TOP 10: O óbvio só existe pra quem sabe a resposta

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TOP 10: O óbvio só existe pra quem sabe a resposta

Hoje não vamos analisar negócios, como de costume. O assunto que vamos abordar é em comemoração a um ano de textos escritos para o Dica de Hoje, então resolvi selecionar as dez perguntas que recebi com maior frequência nesses doze meses de interação com os mais variados perfis de investidores.

Quem está conosco nos cursos, ou lê meus materiais aqui no site, e minha série semanal, já me conhece. Sabe que sou objetiva e clara nas respostas, e que meu foco não é frase motivacional pra deixar as pessoas felizes, ou para acreditarem em si mesmas, aliás ninguém tem esse poder, só a própria pessoa.

São perguntas que envolvem análise de negócios, e essa análise é que permite uma escolha adequada de investimentos, não existe outra forma de entender os negócios, e rentabilizar seu dinheiro, as coisas não acontecem somente com o poder da mente, ele ajuda, mas não é mágica.

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Aliás, tratar dinheiro como algo dependente de sorte, acaso, pensamento positivo, sem aliar ações e conhecimento que amparem as decisões, equivale basicamente a aqueles que torcem pelos ativos.

Vamos ao que interessa

Perguntas:

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10- Quais as aplicações e limitações de uso dos múltiplos de ebitda, patrimônio e de faturamento (receita)?

Aqui vamos usar Damodaran.

Resposta: Essa pergunta é realizada com muita frequência pelos investidores que ainda não tem muita experiencia em analise de negócios, ou não conhecem bem a estrutura do ativo em questão. A resposta é a seguinte:

Para os indicadores que usam a receita, são uteis em análise de negócios que já estejam em um ciclo maduro, com uma projeção de geração de caixa em linha com os pares/segmento. Mas não esqueça que esse múltiplo não considera as diferentes relações da receita com as margens financeiras.

Para os indicadores que utilizam o patrimônio, eles são úteis também para empresas que já estejam maduras, e que tenham no patrimônio a força que promove a geração de valor do processo produtivo, porém é preciso deixar claro que a utilização desse múltiplo é enviesado pelo método contábil (competência), então é preciso cuidado ao tomar uma decisão com base em um dado estático.

Para os indicadores que usam o ebitda, é preciso compreender que a geração de valor pode ser impactada por inúmeras variáveis, então em empresas muito expostas a ciclos, ou em fase de crescimento e expansão é preciso aliar a expectativa de fluxo de caixa a fatores determinantes que causariam o maior impacto no resultado. Além do que, não considera os recursos que são essenciais para a continuidade do processo que gera o valor. Aqui entram alguns casos de Impairment, que acabam influenciando resultados.

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9 – Como é contabilizada a mais valia e ágio por rentabilidade futura em aquisições?

Resposta: Basicamente deve-se calcular o valor justo de todos os ativos e passivos, incluindo intangíveis identificando mais e menos-valias (diferença entre o valor justo e o valor contábil dos ativos).

O ágio por rentabilidade futura (ou goodwill), é residual, sendo a diferença entre o preço pago e o PL da empresa adquirida, ajustado pelas mais e menos-valias encontradas.

A empresa não pode mais amortizar todo o ágio em cinco anos, somente o goodwill pode sofrer amortização nesse prazo.

As mais-valias deverão ser amortizadas de acordo com a vida útil do ativo avaliado, e o benefício fiscal está atrelado ao tempo

Todos os direitos intangíveis são avaliados pelo custo da aquisição, deduzindo a amortização seja por prazo estabelecido, direitos ou vida útil econômica do bem.

 

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8- Posso usar o Valor Patrimonial em uma análise, faz sentido?

Resposta: Sim, pode, mas o valor patrimonial é estático, então não pode ser usado sozinho. E em algumas empresas os ativos podem estar atualizados, ou não, e isso ser bom ou ruim.

Quando ocorrer o aumento do valor patrimonial, a tendência é a cotação acompanhar, por isso a relação entre o P/VPA, lembrando que essa variação é constante pelo variável preço.

Se a empresa tem um retorno sobre patrimônio líquido abaixo do custo do capital, a ação pode passar a negociar abaixo do valor patrimonial, esses casos precisam ser analisados com as especificidades do segmento do ativo.

No caso de empresas que tenham ativos contabilizados abaixo do valor de mercado, os ativos ocultos, podem alterar significativamente o múltiplo e consequentemente a valorização do ativo.

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7- O que é taxa de desconto?

Resposta: custo de capital utilizado em uma análise de retorno para acionista.

A grande maioria das empresas utiliza o capital próprio e de terceiros para financiamento de suas atividades operacionais, então a taxa de desconto a ser utilizada representa o WACC que é a  média ponderada de todos os custos de financiamentos de curto e longo prazo, usados para financiar a operação, ou seja, consideramos o custo do patrimônio líquido (capital próprio), o custo da dívida (capital de terceiros).

Como considera diferentes fontes de capital, a taxa de desconto representa também os diferentes custos de capital relacionados.

Ela deve representar o ganho projetado pelo investidor, considerando o risco associado ao ativo, risco em relação ao retorno.

Em relação ao custo de capital, a lógica é que se meu custo de capital estiver superior ao retorno o meu risco é maior.

No Fluxo de Caixa Descontado, a taxa de desconto leva em consideração o WACC, para identificar o custo de oportunidade de retorno a partir da renda fixa. A taxa de juros dos títulos do tesouro direto atrelados à Selic, a taxa de risco/ prêmio risco é você quem determina, levando em consideração a análise do ativo, e do cenário macro.

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Agora continuando…

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6- Depreciação no fluxo de caixa?

Resposta: A depreciação é perda de valor de um bem, sendo assim ele não tem efeito caixa, mas tem efeito contábil (DRE/BP), ou seja, no balanço é preciso atualizar valores do bem para que as contas fechem.

A depreciação é calculada até a perda ou inutilização de valor do bem utilizável, sendo assim o ativo imobilizado altera no balanço, mesmo sem alterar caixa, ou seja, vai alterar Patrimônio.

E não esqueça que impacta tributação também.

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5- Como ocorre o impacto do câmbio na apuração dos resultados?

Resposta: em relação ao impacto do câmbio nos resultados, a lógica é que no regime de competência, a variação cambial é reconhecida a cada período, independentemente da liquidação da operação.

Assim, se ocorrer no período uma variação cambial de despesa ou de receita, no mesmo período, irá reduzir ou aumentar o lucro da empresa e majoração do tributo devido.

No regime de caixa, altera quando ocorrer liquidação da operação, e então será reconhecido o ganho ou a perda cambial.

 

Próximas Perguntas

As quatro perguntas mais recorrentes envolvem análise qualitativa e de cenário, então para não tornar o texto longo demais, vamos falar sobre elas na próxima semana.

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Concluindo

Quando um ativo sofre com quedas acentuadas, seja devido à crise no setor ou na economia, alguns investidores que não possuem conhecimento para analisar os fundamentos, compram porque a cotação está “barata”, usando apenas o método comparativo do preço/cotação, e não as variáveis responsáveis pelo que está ocorrendo.

Nos vemos na próxima semana.

Informação é dinheiro.

Abraço.

Patrícia Rossari