Technos/TECN3: A maior empresa de relógios da América Latina.

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A marca Technos é conhecida do público e tem muita história, foi criada na Suíça pela família Gunzinger em 1900, em 1956 a empresa denominada Centauro fundada no Brasil para ser a distribuidora exclusiva da Technos. Mas somente na década de 90 que a companhia adquire os direitos, tornando-se então uma marca brasileira.

Em 2008 mais uma mudança, o Fundo de Investimentos e Participações GMT adquire o controle da empresa (faziam parte do fundo executivos da empresa), fundos de participações da DLJ e Dynamo.

Em 2011 ela fez uma oferta de ações na Bovespa, a ação saiu pelo piso R$ 16,50 (o intervalo da oferta variava até R$ 20,50), captando R$ 461,5 milhões, sendo 10.945.946 ações na oferta primária, onde os recursos foram destinados a empresa, e 13.378.379 na oferta secundária que foi destinada aos acionistas vendedores.

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No primeiro dia de negociação a ação teve alta de 6,18%, negociada a R$ 17,52 e em 2013 chegou a ser negociada na R$ 23,77 no ano de 2013, acompanhe o comportamento do ativo desde então:

 

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A composição acionária da empresa, retirada do site:

 

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A empresa possui uma estrutura de produção de componentes terceirizada, na Ásia, ou seja, ela não faz grandes investimentos em estruturas já que recebe os produtos manufaturados de diversos fornecedores, e a montagem ocorre na Zona Franca de Manaus, onde está localizada a planta.

A Technos/TECN3 comercializa diversas marcas, sendo duas próprias: Dumont e Condo.

 

dumont-condo

 

Ela vende para joalherias, relojoarias e ótica, lojas de departamento, franquias (56 pontos da marca Touch e Euro) e plataformas digitais de varejo.

 

Mudanças na Companhia

No segundo trimestre de 2019 a Technos/TECN3 divulgou algumas mudanças na gestão, as principais foram:

  • Retorno de um antigo CEO, Joaquim Ribeiro que já havia presidido a companhia entre 2008 e 2014, além de nomear três novos conselheiros,
  • Criou também novos comitês: de cultura, finanças e canais e produtos.

A empresa passou por anos de resultados ruins que acabaram refletindo na cotação, conforme pode ser observado no gráfico acima, por isso sempre fazemos questão de reforçar a necessidade de analisar as estratégias de adequação do produto/serviço a demanda, as mudanças de consumo e por isso a criação dos comitês, é uma forma da empresa dizer ao mercado que percebeu a necessidade de mudar o plano.

E outras mudanças podem ser vistas nos números divulgados no segundo trimestre de 2019, números que mostram a gestão revisando processos, estoques, analisando o capital de giro e estudando formas de melhorar o ciclo, contribuindo assim para um resultado mais eficaz.

 

Resultado do segundo trimestre de 2019

Vamos começar destacando que a Technos/TECN3 optou por vender uma parte da carteira de recebíveis que já estava provisionada na contabilidade, e que de acordo com o release da companhia,possuía baixa chance de recuperação. E esse fator impactou nas contas a receber na ordem de  R$4,1 milhões.

Outro fator importante é que a empresa, assim como tantas outras sobre as quais falamos aqui no site e também na área de membros, nos relatórios e no podcast (AMAR3, MGLU3), fez  uma provisão de estoques no valor de R$32,3 milhões, mais R$ 4,2 milhões de contingencia fiscal referente a esse mesmo estoque e R$ 0,7 milhões de provisão nos materiais de marketing dos produtos.

De acordo com a empresa entraram nessa conta produtos e componentes obsoletos que iriam precisar de muito investimento em retrabalho, logo o custo e a complexidade na recuperação não seriam compensados pela venda.

Percebem a importância na prática quando falo nas análises de negócio sobre o custo de obsolescência, aging, ruptura, overstock, ou seja, a importância de prestar atenção no giro de estoque?

 

Margem bruta

E onde podemos enxergar isso? Na margem bruta, que foi de 1,7% e lembrando que além desse fator ainda existe a influência do aumento do custo do dólar médio, que afeta diretamente o custo devido a estrutura de produção conforme citado no início da nossa conversa. No trimestre o resultado financeiro líquido ficou negativo em R$0,6 milhões contra uma receita líquida de R$3,8 milhões no mesmo período de 2018.

E outro fator que impactou foram os preços menor de algumas marcas que tem maior volume de vendas, lembra que já falamos sobre demanda elástica e inelástica?

