BB Seguridade (BBSE3): Resumo dos Resultados

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BB Seguridade (BBSE3): Resumo dos Resultados

A companhia divulgou os resultados no dia 10 de fevereiro de 2020, antes da abertura de mercado, e o que vimos foi um lucro líquido de R$ 6,9 bilhões nos 12 meses de 2019; no ajustado foram R$ 4,3 bilhões, aumento de 21,3%. Lembrando que o Guidance da companhia previa entre 13,0% a 17,0% no ano de 2019.

No quarto trimestre o lucro foi de R$ 1,133 bilhão, e deste valor, R$ 566 milhões de negócios de risco e acumulação e R$ 543 milhões de distribuição, um aumento em relação ao 4T2018 de 34,9%. A empresa cita que, do lucro do trimestre, 79,4% são referentes ao resultado operacional e 20,6% resultado financeiro.

Segundo a companhia, o lucro foi favorecido pelos seguintes fatores:

  • Aumento das receitas de corretagem;
  • Melhora da margem operacionalda BB Corretora;
  • Índices de inflação (Brasilseg) – planos de previdência onde a maioria é indexada ao IGPM, ou seja, houve aumento da taxa que atualiza os ativos, mas a própria empresa cita que a contrapartida vai impactar na taxa de atualização do primeiro trimestre de 2020, isso pela defasagem com a qual a atualização é efetuada;
  • Os prêmios aumentaram;
  • Sinistralidade na Brasilseg recuou;
  • Redução da alíquota efetiva devido à diminuição da CSLL, no comparativo do ano 2019×2018 (Brasilseg), a alíquota efetiva reduziu 5,4p.p., saindo de 34,2% em 2018 para 28,8% em 2019;
  • Aumento do resultado financeiro pela aplicação dos recursos obtidos com a alienação da participação da IRBR.

E prejudicado pelos seguintes fatores:

  • Com o recuo da SELIC, houve impacto negativo no resultado financeiro;
  • Além das despesas de atualização monetária de provisões judiciais e dos valores de sinistros a liquidar, que na comparação com 2018 foram maiores, o que gera maior despesa e, com isso, menor resultado (contábil);
  • Brasilcap, com menor resultado de marcação a mercado, menor volume, pois o saldo médio de reservas recuou;
  • Além de efeitos não recorrentes relacionados à alienação da IRBR e da reestruturação da parceria com a Mapfre.

Resumindo: o crescimento nos resultados, de acordo com a empresa, foi devido ao aumento nos prêmios ganhos e pela melhora do índice combinado, além da melhora do resultado financeiro (inflação ajudou), ambos referentes àBrasilseg, e também devido a uma interferência na base comparativa, já que no ano de 2018 houve desinvestimento do segmento deseguros patrimoniais e automóvel, e nos últimos meses do ano o resultado desse braço de negócio foi negativo.

Já escrevemos algumas vezes aqui no site, na área de membros e também nos podcasts, a importância de entender quais negócios são beneficiados com a queda ou aumento de alguns índices. A compreensão desse fator ajuda o investidor a perceber que negócios são influenciados de maneiras diferentes por fatores externos macroeconômicos.

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Aplicações

Sempre importante analisar nos resultados, assim como fizemos com a análise do case de PSSA3 – Porto Seguro – que está disponível na área de podcast, onde estão aplicados os recursos e como é feita a gestão (ativa/passiva) deles para rentabilizar esse tipo de negócio. No caso do BBSE3, eles mantêm 12,4% disponível para vendas equivalentes a R$ 2,776 bilhões (deste total, 92,1% são pré-fixados, 59,6% mantidos até vencimento, equivalentes a R$ 13,288 bilhões (deste total, 73% inflação) e 28,1% para negociação, o equivalentea R$ 6,28 bilhões).

E deste total: 47,9% inflação, 28,9% pré-fixados e 21,6% pós-fixados.

Da carteira para negociação (28,1%, ou R$ 6,284 bilhões), 73,9% são pós-fixados (R$ 4,6 bilhões), 15,25% inflação (R$ 955 milhões), 5,1% pré-fixados (R$ 319 milhões), 5,3% outros.

Antes dos resultados individuais dos segmentos, é sempre importante analisar a posição de mercado, tanto em prêmios emitidos quanto em MS:

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Brasilseg

4T2019

  • Lucro líquido: R$ 338 milhões, sendo R$ 294 milhões referentes ao operacional e R$ 44 milhões financeiro.
  • Prêmios ganhos: aumento de 11,1%.
  • Prêmios emitidos: aumentaram 3%.
  • Destaque para aumento do rural em 15%, aumento da carteira de seguros de vida em 11% e recuo do prestamista em 12%.
  • Resultado financeirode R$241,0 milhões versus R$74,1 milhõesnegativos no 4T18.
  • Sinistralidade recuou 9p.p., fechando o trimestre em 23,8%, principalmente devido ao recuo de 13,3% na vida (mas sem os não recorrentes, o recuo teria sido de 5%).
  • Índice de comissionamento: 37,8%, contra 41,9% no 4T2018.
  • Índice combinado: -17,6 p.p., fechando em 76,4%.
  • Índice ampliado: 73,9%, recuo de 12,6 p.p.
  • ROAA: 9%, contra 5% no 4T2019.
  • Índice de solvência: 126,3%, contra 166,7% no 4T2018.

