, reconhecidas pelo prêmio ABRADEE. A Coelba e a Celpa mostraram também uma evolução em relação ao desempenho nos anos anteriores.

Em relação à distribuição, 32,89% são para residências, 6,28% para o setor industrial, 15,58% para o comercial, 8,46% para o rural, 25,4% para o mercado livre e 11,48% para outros, o que traduz uma diversificação também em relação aos seus clientes.

A Neoenergia concluiu, com antecedência de 14 meses emrelação ao Prazo Contratual Aneel (fevereiro de 2021), a construção da Subestação de Fernão Dias. O empreendimento,que está localizado no estado de São Paulo, realizou CAPEX 38% inferior ao investimento de R$141 milhõesestimado originalmente pela Aneel.

Em janeiro de 2020 foi concluída a Neoenergia Sobral Transmissão de Energia S.A., localizada no estado do Ceará, com antecedência de 13 meses em relação ao Prazo Contratual Aneel (fevereiro de 2021). O empreendimento realizou um CAPEX 33% inferior ao investimento de R$ 117 milhões estimado originalmentepela Aneel.

Esses dois exemplos ajudam a explicar o endividamento que será exposto mais pra frente na análise e também demonstra um comprometimento da gestão em relação ao orçamento, com os empreendimentos custando menos do que o previsto.

O Grupo Neoenergia atua no setor de energia renovável por meio de duas frentes: a eólica e a hídrica. Os ativosem operação e em construção totalizam 44 parques eólicos e 7 usinas hidrelétricas.

Em 2019 a Companhia atuou no segmento de geração renovável por meio de 17 parques eólicos, com umacapacidade instalada de 515,8 MW. A Companhia possui em processo de construção dois complexos: Chafariz, localizado na Paraíba (15 parques com capacidade de 471,2 MW) e Oitis, no Piauí e na Bahia (12 parques com capacidade de 566,5 MW).O portfólio de ativos eólicos totalizará 1,6 GW em 2022.

A Neoenergia tem participação em 7 usinas hidrelétricas: Itapebi, Corumbá, Baguari, Dardanelos, Teles Pires, BaixoIguaçu e Belo Monte.

Com esses investimentos em energia renovável e a conclusão dos complexos ainda em construção, a Neoenergia alcançará a marca de 90% de capacidade instalada renovável.

Riscos mais relevantes

A empresa e suas controladas estão envolvidas em processos judiciais tributários referentes à dedutibilidade daamortização do ágio sobre o preço mínimo de venda das subsidiárias Coelba, Celpe, Cosern e Elektro Redes durante oprazo de concessão nas bases de cálculo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre oLucro líquido (CSLL). Os processos tem valores de aproximadamente R$ 2,699 bi, cujo risco de perda foi avaliado pela Administração e seus assessores jurídicos como possível. Ao mesmo tempo, nenhuma provisão referente a esses processos foi reconhecida.

A Companhia possui investimento na coligada Norte Energia S.A., que é mensurado pelo método de equivalência patrimonial. Atualmente encontram-se em andamento investigações conduzidas por autoridades públicas sobre irregularidades envolvendo algunsdos empreiteiros e fornecedores dos acionistas e da investida. Neste momento, a investigação ainda está em curso pelasautoridades públicas e não é possível prever eventuais efeitos reflexos sobre as demonstrações financeiras da Companhia.

Datas de início e de término das concessões:

Fonte: Neoenergia

Fonte: Neoenergia

A concessão mais próxima de terminar é em 2027, o que nos fornece um risco baixo em relação às concessões. Falaremos mais sobre esse tópico nas conclusões.

Resultados

Fonte: Neoenergia

Os ativos totais tiveram um crescimento de 16,42% em comparação a 2018, muito impulsionado por novas concessões que geraram um incremento de mais de R$ 3 bilhões.

Os empréstimos e financiamentos de curto prazo cresceram 32%, saindo de R$ 2,8 bi pra 3,7 bi. Enquanto isso, as dívidas de longo prazo cresceram apenas 4%.

