Romi – ROMI3: Tradição em Inovar

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Romi – ROMI3: Tradição em Inovar

A Romi é uma empresa que fabrica e vende seus produtos para aeronáutica, defesa, fabricantes e fornecedoras da cadeia automobilística, máquinas e implementos agrícolas, assim como máquinas e equipamentos industriais. Os produtos fabricados pela empresa são:

  • Máquinas-ferramenta: destaque para centros de torneamento, tornos CNC, tornos convencionais, centros de usinagem e mandrilhadoras.
  • Máquinas para Processamento de Plásticos (por injeção e por sopro).
  • Peças de ferro fundido cinzento e nodular, fornecidas brutas ou usinadas.

 

Além de produzir, a empresa ainda comercializa os produtos com equipe de vendas própria, mantém filiais e escritórios de vendas nas principais capitais e polos industriais espalhados pelo país, contando também com pós-vendas, assistência técnica e peças de reposição.

No exterior, mantém subsidiárias de comercialização e serviços nos Estados Unidos, Itália, Alemanha, Inglaterra, Espanha, França e no México.

 

Empresa Antiga

Fundada em 1930 na cidade de Santa Bárbara do Oeste, a primeira fundição data de 1934, e em 1938 a empresa muda de nome, para Máquinas Agrícolas Romi Ltda.

O primeiro torno IMOR foi fabricado em 1941 e, em 1944, ele é exportado para a Argentina. Em 1948 inicia a fabricação do trator Toro e em 1956 ocorre o lançamento do Romi Isetta.

Para quem gosta de carros ou estudou processo de industrialização no Brasil, sabe que o Romi Isetta é considerado o primeiro carro brasileiro, pelo menos o primeiro produzido aqui por completo, produção 100% nacional. A produção dele foi encerrada em 1961 e foram produzidas três mil unidades. Hoje, é carro de colecionador.

Ele possuía uma porta, um assento, atingia até 52 km/h e possuía 4 marchas, um motor de 300 cilindradas, uma vela de ignição e bateria elétrica. Para acessar as especificações técnicas dele, acesse esse link – Romi-Isetta – o primeiro carro de passeio fabricado no Brasil.

 

isetta-primeiro-carro-no-brasil

 

Ford T

Antes dele, já existia o Ford T, que era fabricado com partes importadas e apenas montadas aqui, isso em 1919/1920.

Em 1962 a empresa muda o nome para Indústrias Romi S/A, e a partir do final da década de 60, os produtos da marca IMOR são substituídos pela marca ROMI. No ano de 1972, a empresa se torna capital aberto, e as ações estreiam na Bolsa de Valores (lembrem que escrevi sobre o boom de 1971), e em 2007 ele passa a integrar o novo mercado.

Em 1974 a empresa entrega a primeira injetora, já com a marca ROMI (plástico). Em 1978 a empresa inaugura a unidade para fabricação de máquinas pesadas e extrapesadas e, no ano seguinte, eles aumentam a planta para fabricação das injetoras. Em 1984 a empresa fábrica a primeira Injetora de termoplástico com tecnologia CNC da marca ROMI.

Romicron

No ano de 1986 é inaugurada a unidade de fabricação de CNC Mach e de painéis eletrônicos; em 1995 a unidade de fabricação do sistema Romicron para usinagem de furos de alta precisão e, no ano de 1998, a empresa inicia as atividades nos EUA, em Kentucky, como um apoio aos distribuidores da marca na região; em 2001 foi a vez da Alemanha.

Em 2000 e 2004 são inaugurados dois centros de tecnologia, um para máquinas e ferramentas e outro para injetoras termoplásticas. Hoje, 4% de receita anual líquida é aplicada em pesquisa e desenvolvimento. Já falei algumas vezes nos materiais escritos e nos podcasts sobre a importância de avaliar se o negócio onde investimos possui essa característica e se os resultados dessa estratégia podem ser vistos nos números.

No ano de 2008 é criada a ROMI Itália e em 2009 a empresa adquire a tecnologia para fabricar máquinas sopradoras para plástico (PET). Em 2011 ela adquire a alemã Burkhardt – Weber e, em 2014, inaugura o Centro de Difusão de Tecnologia.

 

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Hoje a estrutura da empresa conta com:

  • Onze unidades de fabricação no Brasil e duas na Alemanha (aquisições), e destas treze unidades, cinco são de montagem final de máquinas industriais, duas fundições, três usinagem de componentes mecânicos, duas fábricas de componentes de chapas de aço e uma unidade para montagem de painéis eletrônicos.
  • A capacidade instalada de produção de máquinas industriais é cerca de 2.900 máquinas por ano e, na fundição, de 50.000 toneladas por ano.

