As promessas para 2020

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As promessas para 2020

As promessas para 2020

Nessa época do ano é muito comum encontrarmos materiais com:

  • As ações que mais subiram
  • As ações que mais caíram
  • As melhores ações do ano
  • As promessas para o próximo

 

E não podemos esquecer:

  • “a melhor ação do momento”
  • “descubra a próxima MGLU3”

 

E as pessoas menos atentas acabam comprando ativos olhando apenas para o retrovisor, ou então compram o turnaround sem saber o que lhes aguarda.

 

Afinal, quem trabalha com gestão de negócios sabe que uma mudança na estrutura de uma empresa não é algo simples que pode ser feito em apenas alguns dias;

E, como por mágica, o lucro aparece. Sinto informar, mas não é assim.

Acreditar que as promessas se realizam só porque alguém disse isso, tem a mesma utilidade de escolher uma cor de roupa e acreditar que isso vai definir como será seu próximo ano.

Aliás, quem é sócio de varejos de moda ou de Fiis de shopping, agradece existir tanta gente que acredita nessa teoria.

Então vamos analisar os fatos, esquecer por um momento das frases bonitas e de efeito, focar nos dados disponibilizados e fazer a relação com o cenário, como ele afeta o negócio;

Por que aquela ação foi a que mais caiu ou a que mais subiu, a promessa é promessa por quê?

Antes de mais nada, é preciso esclarecer que você só vai saber se de fato faz sentido, se entender o mínimo recomendado do negócio.

Ou seja, o que ele faz para gerar valor, onde estão as principais receitas, a exposição ao câmbio, as proteções, os impostos, a regulação e assim por diante.

E como eu sei que as pessoas no geral gostam de exemplos, vamos usá-los:

 

Mas qual o segredo do sucesso dos resultados de alguns varejos? Vamos usar exemplo de MGLU:

  • Foco no giro de estoque.
  • CPRF – integração com o fornecedor para que as previsões de demanda sejam mais adequadas à realidade, ou seja, evitar custo desnecessário com estoques excedentes.
  • Ajuste da entrega de itens pelo fornecedor em relação à saída do que está em estoque, evitando assim, falta de produto, que ocasiona demora na entrega e perda de clientes, além de ineficiência no processo geral.
  • A correta distribuição eleva a produtividade.
  • Plataforma de Vendas Multicanal.
  • Marketplace bem gerenciado e crescendo.
  • Luizalabs (em uma época onde ainda se via com desconfiança esse modelo).
  • Foco na informação, KPIs eficientes, que geram maior efetividade na oferta com base nas buscas dos clientes.
  • Aumentando tráfego para aumentar os clicks e a conversão do carrinho em compras.
  • Venda pelo app com o vendedor na loja física, inclusive sem passar pelo caixa.
  • Atualização da localização da encomenda antes da volta ao CD.
  • Redução dos tempos de movimentação dos produtos, através de aumento de estoques em lojas para que as entregas de compras on-line sejam mais rápidas (48 horas).
  • Agora a ideia com a LINX3 é aumentar a estratégia para alguns parceiros de MP, ou seja, eliminado tempos excessivos na entrega com produtos de maior saída disponíveis em algumas lojas.

 

E a Renner?

  • Posicionamento dos centros de distribuição para um atendimento mais eficiente e eficaz das lojas (marcas).
  • Modelo de reposição inteligente que organiza a distribuição com base nos produtos que são mais vendidos, pensado para aquele consumidor, daquela região específica (push pull).
  • Utilização de algoritmos de predição de demandas, para melhorar o giro de estoque e reduzir custos.
  • Solução de Inteligência Artificial, com intuito de calcular a probabilidade de sucesso das coleções, e assim obter maiores informações para tornar mais acertado o mix, projeto piloto para uso do blockchain na rastreabilidade da cadeia de fornecedores de revenda.

 

E assim por diante. A lista é longa, afinal negócios não se resumem a qual vende mais. Se fosse assim, a Via varejo custaria mais que muito ativos.

A questão é que os resultados são frutos da eficiência da cadeia integrada, da capacidade que a gestão possui em fazer a estratégia certa acontecer pelo tempo adequado.

