Forja Taurus: Análise de Indústria

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Forja Taurus: Análise de Indústria

Forja Taurus – Novo presidente, novo governo, novas promessas/propostas para as áreas nas quais o povo brasileiro mais precisa de atenção. Entre elas a segurança pública, que apesar de ser um assunto que é de responsabilidade dos estados, a união pode fazer a diferença em alguns aspectos.

E o que movimentou a campanha do nosso agora Presidente da República, foi justamente na área de segurança em relação a posse de arma pelo cidadão civil, e nesse período uma empresa em particular foi alvo de muitos interesses, de especulação e de inúmeras discussões.

Alguns a defendem com unhas e dentes, outros apenas dizem que “vale centavos”, e alguns poucos usam o tempo para analisar de fato os fundamentos da empresa, sejamos parte do grupo dos “poucos” e vamos entender o que ocorre com a companhia antes de emitir uma opinião, pelo menos uma que leve em consideração mais do que o óbvio:

  • Prejuízos recorrentes e dificuldade em gerar caixa.
  • No ano passado a ação preferencial FJTA4 valorizou 88%, e a ordinária FJTA3 146%.

 

Mas afinal, que empresa é essa?

Forja Taurus tem 79 anos de vida, é do Rio Grande do Sul, listada há mais de 30 anos, exporta para mais de 80 países, uma das maiores produtoras de pistolas do mundo, e a quarta marca mais vendida no mercado Norte Americano, onde tem sede desde a década de 80.

A empresa é credenciada como EED – Empresa Estratégica de Defesa – estando assim habilitada a fornecer produtos para as Forças Armadas do Brasil. No exterior, além de distribuir produtos das marcas TAURUS e ROSSI produzidos no Brasil, a unidade fabrica modelos de pistolas TAURUS e revólveres HERITAGE.

No ano de 2014 a Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) tornou-se a principal acionista, hoje ela é uma das três maiores fabricantes de armas leves do mundo. Não é pouca coisa.

Em março de 2018 assumiu uma nova administração: CEO, CFO e 2 diretores, além da empresa descontinuar três diretorias não estatutárias. Mas obviamente que nem tudo são flores, mas os números estão evoluindo, acompanhe:

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Retirado do release da companhia

 

Em 2017, a receita líquida consolidada de Forja Taurus atingiu R$ 784,8 milhões, recuo de 5,5% em relação à 2016 e de 4,7% em comparação à 2015.

É notável que a reestruturação vem mostrando resultados nos últimos trimestres, a rentabilidade está maior, sustentável, os indicadores evoluíram, o custo diminuiu fazendo a margem aumentar significativamente, novos produtos foram lançados, reestruturaram a dívida, recuperando um pouco de fôlego para continuar a expansão no mercado americano.

Acompanhe a situação da dívida da companhia:

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O alongamento do prazo de vencimento de dívidas com os Credores foi no  valor de US$ 161 milhões, e o prazo da operação de cinco anos, com carência de pagamentos do montante principal e juros em 2018.

A amortização do principal e os juros serão pagos mensalmente a partir de 21 de janeiro de 2019.  Isso significa uma redução, cerca de R$ 120 milhões em encargos sobre a dívida no período de 5 anos.  Em contrapartida foram dadas as garantias alienação fiduciária e hipotecas de segundo grau em imóveis da companhia.

Em setembro de 2018, a dívida bruta era de R$ 901,9 milhões, deste valor 18,5% dos vencimentos no curto prazo e 81,5% no longo prazo, sendo que a dívida em moeda estrangeira representava 81,9% da dívida total da Companhia e em reais, 18,1%.

 

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Obviamente aqui é preciso considerar que parte da Receita Líquida é  gerada em dólar, sendo assim a exposição estrutural a moeda  permite que a empresa tenha parte da dívida financiada em dólar,  e ao fazer isso, assim como qualquer empresa que esteja exposta a pagamentos e recebimentos em moedas estrangeiras, acabe  conciliando os pagamentos com o fluxo de recebimento das vendas nesses mesmos mercados externos.