 

Lembrem-se que capacidade instalada é de Projeto, ou seja, é a quantidade de produtos que podem ser produzidos pela planta/setor/equipamento/máquina em um determinado tempo de trabalho. Sem conhecer esse número, fica inviável fazer a gestão de qualquer processo.

 

PIB Industrial e Formação Bruta de Capital Fixo

Em relação ao Produto Interno Bruto, é preciso compreender que projeções de crescimento são porque o mercado enxerga que existe força econômica em todas as atividades, afinal, é uma engrenagem ou uma orquestra? Escolha a metáfora de sua preferência. A questão é que se desenvolve uma reação em cadeia, equilibrando os setores.

Por exemplo: agronegócio forte, indústria forte, PIB cresce, desemprego diminui, renda aumenta, varejo vende mais e compra mais, cliente consome, serviços desenvolvem, investimentos são efetuados e a roda continua a girar (com devido controle econômico para evitar o desequilíbrio). E ao analisar empresas industriais como a ROMI, além de entender a lógica acima, é preciso considerar o PIB industrial e a FBCF (Formação Buta de Capital Fixo). Acompanhe o gráfico retirado do material da empresa:

 

formacao-bruta-de-capital

 

A FBCF, para quem ainda não está familiarizado com o termo, é um indicador que mede o quanto as empresas aumentaram os seus bens de capital, que nada mais são do que os bens (máquinas, equipamentos e material de construção) que servem para produzir outros bens. Dentre esses itens, máquinas e equipamentos tem menor participação na composição do índice do que a construção.

Caso o assunto lhe interesse, escrevi um material sobre STBP – Santos Brasil – que está disponível na área de membros, citando essa mesma relação entre cenários e empresas.

 

E qual o motivo de considerar esse índice na análise?

Importante, pois é preciso relacionar o crescimento do PIB industrial com a FBCF, afinal, isso nos trará uma projeção do quanto a capacidade de produção está crescendo ou não, o que também é um indicativo para entender se as empresas estão investindo, o que demonstra o nível de confiança em uma economia, por parte da classe empresarial. E a ROMI se beneficia desse crescimento, e quanto maior o crescimento, maior a intensidade no resultado, pois estamos falando de produção puxada por pedidos colocados, logo, a gestão de custos é muito mais eficiente.

Para contextualizar, no segundo trimestre de 2019 a FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo) cresceu 3,2% em relação ao primeiro trimestre de 2019 e, quando consideramos a comparação anual, o crescimento foi de 5,2%. Quando relacionamos as variáveis taxa de investimento – FBCF/PIB – a razão ficou em 15,9%.

Para termos uma ideia do quanto ainda precisamos melhorar, esse número, em 2000, era 18,2% e em 2010, era de 19,3%, sendo que nos últimos quatro anos ela recuou. Além do que, taxa média global desse índice é de em média 26,2% do PIB, ou seja, estamos muito lentos.

 

E os números da empresa? Existe lucro?

Antes de falarmos sobre o lucro, vamos entender a composição da receita do negócio, afinal isso é essencial quando fazemos análise qualitativa. Assim, vamos compreender quais as variáveis de cenário podem afetar em maior ou menor grau o faturamento do negócio.

 

Faturamento por Unidade de Negócio

 

maquinas-romi

tabela-mercado-externo-e-interno

 

 

Faturamento por Região

 

faturamento-por-regiao

 

Aqui fica claro que o maior percentual de receita vem do mercado interno e da Europa, no segmento de máquinas Romi representando 52% do faturamento, com a Receita Operacional Líquida da companhia apresentando crescimento no mercado externo, na comparação com o mesmo trimestre de 2019, e retração no mercado interno na mesma comparação. Quando a base de comparação é com o primeiro trimestre de 2019, ambos os mercados apresentaram crescimento na Receita Operacional Líquida.

 

A carteira de pedidos da companhia em valores brutos aumentou:

  • 37,2% na comparação anual e 39,4% na trimestral, no segmento de Máquinas Romi.
  • 18,3% % na comparação anual e retraiu 2,1% na trimestral, no segmento Máquinas Burkhardt+Weber.
  • 4,3% na comparação anual e 25,6% na trimestral, no segmento de Fundidos e Usinados.

 

Em relação à entrada de pedidos, os números do semestre apontam aumento nas Máquinas Romi e nas Máquinas Burkhardt+Weber, sendo 12% e 28,4% respectivamente. Já nos Fundidos e Usinados, o recuo foi de 10%.

 

E o comportamento dos Custos?

Nos custos, a empresa tem 67% do total de gastos com custos de material, sendo que, destes, 21% são de materiais nacionais, 16% sensíveis ao câmbio, embora ainda sejam nacionais, afinal, a composição contém materiais externos, 13% são metais e 17% são de produtos importados.

Em despesas são 5%, depreciação mais 5% e mão de obra são 23% do total dos custos.

