Aquisição da Avon pela Natura: Fusão NATU3 & AVON34

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A aquisição da Avon pela Natura que forma a quarta maior empresa de cosméticos do mundo, possui multa para ambas caso ocorram obstáculos para a finalização do negócio, são US$ 78,6 milhões se Avon não cumprir o acordo e US$ 133 milhões caso a Natura não seja capaz de obter as aprovações necessárias para a concretização da negociação.

É preciso também ficar  atento ao fato de que, assim como ocorreu na fusão da Sadia e Perdigão formando a BRFS3, alguns dos segmentos podem ultrapassar 30% de Market share, o que indicaria a necessidade de venda de algumas marcas das empresas, e isso muda a dinâmica dos processos internos e a rentabilidade da companhia, principalmente em produtos onde ambas as marcas são muito fortes.

 

Mercado Financeiro

O mercado financeiro costuma precificar esses movimentos, as vezes de forma positiva e outras negativa, mas para conseguir analisar se a operação é rentável para o seu investimento precisamos compreender os motivos que levam os negócios a optarem por essa estratégia.

Além obviamente de perceber que não se trata apenas de adquirir o negócio e rentabilizar no trimestre seguinte, é preciso tempo para ajustar os processos e consolidar as sinergias, que por sua vez estarão precificadas antecipadamente na cotação do ativo, seja puxando a cotação para baixo ou transformando o ativo em um fenômeno de rentabilidade a curto prazo.

Kroton (KROT3) e Ultrapar (UGPA) tentaram essas estratégias e foram barradas pelo órgão regulador CADE, a UGPA inclusive precisou pagar uma multa (R$ 286 milhões), que é de praxe nessas negociações caso algo não saia como o acordado.

No caso dela a multa foi referente a  tentativa da subsidiária da companhia, a Ultragaz em  comprar a Liquigás, que é da Petrobras. Mais sobre o case e a queda dos resultados e do valor de mercado – Ultrapar – Análise de Negócio.

 

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Entendendo Fusão e Aquisição

M&A “Merges and acquisitions”

A fusão é a estratégia que une duas empresas e forma uma nova, combinando os negócios (fusão – fundir), nesse caso as empresas que se fundem abrem espaço para uma única organização,assumindo todos os direitos e obrigações das empresas que foram elementos da fusão.

Aqui podemos citar como exemplo ITUB3 Itaú e Unibanco que obteve sucesso, a Kroton que não conseguiu se fundir com a Estácio e optou por uma aquisição (Somos), a fusão da última semana entre Aliansce e Sonae Sierra,  e como esquecer da Ambev que foi resultado da fusão entre Brahma e Antarctica, falei sobre isso – Ambev – Multinacional Verde e Amarela.

No caso de ocorrer uma aquisição significa a compra de uma empresa pela outra, e nessa estratégia uma das empresas pode ser extinta (nome), ou ambas permanecem e funcionam com direções distintas, como controladas. Aqui o objetivo é controlar a empresa adquirida, caso da MDIA3 na aquisição da Piraquê e da compra do HSBC pelo Bradesco que levou o HSBC ao fim no Brasil.

Qual será a história contada na aquisição da Avon pela Natura daqui a alguns anos?

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Modelos de Fusões e Aquisições

Os principais são:

Modelo horizontal: nesses casos as empresas são do mesmo setor/concorrentes (Mdias e Piraquê, Sadia e Perdigão), obviamente os processos operacionais são parecidos, e isso gera a possibilidade de maximizar as forças produtivas usando a capacidade para produzir em escala, rentabilizando o negócio através da união de forças na cadeia logística, seja em relação a custos no fornecimento, produção ou distribuição.

Modelo vertical: quando o negócio funde ou adquire outros negócios que podem ser um fornecedor da cadeia ou um consumidor. Aqui a verticalização já velha conhecida da área de gestão, Camil na aquisição da SLC alimentos.

O foco nesses casos costuma ser aumentar a qualidade e diminuir os custos na cadeia.

 

Vantagens das estratégias

Avon

A Avon tem negócios na América do Sul, África, Oriente Médio e Europa, foi fundada em 1886 sendo a segunda maior empresa de venda direta do mundo e uma das melhores em custo x benefício.

Ela vende maquiagem, produtos de cuidados com a pele, perfumes, produtos para o lar, acessórios e lingerie, e mesmo assim apresenta queda nas vendas globais nos últimos cinco anos, ou seja, lutando para sobreviver mesmo com um portfólio enorme e diversificado, bons preços e com mercado consumidor cada vez maior.