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As exportações em 2017 foram de 89,4 milhões, número 4,7% menor do que os R$618,6 milhões de 2016, no mercado interno as vendas foram de R$ 195,4 milhões, número 7,7% menor do que 2016 e 16,4% menor do que 2015.

Acompanhe agora a evolução das margens no último ano:

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Como citei no início do texto, a ação foi alvo de muita especulação, devido as notícias e projeções baseadas nas promessas de campanha presidencial, acompanhe abaixo a valorização das ações no período:

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Para entendermos melhor o histórico da empresa acompanhe primeiramente a trajetória do ativo nos últimos cinco anos:

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A especulação no ativo é grande, acima vemos uma alta de quase 30%, no dia 02/01/2019, abaixo observe o movimento do dia 03/01/2019, onde as 11:00h o ativo estava cotado a R$ 9,90 e as 15:24h R$ 8,30:

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Como sabemos, a cotação é um reflexo dos resultados das empresas, logo a tendência é que se o resultado não evoluir, a cotação retraia em um movimento parecido, não simétrico, acompanhe a receita, os custos e o lucro/prejuízo dos últimos anos de Forja Taurus:

forjas-taurus-9Fonte ADVFN

 

Observem que o último lucro anual foi em 2011, desde então o que vemos é uma receita sem força contínua, e as despesas crescendo, o que afeta a rentabilidade.

Abaixo temos os percentuais de crescimento/queda ao longo dos últimos anos, observe que houve diminuição do prejuízo em 2013 e 2016, aumentando bastante em 2017, e a partir de 2014 vemos uma evolução na receita:

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Se considerarmos os últimos doze meses, a receita líquida de Forja Taurus foi de R$ 591 milhões, valor maior que a média dos últimos cinco anos, que foi de R$ 475 milhões, em relação a receita, cresceu cerca de 20% no ano.

Ao analisarmos as contas patrimoniais do terceiro trimestre de 2018, temos a seguinte imagem:

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Os múltiplos do negócio

Preço sobre lucro, obviamente é negativo: -1,11

Preço sobre valor patrimonial: -0,68

Como o patrimônio líquido está negativo a relação dívida / patrimônio é negativa

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E as estratégias para reverter?

Além da renegociação das dívidas, mudança na gestão, Forja Taurus está modificando processos logísticos que estão mudando a perspectiva dos custos, como por exemplo: identificar oportunidades junto a fornecedores, análises detalhadas dos giros de estoque para acabar as compras em excesso, controle de inventário, revisão de processos, gerenciamento, aumento das frequências de inspeção para redução de perdas, auditorias, além da  venda dos ativos para reduzir a dívida bancária.

Isso será suficiente para reverter os prejuízos?

As margens melhorando são um indicativo de que, se as medidas acima forem contínuas é possível a empresa voltar a ter lucro?

Houve renegociação das dívidas, isso ajuda, mas é suficiente a médio prazo?

E o custo dessa dívida?

Concluindo

A escolha de onde e em que investir é livre, entender o que ocorre com o negócio/ativo é essencial, seja para montar uma operação, ou então para entender por que não é uma boa ideia investir.

E sem precisar usar argumentos rasos, como por exemplo: não invisto porque “vai falir” ou, vou investir porque vai “foguetear”…sem considerar que ambas as possibilidades existem, e que cada uma delas só ocorre por consequências dos números e estratégias do negócio.

Então para não perder dinheiro, seja acreditando que vai falir ou que será um foguete, entenda o que de fato está acontecendo, calcule o risco, a margem de segurança, se não for um ativo adequado ao seu perfil, não compre, se for, compre, mas sempre usando a premissa básica de qualquer investimento: saber o que está fazendo, onde está pisando e consciente de que torcida a favor ou contra, não gera resultado.

Informação é dinheiro.

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Até a próxima semana.

Patrícia Rossari