Brasilseg

2019

  • Aumento do lucro em 16% (BBSE detém 74,99% e a Mapfre 25,01%), fechando o ano em R$ 1,060 bilhão.
  • Aumento dos prêmios ganhos em 5,7%.
  • Prêmios emitidos aumentaram 10%, sendo os destaques:
  • 44,1% prestamista (que sofreu recuou no 4T)
  • 11,5% rural (que continuou crescendo no 4T)
  • No ano, o resultado financeiro cresceu 455,8%;a margem financeira aumentou 4,1 p.p.entre os ativos rentáveis e os passivos onerosos. As receitas de juros cresceram 100,6% em relação a 2018, devido ao aumento de 6,3 p.p. na taxa média de remuneração, isso porque os índices IPCA e IGP-M colaboraram.

Para relembrar:

  • Brasilseg Companhia de Seguros: Vida, Prestamista, Habitacional e Rural.
  • Aliança do Brasil Seguros: Residencial, Empresarial/Massificados, Grandes riscos.

Brasilprev

4T2019

  • Lucro líquido ajustado: R$ 426 milhões (+126,7%), sendo R$ 247 milhões operacional e R$ 153 milhões financeiro (já falamos sobre um dos motivos desse crescimento acima, o outro motivo é o aumento das receitas com taxa de gestão, já que o saldo médio das reservas cresceu 12,9%).
  • Captação líquida recuou 2,5% (portabilidade)
  • Volume de contribuições cresceu 3,5%
  • Taxa de gestão 1,02%
  • ROAA: 9,2%, contra 4,4% no 4T 2018
  • Índice de solvência: 157,5%, contra 168,4% no 4T 2018
  • Índice de eficiência 49,1% (despesas – receitas)

 

No ano 2019

  • Lucro líquido cresceu 40,8%,fechando o ano em R$ 1,419 bilhão
  • Resultado financeiro aumentou 455,8%
  • Além do aumento da receita pela taxa de gestão
  • Volume de contribuições aumentou 21,5%
  • A captação líquida aumentou 53,6%
  • E as reservas de previdência cresceram 12,9%
  • Índice de eficiência 47,9%

Brasilcap

4T2019

  • Lucro líquido R$ 17,8 milhões, sendo prejuízo operacional de R$ 16 milhões (-52,2%) e resultado financeiro de R$ 33 milhões.
  • arrecadação com títulos de capitalização: + 32,8%
  • receita com cota de carregamento: + 47,6%
  • custos de aquisição: +62,3%
  • resultados de sorteio: -71,9%
  • Resultado financeiro impactado por:
  • redução do saldo médio de reserva
  • redução da Selic
  • menor ganho de marcação a mercado
  • Índice de solvência: 196,1%, contra 186,8% no 4T 2018
  • ROAA: 0,7%, contra 1,4% no 4T2018

No ano 2019

  • Redução do lucro líquido em 10,4% (recuo no resultado de sorteio e aumento de custos de aquisição). Foram R$ 100,9 milhões no ano.
  • Arrecadação com títulos de capitalização aumentou 16,7%.
  • Resultado financeiro aumentou 4,7% (devido a ganhos de marcação a mercado ao longo do ano, não no 4T).

Corretagem

BB corretora

A companhia apurou um lucro líquido de R$ 543 milhões, contra R$ 545 milhões no 4T2018, com aumento de 2,9% nas receitas de corretagem e recuo de2,7 p.p. na margem operacional. Porém a empresa destaca que existe uma varável que torna a comparação com o 4T de 2018 não viável, já que o reconhecimento do bônus de performance aconteceu integralmente no 4T de 2018 e não ao longo do ano.

Se a distribuição tivesse sido feita nos trimestres, segundo a empresa o lucro líquido teria crescido 50,5%, as receitas 27,4% e a margem operacional aumentado 1,4 p.p.

As receitas de corretagem em relação aos produtos comercializados:

  • Seguros: +24,8%
  • Capitalização: +85,8%
  • Previdência: +9,2%

No ano 2019

  • O lucro líquido aumentou 18,6%, devido ao crescimento das receitas de corretagem em 19,1%:

A empresa destaca a evolução referente ao bônus de performance pelasuperação das metas de vendas de prestamista e de vida do produtor rural no valor de R$446,5 milhões, contra R$ 276,1 milhões em 2018.

Concluindo

O Banco do Brasil detém 66,25% da companhia, equivalente a 1.325.000.000 ações; 0,17% das ações estão em tesouraria e 33,58% freefloat, equivalentes a 671.601.167 ações. Deste total free float, 28,63 são estrangeiros, 3,01% pessoas jurídicas e 1,94% pessoas físicas.

O Lucro por ação, do trimestre, foi de R$ 0,57; o valor patrimonial por ação 2,62x; o DY anualizado de 8,93% (foram pagos no ano R$ 2,92 em dividendos, sendo um extraordinário no segundo trimestre de 2019 no valor de R$ 2,03). No encerramento do ano 2019, o P/L da companhia era de 17,51x (12 meses) e um P/VP de 14,37x.

Isso não é recomendação de compra ou venda do ativo

Patrícia Rossari

Especialista em Gestão de Negócios/Logística

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