Análise da Cadeia de Valor

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Análise da Cadeia de Valor

Na última semana conversamos sobre Porter e sua análise de forças competitivas, o objetivo principal era entendermos que o mercado consumidor e fornecedor são dinâmicos e está em constante mudança o que exige das gestões foco na estratégia levando em consideração o panorama geral para estar preparado quando houver alteração de cenário. Hoje vamos continuar o assunto tratando de outro ponto fundamental citado por ele e extremamente útil quando o investidor busca empresas que tenham fundamento e a intenção seja uma carteira de ativos para longo prazo com objetivo de renda futura, o conceito de cadeia de valor e como usá-lo para ajudar na análise de decisão sobre a precificação de um ativo na bolsa.

A análise de uma empresa de forma qualitativa tem como objetivo identificar a criação de valor através de vantagens competitivas nas atividades que geram o resultado principal e a dependência dos processos acessórios que compõem o sistema gerador de forma sustentável a médio e longo prazo. Ou seja, identificar se o valor de um negócio esta refletido na cotação do ativo e se existe na estratégia da cadeia ferramentas que possam criar valor ao produto/serviço oferecido.

A análise da cadeia de valor deve ser utilizada para identificar onde estão os custos, sistematizá-los nas atividades que compõem toda a cadeia e como isso reflete na criação de valor para o consumidor, então o foco é entender se as atividades que compõem o processo são de fato uma vantagem competitiva ou uma desvantagem para o negócio.

Para facilitar o entendimento vamos usar exemplos e para responder as perguntas precisamos lembrar que a empresa é um sistema integrante e dependente de outros setores na mesma cadeia, sendo assim entender como é formada a receita de um negócio vai além de saber qual produto é produzido ou comercializado, exige compreender o fluxo dos processos desde o fornecimento da matéria prima até a aceitação pelo consumidor final e obviamente o pós venda. Não se trata de “olhar” a empresa e eleger setores para descobrir “problemas” na receita ou na falta dela, é sobre entender a organização como um corpo composto por variadas células e todas elas indispensáveis para o bom funcionamento da máquina!

De acordo com Porter precisamos avaliar a atratividade, manutenção da rentabilidade e a posição no mercado em relação aos pares, a vantagem competitiva sustentável, seja de custo ou de diferenciação no produto/serviço na cadeia inteira, o que significa que não podemos produzir com custos baixos e qualidade se nosso produto não chega ao consumidor no tempo adequado ou ainda se quando ele chega não é consumido.

Exemplos:

Ultrapar – UGPA3 nas últimas semanas após o resultado teve queda na cotação.

Cielo – CIEL3 nos últimos meses tem sofrido com quedas na cotação.

Petrobrás – PETR4 nos últimos meses recuperou a cotação e vem seguindo em tendência de alta.

Vale – VALE3 nos últimos trimestres a cotação voltou ao mesmo nível observado antes da queda no ciclo das commodities.

 

Quais os motivos que fizeram o preço do ativo movimentar nesse sentido?

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Como a produtividade e a vantagem competitiva sustentável influenciaram esse movimento?
Sobre a Ultrapar a análise pressupõe que o mercado estava precificando o ativo com base em um crescimento infinito além de projetar na cotação resultados futuros da expansão em segmentos diferenciados do negócio (farmácias, por exemplo), e percebeu que os custos do processo de distribuição e a remodelagem de cadeia de distribuição não vai ter o retorno no tempo que imaginava o que prejudica a margem afinal o negócio principal tem como foco o volume, quanto maior a quantidade maior a margem. Mas essa premissa não se confirma se os custos de distribuição / transporte não estiverem sob controle. Então nessa cadeia podemos identificar onde o valor esta sendo gerado e de que maneira enxergamos a alocação dos custos nas atividades, quais são as relações mais evidentes?

 

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É saber que o posicionamento estratégico tem relação direta com o fato de mudar a forma de contrato de transporte e que isso afeta diretamente o seu custo final, que a decisão de manter um estoque maior do que o essencial também incorre em custos e que não manter necessita de uma relação de confiança com o fornecedor e uma disponibilidade logística de reposição eficiente, e que tudo isso gera custo.

Cielo e a nova realidade de ter concorrentes que fornecem o mesmo serviço por preços menores, onde podemos encontrar na cadeia de atividades uma vantagem competitiva que seja diferencial para a nova concorrência? A empresa soube gerir os custos para que o impacto da queda de receita fosse menor no lucro? Existe estratégia de recolocar produtos no mercado atentas ao novo cenário onde o cliente possui a possibilidade de escolher? A empresa estava preparada para esses novos entrantes (Forças de Porter para relembrar).