Mais um exemplo de negócio que não antecipou a mudança no perfil de consumo, no quarto trimestre de 2018 no Brasil (que é o maior consumidor) a receita caiu 13% com margem operacional negativa de 3,5%. No primeiro trimestre de 2019 o prejuízo líquido aumentou 61%,US$ 32,7 milhões e a receita recuou 14% para US$ 1,181 bilhão.

 

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Natura

Por outro lado, a Natura é bem mais jovem datada de 1969 e com IPO em 2004, mas ela  sempre soube  que não precisava esquecer a consultora que foi o que definiu a marca, mas precisava acompanhar a evolução digital e usá-la a seu favor, demorou demais para reagir e sentiu nos números o que ocorre com negócios que não acreditam na rapidez do mercado consumidor, levou um tempo até ela compreender que a dinâmica de mercado precisa ser respeitada e entendida, e ela percebeu que precisa ser  flexível na gestão e nas estratégias.

Mas o importante é que reagiu e foi além, retomou a liderança, contraiu uma dívida para adquirir a TBS (The Bodyshop), porém se ela não fizesse isso iria aos poucos perder mercado, consequentemente os resultados iriam na mesma direção.

 

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Com a aquisição da Avon  pela Natura a estratégia é manter o alcance com as consultoras, otimizar o e-commerce e expandir no mundo com uma rede já formada e uma marca respeitada.

 

Vantagens da aquisição da Avon pela Natura

As principais vantagens na aquisição  da Avon pela Natura seria: aumento da participação no mercado e alcance geográfico estão entre as principais, além do crescimento da produtividade do negócio através do ganho em escala. Antes da Avon ela já havia adquirido a Aesop (2013) e a The Body Shop com mais de 3 mil lojas em 60 países (2017).

A empresa divulgou US$ 150-250 milhões (ano) de sinergia na combinação dos negócios com a Avon, atingindo 15% de participação de mercado distanciando-se assim do Boticário que fica com 12%, e formando uma companhia de US$ 11 bilhões.

Na negociação os acionistas da Natura ficam com 76% da empresa combinada e a Avon os 24% restantes.

Como dito anteriormente é preciso cautela ao analisar negócios combinados e suas possibilidades de rentabilização, isso porque a incorporação dos negócios demanda mais do que apenas boa vontade, é preciso tecnologia adequada para tornar a junção dos processos algo viável, e isso não apenas em termos de produção, mas comercialmente.

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Fusão

Os ganhos com sinergia nessa operação divulgados pelas empresas são de R$ 55 – 70 milhões, principalmente em relação a custos e despesas. Nesse caso a Sonae Sierra incorpora a Aliansce (aqui provavelmente devido a questões tributárias).

Além obviamente das vantagens de sinergia mais comuns nesses acordos, como aumento de receita (afinal com a união das duas, os faturamentos também são somados e aliado a otimização dos custos e receitas temos um resultado maior), capacidade de negociação com fornecedores, melhora na taxa de ocupação, etc.

 

Aliansce e Sonae Sierra

Da fusão será criada a maior empresa do país em número de shopping centers sob gestão: Aliansce Sonae Shopping Centers S/A. A participação final na empresa combinada será de 67,9% para os acionistas da Aliansce e de 32,1% para os acionistas da Sonae Sierra Brasil, serão 40 shoppings, sendo 29 próprios e outros 11 administrados, e o  portfólio será o segundo maior do setor de shopping centers no Brasil em Área Bruta Locável (ABL), com total administrado de aproximadamente 1,4 milhão de m² e cerca de 7 mil lojas.

Ou seja, as sinergias da combinação dos negócios são estratégicas para suprir as fraquezas que poderão prejudicar a rentabilidade de ambas individualmente, caso ganha-ganha: mercado maior, mais vendas e menos custos.

 

Concluindo

Então caro investidor, caso a empresa onde você investe esteja em um desses processos de aquisição ou fusão, investigue e calcule para saber se as sinergias projetadas já estão precificadas na cotação, pois assim como o mercado “condena” alguns ativos que alavancam para adquirir novos negócios ele pode também exagerar nas estimativas de valorização.

Os próximos capítulos da aquisição da Natura pela Avon ainda estão sendo escritos, vamos acompanhando.

Informação é dinheiro.

Patrícia Rossari

 

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