Análise S.W.O.T – Como usar para estudar um ativo

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Análise S.W.O.T – Como usar para estudar um ativo

Essa ferramenta é muito utilizada para compreender um negócio, tanto por quem trabalha na organização como pelo investidor, isso porque ela é usada como uma simplificação das iniciativas e projetos da empresa, suas forças e oportunidades, assim como suas fraquezas e ameaças.

Quando um investidor fundamentalista quer conhecer um negócio quantitativamente ele usa a DRE e o Balanço Patrimonial, as métricas financeiras, de produção e de vendas, isso é de conhecimento comum. Mas e como conseguir enxergar os dados qualitativos?

Para isso podemos usar essa ferramenta:

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Aqui podemos enxergar as vantagens competitivas, se elas realmente fazem sentido quando comparadas aos números projetados, se as fraquezas não estão alcançando níveis perigosos que ainda não estão precificados no ativo, ela tem potencial para se adaptar as mudanças se for necessário? Ela consegue sobreviver à sazonalidade ou aos ciclos do negócio? E as projeções futuras nos relatórios fazem sentido que avaliamos ambiente externo versus ambiente interno?

Todos sabem que as taxas de juros no momento são determinantes para a expansão de negócios, mas e se o juro elevar? Minha posição financeira aguenta? Uma indústria que está investindo pesado em projetos de energia para abastecer a planta produtiva é considerada uma ameaça ou oportunidade quando se imagina o cenário futuro? O custo indireto vai reduzir suficientemente para valer o investimento, será esse retorno uma força e oportunidade?

Análise Qualitativa

Esses pesos e essas medidas qualitativas são ferramentas que complementam os dados qualitativos. É uma integração de fatores que determinam se a empresa está mesmo em um período nebuloso que justifica uma preocupação, ou se o que o mercado enxerga como ameaça e fraqueza é limitado a um momento ou projeto e facilmente enfraquecido pelas oportunidades e forças do negócio.

Analisar investimento atualmente não pode mais se resumir a entender o balanço e saber calcular números (o que é fundamental). É preciso unir a análise fundamentalista básica (números contábeis e cenários econômicos) a uma abordagem de projeção de valor gerado de forma intangível. Por exemplo, uma empresa que investe pesado em políticas ambientais (NATU3) pode valorizar devido a um fator de força interna e oportunidade externa? Isso esta projetado nos números ou é apenas uma variável qualitativa intangível que não esta reconhecida ainda nos números?

 

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Outro caso recente é CIEL3 e sua perda de mercado que refletiu nos números divulgados. Apesar de ainda apresentar um lucro substancial a ameaça da concorrência fez o preço do ativo cair bastante. Essa queda e esse desespero esta evidenciada como uma ameaça real que a empresa vê como uma fraqueza e que de fato será um divisor de águas para o negocio? Ou as oportunidades de mercado devido às forças internas de caixa e expertise no ramo são maiores e o ativo esta apenas vivendo dias de especulação?

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A lógica é que a empresa maximize o valor para o acionista, mas para que isso ocorra é necessário que a empresa evolua para se adequar a realidade do setor e da economia. Dito isso chegamos ao ponto fundamental da lógica de análise qualitativa que é compreender os fatores que fazem parte do contexto do negócio são diferenciais positivos ou negativos, e que eles interferem de forma significativa nos resultados, portanto devem ser avaliados com o devido cuidado.

Essa análise pode ser feita na área social, ambiental e de governança corporativa. Um exemplo clássico recente que teve uma análise quantitativa aliada a análise qualitativa foi o caso da Usiminas (USIM5), controlada por dois grupos Ternium e Nippon. Ambos estavam em disputa legais administrativas o que interferia no negócio, após inúmeras tentativas e o ativo chegar ao preço de 0,9x centavos (por varias razões, cenário econômico, ciclo do commodities, etc.), eles chegaram a um acordo que inclui a finalização de todas as disputas, alternância na escolha do CEO e Presidente de Conselho além de cláusula que determina os mecanismos de saída dos grupos, se ocorrer.

Mas porque isso é importante?

Simples, é importante porque gera confiança na governança, promove uma estabilidade nos negócios e o mercado enxerga isso com ótimos olhos porque o que antes era uma fraqueza tornou-se uma força que fez com que a empresa crescesse nos números, aumentasse as exportações e conseguisse colocar em prática um modelo de gestão de custos que agradasse os dois grupos.

Outro exemplo clássico de análise qualitativa se refere a empresas envolvidas em corrupção e/ou fraudes, e tivemos algumas nos últimos tempos, podemos citar Petrobras PETR, Brasil Foods BRFS3, JBS entre tantas outras. Em casos de ausência de ética nos negócios o impacto pode ser muito extenso, trazendo ameaças externas que se tornam fraquezas internas, no caso das empresas de alimentos a desconfiança do investidor no produto diminui as vendas domésticas  e as exportações, o que gera uma fraqueza interna porque diminui a produção e com isso compromete o resultado da companhia, sua receita e seu lucro diminui ou seu prejuízo aumenta. Além obviamente do fato da perda de valor da marca e do quanto vai custar o tempo para recuperar.

No caso da Petrobras a corrupção gerou uma sucessão de péssimos negócios, custos altíssimos e commodities em baixa fez a dívida da organização se tornar a maior entre as empresas listadas, seguida da JBS. O reflexo disso foi uma queda do preço do ativo, criando fraquezas internas e ameaças externas a maior empresa do Brasil quando considerado o patrimônio liquido ajustado 83.045,9 milhões de dólares e a que mais criou riqueza, cerca de 56.071,6 milhões de dólares ( dados de 2016).

Ao analisar esses números isoladamente é impressionante, mas e qualitativamente? Ela apresenta mais oportunidades que ameaças externas, mas e internamente, quais são as fraquezas e as forças? Elas justificam os números e as projeções? O refis feito no último ano é de fato uma força a ser considerada, ou a finalização do processo com os investidores americanos, algo nos números justifica uma força que pode aumentar a produtividade, as margens e  diminuir o endividamento?

Concluindo

Enfim, conhecimento nunca é demais principalmente quando se investe a longo prazo, é importante conhecer os números do negócio e compará-los com as variáveis qualitativas, só assim o sentido da informação será mais completo e seus investimentos terão sempre uma margem de segurança mais confiável, afinal a empresa é um sistema constituído de inúmeros processos e pessoas e como tal é dependente do resultado da força do grupo. Não duvide nunca da importância de uma gestão ampla e eficiente em todos os setores da organização pois disso depende o resultado numérico que é apresentado no Balanço, ele não aparece lá por acaso!

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Abraços e bons investimentos,

Patricia Rossari