Petrobrás e seu plano de refinanciar dívidas, seu acordo nos EUA para encerrar o processo, seu plano de desinvestimento que irá diminuir os custos e aumentar a produtividade com foco nos processos principais que geram maior valor. Como ela enxergou que a cadeia de valor estava comprometida? Os problemas não diminuíram somente por ela produzir mais, ela aperfeiçoou processos gerando mais valor através da desagregação das atividades, separando o que de fato produz e entrega valor do que consome mais do que gera, isso só e possível mapeando e entendo os custos da cadeia inteira. A venda de derivativos no Brasil caiu 1,951 milhões de bpd ( unidade de medida, abreviatura de barris por dia) para 1,768 milhões de bpd nos últimos 12 meses, ou seja, apesar de vender um volume menor criou valor no processo e na cadeia agregada o que gerou retorno ao acionista.

Vale e sua reestruturação buscando uma empresa mais enxuta e rentável, preparada (na teoria) para novos ciclos das commodities diminuindo assim o impacto gerado, optando por processos que aperfeiçoados possam gerar mais resultado e consequentemente maior valor na cadeia e ao acionista, buscando atividades que tenham maior demanda no mercado e que seja um diferencial diante da concorrência. Pensem da seguinte forma: eu tenho um processo produtivo imenso que produz muito com margens pequenas, muito investimento e pouco retorno apesar de custo baixo, então a lição de casa é:

Aumentar a produção e ganhar na quantidade, correndo o risco do mercado não absorver a produção inteira ou ainda o preço sofrer variação e meu estoque ter um custo mais alto que o necessário?
Ou então eu mudo e começo a produzir no sentido de agregar valor ao produto?

Na segunda alternativa, que é o caso da vale, eu preciso reorganizar todas as plantas e rever todos os processos (por isso as manutenções e paradas nas minas no Canadá para ver o que fica e o que vai ser integrado a outras etapas do processo para diminuir o custo e aumentar a produtividade). Além de não gerar um excesso de oferta que possa comprometer o preço do minério, o que seria prejudicial.

Fazendo uma análise correta da cadeia de valor podemos ter uma identificação mais clara do posicionamento do negócio em relação aos concorrentes além de permitir uma leitura mais clara do modelo de precificação adotado pelo mercado, se não faz sentido e acaba se tornando um bom momento para entrar no ativo ou então se o mercado leu corretamente e é o momento de pensar se ainda é rentável manter a posição.

O preço da matéria prima afeta diretamente a gestão dos custos no processo de produção, logo a gestão dos mesmos deve ser adequada àquela lógica produtiva, e analisar a cadeia de valor exige uma visão sistêmica do panorama econômico às vezes mundial às vezes regional. Parar uma linha produtiva por falha na manutenção preventiva causa tantos problemas quanto diminuir ritmo de produção por problemas na reposição de estoque devido à falta de produto ou falta de pagamento ao fornecedor.

A receita e às margens estão vinculadas ao comportamento da capacidade de produção x custos, tempo de projeto, capacidade de produção e distribuição, quando os fluxos não estão alinhados temos gargalos que não ocorrem somente no setor produtivo, pelo contrário é muito comum observar que grandes obstruções nos fluxos são causados por falhas em setores auxiliares, seja por erros humanos ou de sistemas.

Importantíssimo ressaltar que nas demonstrações financeiras não conseguimos enxergar o valor agregado de fato, não vemos as variáveis que poderiam afetar o resultado porque analisamos somente a atividade interna e não a cadeia e suas inúmeras possibilidades de criar vantagens para o posicionamento do negocio no mercado. Caso clássico das relações com fornecedores que tanto podem deteriorar quando ampliar significativamente as margens.

Concluindo

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Investir certo é o ponto fundamental para o negócio crescer com consistência e não ser apenas mais uma empresa que alcança o sucesso, mas não consegue mantê-lo.

Organizar o negócio de maneira qualificada e inteligente, enxugando processos e investindo em qualidade, reestruturando velhas políticas de negócio que priorizavam ações isoladas sem continuidade e principalmente que acreditava que o cliente só estava interessado no preço e não no valor da mercadoria/serviço adquirido.

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Abraços e bons investimentos,

Patricia Rossari