Quem tem medo da Volatilidade?

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Volatilidade não é o Lobo Mau

Quem tem medo da Volatilidade?

Volatilidade não é o lobo mau, mas engana muita gente.

Após algumas solicitações, resolvi tratar especificamente sobre o tema, mesmo abordando indiretamente a questão nos diversos materiais aqui da casa. E vamos começar da forma certa.

Entendendo o conceito de Volatilidade

Volatilidade é o grau de variação dos preços de um ativo em um determinado período de tempo, medido pelo conceito estatístico de desvio padrão dos retornos logarítmicos.

 

Nenhum segredo até aqui, correto?

Afinal, conceitos são pensados para facilitar a compreensão de como algo funciona na prática, mas muitas pessoas preferem exemplos de como isso se aplica de fato.

 

Por isso, vamos a eles, os exemplos:

Usando o conceito de que a volatilidade nada mais é que o desvio padrão dos retornos dos ativos, fica claro que é uma medida do risco relacionada ao ativo.

É preciso destacar também que a oscilação não significa necessariamente grandes quedas na cotação.

Quanto maior a volatilidade, maior será a perspectiva de que no futuro isso se repita e o risco é maior.

A mesma lógica é usada para ativos que são menos voláteis, que são preferidos por muitos investidores devido ao perfil de risco.

Ou seja, com menor oscilação, alguns perfis de investidores conseguem enxergar maior previsibilidade no comportamento do ativo.

 

Como calcular a volatilidade?

Tudo começa com o cálculo dos retornos diários/rentabilidade diária da ação, que é o preço atual menos o preço anterior dividido pelo preço anterior.

E então o cálculo da base anual, que é a volatilidade diária multiplicada pela raiz quadrada de 252 (variáveis aleatórias dos 252 dias úteis do ano, afinal estamos buscando a métrica anual).

Aqui terás como resultado o número, uma indicação da volatilidade histórica ou uma informação para projeção de volatilidade futura.

Através de análise do comportamento do papel em determinados cenários específicos, sejam micro ou macro.

 

E por que isso é importante?

Porque as flutuações nos preços podem ajudar e muito o investidor de renda variável se ele entender que a variação ocorre por diversos motivos.

E que a alta ou baixa volatilidade pode ajudar a formar uma carteira de ativos com possibilidades de maior e menor risco, assim como seus retornos estimados.

Volatilidade não é ruim, a não ser que você se desespere e abra o HB todos os dias, e a cada oscilação (pra baixo) sua atitude é vender tudo para comprar quando a ação voltar a subir.

Prejuízo após prejuízo, até a desistência da renda variável ou até desenvolver algum problema de saúde causado pelo estresse, pois não consegue passar intacto por balanços mais fortes nesse mar de investimentos.

É fato que o sobe e desce do preço das ações assusta muita gente, afinal é preciso compreender o que causa essa oscilação de preços, que não é algo solto no universo e decidido por uma roleta.

O mercado financeiro tem como base o volume, então aprenda a reconhecer esse comportamento nos preços e observar a tendência para operar com ela, nunca contra, para evitar a faca caindo, o preço médio sem fim, anos e anos de ativos em carteira sem remuneração ou valorização.

Afinal, a oscilação da cotação do ativo é um reflexo dos movimentos dos investidores, e a multidão nunca é totalmente racional, mas gera força.

Por isso é importante usar sempre o mantra “ninguém vence o mercado” – repita quantas vezes forem necessárias até aprender.

 

Em relação ao volume

Alguém compra e alguém vende, quanto mais crescentes, mais indicam tendência, e quanto mais fracos, maior a indicação que existe uma perda de força, e então, se o ativo for de alta volatilidade, essas tendências são mais significativas.

E sabemos que o preço oscila pelas operações, um querendo vender o mais “caro” possível e o outro tentando comprar o mais “barato” possível, ou seja, oscila com base no comportamento dos investidores.

A operação só ocorre quando um dos dois está disposto, por motivos diferentes, a ceder, e isso geralmente se dá quando existem projeções que suportam um crescimento dos resultados do negócio ou uma queda.

 

Em relação à analise de volatilidade do ativo

E também temos, aqueles que sofrem menos em épocas de “vacas magras”, aqueles que não têm dívida, maduros, com capital, que geram caixa e são considerados mais previsíveis, conforme dito no início do texto.

Observe o exemplo dos dois anos de recessão no país e veja que empresas como Ambev não apresentaram grandes oscilações no período, ao contrario de Hering, por exemplo, ou então de Tecnosolo.

São três empresas distintas, com volatilidades coerentes com o tipo de negócio e de objetivo de negociação.

 

No momento atual, a volatilidade aumentou devido a uma mudança na perspectiva econômica de investimentos no país, aquecimento das atividades (que ainda é muito fraco).

Mas é uma mudança frente à precificação dos ativos quando o risco país era maior, a taxa de juros era mais alta, assim como a inflação.

Logo, o prêmio de risco com taxas de juros maiores não é atrativo, o que afasta investidores.

Se você não é novato, vai lembrar da volatilidade do mercado em 2008/2009. Aproveitou ela?

Ou vamos voltar mais, quem sabe à eleição de 2002? Aproveitou?

 

Volatilidade subindo

E sejamos sinceros, ninguém se incomoda com a volatilidade enquanto tudo está subindo, ou pelo menos não deveriam, desde que esse avanço seja algo realista e possível para as empresas entregarem em resultados.

Mas Patrícia, e os B&H, como ficam? Precisamos que a cotação caia para comprar.

Todo investidor de médio e longo prazo que acredita que preço importa, valoriza as quedas, porque estuda o ativo e sabe se é uma oportunidade que está ocorrendo ou o primeiro furo no barco.

Aquele que enche bem devagarinho e, quando tu percebes, já está lutando para tirar a água ou então se joga no rio.

Veja que mercados com bases sólidas de recuperação irão subir, devem subir, afinal é natural que com as medidas certas a economia evolua, as empresas apurem mais lucro e consequentemente sejam negociadas de acordo com a possibilidade de mais geração de valor futuro.

Boas oportunidades ocorrem muitas vezes em ativos que estão crescendo, oscilando pouco ou muito, mas pra cima.

Essa é a lógica de qualquer negócio: gerar mais resultados ou então crescer para mostrar capacidade futura de geração de resultados.

Se você comprou um ativo a R$ 6,00 na crise, não pode esperar que ele volte a R$ 6,00 agora com os resultados melhores e com perspectivas macroeconômicas melhores, não faz sentido.

Pense o ativo como negócio, como algo dinâmico, gerenciado e consumido por pessoas. A não ser que você seja grafista, aí a utilidade disso tudo é outra.

 

Use a volatilidade a seu favor, desde que você tenha estratégia pra isso.

Quem participou do Geração de Renda aprendeu isso com o Daniel Nigri (chefe): respeitar os critérios, entender os sinais de reversão de tendência e então aproveitar a oportunidade que a volatilidade oferece.

Informação é dinheiro.

Volatilidade só machuca quem se expõe além do que pode aguentar (além da capacidade de gerenciar a possibilidade de perda);

Ela faz parte do sistema, então use-a a seu favor.

 

As oportunidades multiplicam-se à medida que são agarradas.

Sun Tzu

 

Até a próxima semana,

Patrícia Rossari

Analista de Negócios – Logística