A Neoenergia apresentou umLucro Bruto de R$ 2,5 bi no 4T19, o que significa um crescimento de 26,3% em relação ao mesmo período de 2018, impulsionada por suasdistribuidoras, que cresceram mais de 4,4% em relação ao 4T18 em energia distribuída, assim como pela atualização do Ativo Financeiro da Concessão.

As despesas operacionais saíram de R$ 3,086 bi em 2018 para R$ 3,180 bi em 2019, apresentando um aumento de 3%. Isso representa um crescimento menor que a inflação do período, que foi de 4,31%.

Em dezembro de 2019, a dívida bruta consolidada da Neoenergia, incluindo empréstimos, financiamentos, debêntures e instrumentos financeiros, foi de R$ 21,345 bi (dívida líquida R$ 17,134 bi), apresentando um aumento de 7% em relação a dezembro de 2018. O valor do endividamento total em dezembro de 2019 contava com 85% da dívida contabilizada no longo prazo e 15% no curto prazo.

O EBITDA encerrou o 4T19 em R$ 1,513 bi (43,0% a mais que o 4T18). No ano, o EBITDA atingiu R$ 5,719 bi, 25,6% superior ao de 2018.

A dívida líquida/ebtida, que era de 3,49 em 2018, passou para 3 em 31 de dezembro de 2019 e é esperado que esses níveis se mantenham pelo menos até 2023. O custo médio da dívida consolidada em 2019 foi de 108,8% do CDI.

Fonte: Neoenergia

A Neoenergia vem atuando de forma a apresentar, de maneira constante e consistente, reduções nos níveis de perdasde suas distribuidoras ao longo de 2019, de modo que a Cosern e Elektro já se encontram abaixo dos patamaresprevistos na tarifa.

Fonte: Neoenergia

O crescimento das perdas não técnicas na Coelba, que é a principal concessão da Neoenergia, traz atenção. Para quem não sabe, as perdas não técnicas são aquelas como furtos de energia, erros de medição, erros no processo de faturamento, unidades consumidoras sem equipamento de medição, etc… Ou seja, são perdas gerenciáveis.

O índice de arrecadação é impactado pela capacidade de pagamento dos clientes e ações de cobrança. Nos gráficosabaixo são apresentados os resultados de 2019 vs. 2018, com melhor performance em todas as distribuidoras dogrupo.

Fonte: Neoenergia

Antes de passar para o segmento Renováveis, vale frisar que, como esperávamos no Relatório de 25/01/2020, clique aqui, o resultado da Coelba puxou o resultado como um todo. Veja abaixo o crescimento de mais de 50% do lucro líquido na comparação do 4T2018 x 4T2019.

Fonte – Neoenergia

Outros pontos importantes que fizeram a Margem Bruta subir muito, foram: primeiro, a redução do Resultado Financeiro, com a queda das taxas de juros, que no 4T2019 caíram para 4,50% ao ano, impactando menos as dívidas da companhia, apesar do endividamento bruto ter crescido frente ao ano de 2018.

E o segundo ponto foi o aumento de receita líquida proveniente do reajuste das tarifas ocorrido em 2019. Despesas se mantiveram crescendo pouco.

Um ótimo exemplo de companhia que mostrou resultados mais eficientes operacional e financeiramente.

O segmento Renováveis fechou o período do 4T19 com margem bruta de R$ 180,2 milhões (35,3% mais que 4T18),impactada positivamente pelas hidros (+R$ 33 milhões) devido à entrada em operação da usina de Baixo Iguaçu e da totalidade de Belo Monte. No ano, a Margem de R$ 782,2 milhões (+0,8% vs. 2018) também reflete a entradaem operação da usina de Baixo Iguaçu, que compensou o impacto negativo de R$ 77 milhões das eólicas, reflexoda menor eolicidade em 2019 e do fato de que, em 2018, as eólicas aproveitaram a permissão dada pela ANEELde descontratar energia e vender no mercado livre a preços superiores aos dos contratos regulados provenientesdos leilões.

