Ações de Indústria e Varejo – Perguntas e Respostas: Parte II

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Ações de Indústria e Varejo – Perguntas e Respostas: Parte II

A inovação sempre significa um risco. Qualquer atividade econômica é de alto risco e não inovar é muito mais arriscado do que construir o futuro.

Peter Drucker

Hoje, vamos continuar respondendo perguntas sobre as análises de ações da indústria e do varejo. Esses questionamentos foram feitos a partir da série de análises que fizemos nas últimas semanas. Para quem ainda não as leu, basta navegar pelo site e encontrará todos os textos.

Mas hoje, reservei esse espaço para perguntas comuns em momentos que a cotação da ação cai.

Investir em ações é depositar seu dinheiro em um negócio. Tornar-se um acionista com o objetivo de manter o ativo em carteira requer análise do valor daquele negócio, isso parece óbvio, mas infelizmente não é para muitas pessoas. Quando alguém compra ações porque ouviu falar do ativo, ou porque a casa de análise citou que o preço alvo do ativo pode chegar a valorizar 50%, precisa entender que a análise é de outra pessoa e que tem possibilidade de ocorrer ou não.

Um exemplo recente foram as ações das empresas que eram exemplos de boas pagadoras de dividendos, entre elas podemos citar a ETER3 ou SMLS3, MPLU3, ou empresas que possuíam um crescimento consistente, CIEL3, UGPA3, BRFS3, KROT3, AMAR3, entre tantos outros exemplos que poderiam ser citados.

E nesses casos recebemos muitas perguntas:

  • O que está acontecendo com a ação, ela só cai?
  • Quais os motivos pelos quais a cotação não para de cair?
  • Porque ninguém avisou antes?
  • Mas essa ação nunca caiu, só subia, o que aconteceu com a cotação dela? Será que é SÓ PORQUE O LUCRO DIMINUIU?
  • MAS ELA SÓ PERDEU 10% DE MERCADO, NEM É TANTO ASSIM!
  • E daí que ela não tem muito lucro, pelo menos vende bastante, não é o suficiente?
  • Ela não precisa investir, isso porque gerar dívida é sempre ruim, não é?
  • Mas o negócio é seguro, nunca ninguém vai fazer igual a ela, então posso ficar tranquilo, não é?

Geralmente essas perguntas são feitas por pessoas que entraram a pouco no mundo da renda variável, ou então não entendem como o negócio de fato gera caixa, qual o processo que gera valor e como ocorre o retorno ao acionista.

Então vamos esclarecer o básico, os ativos são negócios e possuem riscos, é parte da dinâmica do mercado, se não fosse assim estaríamos todos usando as antigas torradeiras de fogão, ou datilografando em nossas máquinas de escrever.

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A Olivetti, famosa pelas máquinas de escrever é um dos exemplos de como alguns negócios podem ser engolidos pelo mercado, no caso dela na década de noventa faltavam duas variáveis essenciais para se manter competitiva em um mercado que estava mudando:

  • Capital, R$
  • Tecnologia para competir

Ela teve fábrica no Brasil de 1952 até 2003, quando encerrou as atividades por aqui. O detalhe é que no fim produzia apenas calculadoras, uma imagem muito distante da forte empresa que domina grande parcela do mercado. Em 1999 ela fez uma aquisição hostil da Telecom Itália, com 51,7% da empresa que era na época muito maior que ela, em 2001 vendeu controle majoritário para reduzir a dívida, em 2003 ocorre a fusão dos ativos. Hoje existem tablets e outros produtos com a marca, mas nem de longe lembram o sucesso do passado.

 

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Poderíamos citar a KODAK, que na década de 80 alcançava 80% do mercado de consumo de câmeras fotográficas e 90% dos filmes fotográficos, números impressionantes não é mesmo?

Então a própria Kodak resolveu inovar e surge a câmera digital, isso mesmo, ela poderia ser uma gigante hoje. Infelizmente ela acreditava na época que esse novo negócio poderia diminuir seu faturamento de vendas dos filmes fotográficos, então pensaram: eu já tenho 90% do mercado “garantido”, vamos esquecer esse negócio digital.

Ela esqueceu, outras empresas não.

E a concorrência chegou forte anos depois, a Kodak precisou “correr atrás do prejuízo”, mas era tarde, ela tentou recuperar mercado acreditando que somente a marca seria suficiente, não funcionou. Vale lembrar que as concorrentes da Kodak acabaram perdendo mercado para as empresas de celulares e suas inúmeras funcionalidades, ou seja, o mercado consumidor é dinâmico, o que é “garantido” hoje pode nem existir daqui a dez anos.

