Rally de Natal: Lenda ou Realidade?

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Rally de Natal: Lenda ou Realidade?

Rally de Natal: Lenda ou Realidade?

Por: Marcelo Rabinovici

 

O que significa Rally:

Rally é uma palavra em inglês que descreve um esporte motorizado onde carros ou motos fazem corridas em ruas públicas. Em português a palavra equivalente é rali.

Neste tipo de competição, é comum existirem circuitos difíceis ou de elevados.

Devido à alta velocidade praticada, algumas vezes acontecem acidentes, apesar da perícia dos motoristas.

Os eventos de rally costumam reunir vários fãs deste esporte.

O rally mais famoso do mundo é o Rally Paris-Dakar.

No Brasil, um dos eventos de rally mais conhecidos é o Rally dos Sertões, onde os participantes passam por grandes cidades e pequenas aldeias.

O Rally dos Sertões é organizado todos os anos e teve início em 1993.

 

Mas e o Rally de Natal?

Rally de Natal: Lenda ou Realidade? Existe um outro “rally” que ocorre mais ou menos na mesma época, longe das areias do deserto africano ou das vias tortuosas da América do Sul.

É um rally que ocorre no ambiente (hoje em dia) frio e asséptico das bolsas de valores, onde a outrora exaltação e gritaria dos operadores.

Foi trocada por computadores de alta capacidade em data-rooms silenciosos, mantidos a temperaturas baixas por equipamentos de ar condicionado de capacidade igualmente alta.

 

O “rally de fim de ano”, ou “rally de Natal” (chamado pelos americanos de Santa Claus Rally).

É um fenômeno algumas vezes observado nas bolsas de valores ao redor do mundo, que se manifesta através de uma alta pronunciada dos ativos financeiros alguns dias antes do Natal, e tal movimento se estende até meados de Janeiro.

 

Todo ano é a mesma coisa.

Chega o mês de dezembro e todos os investidores e operadores do mercado financeiro começam a falar sobre um tal de “rally de fim de ano”.

Dizem que muitos investidores entram ou retornam para a bolsa de valores em dezembro proporcionando o famoso “rally de Natal” (chamado pelos americanos de Santa Claus Rally).

É um fenômeno algumas vezes observado nas bolsas de valores ao redor do mundo, que se manifesta através de uma alta pronunciada dos ativos financeiros alguns dias antes do Natal, e tal movimento se estende até meados de Janeiro.

 

Os estudiosos financeiros que estudam esse fenômeno sazonal costumam atribuir a ele algumas possíveis causas, a seguir:

– Otimismo geral das pessoas com as perspectivas de um novo ano e (por que não?) o “espírito natalino”;

– Queda geral nos volumes negociados nas bolsas, em especial por parte de grandes investidores institucionais.

Mercados com volumes pequenos costumam ser mais voláteis;

 

– Pessoas físicas investindo seus bônus de final de ano e, mais comum aqui no Brasil, o 13º salário;

– O fato de ser uma “profecia autorrealizável” – Uma grande massa de pessoas acredita que esse movimento vai acontecer e acaba alimentando-o;

– Planejamento fiscal, onde grandes investidores vendem as ações com performance fraca ou perdas antes do final do ano

 

 

Qual foi o mês que registou os maiores ganhos?

Não se trata apenas da frequência de aumentos em dezembro, mas também do tamanho dos ganhos.

Os mercados acionistas mundiais subiram em média 2,1% em dezembro, desde 1987. É o maior ganho médio de qualquer mês. 

Agosto foi o pior mês, com os índices a cair em média 1%.

Para sublinhar esta situação, a Schroders analisou o desempenho de quatro índices bolsistas:

FTSE 100, S&P 500, MSCI World e Eurostoxx 50 entre 31 de dezembro de 1986 e 31 de outubro de 2018.

O gráfico abaixo combina os dados dos principais índices de ações para mostrar a frequência com que eles aumentaram em cada mês desde 1987.

Qual foi o mês que registou os maiores ganhos? (Natal)

Fonte: Schroders. Thomson Reuters para FTSE 100, S & P 500, MSCI World e Eurostoxx 50 entre 31 de dezembro de 1986 e 31 de outubro de 2018. Representa uma média dos quatro índices.

 

Este material não se destina a fornecer conselhos de qualquer tipo.

Acredita-se que as informações aqui contidas são de confiança, mas a Schroders não garante a sua integridade ou precisão.

O desempenho passado não é um guia para retornos futuros e pode não se repetir.

Qual foi o mês que registou os menores ganhos? (Natal)

Fonte: Schroders. Thomson Reuters para FTSE 100, S & P 500, MSCI World e Eurostoxx 50, entre 31 de dezembro de 1986 e 31 de outubro de 2018. Representa uma média dos quatro índices.

 

O perigo das superstições

A história do mercado de ações pode ser fascinante.

Muitas vezes, e de forma instintiva, os investidores procuram padrões que possam dar uma pista para o futuro.

Isso geralmente leva a suposições, razão pela qual se diz que os outubros são maus e que se deve vender em maio, porque os meses de verão são maus.

Rally de Natal: Lenda ou Realidade? É claro que as superstições do mercado de ações só são verdadeiras até que deixam de o ser.

Aqueles que desejam apostar na boa vontade do Pai Natal, fazem-no por sua conta e risco.

Apesar disso ter gerado proveitos no passado, não quer dizer que isso volte a acontecer.

 

No Brasil

A bolsa que já andou bastante neste ano. Tudo isso veio com suporte forte do investidor local.

Uma vez que o estrangeiro tenha alguma confiança para voltar, a valorização do índice tende a ser ainda maior

O avanço dos resultados das companhias brasileiras no terceiro trimestre deste ano e a melhora de alguns indicadores de atividade, como aqueles ligados ao varejo, amparam a perspectiva favorável para os ganhos das ações.

A isso se soma o juro baixo, que deverá continuar forçando investidores locais, entre fundos de pensão, pessoa física e institucionais, a buscar oportunidades na renda variável.

“O mercado já começa a colocar no preço um crescimento econômico mais perto de 2% no ano que vem, o que justifica a nossa projeção

No nosso caso é um processo macroeconômico e estrutural e não simplesmente um padrão de Rally de Natal.

 

Conclusão

Na média, o fenômeno é observável, mas isso pode ser de pouca utilidade para os investidores.

Nada impede que, por uma longa sequência de anos, o fenômeno deixe de ocorrer.

Aliás, os mercados financeiros costumam mudar a pergunta quando você já sabe a resposta.

Quando um padrão é identificado no mercado, cada vez mais o mesmo é explorado e, com o tempo, a estratégia deixa de ser eficiente.

Seja o rally de Natal um verdadeiro fenômeno sazonal bem fundamentado ou apenas um mito, apoiado em uma simples média de observações.

O fato é que o investidor que resolver tirar proveito do espírito natalino dos mercados financeiros deve fazê-lo com todos os cuidados e precauções habituais.

Definindo estratégias, objetivos e seguindo um gerenciamento de riscos rigoroso.

As recomendações de fim de ano são:

Mantenham as perdas sob controle (afinal, uma das formas mais fáceis de ter mais dinheiro é “não perdendo dinheiro”);

Não “teimem” com o mercado caso ele resolva tomar um rumo diferente do esperado.

Para finalizar quero agradecer os leitores do Canal Dica de Hoje pelo prestigio em 2019 e desejar ótimas festas de final de ano.

Venha conosco nessa jornada em 2020.

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