 

E as Margens? E o Lucro?

Abaixo, temos dois gráficos que foram retirados do material da empresa, e mostram as margens Bruta e Operacional, assim como o Lucro Bruto e o Operacional. Observe que ambas recuaram:

 

Lucro Bruto e Margem Bruta

 

lucro-e-margem-bruta-empresa

 

Lucro Operacional e Margem Operacional

 

tabela-com-lucro

 

Agora, acompanhe o Ebitda, Margem Ebitda e o Lucro Líquido da companhia nos últimos anos:

Ebitda e Margem Ebitda

 

ebitda-margem-ebitda

 

Lucro Líquido e Margem Líquida

 

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Veja que a empresa apurou prejuízo em 2016 (lembre-se que estávamos em recessão). O Lucro Líquido no ano de 2018 cresceu, assim como a Margem Líquida. O Ebitda apresentou um pequeno recuo, da mesma maneira que a margem, na comparação anual 2017/2018.

 

E os resultados do segundo trimestre?

A Receita Operacional Líquida apresentou crescimento na base de comparação trimestral e anual. Acompanhe:

 

resultado-trimestre-empresa

 

A Margem Bruta foi de 25,8% no segundo trimestre de 2019, um recuo de 0,6 p.p. em relação ao segundo trimestre de 2018, sendo por segmento:

  • Máquinas Romi – 39,3%
  • Máquinas Burkhardt+Weber – 6%
  • Fundidos e Usinados – 18,5%

 

O Ebitda ajustado foi de R$ 6,688 milhões, ou seja, ela reverteu o resultado negativo de R$ 9,616 milhões do trimestre passado, mas ainda não recuperou na comparação com o mesmo período de 2018, onde o Ebitda foi de R$ 9,969 milhões.

O resultado líquido da companhia no segundo trimestre de 2019 foi negativo em R$ 4,3 milhões. Esse não recorrente diz respeito à revisão dos valores referentes a uma ação judicial (de correção monetária do Plano Verão) declarada no segundo trimestre de 2018. Quando não considerado esse evento, o resultado líquido ajustado ficaria negativo em menos de R$ 0,2 milhão. Acompanhe:

 

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Para que você entenda melhor, a empresa contabilizou, no segundo trimestre de 2018, um valor de R$ 40,1 milhões como outras receitas operacionais, devido ao não recorrente do processo de correção monetária do Plano Verão, mas os  cálculos foram revisados e foi preciso reverter, contabilizar efeito negativo de R$ 4,2 milhões no resultado líquido.

 

Lucro?

A companhia apurou, no segundo trimestre de 2019, prejuízo de R$ 4,35 milhões. No acumulado dos últimos doze meses, o lucro líquido é de R$ 119,92 milhões, e quando retirado o não recorrente citado, o prejuízo teria sido de R$ 174 mil no trimestre em questão.

 

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A dívida da empresa aumentou, principalmente devido a dois fatores principais, sendo o primeiro a necessidade de estoque de matéria-prima (capital de giro), devido ao crescimento do volume de compras para que assim exista material para a produção, em equilíbrio com o aumento da carteira de pedidos e, segundo, devido aos investimentos de instalação de uma máquina de moldagem automática para a Unidade de Negócio de Fundidos e Usinados (que retraiu resultados no trimestre, conforme mostrado acima), além da manutenção do parque industrial.

Hoje a dívida bruta/patrimônio líquido da empresa é de 0,47x.

A posição consolidada líquida de caixa/dívida no final do segundo trimestre de 2019 era negativa em R$ 86,2 milhões.

A empresa, hoje, está com Preço sobre Lucro de 7,49x e um P/Vp de 1,2x, com um giro de ativos de 0,54x (já escrevi sobre a importância desse múltiplo para a indústria).

 

Concluindo

Algumas empresas precisam ter estoques maiores e assim estarem preparadas para os pedidos dos clientes, principalmente quando estamos falando de produtos/projetos que levam algum tempo para fabricação e tem matéria-prima e insumos que exijam tempo maior de reposição.

Entender que os negócios são dependentes de outros negócios e outros setores faz muita diferença no resultado da análise, assim como os não recorrentes e como a empresa está enxergando a recuperação do setor onde atua.

Ela depende do quanto a confiança da indústria está recuperada, do quanto o empresário está disposto a investir, a ampliar, e vocês acompanham através da FBCP e do índice da Utilização da Capacidade Instalada da indústria nacional em geral, que é medido pela CNI (Confederação Nacional das Indústrias), que hoje está em 66%.

Lembrando que isso não é uma recomendação de compra ou venda.

Informação é dinheiro

Até a próxima semana.

Daniel Nigri com apoio de Patricia Rossari

O analista Daniel Nigri CNPI1810 é o responsável pelas informações perante a ICVM 598