O Grupo Neoenergia encerrou o 4T19 com investimento total de R$ 1.426,0 milhões, montante que compreende todos os investimentos realizados pelas companhias as quais o Grupo Neoenergia consolida. No ano, o CAPEX realizado foi de R$ 4.389,8 milhões.

Fonte: Neoenergia

Por fim, a Neoenergia registrou um Lucro Líquido de R$ 618,4 milhões no 4T19 (+75,1% em relação ao 4T18) e de R$ 2,229 bi em 2019 (+45,1% vs. 2018).

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Conclusão

Uma empresa de energia aumenta as suas receitas de 3 formas:

  • Novos projetos, ou por meio de investimentos, ou via aquisições;
  • Crescimento da base de clientes consumindo mais energia;
  • Reajuste das tarifas de energia elétrica.

A vantagem das empresas de energia é que normalmente a inflação é reposta no reajuste das tarifas elétricas, então os novos projetos e o crescimento da base de clientes e do consumo de energia pela expansão da economia funcionam como o prêmio acima da inflação.

Com as temperaturas ficando cada vez mais altas e uma maior atividade econômica no país, projetamos um crescimento de mais de 2,5% no setor de energia para 2020, principalmente no Nordeste, setor de maior atuação da Neoenergia, além de um crescimento ainda maior ao longo dos próximos anos.

Esse crescimento pode ser ainda maior, se tratando da Neoenergia, visto que ela será impulsionada, além dos fatores citados acima, por um aumento em sua base de clientes, em função das conclusões de seus projetos (em transmissão de energia principalmente) e das novas concessões.

A dívida líquida/ebitda a 3 nos permite uma segurança maior em relação à alavancagem da empresa, visto que esse índice sendo superior a 3 leva a um grau muito elevado de risco, mesmo que pra companhia faça sentido em razão dos seus investimentos.

O crescimento de apenas 3% de suas despesas operacionais nos leva à conclusão de que a empresa está ganhando mais eficiência, conseguindo elevar esses custos por porcentagens menores que a inflação.

Por outro lado, o passivo contingente, de R$ 2,699 bi, não reconhecido,pode trazer um problema pontual no futuro. Mas a companhia só provisiona quando ela considera a perda judicial como provável.

Em relação aos prazos de concessão, a empresa pode ficar bem tranquila, visto que os prazos são bem longos e permitem à empresa não focar nessa renovação por agora, e sim manter o foco na operação, para gerar cada vez mais valor aos acionistas.

Outra preocupação é em relação à coligada Norte Energia S.A., que está sendo investigada por possíveis irregularidades. Mas em relação a esse caso, nos resta apenas observar os próximos capítulos dessa investigação, pois ainda está em curso e por agora não dá pra tirar uma conclusão mais certeira sobre isso.

Com seu pesado poder de investimento esperado até 2023, os dividendos distribuídos pela Neoenergia ainda não serão expressivos, se comparado a outras companhias do mesmo setor. Mas esperamos que após esse período de investimentos, a empresa possa distribuir uma parte maior dos seus lucros aos acionistas.

Com a atual cotação a R$ 26,30, o dividendyield referente ao ano de 2019 foi de 1,74%, explicado pela retenção de lucros para possibilitar maiores investimentos. Se considerarmos nosso preço de entrada de R$ 15,29, o DY foi de quase 3%.

Eu, particularmente, gosto de olhar nestes casos o Caixa Líquido de atividades operacionais. E de acordo com os resultados apresentados, a companhia gerou R$ 3,4 bilhões de Caixa apenas em sua operação, valor suficiente para financiar 80% do CAPEX (investimentos) de 2019 de R$ 4,3 bilhões citado anteriormente.

Fonte – Neoenergia – NEOE3

A Neoenergia, de ticker NEOE3, está presente em nossa carteira de ações desde o início – IPO – e já rendeu mais de 72%, tendo como preço de entrada R$ 15,29. Recomendamos a companhia até nosso preço máximo com margem de segurança que está na Area de Assinantes e vamos continuar acompanhando seus resultados futuros.

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Abraços e Bons Investimentos

Daniel Nigri e Raphael Rocha

DISCLOSURE

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