Tudo isso pressiona a margem.

 

Ebitda ajustado

O ebitda ajustado com os eventos extraordinários de provisões acabou ficando negativo em R$ 37 milhões com uma margem negativa de 49%, sem os ajustes o valor seria positivo em R$ 2 milhões e uma margem negativa de 2,6%, o que ainda representaria um recuo de R$ 4,6 milhões na comparação com o segundo trimestre de 2018.

 

Capital de giro

O capital de giro reduziu 14% com um ciclo econômico de 49 dias, e a Technos/TECN3 cita que está buscando o alongamento dos prazos das contas a pagar com fornecedores tanto nacionais quanto estrangeiros. Hoje são:

Contas a Receber:  -5 dias

Estoques: -29 dias

Contas a Pagar: +14 dias

Capital de Giro Total: -49 dias

 

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Tentativa de ajustar o fluxo, ou seja, diminui tempo de recebimento, melhora giro de estoques e aumenta prazo para pagar fornecedor e isso altera giro.

 

Despesas com venda

As despesas com venda cresceram 5,3% na comparação com o segundo trimestre de 2018 e as despesas administrativas subiram 33,8% na mesma comparação, a Technos/TECN3 justifica o aumento devido as remodelações na estrutura, o que faz sentido.

 

Dívida líquida

A dívida líquida aumentou em relação ao primeiro trimestre de 2019 mas recuou em relação ao segundo trimestre de 2018, isso se deve em parte pela nova estratégia da companhia, onde a intenção é de aumentar a cobertura de estoques para reduzirpossíveis impactos por ruptura de produtos, além de uma necessidade maior de capital pois as vendas aumentaram e empresas precisam de dinheiro para produzir. O valor da dívida líquida no final do trimestre era de R$31,6 milhões e uma posição de caixa de R$ 35,8 milhões.

 

Receita bruta

Abaixo você pode acompanhar os resultados principais reconciliados, ou seja, sem efeito dos não recorrentes:

 

receita-bruta

 

A receita bruta cresceu 10,2% (aqui a Technos/TECN3 cita que houve aumento da venda média e da frequência de compra )e a receita líquida cresceu 7,7%, mas veja que o lucro bruto recuou 9,5% e os motivos citei acima, não funciona aumentar vendas apenas, é preciso observar a forma como o negócio gerencia os estoques, seja na indústria ou no varejo.

Vejam que o volume de relógios aumentou 17,6% (622 mil unidades) e lembrem que citei que houve diminuição do preço dos produtos com maior demanda, na tabela o preço médio recuou 6,4%, o que considerando o mix é bastante coisa. Viram como os números provam tudo que a gestão escreve no release, pelo menos a parte que já aconteceu.

Acompanhe o desempenho de vendas por canal através dessa imagem, retirada do release da Technos/TECN3:

 

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Demonstração de resultado

Para finalizar veja a demonstração do resultado consolidado da companhia, retirado do release:

 

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O resultado não é bonito, mas as estratégias da empresa logisticamente falando, fazem muito sentido. Porém se elas serão suficientes para reverter o quadro depende da capacidade que a empresa tem em fazer acontecer na prática e também do quanto o cliente está disposto a investir no produto.

 

Concluindo

Negócios são dinâmicos e precisam ser flexíveis, precisam reconhecer mudanças no perfil da demanda e tentar se antecipar a ela, promovendo estratégias de inclusão de produtos sem acreditar que apenas a marca é suficiente para rentabilizar.

Mudanças são positivas quando bem pensadas e estruturadas com foco e dinamismo, com medidas financeiras, produtivas e comerciais. É isso que o mercado observa quando coloca alguns ativos no palco, ele busca possibilidades que podem ou não ocorrer.

E aí vem a grande pergunta, mas qual motivo de escrever sobre uma empresa que está no prejuízo, com números nada atrativos?

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E minha resposta é: para você perceber que nem todos os negócios bem-sucedidos em seus IPOs mantem os mesmos resultados ao longo do tempo, que é preciso analisar os pormenores do negócio e principalmente para  mostrar que bons negócios de ontem podem sofrer grandes quedas hoje, mas que por sua natureza dinâmica podem se recuperar.

A grande questão continua sendo monitorar, observar os itens essenciais no negócio, e então concluir se existe ou não o tão famoso: turnaround.

Lembrando que isso não é recomendação de compra ou venda do ativo.

Informação é dinheiro.

Patrícia Rossari

Analista de Negócios – Especialista em Logística

 

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