E como esquecer a Blockbuster? Mappin? Arapuã? Ou então o Banco Nacional?

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Os ativos do Nacional foram comprados pelo Unibanco, que hoje é o Itaú. Quem viveu a década de 90 vai lembrar do grande apelo que a marca tinha no mercado.

No caso do Mappin, a inflação deteriorou a relação que já era frágil com os fornecedores, desvalorização da moeda, taxa de juros, mas também vieram as novas empresas, Ponto Frio e Casas Bahia que trouxeram o que o consumidor queria, inovaram. Quem leu o material das Lojas Renner sabe que ela sobreviveu a essa época mudando o conceito do negócio.

Existem ações que estão preocupando seus acionistas, seja por perderem mercado para a concorrência e novas tecnologias, por falhas nas estratégias, por demorar muito a enxergar que um determinado produto que correspondia a quase totalidade do faturamento poderia ser proibido a qualquer momento, que não podemos comprar tudo que queremos, mesmo tendo dinheiro, o CADE não deixa, entre tantos outros.

Esses exemplos atuais não são iguais aos do passado, até porque nada se repete da mesma forma, mas não são exceção à regra.

Tudo é mutável, porém os erros que levam ao fracasso são sempre parecidos, as empresas precisam estar atentas a esse mercado consumidor que hoje muda na velocidade de um atleta que corre os 100m. ou serão apenas lembranças na memória dos consumidores.

Então Todas as Empresas Podem Acabar?

Poder elas podem, mas não irão, pelo menos a maioria não.

Quanto mais informações da estrutura e das estratégias das empresas analisadas melhor será a sua análise. Digamos que uma empresa vem crescendo o faturamento nos últimos 5 anos, e que o lucro acompanha esse crescimento, logo a cotação do ativo tende a oscilar de acordo com o mercado no curto prazo, porém no médio e longo ela vai respeitar a tendência do negócio.

É muito importante perceber que valorização passada não significa necessariamente valorização futura, sucesso, controle de mercado, etc. … pode ocorrer nas não existe garantia, mas entender o básico da estrutura do negócio ajuda a tomar decisões.

Mas Patrícia, é muito difícil prever essas coisas:

Veja bem, existem as rupturas que não temos como prever, lá na série eu escrevi sobre isso, sobre os eventos “cisne negro” que ocorrem e desestabilizam tudo, mas existem os mais previsíveis, não porque temos uma bola de cristal e sim porque analisamos os riscos potenciais e decidimos que a possibilidade de ganho não supera o risco da perda.

Não existe mágica, bola de cristal, nada disso. Existe apenas análise qualitativa e quantitativa que pode indicar os pontos fracos e fortes do negócio, a partir dessas informações é possível que o investidor tenha consciência dos riscos e principalmente se quer ou não se expor a eles.

Se você acredita que o ramo dos fast foods não tem futuro, não invista no negócio, mas investigue porque motivos ele não tem futuro. Ou que o petróleo como combustível é coisa do passado, estude e verifique se de fato existem dados que apoiem essa argumentação. O que não pode é comprar ou vender um ativo porque ouviu o tio, o vizinho, o colega do grupo do WhatsApp, dizer que era uma boa ideia.

Lembre-se sempre que é seu dinheiro, portanto sua responsabilidade, então antes de acreditar que o ativo é uma oportunidade imperdível ou então de se desesperar porque a cotação caiu muito e vender o ativo porque isso significa que ele perdeu todos os fundamentos, ESTUDE O ATIVO,  entenda a estrutura do negócio, os motivos pelos quais a empresa teve uma piora nos resultados e quais são as probabilidades de reversão nos resultados.

Se, a princípio, a ideia não é absurda, então não há esperança para ela.

Albert Einstein

Não esqueça que informação é dinheiro.

Até a próxima semana.

Patrícia Rossari

 

Obrigado a Patrícia que está brilhante como sempre. Agora, eu Daniel, queria dar uma palavrinha com você.

Neste fim de semana as carteiras da Área de Membros foram recalculadas e é com muito prazer que eu digo que em Outubro todas elas bateram o índice Ibovespa, sendo que 3 delas renderam mais que o dobro e uma delas mais que o triplo do índice.

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Foi um mês atípico e dificilmente se repetirá dessa forma, mas mostra como os indicadores de todas são consistentes e bem escolhidos. E sabe o que é melhor? Você pode acessar duas delas gratuitamente, apenas se cadastrando em nosso site como Membro Bronze. Inclusive uma delas é a carteira turn-arounds que teve retorno de 34% no período acima.

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