Até representar o sucesso nos números do balanço patrimonial, além obviamente do cenário macro, dos índices de inflação, juros, recuperação da indústria, risco país sob controle, redução do desemprego, etc.

Afinal, só existe consumo se existir renda, e só existe renda se houver emprego e aumento de reposição salarial;

E isso só ocorre se as empresas investirem; e elas só investem se houver confiança e projeção de consumo.

Ou seja, uma coisa depende da outra, precisam funcionar juntas.

 

Vamos a outro exemplo:

Quando alguém diz para prestar atenção ao FCL (fluxo de caixa livre), entenda que:

FCL= FCO (fluxo de caixa operacional) – FCI (fluxo caixa investimentos)

Ou seja, é o que sobra depois de pagar tudo – daí a palavra livre.

A empresa pode distribuir, aplicar para render (Grendene, seguradoras), amortizar dívidas (cíclicas) ou então usar quando o giro de caixa aperta (caso da Weg).

 

Importante também:

  • Observar se é efeito de IFRS16.
  • O que é resultado financeiro de variação cambial.
  • A alíquota efetiva de imposto.
  • Observar sempre a relação: volume/preço/demanda.

 

Então vocês perceberão que muitas vezes é só contábil e não caixa.

Prestem muita atenção na geração de caixa operacional e livre, na dívida: pagamento / rolagem/custo, caso do CDI (UGPA).

 

Quer analisar ativos de energia? Aprenda os conceitos e então estude os números.

  • A garantia física nada mais é que do que o montante de energia vinculada à expectativa de geração em cada usina dentro do sistema, ou seja, adequa a oferta. Nas hidrelétricas, é o que determina a cota de participação no Mecanismo de Realocação de Energia.
  • O PLD (Preço de Liquidação das Diferenças): diferenças de energia contabilizadas no mercado de curto de prazo feito pela CCEE, são modelos matemáticos usados para programar a operação do sistema, determinando o preço mínimo e máximo, com base no volume – ACESSE AQUI –  ESSE cálculo comtempla os preços semanais por carga – leve, médio e pesado – ponderado pelo número de horas em cada um deles e em cada semana do mês.
  • GSF – Generation Scaling Factor: razão entre a energia gerada e a soma das garantias físicas totais (sistema/a quantidade mínima que a companhia pode garantir a geração), mostra a quantidade de energia que será alocada em cada usina e o respectivo percentual da Garantia Física. Então muitas empresas descontratam um percentual para ser liquidado no mercado, como uma proteção para cenários de GSF baixos, afinal, nesses momentos, os montantes alocados de energia recuam, e então as empresas ficam expostas a preços maiores.
  • MRE – Mecanismo de Realocação de Energia: uma usina que teve uma geração abaixo da garantia pode ser socorrida por outra.
  • A questão é que quando ocorre uma geração menor que a garantia física a empresa precisa desembolsar (R$) a diferença, ou seja, pagar.

 

Resumindo:

Podem existir perdas de receita quando a empresa fica exposta a um PLD elevado.

A venda de geração (acima da garantia física), quando o PLD está baixo, gera ganhos, mas é preciso cuidado, pois os ganhos nessa estratégia podem ser menores que as possibilidades de perda.

Para contextualizar, veja o quanto de energia descontratada a empresa onde você investe possui, e qual a estratégia pra isso.

Acompanhe essa imagem retirada da apresentação da Engie EGIE3:

As promessas para 2020

Fonte: https://www.engie.com.br/uploads/2019/11/APS-EBE-3T19.pdf

 

Concluindo

Unir paciência, razão, análise e bom senso são 50% do caminho para o sucesso nos investimentos; os outros 50% dependem da economia.

Então, ao ler que tal empresa foi um sucesso ou uma das maiores perdas de 2019, entenda o motivo para esse desempenho sensacional ou ruim.

Veja além da cotação e identifique naquele negócio as variáveis que mais tem peso na formação do resultado.

Desejo a você, leitor, que em 2020 seus ganhos se multipliquem e as perdas, se existirem, sirvam como ensinamento.

Informação é dinheiro.

Até a próxima semana,

 

Daniel Nigri com apoio da Patrícia Rossari

O analista Daniel Nigri CNPI1810 é o responsável pelas informações perante a ICVM 598

As informações não constituem recomendação de compra ou venda de qualquer ativo